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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

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O Filho de Thor, de Julliet Marillier

O Filho de Thor

Desconhecia por completo esta autora e "O filho de Thor" mas conheço várias pessoas que gostam bastante dela e decidi aceitar a recomendação da Célia. Não sei bem porquê mas tinha-a associado à Anne Bishop o que agora percebo que foi um erro pois ambas são muito diferentes na escrita e universos. A escrita de Marillier é muito bonita e poética, com muita imaginação e informação histórica mas sem aquele "despejar de informação" que muitos autores acabam por fazer.
A primeira metade do "Filho de Tor" foi a que mais me custou, pois serve para contar como surgiu a amizade entre Sommerled e Eyvind, enquanto rapazes. Não morro de amores por histórias com crianças e cheguei a pensar em desistir. No entanto, a autora coloca estrategicamente alguns mistérios e conflitos que ajudaram a manter o interesse e partir para a segunda metade do livro que se passa nas Ilhas Brilhantes.

Sommerled é desde o início o aparente vilão da história. No entanto como é apenas um rapaz assustado que sofreu bastante na infância ficamos sempre na dúvida se ele é intrinsecamente mau ou apenas produto do seu meio e ambições. Depois há a sua relação com Eyvind. Este é um rapaz lutador e corajoso, de ideais e ambições simples. Só que é essa bondade inata que atrai e mantém Sommeled no seu melhor, impedindo-o de se tornar totalmente mau. Eyvind passa por várias e diversas dificuldades ao longo desta história. Sofre quando tem que agir contra aquilo que acredita e a sua recuperação acontece através de Nessa que se torna a sua mais improvável aliada. Por seu lado Nessa vive em conflito por se apaixonar por um guerreiro do grupo que está em luta com o seu povo e ajudar o seu povo a sobreviver. Foi por causa de Nessa que me apaixonei por esta história. As passagens sobre ela e a sua magia são lindíssimas e transportou-me para um tempo em que nós humanos vivíamos mais ligados à nossa Mãe-Terra.
Em resumo: adorei este livro. Começa de uma forma talvez pouco interessante e lenta mas a pouco e pouco prende-nos, principalmente através dos seus personagens, e faz-nos apaixonar por aquele bonito mundo das Ilhas Brilhantes.

 

Nomes dos personagens: Eyvind, Sommerled, Nessa, Ulf, Margaret.
Nomes dos lugares: As Ilhas Brilhantes, Rogaland
Conteúdo sexual: muito discreto: beijos e carícias.
Violência física: Sim, alguma. Pouco descritiva. Cenas de batalha.
Violência psicológica: Sim, discussões e confrontos verbais.
Mensagem: Política, religiosa.
Pontos positivos: A escrita da autora, as cenas de magia de Nessa, Eyvind.
Pontos negativos: A parte inicial enquanto Sommerled e Eyvind são crianças: apesar de necessária tornou-se um pouco chata.
Fez-me reflectir sobre: Colonização e choque de civilizações. Ligação às forças da Natureza.

 

Autor: Julliet Marilliet
Série: Saga das Ihas Brilhantes (#1 de 2)
Editora: Bertrand
Estante: Romance Histórico
Período de leitura: 6 a 21 Junho de 2013
Formato: Papel
Língua: Português
Classificação: 5 estrelas: Adorei-o! É muito bom.

A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin

Expectativa: Foi um livro que eu demorei muito tempo para começar a ler por várias razões. A primeira é que a época medieval não me seduz nada, com ou sem fantasia. Foi só apenas ao grande sucesso do autor por cá e à minha leitura dos capítulos sobre a Daenerys, que gostei bastante, que fiquei convencida a investir na leitura deste livro. Depois veio a série e com ela a euforia dos fãs. Tendo passado por uma situação semelhante mas invertida, com a série Sangue Fresco, decidi primeiro ver a série de tv e depois ler os livros. De certa forma quis afastar-me de todas as formas de pressão e euforia que livros com grandes hordas de fãs normalmente trazem consigo e apreciar o livro por si só, ao meu ritmo e ao meu gosto.

