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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Somos apenas pedaços de carne de sexos diferentes

Ainda não percebi bem o que mais me chocou:

 

Que se faça publicidade usando piadas misóginas e achar isso como uma forma de comunicação arrojada ou que apenas se tenha apagado a mesma não pela polémica que causou mas por causa das implicações judiciais que daí poderiam ter tido origem.

Porque eu não vejo ali no esclarecimento nenhum pedido de desculpa pela forma aberta e descontraída com que se chama nomes a alguém que faz com o seu corpo o que bem entender e que por acaso é do sexo feminino.


Queremos mesmo que a nossa sociedade tenha uma voz assim? Com valores diferenciados conforme o sexo da pessoa que assume e tem controlo na sua sexualidade? Que se venda produtos insultando gratuitamente?

 

Fonte: Restaurante tenta fazer humor com Érica Fontes e fica em maus lençóis

300€ em presentes (sem contar com o Natal)

Este fim-de-semana estive já a preparar-me para 2016 e fiz uma listagem de toda a gente a quem quero oferecer prenda de aniversário (ou que deva oferecer, o querer é um bocadinho diferente). Assim, contas por baixo, prendas até 20€ para cada amigo ou parente, totaliza cerca de 300€. Quase que cuspi sangue, tal foi o murro no estômago.

O que me levou a fazer a listagem é que tenho meses em que toda a gente celebra o seu aniversário e outros em que ninguém. O problema é que deveria poupar nuns meses para dar para os outros mais dispendiosos, mas não o faço. Por isso estive a listar a malta toda para meter dinheiro de parte nos meses de vacas gordas para gastar no das vacas magras.

Primeiro foi o choque ao ver o valor. Depois a negação enquanto somava tudo de novo. Depois a auto-censura: "Quem te manda ter tantos amigos?!" e por fim o choque novamente: "E o Natal? Nem incluí o Natal sequer!". Pensei... "bem, talvez mais uns 300€, tudo num só mês!" E pelos vistos é isso mesmo, para mim e para toda a gente.

Costumo pensar que nada paga a amizade mas caramba, se calhar é melhor repensar isto das prendas. Até lá, poupo.

Já foi há 27 anos?

Há 27 anos ardeu o Chiado e eu mal me lembro dessa tragédia. Fazia pouco mais de dois meses que tínhamos saído do Alentejo para Setúbal e andávamos ocupados a desempacotar coisas, a conhecer a cidade e a ir à praia. Chiado para mim só existiu na escola, quando a professora falou no assunto e eu achei que era matéria de teste. Lisboa ainda é para mim (apesar de aqui trabalhar há 14 anos) uma matéria abstracta, uma amálgama de sítios e lugares que eu oiço falar mas que não me interessam realmente.

Morte e Ressurreição

Em Agosto de 2005 decidi começar o "Ler e Reflectir" no Blogger.

Em Dezembro do mesmo ano comecei um blog pessoal nos Blogs do Sapo, onde desabafava ideias e opiniões pessoais e que acabei por fechar em 2009 porque não queria ouvir as opiniões que os outros tinham sobre as minhas opiniões.

Cinco anos começo a reunir no extinto Posterous o "Diário da Casa", onde contava toda a minha aventura de compra de casa, obras e ir viver sozinha.

A divisão temática entre blogs sempre fez sentido para mim: era óbvio que quem queria ler sobre livros, não queria ler sobre decoração. E ninguém teria de levar com as minhas opiniões e argumentos sobre determinados temas no mesmo local onde se procura opiniões sobre livros.

Há 10 anos tudo isto fazia sentido. Achei: o Twitter substitui a opinião pessoal. O Facebook também. Depois comecei a achar que simplesmente me apetecia desligar. E essa vontade até estava a ganhar forma quando uma estranha ideia surgiu e que agora pretendo tentar: e se... juntasse todos os blogs num só? (O horror, o horror! Dizia uma parte de mim).

Um lugar igual a mim, que não fosse tão imediato como as rede sociais, onde não interessasse quem lê ou comenta, onde pudesses falar de livros e séries e filmes e da casa e de tudo e de nada porque sim?! Ou onde imperiasse o silêncio quando não desejo dizer nada? Não eram afinal aqueles três blogs, três facetas de mim? Para quem escrevo afinal? Qual a minha finalidade? (A resposta a esta última pergunta já mudou várias vezes, talvez tantas como os meus blogs mudaram de plataforma).

