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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

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The Kraken King - 8 capas

Ao contrário do que aconteceu com os anteriores volumes da saga "The Iron Seas", o 4º volume da saga, intitulado The Kraken King, será publicado de forma serializada em ebook, ou seja, divido em oito partes distintas. Posteriormente, talvez para o final do verão, será então publicado como um volume único, distribuído em papel. Eu já tinha escrito sobre a capa do livro, revelada em Dezembro, mas com esta divisão do livro em 8 partes, surgiram agora 7 novas capas, além daquela já mencionada. As 8 capas serão as seguintes:

 

 
  
  
  

 

Sim, aquele é o Palácio da Pena na 6ª capa 

 

E, apesar de no universo Iron Seas a Lusitânia estar infestada de zombies, não deixo de achar maravilhoso que um bocadinho de Portugal continue a fazer parte desta saga que tanto adoro!

Todos os detalhes sobre como comprar este 4º volume de forma serializada estão no site da autora, que começará a ser publicada a 15 de Abril até 3 de Junho. Atenção aos resumos de cada parte que spoilam partes do enredo.

Riveted, por Meljean Brook

 

Série: The Iron Seas (#3 de 4)
Expectativa: Ó que tola que fui por estar tão receosa de ler este livro, que tola. Deixei que um milhão e meio de dúvidas idiotas me impregnassem e andei a adiar constantemente a leitura deste livro. Depois acabei por ler com a desculpa "por ser por obrigação" porque ia fazer o "Só Ler não Basta" dedicado ao Steampunk em Fevereiro e é óbvio que a leitura foi um verdadeiro prazer.
Estado de espírito: Bom, estava em modo "steampunk" para preparar a discussão para o "Só Ler Não Basta" e o regresso ao mundo "The Iron Seas" era uma forma segura de entrar no estado de espírito certo.
Opinião: O meu irmão tem uma estranha teoria sobre o sucesso das bandas. Segundo ele, se o terceiro álbum de uma banda for um mega-sucesso, tem uma carreira garantida. Três foi a conta que Deus fez. Certo ou não, eu tenho aplicado essa regra não só aos álbuns das bandas mas também aos livros: normalmente se gostar até ao terceiro livro de um autor ou saga, irei provavelmente ler muitos mais. O caso do "Riveted" é que era o terceiro da saga "Iron Seas" e seria provavelmente um "deal breaker" para mim: apesar de ter gostado bastante dos dois anteriores, receava que este não fosse tão bom e que matasse o meu amor pela saga. Posso seguramente dizer que tal não aconteceu.
Por um lado compreendo o meu receio pré-leitura: este "Riveted" é a história mais isolada do universo até ao momento. Nas histórias anteriores ainda encontravamos personagens ou lugares que faziam a ponte entre histórias e que de certa forma faziam o leitor sentir que não está apenas a ler uma sequência de histórias num universo comum mas também uma saga, em que todos os personagens parecem fazer parte de um plano maior. Riveted tem muito pouco ou nada em comum com as personagens ou lugares do "The Iron Duke" ou "Heart of Steel". Da publicidade que foi feita eu sabia que esta história divergia bastante no espaço e ligações às personagens que conhecíamos anteriormente. Mas é, apesar de tudo, um romance da Meljean Brook e por isso não desilude, pelo contrário. Apesar do início de história ser de facto pouco cativante (uma mulher em busca da irmã desaparecida e um homem em busca da aldeia misteriosa da mãe), com as reviravoltas que o enredo sofre, depressa se torna uma viagem mirabolante, uma aventura cheia de perigos e obstáculos incríveis. Com a Islândia como pano de fundo, há gelo, mar, vulcões, minas e trolls para colorir a história.
Esta autora tem o talento de escrever personagens femininas muito fortes e cativantes, verdadeiras heroínas a três dimensões e, neste romance, Annika é tudo isso, mas pouco. Passo a explicar: senti que já apanhava a aventura dela a meio e por isso não senti que ela tivesse que ultrapassar grandes perigos ou que tivesse que ultrapassar uma grande barreira emocional para ficar com o David. A grande dor dela durante parte do livro era se poderia ou não confiar nele, depois se ele iria ficar com ela mas nada que uma boa conversa não resolvesse, na minha opinião.
Já por outro lado David surpreendeu-me bastante e enamorei-me totalmente por ele. De tal forma que dei por mim a pensar a certo ponto: "Eu gosto assim da Annika apenas porque o David gosta dela e está a sofrer neste momento e eu não suporto vê-lo sofrer". A história dele é comovente e enriquecedora, porque não é comum ler-se histórias de pessoas com deficiências físicas, e surpreendi-me com a força e o caracter dele e emocionei-me com o romance dos dois. 
Há também uma reflexão social (e sexual) que é colocada de uma forma muito interessante na história e que é essencial para a resolução do conflito dos personagens principais, que também é uma discussão muito actual nos dias de hoje.
Assim, posso concluir que "Riveted" não só não desiludiu como foi uma excelente adição ao mundo de "The Iron Seas": deu a perspectiva do que acontece noutras partes do mundo na mesma época, como outras culturas foram afectadas, como pensam, como estão a evoluir, que invenções estão a surgir ou como reagem perante os infectados.
Resumo:  Há 5 anos que Annika vagueia pelo mundo à procura da sua irmã, que abandonou a vila secreta onde viviam na Islândia. Há muitos anos que David procura a localidade secreta perto de um vulcão na Islândia onde cresceu a sua mãe, para lá poder enterrar as suas cinzas, tal como lhe prometeu no momento da sua morte. Por um mero acaso os seus destinos cruzam-se no Phatéon, a aeronave aonde trabalha Annika e que vai levar a expedição geológica de David Kentwess à Islândia. Quando David percebe que Annika poderá ser da mesma vila secreta que a sua mãe tudo faz para que ela lhe revele a sua localização mas, ao cruzarem-se com um lunático que ataca navios usando uma baleia mecânica, o mais provável é que os dois nem sobrevivam para lá conseguir chegar.
Pontos positivos: As reviravoltas mirabolantes e surpreendentes da história. A forma inteligente como é abordada a questão da deficiência física de David. A reflexão sobre a homosexualidade.
Pontos negativos: Um início um pouco lento, um vilão demasiado breve e uma heroína pouco interessante.
Fez-me reflectir sobre: Deu-me vontade de visitar a Islândia. Dei por mim a ver um documentário sobre os vulcões da Islândia e realmente há mesmo muito sobre a geologia daquela região que é interessante e merece ser preservada.
Excerto / Citação: "When you're surrounded by stupidity, self-preservation isn't a sin."
Notas: A autora pediu-me, já na fase da revisão, para ajudá-la com uma dúvida de português e eu concordei em ajudá-la. Acabou por não ser necessário porque afinal já tinha utilizado o termo sobre o qual tinha dúvidas anteriormente e decidiu manter o mesmo termo mas mesmo assim foi simpática o suficiente para me adicionar à mesma aos agradecimentos. Eu sim é que lhe ficarei eternamente agradecida.