Estado de espírito: Primeiro livro do ano, comecei a lê-lo porque queria "finalmente começar a ler A Guerra dos Tronos" e porque andávamos a preparar o tema de Janeiro para o Só Ler Não Basta e queria estar bem preparada.

Opinião: A família ou a honra? Este é o dilema com que se depara Eddard Stark perante o convite que o rei lhe faz para ser a sua Mão. A sua decisão acaba por ser forçada, na sequência de um grande infortúnio, no entanto esta terá consequências graves para a sua família e reino.
George R. R. Martin oferece-nos com a "A Guerra dos Tronos" a introdução ao seu enorme jogo de xadrez em que Westeros (um reino de Fantasia onde as estações do ano duram anos e a magia quase que desapareceu) é o seu tabuleiro e as várias famílias e personagens os seus peões. É na complexidade do seu mundo e na forma como tudo se move e se interliga que torna esta saga tão interessante. Há um enredo maior do que este livro só, há um destino (que neste livro ainda não se sabe, tudo é introdutório) para esta história, tudo isto apresentado de uma forma bem escrita.
É por isso agridoce o que sinto relativamente a este livro e saga. Sinto que há uma grande festa a acontecer e da qual não consigo fazer parte. Arrastei a leitura durante quase um mês e muitos foram os momentos que não me apetecia lhe voltar a pegar. E o que mais me surpreende é a diferença entre o quanto adorei ler  apenas os capítulos da Dany para ler agora o universo ou a história completa.
Fantasia épica não é mesmo "my cup of tea", por muito boa que seja. Houve passagens que gostei muito: Os capítulos da Dany, os sonhos de Bran, as ansiedades da Sansa, a sagacidade de Tyrion. Fora isso tudo aborreceu-me e aborreci-me porque queria MESMO gostar. Ainda bem que, além deste tenho apenas tenho "A Muralha de Gelo" para ler e poderei desistir de uma saga que faz tanta gente feliz (mas não a mim).

 

Resumo: Robert Baratheon é rei de Westeros e convida Eddard Stark para ser a sua Mão, após a morte do seu antecessor. Este convite e sua aceitação leva à separação da família Stark assim como ao desmascarar dos planos da família Lannister para tomar o poder. Simultaneamente Robert descobre que os sobreviventes Targaryen ainda estão vivos e que Daenerys está grávida e decide ordenar a sua morte, com a qual Eddard não concorda. Os filhos Starks rapidamente levam rumos diferentes a partir do momento em que se separam e os seus destinos parecem que irão estar intimamente interligados com os do reino.


Pontos positivos: A complexidade da trama, a beleza da escrita, a criatividade.

Pontos negativos: O meu desinteresse pelo tipo de história levou que arrastasse a leitura por mais tempo do que o esperado.

Fez-me reflectir sobre: A importância dos bastardos no futuro dos Reinos quando os legítimos deixam de existir.

Excerto / Citação: Pág. 153

"E olhou para lá da Muralha, para lá de florestas sem fim sob um manto de neve, para lá da costa gelada e de grandes rios azuis esbranquiçados de gelo e das planícies mortas onde nada crescia nem vivia.
Olhou para norte, e para norte, e para norte, para a cortina de luz no fim do mundo, e então para lá dessa cortina. Olhou para as profundezas do coração do Inverno, e então gritou, com medo, e o calor das suas lágrimas queimou-lhe o rosto.
Agora sabes, sussurrou o corvo ao pousar no seu ombro. Agora sabes porque deves viver.
- Porquê? - disse Bran, sem compreender, a cair, a cair.
Porque o Inverno está a chegar."