Assim sendo, e talvez numa derradeira tentativa antes de ficar offline para sempre, decidi unir os posts do meu blog pessoal, do Ler e Reflectir e do Diário da Casa num espaço só. Esse espaço deixará de se chamar Ler e Reflectir e passará a ter outro nome ainda a escolher (aceitam-se sugestões diferentes de "Comer, Orar e Amar", ok?!). O Diário da Casa vai se extinguir. O blog pessoal também.

Vai ser tudo muito confuso para quem subscreve apenas um destes blogs. Desde já lamento o incómodo. Muitos de vocês partirão imediatamente. Outros perderão o interesse a pouco e pouco. Tal como na vida, não é assim?! Para quem fica, obrigada. Ainda não desisti.

Andam a dizer mal dos romances românticos. Outra vez.

Estava na universidade e tinha ido de fim-de-semana a casa. Quando regressei a minha colega disse-me muito divertida: "Opá estavamos com os copos e começamos a ler os teus livros da Harlequin. Aquilo é tão ridículo, a sério! Como é que gostas de ler aquilo?" Escusado será dizer que senti-me mal e fiquei sem resposta para lhe dar. Mais, ela até me repetiu, fazendo vozinhas e tudo, o excerto que tanto lhe gozo lhe tinha dado ler.

Há coisas que simplesmente não têm lógica e por isso impossíveis de explicar. Porque é que há tanta gente a gostar de Tony Carreira? Porque é que filmes como o Fast and the Furious têm tanto sucesso? Porque é que as calças de licra estampadas continuam no guarda-roupa das pessoas? Porque é que eu não consigo gostar de chocolate?

Por isso, não tento explicar. Gosto e pronto e que se lixe o resto. Já passei a idade de ter vergonha e de me sentir afectada. Só que artigos como o da "The Mary Sue" afectam sempre, não só leitores de romance como também os seus autores. E foi através de uma autora que sigo no Twitter que dei conta da polémica.

Vou ser sincera: nem li bem o texto e nem percebi bem o que se passava. Acho que tudo se resume a um ramalhete de clichés escrito por alguém que não gosta do género e que, tal como a minha colega, tentou perceber "o porquê" da popularidade do mesmo. Falhou redondamente, pois claro. E isso percebe-se no artigo de resposta no "Book Riot": "Artigos de opinião sobre Romances Românticos para Tótós". O pior de tudo é que o "The Mary Sue" demarca-se por ser um guia para miúdas geek. Geek é fixe, romances não. Opá, és geek mas não podes gostar de romance românticos, topas?! Só faltou dizer: tens que ser mais como os rapazes e gostar de cenas de rapazes porque isso é mau porque é romântico. E só mulheres burras é que gostam de romance, topas?

Bolas, até eu gozo com os clichés dos Romances Românticos. Sim, há capas ridículas e cenas disparatadas, diálogos idiotas e tuditudituditudo. Mas se formos por aí, toda a literatura é, dependendo de quem lê, ridícula. Leiam Fernando Pessoa com voz de Pato Donald, ou uma cena de sexo do Memorial do Convento com a vossa melhor voz porno e vejam se não choram a rir.

Só não reduzam todo um género multifacetado que abrange da fantasia, FC, romance histórico, LGBT, desafiador de regras sociais, que aborda temas polémicos que afecta a vida de muitos casais, hetero ou homosexuais, colocando os leitores (que não são apenas mulheres) a reflectir sobre as suas próprias vidas, traumas, desejos e ansiedades.

Já tive livros de auto-ajuda (que, já agora, era o que essa minha amiga adorava ler e recomendava porque era "inteligente" na altura ler-se auto-ajuda) que doei mas nenhum romance romântico de que me queira livrar, porque deles tirei mais ensinamentos sobre compreensão do outro, de mim mesma, das minhas ansiedades e medos que qualquer outro livro. E mesmo que não os releia, ou recomende, ou sequer me lembre dos seus títulos, são mais satisfatórios e servem melhor o seu propósito do que muitos livros "inteligentes" que andam por aí: confortam-me.