Leviatã

 

Lamentavelmente este resumo contém spoilers

Série: Leviatã (#1 de 3)

Resumo: Após o assassinato dos pais, Alek é levado durante a noite por um pequeno grupo fiel à sua família para parte incerta porque ele é uma peça fulcral da guerra europeia que está agora a começar. Dentro do "Trovão", Alek é agora o herdeiro sobrevivente de um império que poderá ou não herdar quando a guerra terminar.
Deryn é uma rapariga do povo que recusa que o sexo com que nasceu e a idade que tem sejam impedimentos para ser aquilo que mais deseja: um aviador da Força Aérea. Disfarçada como rapaz como Dylan Sharp, inicia a sua aventura logo no dia da sua recruta quando se perde e vai parar ao poderoso Leviatã. Deryn acaba por fazer o seu treino a bordo do Leviatã nas semanas seguintes e percebe que o poderoso navio voador tem a seu cargo uma missão secreta muito importante na guerra europeia que começa agora a desenrolar-se.
É assim que, algures no centro da europa, os destinos de Alek e Deryn se cruzam da forma mais peculiar, em que um príncipe herdeiro fugitivo une forças a um grupo que são potencialmente seus inimigos.
Expectativa: Elevada. A trilogia tinha sido comercializada declaradamente como steampunk, a edição portuguesa estava muito bonita e de boa qualidade, a ideia parecia muito boa e tudo indicava que eu tinha a oportunidade de ler uma boa aventura infanto-juvenil de steampunk.

Opinião: Quando comprei o Leviatã em 2011 nunca pensei que o iria deixar na estante tanto tempo à espera de ser lido. Depois em Abril deste ano comprei o "Besta" e o "Golias" e a espera continuou. Finalmente, quando o grupo "Diários Steampunk" decidiram fazer um episódio sobre o livro decidi que estava na altura de acabar com a preguiça e saltar finalmente para a leitura do mesmo.
Leviatã acabou por não se revelar tão bom como esperava. Não sei se as minhas expectativas eram demasiado altas, se o meu problema é com a primeira metade da história que é bastante chata. 
Para adolescentes de 15 e 16 anos, parecem ter maturidade de 12 anos e mesmo a escrita do autor poderia ser mais elaborada. Se a nível criativo exige que imaginemos uma baleia que voe no ar e morcegos que cospem flechas, penso que a nível de escrita também poderia ser menos "guião de filme" e mais denso. Leviatã é um livro cheio de boas ideias, muito cinematográfico mas com muito poucas ou nenhumas cenas de introspecção. 
Quando Alek finalmente chora a morte dos pais eu achei que foi um pouco tarde demais. Afinal, o que move aquele miúdo? Ele não tem nada a perder, porque raio quer ele perder tempo em fazer alianças com o inimigo ou viver a bordo de um navio?
Além disso, mas isto é implicância minha, achei que perdia sempre algo quando olhava para uma das imagens do livro. Perdia o ritmo, perdia a cor, perdia o momento que tinha tão perfeitamente imaginado na minha mente.
Continuo a ter muitos sentimentos contraditórios sobre Leviatã, mesmo agora depois de o ter terminado. Gostei mais do livro do meio para o fim, acho que é uma forma genial de explicar história da Primeira Grande Guerra a um miúdo, mas acho-o muito distante do livro que prometia ser.
Estado de espírito: Boa, motivada com a leitura conjunta promovida pelo grupo "Diários Steampunk".
Pontos Positivos: O conjunto de ideias originais que o autor pensou muito bem, a tecnologia avançada, a genética animal, etc...
Pontos Negativos: O saltar de perspectiva entre Alek e Deryn a cada 2 capítulos. A distracção dos desenhos. A falta de introspecção dos personagens.
Fez-me reflectir sobre: Que mundo diferente seria o nosso se a tecnologia tivesse evoluído de forma diferente.

Duas sagas, três contos

"Zane's Tale", de Jill Myles

Pensei, erradamente, que este conto se inseria noutro momento da história (porque é que Zane abandona a Jackie a meio do 2º livro). 
Na verdade o conto não explica porque é que ele abandonou a Jackie nem contribui com nada de especial para a saga. Apenas serve para mostrar que ele gosta da Jackie e que tem saudades dela, além de aproveitar para ter uma cena de ciúmes do Noah, aquele que a protege e cuida dela quando o Zane desaparece. 
Enfim, cada vez menos percebo o encanto desta personagem. 



"Succubus, Interrupted", de Jill Myles

Este conto, da mesma saga que o conto anterior, é mais focado na amiga succubus de Jackie, a Remy. Basicamente explica que a Remy apenas tem um dos seus criadores vivos e que este exige o seu regresso a cada 100 anos, dando-lhe em troca 100 anos de liberdade. Inconformada com a situação da amiga Jackie decide acompanhá-la e tentar convencer o Serim a libertar Remy dos seus deveres.
Os eventos decorrem depois dos eventos do 3º livro e a cena inicial está relacionada com a promessa que Jackie fez a Gabriel.
O conto está engraçado e é bem humorado mas incomoda-me imenso a tendência que a autora tem de emburrecer os personagens em redor de Jackie para que esta pareça melhor. Senti isso no caso da Remy: voltou-se a enfatizar a superficialidade de Remy para mostrar a inteligência de Jackie e a utilidade e importância de Zane. Mais uma vez mostrou-se o quanto os Serins são maus, mais uma vez as únicas cenas de sexo "vistas" foram as de Jackie.
Podia ter sido bem melhor.