O Prestígio


Lamentavelmente este resumo contém spoilers

Resumo: "O Prestígio" é uma história contada a quatro vozes, em duas épocas diferentes. Andrew Westley, Kate Angier, Alfred Borden, e Rupert Angier são os quatro narradores de uma história sobre a rivalidade entre dois ilusionistas do século XIX. Esta rivalidade entre Alfred Borden e Rupert Angier nasce quase por acaso e rapidamente passa do desejo de um em desmascarar o outro para uma vingança e ambição desmedidas de parte a parte. A obsessão de Rupert Angier em descobrir o segredo de Alfred Borden era tão grande que este acabou por recorrer a Nicholas Tesla para lhe criar uma engenhoca que criasse o mesmo efeito de ilusão que  o truque a que Borden chamava de "O Novo Homem Transportado".
Levados aos limites, ambos destroem as suas vidas pessoais e profissionais e, anos mais tarde, a pequena Kate Angier assiste à morte de uma criança numa máquina estranha na cave de sua casa. Convencida que se trata do irmão gémeo de Andrew Westley, descendente de Alfred Borden, escreve-lhe e desvenda-lhe a história da família. Andrew não tem alternativa a não ser ficar naquele lugar sinistro durante a noite onde algo parece pedir-lhe para ficar desde o momento em que chegou e é então que se depara com uma revelação inesperada, resultado da rivalidade dos seus antepassados.

Expectativa:  Estava um pouco apreensiva. Conhecia e gostei imenso do filme que foi adaptado a partir deste livro e por isso receava não gostar.

Opinião: Tal como mencionei na expectativa, estava um pouco apreensiva relativamente a este livro, um receio que agora vejo ter sido infundado e tolo da minha parte e que me afastou durante muito tempo de uma boa história.
O melhor de "O Prestígio", na minha humilde opinião, é o seu formato epistolar. Por não ser contado de uma forma linear, mas sim através de relatos escritos em diário ou recordações, o que fica por dizer na perspectiva de um personagem só mais tarde é preenchido pelo relato de outro personagem. E, tal como num truque de magia, somos nós leitores que temos que preencher as lacunas sobre o que não nos é dito, sobre o que está por detrás da cortina.
Quando um mistério parece se desvendar, outro surge e todos eles estão relacionados com as vidas de Kate e Andrew, os descendentes dos ilusionistas rivais. O livro é por isso uma sucessão de acontecimentos e mistérios, quase como se o próprio livro fosse um espectáculo de ilusionismo. É engraçado, eu detesto ilusionismo, é uma arte que me aborrece de morte, no entanto no contexto histórico em que a história acontece compreende-se porque é que o ilusionismo era a arte admirável e surpreendente que era, assim como o circo, por exemplo. Este "O Prestígio" fez diminuir um pouco a minha aversão em pegar em livros sobre artes circenses.
E depois Christopher Priest faz algo que eu penso que é formidável: de certa forma, logo ao início, conseguiu implantar-me a ideia que algo de muito errado iria acontecer no fim do livro e senti que toda a história era um crescendo para uma revelação final, como num truque de magia. Não houve por isso um momento do livro que eu achasse particularmente chato porque estive sempre cativada em descobrir algum mistério em particular. E claro que no fim todo o ilusionista apresenta o seu melhor truque.
Quanto aos personagens, apesar de não ter tido favoritos, foram todos suficientemente interessantes, cada um à sua maneira. É um romance dominado pelos personagens masculinos, em que mulheres e amantes são apenas satélites nas vidas destes homens. Até Kate Angier é mais uma personagem secundária que serve apenas para ajudar a contar a história de Andrew, apesar de ela ter sido a faísca que dá início à acção.
"O Prestígio" é por isso excelente livro de crime, mistério, fantástico, histórico e algum (mas muito pouco) terror, bem contado e que, além de inteligente, entretém.
A adaptação foi feita ao cinema pela mão de Christopher Nolan, em 2006, tendo como protagonistas Hugh Jackman (Robert Angier) e Christian Bale (Alfred Borden). O filme é um pouco diferente do livro o que eu acho que é óptimo porque assim nenhum estraga a experiência do outro. Os finais de ambos (livro e filme) são arrepiantes e agrada-me que sejam diferentes.