Por último, parem de desdenhar do romance romântico apenas porque é preferido pelo sexo feminino. Principalmente as mulheres que querem ser algo mais para pertencer ao clube dos rapazes. É ridículo usarem esse argumento, desdenharem do género a que pertencem e fica-vos mal. Há formas mais inteligentes de te mostrares inteligentes, topas?

Semana #4 de 2015 - Contos para afastar o cansaço

A semana começou da pior maneira. Dormi mal na madrugada de domingo para segunda-feira por causa das fortes rajadas de vento que toda a noite ameaçaram arrancar todas as antenas do telhado. Dormir pouco não ajuda a nada, principalmente a ler. Assim, decidi começar a minha semana com a leitura de um conto no Kindle. De um conto passei a três, um que comecei por engano. As minhas horas de almoço foram vitais para avançar nas leituras. O único senão que vi nesta estratégia, até agora, foi o terminar algo e ficar sem nada para ler, dado que não ando com 5 livros na carteira, em simultâneo.


Burning Girls, de Veronica Schanoes | Adquiri gratuitamente este conto no site da Tor e chamou-me a atenção por ter sido um dos nomeados aos prémios Nebula. Comecei-o na 2ª feira e terminei-o na 5ª feira, após ter terminado o almanaque steampunk 2012.

Deborah é uma rapariga judia que aprende as artes da bruxaria com a avó e vê-se obrigada a proteger a família, não só recorrendo às artes mágicas como também fugindo para a América.

Em 48 páginas temos todo um retrato da perseguição dos judeus na Polónia pelos Cossacos, no início do século, as crenças e características específicas judaicas (como por exemplo, a crença que nenhum objecto para o bebé deve entrar em casa antes de nascer) assim como as condições laborais no início do século nos EUA e o início do movimento sufragista. Há todo um conjunto de calão e simbologia ligada à religião judaica a qual não entendo mas, todo o ambiente e escrita lembrou-me o realismo mágico. 

O melhor: a escrita e o facto de retratar tão bem o universo feminino. O pior: de ser apenas um conto e não um livro inteiro. (link)

 

O diamante tão grande como o Ritz, de F. Scott Fitzgerald | Exausta após a reunião de condomínio da noite anterior, achei que seria mais simples ler um conto e agarrei neste livro para levar comigo. Não li de manhã nem à hora de almoço e pouco li no regresso a casa. 

Agora, o que eu não sabia era que esta minha edição, que saíu com a revista Visão, tinha vários contos, e não apenas aquele que dá o título à mesma: "O Estranho Caso de Benjamin Button". Pior ainda: comecei a ler o conto pensando que seria uma espécie de prólogo introdutório à história do Benjamin, quando na verdade "O diamante tão grande como o Ritz" era um conto inteiro por si só. Até ao momento tudo o que teve foi descrições de luxo extremo. 24 páginas lidas.

 

O Estranho Caso de Benjamin Button, de F.Scott Fitzgerald | Ainda cansada (deveríamos poder hibernar no Inverno, just saying!) saí de casa à pressa e nem me lembrei que teria de escolher outro livro para ler. Já estava decidida a continuar a história de ontem quando, enquanto retocava este texto, percebi que a minha edição contém outros contos. Assim, decidi ler durante o almoço AQUELE conto que queria ter lido ontem! E li tudo. É giro, narra a vida de um homem que nasce velho e que, progressivamente vai ficando mais jovem, mas o conto em si não é nada de especial. Parece-me que o filme está bem diferente. 42 páginas lidas, conto terminado.(link)

 

Almanaque Steampunk 2012 | Terminei a leitura que iniciei a semana passada. A minha opinião sobre o geral desta edição é muito boa, tal como tinha já dito a semana passada. Só lamento ter gostado tão pouco dos contos selecionados, cujo tom excessivamente dramático acabou por ser um mega "turn-off" no final. Tenho na estante o de 2013 para ler, com ansiedade!