 

"Tethered", de Meljean Brook

Esta saga é actualmente uma das minhas favoritas e foi um privilégio poder ler este conto antes da sua publicação. 
Uma das características que mais gosto é a forma como a autora interliga vários pontos, personagens, locais do universo "The Iron Seas". No caso de Tethered reencontramos Archimedes Fox e Lady Corsair vários meses após o seu casamento, numa aventura que os leva a um dos locais mais assustadores a qualquer capitão do ar (quem leu o The Iron Duke irá rapidamente reconhecer o local).
Tethered significa em português amarrado, e é sobre isso mesmo que fala este conto: não só as amarras que podem prender a nave mas também as amarras que nos prendem aqueles que amamos. Para quem amou o Archimedes Fox em Heart of Steel irá certamente adorar reencontrá-lo.
"You're an incredible man, Archimedes Fox." He often thought so, too.

Diários de Steampunk: Uma conversa sobre o The Iron Duke

Para quem não conhece ainda, o blogue português "ClockWork Portugal" é inteiramente dedicado ao Steampunk, nas suas várias formas artísticas. Quando me convidaram para falar sobre o The Iron Duke, decidi ultrapassar a minha timidez, enfrentar as câmaras e falar sobre um livro e saga de que gosto muito.
O vídeo foi gravado para a rúbrica "Diários de Steampunk". No primeiro episódio a Sofia e a Joana introduzem e explicam o que é o Steampunk e o que vão ser os diários (quinzenais).
A minha participação acontece neste segundo episódio em que falamos sobre o "The Iron Duke".

Heart of Steel

Heart

Lido em Inglês

Resumo: Archimedes Fox é um aventureiro e uma celebridade. As suas aventuras, escritas pela sua irmã, são lidas em todo o mundo ocidental. A última vez que foi visto com vida foi quando foi atirado borda fora da aeronave da Yasmeen, a jovem capitã do Lady Corsair. Yasmeen é temida e com razão: a bela capitã é ágil e perigosa. E é esse perigo que atrai Archimedes: ele sabe que conquistá-la poderá ser a sua aventura mais difícil e talvez a derradeira. Quando Yasmeen perde tudo e Archimedes precisa de pagar uma dívida, ambos decidem unir esforços e recuperar o esboço de DaVinci roubado. Juntos partem numa aventura em que os amigos e inimigos se confundem, em que o poder da Horde no ocidente encontra-se cada vez mais fragilizado e em que o Archimedes tem que descobrir um caminho para o coração de Yasmeen, para o seu coração de aço.


Expectativa: Muito alta. Tinha adorado o "The Iron Duke" e esperei um ano para poder ler este livro.
Opinião: É sempre complicado para mim escrever opiniões de livros de que gosto muito e este é um desses casos. Talvez daí estar a escrever esta opinião tanto tempo depois de ter terminado o livro, tenho sempre receio de deixar algo importante de fora. Neste caso em concreto a minha dificuldade principal foi: "Sobre o quê é que eu vou escrever sem spoilar demasiado?” O grande prazer deste livro é descobrir o que acontece, é maravilhar-me com a complicada intriga como se de um policial se tratasse, divertir-me com as aventuras estilo "Piratas das Caraíbas" e enamorar-me pelos protagonistas tal como em qualquer livro de literatura romântica.
Sobre os personagens, o que posso dizer é que esta autora escreve heroínas fabulosas e Yasmeen, mais conhecida por Lady Corsair, não é exceção. Ela é, primeiro que tudo capitã, depois perigosa e por último mulher. Coloco o "perigosa" em 2º lugar porque é neste livro que descobrimos o que a torna tão peculiar, não só fisicamente. Archimedes Fox foi um dos meus personagens masculinos favoritos deste ano: ele é divertido e persuasivo, muito charmoso, veste casacos de cores brilhantes e é viciado em situações perigosas. Adorei a abordagem que ele utiliza para seduzir Yasmeen e a “dança” que acontece entre ambos, em que um beijo acaba por significar mais do que o sexo.
O mundo de “The Iron Seas” é agora apresentado de uma outra perspectiva, mais global, onde todos os elementos de Steampunk ainda estão presentes mas já não dominam tanto a história. O grande pano de fundo deste livro é a “Horde” e os povos que vivem no Novo Mundo, por nós conhecido como o continente americano, e que são nada mais que refugiados europeus e africanos. Nunca pensei que viesse a gostar tanto de história alternativa e dei por mim a pensar: “Bem, se o Vaticano está infestado de zombies e se ainda há católicos, onde vive o Papa agora?” pergunta para a qual não sei se irei ter resposta um dia.


Pontos positivos: Archimedes e Yasmeen, o elaborado enredo, os inimigos disfarçados.


Pontos negativos: Apesar de não lhe dar 5 estrelas como ao “The Iron Duke” acho que não lhe ficou aquém. As 4 estrelas são apenas porque achei o livro curto, aliás foi a primeira coisa que pensei quando lhe peguei. Ficou aquém das expectativas? Um pouco. Esperava um livro um pouco mais denso, como o seu antecessor.

Estado de espírito: Muito bom, ó meu Deus eu queria tanto ler este livro, larguei tudo o ler.

Fez-me refletir sobre: Engenharia genética para aperfeiçoamento do corpo humano.

Só ler não basta: (Re)ler o The Iron Duke - Parte 2 de 2

Cartões com uma biografia  das personagens do "The Iron Duke" que ganhei num passatempo.
Nota: Pode ler a Parte 1 aqui.
 

Tchetcha: Já mencionamos várias vezes o "steampunk" aqui na nossa conversa e este foi o livro que me introduziu e me fez apaixonar pelo género (que afinal não é bem um género mas mais uma estética). O que eu mais gostei, neste caso concreto, é que o mundo "The Iron Seas" é muito credível, cheio de detalhes e com uma incrível história alternativa. Ali os objectos "steampunk" não surgem no dia-a-dia por acaso. Até a nanotecnologia, que parece um pouco "demais" para o Séc. XVIII, faz sentido. Que acharam deste universo alternativo e da ligação que tem com o nosso, ou seja, a Invasão Mongol na Europa?