Estado de espírito: Boa, com uma rotina estável mas sem desejo de ler coisas tristes.

Pontos Positivos: O formato diário, epistolar do livro, a narrativa na primeira pessoa acaba por aumentar o suspense, por dar um ponto de vista mais pessoal à história contada. A revelação final está à altura do suspense que criou ao longo do livro.

Pontos Negativos: Não lhe encontrei nenhuns pontos negativos.

Fez-me refletir sobre: Para se contar bem uma história tem que ser bem  preparada, assim como um truque de magia.

Os Leões de Al-Rassan

leões

Resumo:   Uma península está dividida entre o reino de Al-Rassan, ocupado pelos Asharitas, e os três reinos Jaditas a norte. Após a morte do último califa a instabilidade instalou-se no reino de Al-Rassan e os reis do Norte, impulsionados pelos clérigos da sua religião, decidem reiniciar a Reconquista do território. No seio desta turbulência política e social estão três pessoas que se vão tornar três amigos improváveis: Rodrigo Belmonte, capitão jadita, Ammar ibn Khairan, poeta asharita e Jehane, médica kindate. Apesar de especial e única eles sabem que a sua amizade tem os dias contados: por causa das suas origens e pelas escolhas que terão de fazer: coração, família ou honra. Ou todos.

Expectativa: Muito alta, foi me recomendado por vários amigos cuja opinião tenho em grande consideração.

Opinião:  No Alentejo, onde passei a minha infância, a presença árabe na região é algo ainda visível e palpável. Na escola, a professora não se limitou a ensinar-nos através dos livros o que tinha sido essa presença árabe: levou-nos a conhecer os vestígios ainda existentes, falou-nos da herança da comida e costumes que eles nos deixaram. Eu cresci ouvindo histórias como a lenda da Moura Encantada, tive sempre presente no meu imaginário essa época em que a língua e os costumes eram diferentes, naquele local onde eu vivia. O “Os Leões de Al-Rassan” prometiam, sendo um romance histórico com um pouco de fantasia, preencher de forma perfeita essa lacuna e foi, talvez devido a essa minha expectativa, que este livro ficou muito aquém do esperado.
O melhor deste livro é o “bromance” entre Rodrigo Belmonte e Ammar Ibn Khairan, assim como a relação deles os dois com Jehane. Foi pelas personagens fortes e cativantes, principais e secundárias, que mantive a minha leitura. Digo isto porque toda a história se desenrola muito devagarinho para depois nos dar pouco nas partes mais interessantes.
Havia uma constante mudança de perspectiva: agora era a perspectiva do rei Jadita no Norte, depois a perspectiva do rei da tribo no deserto para depois saltar para a perspectiva dos filhos de Belmonte. Tudo isto no mesmo capítulo. Nunca tive tempo para aprecia-los a todos devidamente e fiquei com a ideia que não tive o suficiente dos personagens principais. Tudo ficou interessante a 100 páginas do fim.
Um outro detalhe que me desiludiu foi a pouca fantasia que teve. É mesmo muito pouca. O livro tem poesia, quase nenhuma fantasia. Gostei das opções para símbolos religiosos, a ideia é muito gira e talvez a forma mais simples que na sua base, todas as religiões procuram Deus olhando para o Céu e não para o coração dos homens.

Pontos positivos:  A história real em que se baseia: a da Península Ibérica antes da Reconquista. Os personagens apaixonantes.

Pontos negativos: Esperava mais fantasia. A constante mudança de pontos de vista, por vezes mais do que uma vez por capítulo. O lento desenrolar da narrativa.