A Sangue Frio, de Truman Capote | Ao almoço pouco li e no comboio o sono (ou o anti-histamínico) venceu-me ao fim de 8 páginas. Já disse que esta edição da biblioteca Sábado tem as letras muitos pequeninas? Seja como for, o crime ainda não aconteceu e eu continuo interessada.

Total da semana: 

Burning Girls | 48 páginas

O diamante tão grande como o Ritz | 24 páginas

O Estranho Caso de Benjamin Button | 42 páginas

Almanaque Steampunk 2012 | 78 páginas.

A Sangue Frio: 8 páginas.

Total do ano:
2 livros terminados.

2 contos terminados.
590 páginas lidas.

Limpezas de fim de ano

Em anos anteriores preocupei-me em contabilizar o que tinha lido, o que ainda tinha na pilha por ler e na minha lista de desejos para o ano seguinte. Este ano como li tão pouco (metade do que o ano passado e tão pouco como em 2010) o meu foco de atenção vai dirigir-se para ler melhor.

Ler melhor é complicado. Nunca sabemos o que vamos ler até abrir as primeiras páginas de um livro. Acho que este é, aliás, o meu dilema constante: como escolher e comprar um livro que preencha os meus interesses?

Assim sendo e, aproveitando os dias de Natal que aí vêm, vou aproveitar o tempo extra para decidir o que vou fazer em 2015, no momento de escolher o próximo livro. O que vou fazer?

 

Menos livros na lista de desejos

Um dos primeiros passos (e um dos mais fáceis de concretizar) vai ser rever a wishlist que tenho no Goodreads, pois neste momento tem tantos livros quanto aqueles que li. Vou me fazer a mim mesma estas perguntas para manter ou apagar cada livro:

- Ainda me lembro porque é que o quero ler?

- Ainda quero ler este autor / género / saga / tema?

- É premiado?

- Aparece repetidas vezes em listas de sugestões?

- Foi me recomendado por alguém cuja opinião tenho em consideração?

Se responder pelo menos a 4 destas 6 questões, fica. 

 

Menos ebooks americanos

Ok, a opção pode parecer estranha para quem tem um kindle mas grande parte da "avalanche" de livros maus que tenho lido têm estas duas características. Assim, vou olhar para o Calibre, onde guardo os ebooks, e colocar as mesmas perguntas que farei para purgar a wishlist. 

 

Zeitgeist

Quero estar em mais sintonia com o agora. Sinto que não tenho andado a ler novidades e apetece-me. Foquei-me muito na "pilha" ultimamente (e devo continuar a focar-me) mas por vezes também sabe bem ler algo acabadinho de sair, aqueles livros de que toda a gente fala neste momento e não que falavam há 2 anos atrás. Outra opção são os livros de culto ou livros que foram premiados (Pulitzer, por exemplo). As minhas últimas experiências foram positivas e quero manter-me nessa onda.

 

Menos blogues, mais sites e revistas da especialidade

Grande parte das recomendações que obtive nos últimos anos tem sido através de blogues, nacionais e estrangeiros. Descobri livros fabulosos e verdadeiras desgraças literárias graças a essas recomendações. Mas ultimamente perdi o interesse. Simplesmente não me apetece ler opiniões escritas num blog (irónico, não é?) excepto se for de alguém cuja opinião valorizo. Por isso vou me focar em ler mais revistas como a Estante, A Revista Bang! ou mesmo a Somos Livros da Bertrand. No caso de literatura estrangeira a Tor enche-me as medidas. Aceito sugestões de mais revistas e websites do género.

 

Mais offline

Esta será talvez a resolução mais difícil de concretizar e no entanto é aquela que mais desejo neste momento.

Os últimos meses passei mais tempo offline e tem me sabido muito bem: parece que aquele bombardeamento constante de novidades, promoções, listas de "tenho de ler", os updates de leitura dos amigos no Goodreads, os booktubers etc... desapareceram. Na minha casa tudo o que tenho é as pilhas dos lidos e não lidos. Dos não lidos, olhos para alguns e penso: "Como é que tu vieste parar aqui? Que febre é que me deu para achar que ias ser interessante para mim?" Esta distância entre o momento em que desejei ler algo até ao momento em que o li não é saudável. Culpo em parte ao excesso de recomendações a que estive exposta nestes últimos anos. Menos é mais e espero que menos seja melhor.