White_Lady: Eu adorei a História Alternativa! Como disse no início, não sabia muito sobre as hordas mongóis, tirando o facto de que, por algum motivo tinham tentado conquistar o Ocidente mas não o conseguiram. Também não tinha bem a noção de como Marco Polo se ligava com tudo isto e de como o próprio Khan havia pedido ao Papa evangelizadores, engenheiros e escolásticos (descobri tudo isto no site da autora :D ). No nosso mundo as coisas desenrolaram-se de forma diferente, mas em "The Iron Seas" os desejos do Khan foram acedidos, mas o que se poderia pensar uma hipótese de Ocidentalização do Extremo Oriente, vem a revelar-se fatal! Os enviados europeus são forçados a desenvolver armas de guerra (já agora, quase toda a inovação, mesmo no nosso mundo, se deve a guerras, o que faz pensar um pouco :/ ) que são usadas alguns séculos depois para conquistar a Europa. E mesmo com diferenças a história é algo paralela.
As inovações demoram cerca de dois séculos a desenvolver-se, o que faz com que a conquista mongol de faça no "nosso" período dos Descobrimentos. Em "The Iron Seas" muitos povos, entre os quais os portugueses (aqui Lusitanos), perante a ameaça viram-se para os oceanos e procuram refúgio nas Américas. O açúcar, que antes era produzido no Oriente (só com os portugueses e espanhóis é que passa a ser cultivado nas Américas), passa a ser visto como algo a evitar já que é ele que infecta com os nanoagentes, transformando homens em zombies e subjugando a sua vontade para terem acesso às riquezas europeias. Mas nem tudo é mau, os nanoagentes fazem um corpo ficar mais resistente e imune a doenças, permitem a reconstituição de membros mesmo que alguns sejam substituídos para potencializar os trabalhadores... Mas o que ainda achei mais interessante, foi a possibilidade de uma nova evolução, humanos e animais que nascem já com esses agentes e que são imunes aos sinais de rádio da Horda e que leva à destruição desta.
Também achei significativo a história passar-se no séc. XIX. Uma vez destruída a torre, os que não tiveram outra escolha senão ficarem infectados e sob o domínio da Horda, passam a ter medo de sentimentos, já que antes eram controlados. Não havia emoções e mesmo contactos físicos, para efeitos de reprodução, eram muitas vezes causados pela Horde. No "nosso" séc. XIX há uma enorme repressão no que a sentimentos diz também respeito, há todo um manual de como se comportar em público e um código moral, mas é também o período em que se começa a debater muitas das questões sexuais e o papel da mulher na sociedade...
Apesar de diferente, é um mundo ainda assim bastante semelhante ao nosso. Adorei-o!

Janita: O "The Iron Duke" não foi o meu primeiro contacto com o "steampunk", mas foi dos poucos livros que conseguem utilizar esta estética de forma convincente. Esta estação temática "steampunk" foi um empurrãozinho para explorar melhor o género, depois de ler algumas obras que se intitulam steampunk ou exageram na tecnologia, aparecendo dirigíveis aqui e ali só porque sim ou então romances vitorianos serem confundidos e anunciados como sendo steampunk. Raras são as obras que conseguem um equilíbrio interessante entre inovação, vapor e história...e dentro do romance ainda mais complicado é encontrar algo minimamente interessante.
O "The Iron Duke" é um bom exemplo da estética "steampunk", e para ser sincera, fiquei bastante surpreendida quando mergulhei no mundo de Rhys e Mina. A ideia dos nanoagentes foi de génio, adorei a forma como a Meljean Brook explorou a história deles, a evolução, o controlo que exerciam sobre os infectados e posteriormente, após a explosão da torre que os controlava, o debate público sobre se deixar infectar ou não (apresentando os prós e os contras da decisão).
Ao contrário da White_lady eu sou mais uma mulher de ciência, por isso os meus olhinhos brilhavam e os meus *squees* eram mais fortes quando via a história da evolução dos nanoagentes, e a infecção que se espalhou pela Europa continental, mas realmente muitos paralelismos podem ser feitos entre o mundo de "The Iron Duke" e o nosso. A fuga por mar pelos Lusitanos, o empreendedorismo deles, no auge da exploração marítima dos nossos Descobrimentos (aquando da suposta invasão mongol do continente europeu), encaixa perfeitamente no contexto histórico do nosso mundo. Apesar dos dirigíveis, dos nanoagentes, dos implantes, do trabalho arrepiante do "Blacksmith", um sentimento ficou comigo da primeira à última página: um sentimento de proximidade aos personagens e ao mundo da Meljean, e sobretudo sentir que tudo aquilo se encaixava tão bem que podia ser realidade (um pouco como quando vi filmes como o Matrix, apesar da surrealidade do mundo por detrás do que considerávamos realidade, facilmente nos ajustámos ao mundo novo por detrás do véu).

Tchetcha:
Já que ambas falaram nos Lusitanos, detalhe que eu também adorei no livro e contos, aqui fica a resposta qua a autora me deu quando lhe perguntei onde estão os Lusitanos no mundo "The Iron Seas", durante o chat em que participámos no Goodreads:
"Well, Portugal itself is overrun with zombies. The Lusitanians, however, control a good portion of the (what we know as) the southeastern U.S., and are among the more prosperous countries in the New World -- and this absolutely had everything to do with Portugal's strong presence in trade and on the sea while the zombies were overrunning Europe. They decided to get the heck out of there, and got their people over to the Americas, and settled before anyone else really did.
Although they weren't as immediately successful as France (which settled in the Caribbean and the areas of Florida/Louisiana -- and their success was why French is the common trade language and their coins are the common currency), they developed a stronger society and economic base, so that when they began to fight with France over territory, they eventually kicked the French off the mainland and took over everything to the Gulf of Mexico.
Not that they are totally awesome. In the Appalachians, slaves (many of them kidnapped from England) are forced to work the coal mines. There were Native American massacres before the native trade confederacies formed.
But they are a strong presence in the Iron Seas, and it definitely won't be long before a Lusitanian character shows up. :-)"
[fonte]
O que eu acho mais extraordinário de tudo é ela ter dado uma resposta tão detalhada, dado que ela ainda só escreveu um livro mas, de certa forma, já tem tudo pensado. Também gostei da pequena "esperança" que nos deixou ao mencionar futuros personagens Lusitanos.

Como último tópico da nossa conversa (e sinto que mesmo assim tanto fica para dizer...) há que mencionar que o "The Iron Duke" é o primeiro livro desta saga mas há dois contos que o precedem no tempo: "Here there be monsters" e o "The Blushing Bounder". Na minha opinião ambos podem ser lidos antes ou depois do "The Iron Duke" porque não o afectam directamente. Dia 1 de Novembro sairá o segundo livro, intitulado "Heart of Steel" e que foca as aventuras do Archimedes Fox e da Lady Corsair. Quais as vossas expectativas / desejos / ansiedades para este próximo livro e para este próximo par, que será o choque de dois aventureiros que não se prendem a nada ou a ninguém?