Estado de espírito: Boa mas fui ficando impaciente ao longo da leitura. Acabei por intercalar com a leitura de alguns contos para não me desmotivar.

Fez-me refletir sobre: É muito difícil explicar porque não vi nada de especial num livro que encantou tantos leitores. Lamento mesmo muito. É fácil justificar que é por ser um livro que decorre numa era medieval e que eu não acho grande piada a essa época mas acho que foi mesmo um caso de expectativas (erradamente) elevadas.


The Native Star

Lido no Kindle
Lido em Inglês

Resumo: Emily Edwards é uma bruxa na pequena cidade de Lost Pine, numa California do séc. XIX. O negócio anda a correr mal graças à concorrência desleal de uma empresa de feitiços por encomenda e Emily e o seu pai estão a passar dificuldades financeiras. Por isso mesmo ela toma a decisão de lançar um feitiço de amor ao lenhador mais rico de Lost Pine que acaba por correr muito muito mal. Numa noite ela consegue provocar uma cena de ciúmes ao lenhador, lançar suspeitas que anda envolvida com o impertinente mago Nova Iorquino Dreadnought Stanton, colocar a população de Lost Pine contra ambos e ficar com uma pedra azul presa à mão direita. Ainda por cima esta pedra tem a propriedade de absorver magia e torna-se vital para Emily retira-la e salvar a mão.
A única pessoa que é capaz de ajudá-la é mesmo o impossível Dreadnought e ambos partem numa viagem mirabolante, cheia de aventuras e perigos escondidos, de vilões disfarçados e de muita magia, até chegarem a Nova Iorque. Pelo caminho Emily e Dreadnought enamoram-se um pelo outro mas a condição física dele e a falta de posição social dela impedem-nos de acreditar que podem ficar juntos.

Expectativa: Pouca ou nenhuma. Apaixonei-me pela capa e pela promessa que seria um livro de cowboys e steampunk. Apesar de não ser bem o que esperava foi uma leitura muito agradável.

Opinião: Este livro tem muito pouco ou quase nada de steampunk e MUITO de magia. Confesso que não sou grande apreciadora e quando comecei a perceber, logo no primeiro capítulo, que era um livro sobre/com magia, torci o nariz, parei a leitura e só a retomei quando comprei o Kindle. Com o avançar da história fui percebendo que a magia neste universo era abordada de uma forma muito científica e racional e foi isso que me manteve cativada. As explicações de Dreadnought a Emily sobre os vários tipos de práticas de magia fazem compreender melhor este universo e nunca foram aborrecidas.
Emily e Dreadnought partem numa viagem cheia de aventuras, o enredo é interessante e original, muito diferente de tudo aquilo que li até agora. A sensação de faroeste está constantemente presente, com cavalos, pistolas, vestidos com corpetes, índios, comboios... muito bom! O Steampunk surge na segunda metade do livro para a frente mas de forma tão subtil que quem não conhece a estética nem se apercebe da sua presença.
Muito aquém da expectativa (ou até mesmo desnecessário) é o romance entre Emily e Dreadnought. Das duas uma: se a escritora planeava em escrever apenas um livro, podia ter construído o romance desde início ou, se planeava uma série (que é o caso), então não teria terminado como o fez. Achei tudo muito forçado, rápido e seco demais. Passam o tempo a tratarem-se como amigos, sem um vislumbre de desejo em frase nenhuma e, de repente, a Emily está a numa choradeira porque tem o coração partido. É tão insípido que desejei que nunca tivesse acontecido. Se vão escrever um romance mau então não o escrevam! Ficavam amigos durante uns livrinhos e o desejo surgia, depois o romance... seria bem mais empolgante de ler.

Pontos Positivos: O universo criado, a história que envolve a pedra da mão da Emily é muito boa, o conceito de magia que a torna real e credível.

Pontos Negativos: O romance. Aqueles vilões no final que não entendi muito bem. O facto do primeiro capítulo ter ficado "pendurado" até ao final da história.