 

A quem lê este blogue um feliz Natal e um excelente 2015.

 

 

 

Ler para outrém

Normalmente leio para mim. De boca fechada a sós com a voz na minha cabeça. A compreensão da história passa pela empatia que estabeleço com o autor que a conta, pelo meu estado de espírito, maturidade e outros factores afins.

Mas estou neste momento a viver uma experiência um pouco diferente: estou a ler e a recontar o que estou a ler a outra pessoa, que por sua vez não gosta de ler. Apesar de ainda ter feito algumas tentativas para que lesse este livro também, a resposta foi absoluta: "Não não. Tu lês e contas-me mais rapidamente a história do que eu alguma vez a tentar lê-lo sozinho." Ele não gosta de ler e isso não me choca. Mãe, pai, irmão e metade dos meus amigos simplesmente não lêem.

No entanto ele gosta de histórias e, quando me perguntou: "O que estás a ler?", ao que respondi "Um livro sobre duas irmãs cuja única alternativa após o suicídio da mãe é integrarem um grupo de colonialistas de um novo planeta, cuja nave acaba por ser atingida por asteróides enquanto hibernavam e acabam por ir parar a um planeta desconhecido." ele disse: "Isso parece muito interessante. Não queres ler e ir-me contanto um pouco todos os dias?"

E assim tem sido. Cada pedacinho que leio das 1277 páginas que constituem o "The Last Hour of Gann" são por mim reinterpretadas e recontadas em voz alta, tal como antigamente as pessoas contavam as histórias aos filhos e amigos, porque não havia livros ou televisão.

Não foi tarefa que tomei de ânimo leve pois a ideia parecia-me quase blasfema. Um livro é para ser lido! Recontá-lo é estar a privar a pessoa de viver a experiência, de entrar naquele mundo, ouvir aquelas palavras. Uma coisa é resumir um livro e escrever uma opinião mas recontá-lo?! Blasfémia.

Mas, o que fazer quando a pessoa não quer ler mas quer saber a história? Quer ver o filme mas não ler o livro? É justo forçar alguém a ler? É justo privar alguém de uma história só porque não gosta de ler?

A experiência tem sido enriquecedora e positiva. Não só passamos algum tempo a falar de algo que não é propriamente sobre nós e a vida real, como me obriga a ter cuidado com a forma com o que conto. Também ao ler, além do meu entusiasmo natural com a leitura, sinto-me responsável e obrigo-me a manter focada nas partes que mais tarde irei recontar.

A história que ele ouve tem a minha voz, é o "The Last Hour of Gann" recontada por mim. É a minha visão sobre o que li. Não é igual ao livro, mas entretém.

Então: Porque somos tão duros quando os filmes e séries não são iguais ao livro? Se puderem oferecer algum entretenimento a alguém, que de outra forma não teria acesso à história, porque não? E, o acto de recontar, como era nos tempos dos nossos avós, não deveria voltar a ser visto com algum respeito?

O que é que os últimos 30 livros dizem de mim?

Vai um desafio?

Estava a olhar para estante de livros lidos, no Goodreads, e a pensar: "Hum, o que será que pensariam de mim se vissem os últimos 30 livros que li?" e então, boa ideia ou não, decidi fazer um screenshot e partilhar convosco. O objectivo é saber a vossa opinião sobre mim como leitora, baseada apenas nestas últimas leituras. Um pouco semelhante como julgar um desconhecido pela roupa, percebem? Claro que, para quem assiste ao "Só Ler Não Basta" sabe o que me motivou a ler alguns destes livros.

Comentem e se quiserem também fazer este desafio no vosso blog, fiquem à vontade. Só vos peço que deixem na caixa dos comentários o link para o vosso desafio, para que eu possa espreitar e comentar também.

 

Que tipo de leitora sou eu?