White_Lady: Realmente é impressionante como a autora parece ter todo o seu mundo na cabeça, com tamanho detalhe. Vê-se que o seu esforço foi mais além do tentar perceber o que aconteceu na "nossa" história e criar uma alternativa. Ela tenta cruzar ambas as histórias tornando o seu mundo tão real quanto possível.
Ainda não li o "The Blushing Bounder" mas gostei muito do "Here There Be Monsters", onde pela primeira vez me cruzei com a Lady Corsair e pensei, "OMD quero um livro com ela!" Sobressaiu a sua independência, o preocupar-se apenas com ela e a sua tripulação, o facto de fazer um trabalho bem feito e ser bem paga por tal. Basicamente era uma mulher com tomates e diga-se não se vê muitas mulheres assim. E depois apareceu o Archimedes, que me distraiu então do Rhys. :D Imagino-o como um Indiana Jones, à procura de artefactos perdidos e a viver aventuras românticas, afinal de contas as suas histórias estão publicadas em livro, não é verdade? Assim que apareceu nas páginas saiu um "OMD eu quero um livro com ele!" :D Vai ser engraçado ver a relação entre os dois, sobretudo depois de ele a ter desafiado e tomado conta do dirigível, fazendo como que um mini-motim que acaba mal para ele. São ambos cabeças duras, com objectivos bem definidos e talvez algo contrários, pelo que a convivência entre ambos deve ser algo, bem, quente e capaz de queimar ambos. Percebe-se que há ali mais qualquer coisa, mesmo no passado de ambos, e mal posso esperar por descobrir porque raio é que não se entendem.

Janita: Eu quando li a resposta de Meljean à pergunta que lhe colocaste fiquei abismada, com o nível de detalhe que ela colocou na história do mundo de "Iron Seas", e com a paixão que ela transmite pelo trabalho dela! Fiz mesmo um *squee* quando ela referiu a forte possibilidade de existir um personagem Lusitano num livro futuro :D De notar também o cuidado da Meljean e da editora em fazer este chat na plataforma Goodreads, dando uma oportunidade aos fãs de falar com ela, de ter algum feedback e de receber alguns "goodies" como esta resposta sobre o Povo Lusitano e do Êxodo que se deu da Europa após a disseminação dos zombies da Horde.
Eu ainda não tive a oportunidade de ler os contos da autora (apesar de os ter em formato ebook, encomendei a antologia "Hot & Steamy: Tales of Steampunk Romance" que tem o conto da Meljean "The Blushing Boulder" e a "Burning Up" que tem o "Here There Be Monsters"), aqui faço um "mea culpa", mas é uma questão de tempo e da velocidade da entrega dos livros! ;)
Bingo, white_lady afinal a minha distracção foi a mesma que a tua! HEHE
OMD só de pensar num livro com esses dois, quase me dá uma coisinha ruim... pelo que vi dos dois no "The Iron Duke" são claramente duas pessoas com um passado muito conturbado a uni-los! O Archimedes é um aventureiro, que viaja para os destinos mais perigosos procurando artefactos, tudo isso por dinheiro e pela fama ( através de livros escritos pela irmã! LOL), sendo esses os únicos princípios dele. Enquanto a Yasmeen, aka Lady Corsair é uma mulher independente, muito à frente no seu tempo e que apesar de toda a pirataria e abordagens, é mulher e protectora tanto do seu dirigível como da sua tripulação, indo aos arames quando alguém ameaça um dos dois...
A aparição do Archimedes e a reacção da Lady Corsair à presença dele no dirigível, a interacção dos dois durante esse curto período de tempo em "The Iron Duke" promete grandes aventuras e emoções neste "Heart of Steel"...se com o Rhys e a Mina já foi uma aventura e pêras, com estes dois quem sabe o que mais veremos do mundo de "Iron Seas"... (*.*)

Tchetcha:
Bem meninas, adorei esta nossa conversa, foi muito bom partilhar com alguém aquilo que eu gostei tanto no livro e ter as vossas perspectivas sobre ele.

White_Lady: Eu adorei a experiência! Temos de fazer coisas como esta mais vezes! *Janita estou a a olhar para ti e para a série da Gail!*

Janita:
Eu amei a ideia, e a experiência de a pôr em prática foi ainda mais awesome! Assim conseguimos apreciar verdadeiramente a vivência que é ler um livro. Toca a fazer isto mais vezes... e sim :D a Gail merece *wink wink*
Notas:
  • Para saber mais sobre Steampunk basta ler o artigo que a White_lady escreveu aqui no blogue.
  • "The Iron Seas" é o nome da saga steampunk de Meljean Brooks.
  • No site da autora podem encontrar um guia do "The Iron Seas".
  • Contos publicados: "Here There Be Monsters" na antologia "Burning Up" e "The Blushing Bounder" na antologia "Wild & Steamy".
  • Esta saga terá 5 livros. O primeiro volume é o "The Iron Duke" e o segundo sairá já dia 1 de Novembro de 2011 com o título "Heart of Steel". Para Janeiro de 2012 está previsto uma reedição do "The Iron Duke" com um conto adicional chamado "Mina Wentworth and the Invisible City". O terceiro livro sairá nos finais de 2012 e já tem o título de "Molten". [fonte]
  • Todos os livros e contos podem ser lidos em separado, apesar de terem personagens que figuram noutros livros e contos da saga.
  • Não há nenhuma informação se estes livros vão ser ou não publicados em português.

Só ler não basta: (Re)ler o The Iron Duke - Parte 1 de 2

Está quase a fazer um ano que li o "The Iron Duke", um livro que me surpreendeu pela sua originalidade e qualidade. Andei tão entusiasmada durante e pós a sua leitura que o sugeri a todos os booklovers que conheço mas, apesar dos meus esforços, só consegui fazer duas vítimas.
Decidi reler o livro agora, antes do lançamento do segundo livro da saga "Heart of Steel" e pensei que seria bem mais interessante se, em vez de reescrever a minha opinião, pedir às minhas duas vítimas, White_Lady e Janita Lima, para conversarem comigo sobre o que acharam deste livro. 
Nota: É provável que surjam spoilers aqui nesta nossa conversa.