Estado de Espírito: Bom, foi o primeiro livrinho lido no meu Kindle.

Fez-me reflectir sobre: A importância do ser humano em viver em harmonia com o planeta que habita.

Rainha das Trevas

Rainha das Trevas Resumo: Após todas as tentativas de derrotar Janelle terem falhado no passado, Dorothea e Hekatah preparam o plano mais diabólico de todos, aquele que destruirá não só Jaenelle mas todos os que a rodeiam. Jaenelle e os parentes pressentem que uma grande tragédia se aproxima e começam a preparar-se para o pior. Entretanto a família de Jaenelle descobre que ela ainda está viva e estão decididos a arranca-la das garras de Saetan, não acreditando que esta é agora a rainha mais poderosa dos Sangue. O plano de Jaenelle é simples: libertar todo o seu poder, destruir os Sangue corruptos, salvar os que ainda são puros. Mas fazê-lo irá exigir um sacrifício que, aqueles que a amam e protegem poderão não compreender, ou aceitar facilmente.
Crítica: Uma das razões que me levou a demorar tanto tempo a escrever esta opinião, foi que fiquei extenuada depois de ter terminado o livro. Outra foi os sentimentos contraditórios que senti quando o terminei. Olhando para a trilogia como um todo acho que é das melhores que já li até ao momento: bem construída e pensada, um mundo maravilhoso criado com todas as suas particularidades físicas e sociais, que ficará na minha memória por muito e bom tempo. Como um todo. Este Rainha das Trevas peca, no entanto, por entregar demasiado depressa (e demasiado pouco) determinados desenvolvimentos que eu esperava com alguma ansiedade desde o primeiro livro. Fez-me um pouco de confusão todo aquele desenvolvimento desde a chegada de Daemon, que não atava nem desatava, precisar ali de um empurrão da Surreal e após a conversa… pimba, já está. Humm?! Que romântico… ou não.
Compreendo porque o Daemon seja um personagem favorito de tantos, no entanto achei-o com demasiadas características femininas para o meu gosto, com todas as suas dúvidas e indecisões. Como é que alguém com 1700 anos e considerado um dos homens mais belos de sempre pode ter dúvidas?? Não compreendi, lamento. Redimiu-se na cena de salvamento de Lucival e Saetan, e, essa foi inclusive, uma das cenas mais empolgantes do livro.
Lucivar, um dos meus favoritos da trilogia foi infelizmente remetido para papel de irmão mais velho. O que significa que tudo aquilo que imaginei que iria acontecer (na minha mente perversa) acabou por não acontecer.
Surreal, outra personagem que tanto me prendeu, com a premissa de prostituta assassina, foi outra que ficou aquém das expectativas. Corajosa e forte acabou por não ter um papel nada de extraordinário no enredo.
E por fim, Jaenelle, o personagem no centro de toda esta história. Se inicialmente gostei e compreendi não haver um ponto de vista dela, acabou por ser algo que me frustrou bastante ao longo da leitura. Queria saber mais sobre o que se passava, o que ela sentia e pensava e não haver isso fez-me muita falta.
Pontos positivos: O papel definitivo dos Parentes no enredo, a construção do mundo em todos os seus detalhes, assim como o desenrolar de eventos.
Pontos negativos: Andulvar, Lucivar, Daemonar, e mais uns não-sei-quantos-“ar”, credo!! Que confusão. Detesto nomes inventados, a comichão continua.
Fez-me reflectir sobre: Que é realmente difícil perceber porque é que há livros que funcionam bem para umas pessoas e não para outras, mesmo quando têm ingredientes que à partida parecem que iam funcionar assim como é difícil terminar esta saga pensando “Gostei muito mas…” porque não consegui aceitar bem o que a história me deu, porque desejei mais do que a história me veio a dar.
Este livro foi emprestado pela Célia da Estante dos Livros.