Dia Mundial do Livro

Lembram-se daquele vídeo "Dear 16 year old me"? Lembrei-me, para festejar este dia mundial do livro, de escrever uma carta à minha "eu leitora" com 16 anos. Este foi o resultado:

 

"Querida Eu,

Tens 16 anos e por esta altura já deves ter lido os Maias. Sentes-te um bocadinho orgulhosa por teres sido uma das poucas pessoas da turma a ler o livro. E gostaste! Quanto ao "Eurico, o Presbítero" posso te garantir que vais lê-lo um dia, por mais que jures que não. E vais gostar! Vais ver.

Eu lembro-me que os livros que mais gostaste de ler até ao momento foi a "Saga dos Filhos da Terra". Tu ainda não sabes mas esses livros vão moldar as tuas leituras nos próximos anos. Vais de certa forma procurar uma Ayla em cada livro que lês, que é uma mulher inteligente e corajosa e, ao mesmo tempo, frágil e apaixonada. Vais desejar ter um Jondalar na tua vida, mesmo que percebas daqui a uns anos o quanto ele é péssimo como herói romântico.

Peço-te, não cedas ao impulso de comprar um livro só porque uma pessoa te diz que é muito bom. Espera que dez pessoas digam que é bom e, mesmo assim, interroga-as sobre o que é que gostaram no livro. O que elas gostam pode não ser necessariamente o que tu gostas.

Não tenhas vergonha de dizer que gostas de ler romances da Harlequin, mesmo que gozem contigo. Snobes literários vais sempre encontrar em todo o lado e os romances românticos, sejam da Harlequin ou outros, preenchem-te como leitora, fazem-te feliz. E ler deve te fazer feliz, acima de todas as outras razões. Esses mesmos snobes vão ser as pessoas que te vão recomendar ler Paulo Coelho e se fosse a ti evitava lê-lo. Eu sei que o vais ler mas acredita: não vais aprender nada com ele.

Vai haver momentos em que não vais ler nada. Não lamentes esses momentos, são fases e passam.

Vai haver alturas em que não vais saber o que comprar e comprar qualquer coisa. Outras em que vais ter demasiado para ler e sentires isso como um desafio.

Comprar um livro e só lê-lo 2 anos depois pode significar que já nem te lembres porque é que o compraste, ou por outro lado, que estás a arranjar coragem para o ler.

Evita gastar demasiado dinheiro em livros. Ainda hoje estou a tentar seguir esse conselho.

Livros grandes não são necessariamente bons livros.

Mia Couto é um homem. E é branco. E não tem sotaque africano. 

Nem sempre vais entender o que lês. Não significa que não sejas suficientemente inteligente para o perceber mas apenas que esse não era o livro para ti.

Não fiques frustrada com o Saramago. Aceita o facto dele ganhar o Nobel e lê o que te apetecer.

Não te sintas esquisita por seres a única pessoa da família e amigos que gosta de ler. Vais conhecer pessoas maravilhosas que gostam tanto de ler como tu e vais passar imenso tempo ao computador a falar com elas sobre livros. Sim, ao computador. Eu sei que é estranho porque só agora é que aprendeste a mexer num mas acredita, vais ficar melhor a mexer neles.

Até posso te dizer que vais ler livros numa espécie de computador portátil, mas pequeno e fininho, que imita o papel.

Não vais trabalhar com livros mas, de certa forma, vais perceber que isso é uma bênção, porque terás toda a liberdade para leres o que quiseres, quando quiseres.

Ainda não leste o "Entrevista com o Vampiro" porque tens medo que o livro não esteja à altura do filme. Não te preocupes, livros com vampiros é algo que vai haver em abundância.

O teu livro favorito vai te ser oferecido e nem te vais aperceber o quanto ele vai ser especial para ti até ao momento em que não o queres terminar. Não, não te vou dizer qual é. Ainda não tive coragem para o reler. Gosto de me lembrar dele como uma boa memória.

Aliás, os melhores livros vão te chegar a ti das formas mais estranhas: compra impulsiva, prenda, troca de livros. Por mais que tentes perceber o livro que vais ler antes de o começar, este irá sempre te surpreender.

Não faz mal desistires de um livro. A vida é demasiado curta e há muito por onde escolher.

Acima de tudo, não deixes de viver a tua vida para ler. O mundo está cheio de coisas maravilhosas e a vida é para ser vivida, os livros são apenas para os tempos livres.

 

Beijinhos,

T."

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