(Re)ler o The Iron Duke - Parte 1 de 2
Tchetcha: Eu sei que fui muito entusiasta a falar do “The Iron Duke” desde que o li, e usei todo o tipo de argumentos para que vocês o lessem. O que foi que te convenceu e que expectativas tinhas antes de o ler?

 
White_Lady: Comecei a lê-lo porque não tinha mais nada! Estou no gozo. :D Comecei a lê-lo em férias, quando andava por outros locais e tinha levado o Kindle. Depois de ler um romance fofo apetecia-me algo mais quente e lembrando-me de como tinhas adorado o livro e tinha steampunk (algo que andava a pensar ler pois o último tinha sido "A Corte do Ar" do Stephen Hunt) pensei dar-lhe uma hipótese.
Esperava unicamente um tempo bem passado, mas surpreendeu-me logo! O que eu julgava um romance histórico, como os da Julia Quinn ou Laura Lee Guhrke, a retratar uma sociedade vitoriana ainda que com elementos steampunk, começava com um corpo congelado a cair do céu! A partir daí fiquei rendida.
Na verdade, e olhando para trás, já devia estar preparada para isto, afinal de contas tinha lido o conto "Here There Be Monsters", não era como se estivesse a ler algo da autora pela primeira vez. Mas não deixou de surpreender e a partir daí devorei o livro. O mundo onde se passa a história, e que me tinha deixado curiosa depois de ler o conto, agarrou-me e durante a leitura nada mais existia para mim. A história alternativa que a Meljean apresenta deixou-me fascinada e sedenta por mais, fui mesmo pesquisar ao seu blog que alterações tinha feito à História Mundial e até me levou a tentar descobrir mais sobre hordes mongóis.
Além disso, a tecnologia também me deixou surpreendida. Já havia gostado do conceito no conto e poder entender mais sobre o que estava e que efeito tinham os agentes nano foi muito curioso.
Por fim as personagens. Aqui também fui surpreendida. É verdade que temos o alpha male, como em outros romances, mas a heroína é completamente atípica, tendo um emprego e sendo parte de uma minoria.
Quaisquer expectativas que tinha, a autora conseguiu ultrapassá-las todas e construir uma boa história, com tudo o que gosto: aventura, mistério, romance... Esperava uma coisa e deu tanto mais. Foi uma belíssima surpresa.
Janita: Ora bem, eu acho que fui mesmo a última vítima, cedi quando vi a reacção da White_Lady e enquanto via a troca de ideias/experiências entre as duas... Como há uns tempos que andava a explorar o steampunk, lá arranjei o ebook do "The Iron Duke". Da primeira página à última levei menos de uma semana, numa montanha russa de aventuras e emoções.
Este foi o primeiro trabalho que li desta autora, só tive acesso aos contos e antologias em que participou depois da leitura do "The Iron Duke", por isso parti para esta leitura sem qualquer tipo de expectativas, para além do entusiasmo que via nas conversas entre vós. Sabia que de certeza que ia ser uma viagem interessante, não sabia era quão interessante! ;)
O que me fez mesmo pegar no livro foi quando em amena cavaqueira, referiram que além do romance, além do steampunk, existia também uma boa trama por trás, uma boa história de mistério e investigação... já todos sabem como sou com estas coisas de romances fantásticos, mas sentia que todos eles falhavam num bom plot fora da relação sobre a qual assentavam... e voilá encontrei o "The Iron Duke".
Tchetcha: Lá está: eu também peguei nele porque procurava um romance "steamy" mas hoje tenho alguma dificuldade em colocá-lo nessa categoria apenas, pelas aventuras e pelo mistério que contém. O romance ocupa talvez um terço de toda a história mas por vezes isso é o suficiente para dissuadir certos leitores de o lerem. Acham que, neste caso, o romance enfraqueceu ou melhorou a história?
White_Lady: A meu ver não é uma questão de melhorar ou enfraquecer, acho que completa a história. Como a Janita disse, há muitos romances fantásticos que falham no plot. Este acertou no plot mas sem o romance não seria uma história tão completa. Seria um mistério como outros, provavelmente sem espaço para crescimento de personagens. O romance possibilita isso. Ambos os protagonistas sentem que para merecer o outro tem de ser melhores do que são, têm de ultrapassar problemas para se relacionarem. Acho que qualquer leitor se identifica com isso, mais do que com o viver aventuras.
Janita: Eu acho que o romance é uma parte muito importante em "The Iron Duke", guiando e motivando muitas das acções dos personagens. Incentivando-os a mudar, melhorar e evoluir... por isso na minha opinião o elemento romance sem dúvida melhorou a história (só de imaginar o livro sem essa parte, até me arrepio! ;)) Em livros do género (fantástico, ficção-científica, steampunk, etc), bons personagens complexos e tridimensionais, são essenciais para agarrar o leitor, isto porque no meio de um ambiente diferente do mundo real, eles são um dos poucos pontos de identificação do público.
Apesar de ser um romance "steamypunk", o romance dá espaço ao desenrolar de toda uma história que agrada aos leitores que não apreciam tanto os romances "habituais" (que se desenrolam em torno de um casal e dos seus problemas, e o resto sub-plots e world building ficam para terceiro plano)... acredito que "the Iron Duke" até consiga algumas "conversões"... ;)
Tchetcha: Continuando a falar do romance, mais especificamente dos seus protagonistas: O Rhys Trahaearn, ou seja, o "Iron Duke", é um verdadeiro troglodita durante dois terços do livro. Todas as abordagens que faz à Mina são muito ousadas, directas e até rasam o inapropriado, dizendo constantemente que está habituado a tomar o que quer, o que torna muito difícil de compreender como é que aqueles dois vão acabar juntos. Qual foi a vossa perspectiva em relação ao Rhys e houve alguma cena em particular que vos fez mudar o vosso afecto a ele?
White_Lady: Já estou habituada a heróis românticos como o Rhys, daí que quanto muito a sua interacção com a Mina tenha suscitado, nalguns casos, alguns revirar de olhos. Ele é o típico alpha male, que ao entrar numa sala transpira masculinidade por todos os poros e há duas ou três damas mais sensíveis que desmaiam fulminadas por tanto sex appeal. Para dizer a verdade, costumo ser algo indiferente ao herói no início do livro, mesmo quando suspiram imenso quando ele aparece e descrevam os músculos ao pormenor. Ele tem de me conquistar conforme conquista a heroína e muitas vezes o afecto muda quando a heroína também o faz.
Neste caso em concreto não consigo identificar o momento em que a alteração se dá, em que passei da indiferença ao "OMD ele tem mesmo que ficar com ela!", porque a coisa deu-se de forma tão gradual que parece que sempre lá esteve (não sei se me faço entender :/ ). Talvez se tenha dado depois de um certo acontecimento que o faz perceber que as suas abordagens afinal magoam a Mina, mas confesso que não tenho a certeza. Além disso, a meio do livro distraí-me com outra personagem, mas isso fica para o livro que se segue... :D
Janita: Posso fazer minhas as palavras da White_lady?! :) Realmente o Rhys é o típico alpha, super convencido dos seus atributos e capacidades de sedução. Tal como a Mina, durante um terço do livro andei um tanto ao quanto desorientada quanto às verdadeiras intenções dos avanços dele. O outro, tal como a protagonista, o Rhys mexia com os meus nervos...aparecia sempre nos sítios mais inconvenientes, fazia a Mina perder a compostura nos sítios mais inapropriados e perigosos, e depois de nariz empinado e com o sorriso do gato que acabou de comer o canário ia embora. Juro que durante uns tempos o homem irritou-me a valer, o convencido!
A cena que me fez acreditar nas verdadeiras e "honoráveis" intenções dele, foi quando a Mina e o Rhys se encontravam no dirigível da Yasmeen (desculpem mas neste momento não me recordo do nome). A Mina sobe à proa e o Rhys aconchega-a no casaco dele (desculpem mas aqui tem mesmo que ser um *squeee*). Aí fiquei com a pulga atrás da orelha e comecei a ver que a fachada que ambos exibiam ao mundo e um ao outro, tinha fissuras enormes e que a qualquer momento ia desabar.
White_lady será que a tua distracção é a minha também?! *wink wink*
Tchetcha: Talvez por estar a relê-lo agora estou com a memória mais fresca mas para mim foi aquela cena de ela escrever a nota a dizer que aceitava e ele dizer que nunca a leu porque queria que ela estivesse com ele de livre vontade e não como um pagamento. Aí eu pensei: afinal até não és assim tão pirata! :D
Quanto à Mina ela é uma heroína fantástica, não é? Para mim o livro devia se chamar "The Detective Inspector Wilhelmina Wentworth" porque ela é que enfrenta os maiores desafios e fá-lo de uma forma tão corajosa. Adorei tudo nela, até ao facto de ter de ser tratada por "Sir". Quero mais personagens femininas assim!
White_Lady: Sem dúvida! Se há coisa que me aborrece em romances, e não só, é escreverem protagonistas femininas que desmaiam por um qualquer motivo estúpido, que são constantemente "damsels in distress" à espera que um qualquer herói as venha salvar, e cuja ambição é casar e ter filhos. Como se uma mulher só fosse feliz assim! A Mina é uma personagem forte, que enfrenta o mundo todos os dias (já que é vítima de racismo devido às suas feições), não se deixa esmorecer perante as dificuldades e tem uma carreira, um emprego no qual excede qualquer um e que deve tal às suas verdadeiras capacidades, sem qualquer uso de artifícios. É um verdadeiro exemplo de uma mulher forte e independente.
Janita: Oh essa cena foi tão fófi! O Rhys apesar de se esforçar muito, não consegue manter a fachada de pirata muito tempo, quando enfrenta a Mina (no fundo é um poço de integridade e cavalheirismo), adoro-o por isso e por muito mais, mas agora é tempo de falar da Mina.
Contem comigo também, tenho alguns problemas em "engolir" as típicas protagonistas de romances, sejam eles paranormais ou não! Nos dias de hoje, poucas são as mulheres que são assim. Realmente deveriam haver mais heroínas como a Mina, mulheres tão fortes, tão determinadas, tão independentes, que por vezes estão tão concentradas em salvar o mundo, os amigos, e resolver mistérios que se esquecem delas, da sua felicidade. Adorei a força da Mina, da sensação de fatalismo que a relação entre ela e o Rhys teve durante a viagem de dirigível e depois no Marco's Terror. Amei o sentido de sacrifício dos dois e a forma como os dois aproveitam os poucos momentos que têm de paz...
Tchetcha: E como eles aproveitam... *suspiro*
Amanhã: (Re)ler o The Iron Duke - Parte 2 de 2

Conto: The Blushing Bounder

wildEste conto pertence à colectânea “Wild & Steamy”

Resumo: Edward Newberry foi viver para Inglaterra com a sua mulher Temperance depois de ambos terem sido renegados de Manhattan City por comportamento impróprio. Temperance sofre de tuberculose e enquanto apanhava ar durante uma noite aflita com falta deste, ela assiste ao assassinato de uma mulher. A Inspectora Mina começa a investigar o caso e é durante esta investigação que Newberry e Temperance se aproximam como marido e mulher, assim como salvam a vida um do outro.

Expectativa: Boa, estava tão entusiasmada porque ganhei este e-book num passatempo em que participei no blog da escritora.

Opinião: No livro The Iron Duke a Inspectora Mina é constantemente acompanhada por um guarda-costas: Newberry. Tudo o que sabemos dele é que é grande, ruivo, um retornado do Novo Mundo e que cora com facilidade. Mina confia a ele a sua vida e é neste conto que descobrimos um pouco mais sobre Newberry e o seu passado. Adorei o conto: continha um mistério, um pouco de romance e muito sentido de humor. Foi tão bom rever a Mina na sua versão de Inspectora confiante e audaz. Também gostei muito do Easter Egg de um dos personagens do Heart of Steel neste conto.

Pontos positivos: O sentido de humor.

Pontos negativos: A rapidez da resolução do romance.

Estado de espírito: Boa.

Fez-me refletir sobre: O quanto a falta de comunicação pode levar a mal entendidos.

The Iron Duke

Formato: e-book
Lido em Inglês

Resumo: Mina é uma inspectora da era vitoriana da Scotland Yard em Londres. A história começa quando esta está num baile de celebração dos 9 anos do do fim do domínio da Horde sobre Londres, para investigar um corpo que foi encontrado na casa do Iron Duke. Este é considerado um herói nacional porque foi ele que, 9 anos antes, derrubou a torre que emitia o sinal de rádio que controlava os sentimentos dos londrinos, libertando-os dessa escravatura e dando origem à revolta contra a Horde.
Mina dirige-se à casa do Duque acompanhada de do seu guarda-costas e rapidamente se apercebe que algo de estranho se passa com aquele corpo, devido ao estado em que este se encontra. Conhece o Duque, ex-pirata de poucas falas, e interroga-o sobre o corpo em questão, do qual o Duque nada sabe. Ao examinar o corpo, Mina descobre que algo não bate certo com os nanoagentes do cadáver e decide consultar o Blacksmith (figura misteriosa altamente respeitada) para obter a sua opinião. O duque atravessa-se no seu caminho: por um lado, também ele parte interessada na investigação em curso, por outro, interessado por Mina, que de certa forma o impressionara na noite anterior. Após a revelação feita pelo Blacksmith sobre o cadáver, ambos se apercebem que aquele corpo não caiu do céu para a propriedade do Duque por acaso e ambos juntam forças e meios para desvendarem o mistério, lançando-os numa incrível aventura por terra, ar e mar.

Crítica: Este foi o melhor livro que li este ano. Considerando que li 18 livros antes deste diz bastante sobre ele. Mantive o resumo ao mínimo porque não quero desvendar muito da aventura mas tenho que falar sobre os vários elementos que me fizeram adorar este livro.
Em primeiro lugar, o género: steampunk . Foi o primeiro livro que li do género e fiquei rendida. Imaginar uma tecnologia mecânica de certa forma demasiado avançada numa época vitoriana é absolutamente fantástico. Adorei as naves voadoras, os barcos, os carros a vapor e tanto mais que me poderá ter escapado devido ao meu fraco vocabulário inglês.
Depois o universo criado pela escritora que é tão grande, meticuloso, pormenorizado, cheio de detalhes e explicações, que de tão inacreditáveis parecem impossíveis mas que fazem sentido neste mundo alternativo. Porque o universo do The Iron Seas é um mundo com uma história alternativa, de uma Europa infestada de zombies e uma Inglaterra a recuperar de 200 anos de invasão da Horde. É como olhar para um mundo pós-apocaliptico, onde certos humanos tinham de viver com martelos ou picaretas como braços ou pernas e que agora os recuperam em forma de próteses mecânicas. Em que para conseguir viver na infestada Londres tem que se estar infectado pelos nanoagentes, agora inertes mas que antes os subjugavam às vontades do Khan. E foram estes mil e um detalhes (inclusive menções constantes ao império Lusitânico) que me mantiveram agarrada, de uma forma quase viciante, ao livro.
A sua heroína, Mina. Adorei-a do início ao fim, maravilhosa. A sua inteligência acutilante fez-me pensar vezes nela como uma “Dana Scully” vitoriana. Mina é o resultado de uma violação da sua mãe por um membro da Horde e devido aos seus traços asiáticos é alvo-constante de ataques físicos. Daí ela ter um guarda-costas. No entanto é, apesar da sua aparência, uma filha amada pelos seus pais e irmãos, com amigos próximos que a adoram e é também uma respeitada inspectora da Scotland Yard. Não é, ao contrário da maioria dos romances, uma heroína desamparada. O Iron Duke, Rhys, tem que fazer um jogo menos limpo para conseguir que Mina partilhe a sua cama.
Quanto ao duque, já não o adorei tanto assim. É, durante a primeira metade do livro, um bronco, que parece que o seu único objectivo é levar Mina para a cama. No entanto, com o desenrolar da aventura descobrimos o seu lado pirata e aventureiro, alguém cujo seu estado normal é estar ao comando de um navio e revela-se, pouco a pouco, o que o levou a cometer o tal acto heróico assim como o seu passado difícil. Sendo este um romance steampunk é o romance a base da história, o fio condutor que empurra a acção, mas não é a totalidade do livro.
As cenas intimas entre Mina e Rhys são descritas ao pormenor e muito muito quentes. Houve até algumas críticas que se interrogavam se duas das cenas eram ou não cenas de violação. Eu achei que não mas a dúvida criada e a a mestria como a escritora montou as cenas eleva-a a um patamar acima das restantes escritoras românticas.
Os personagens secundários também são eles fascinantes: a família de Mina, Newberry, Scarsdale, Lady Corsair, o Blacksmith e outros são personagens secundárias activas, divertidas, surpreendentes. Dei por a gostar tanto deles como de Mina e Rhys.
Por fim, as criaturas. Há zombies, krakens, gatos gigantes e até humanos alterados geneticamente devido à presença dos nanoagentes.
E há mais, muito mais, como questões de xenofobia ou homossexualidade que são abordados no livro e que não cabem nesta crítica. Cenas de batalha em alto mar, vilões que não ficarão limitados a este livro, um final aflitivo que me levou às lágrimas. 
Foi tudo isto que me levou a considerar este livro como o meu favorito do ano.

Expectativa e estado de espírito: Não tinha grande expectativa, o livro foi-me recomendado por uma amiga minha que lê imensos romances românticos e não esperava mais do que isso. Fui por isso surpreendida com este livro fantástico que me deixou várias noites acordada até mais tarde. 

Pontos positivos: Todos os mencionados antes: a aventura, o universo complexo, o romance sem ser piegas, uma heroína fabulosa. 

Pontos negativos: Por incrível que pareça, a capa. Acho que diminui ou desvaloriza o mesmo. Compreendo a opção porque o livro e autora são promovidos como romance e sendo o público alvo maioritariamente feminino, tem a sua lógica. Mas acho que merecia uma capa melhor, talvez uma imagem do Marco’s Terror em Londres, ou assim. 

Fez-me reflectir sobre: História alternativa.

Notas extra: 
  • O The Iron Duke é o primeiro volume da série The Iron Seas.
  • A escritora só tem, actualmente, contrato para escrever mais dois livros e um conto. Será, até decisão em contrário, uma triologia. Nota: A escritora acabou de anunciar que terá contrato para mais 3 livros, perfazendo assim uma saga de 6 volumes e 2 contos no total.
  • Cada volume poderá ser lido individualmente sem necessitar de ler o anterior.
  • Existe um conto que o antecede que se chama "Here there be monsters" e que pode ser lido na colectânea Burning Up.
  • O próximo volume será lançado em Novembro de 2011 e chamar-se-á "Heart of Steel". Irá focar a história de Lady Corsair.
  • No website da escritora encontra-se uma breve descrição dos acontecimentos históricos que antecedem e dão origem a este mundo alternativo do The Iron Seas.
  • Participei num Book Chat com a autora onde muitos detalhes da saga foram explicados e spoilers contados.

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