Herdeira das Sombras

Herdeira das Sombras
Resumo: A noite no altar de Cassandra permitiu a salvação de Jaenelle mas deixou sequelas graves. Jaenelle fica dois anos inconsciente, até que a Feiticeira recupere o cálice quebrado. Lucivar é enganado e levam-no a acreditar que Daemon a matou. Daemon não se recorda do que aconteceu nessa noite trágica, apenas sabe que algo de muito grave aconteceu. Quando tenta salvar Lucivar e é confrontado com a acusação da morte de Jaenelle enlouquece e deixa-se arrastar até ao Reino Distorcido. Sob a protecção e custódia de Saetan, Jaenelle regressa e recupera os dois anos perdidos: retoma a sua aprendizagem da Arte e reúne no Paço dos SaDiablo os seus amigos. Esse conjunto de amigos é bastante invulgar, constituído por rapazes e raparigas com um poder extraordinário, além de alguns Parentes. Hekatah e Dorothea usam várias estratégias para destruírem Jaenelle e Saetan mas a cada tentativa apenas fortalecem Jaenelle e a empurram a descobrir a força dos seus poderes. No fim Jaenelle faz a Dádiva às Trevas, forma a sua corte, a mais poderosa até então e ameaça todos aqueles que se atreverem a chacinar mais alguém no seu território.
Crítica: Este segundo volume da trilogia foi menos empolgante que o primeiro, pelo menos para mim. Senti-o como uma ponte entre o primeiro e último volume, com algumas cenas desnecessárias e maçadoras. Há várias hipóteses para que isto tenha acontecido. Por um lado foca bastante a relação entre Saetan e Jaenelle, algo que pouco ou nada me interessou. Daemon passa para segundo plano neste livro, o que é um pouco desapontante já que ocupou grande parte da narrativa do primeiro volume. Lucivar passa a ter um lugar de destaque, quando se junta à familia SaDiablo mas, apesar de ser um personagem tão cativante (um real macho-alfa) tem apenas um papel de irmão protector.
Mas há muito para gostar neste livro: os Parentes são nos apresentados neste livro, é explicado como surgiram os Sangue, porque é que os machos se submetem às mulheres e como funciona as hierarquias das cortes. A verdadeira identidade de alguns personagens mais misteriosos é desvendada e gostei muito da ascensão de Jaenelle ao poder.
Pontos positivos: A mitologia, o mundo complexo criado por Anne Bishop. As asas negras de Lucivar.
Pontos negativos: Para mim, as várias cenas caseiras, com piadas do dia-a-dia, não funcionaram. Senti sede por aquele discurso dramático que a autora tinha apresentado inicialmente.
Fez-me reflectir sobre: As Trevas é algo bom que protege? Se sim, onde está o conceito de Céu?
Este livro foi emprestado pela Célia da Estante dos Livros.

Filha do Sangue

 Resumo: O mundo dos Sangue é dominado pelas mulheres, as Feiticeiras. Esta sociedade matriacal e de longa longevidade é hierarquizada pela cor das jóias e está duramente corrompida pelo abuso poder. Os Sangue perderam noção da sua missão: proteger e cuidar do seu mundo, Terreille. Existem mais dois mundos: O mundo das Sombras, Kaeleer e o Inferno. Há por isso quem anseie pela chegada da Rainha, aquela que acabará com a corrupção, que irá dominar os Sangue e reinar com justiça.
Em Terreille há uma criança muito especial e misteriosa, que consegue viajar sem dificuldades entre mundos e lugares. Uma criança tão poderosa que Saetan, o Senhor Supremo do Inferno, decide ser o seu mentor. Mas não é apenas Saetan que acredita que Jaenelle é especial. Deamon sabe que a Rainha iria chegar um dia e fará tudo para estar com ela e protegê-la. No entanto Jaenelle está em perigo, pois há forças sedentas de poder que não desejam ser substituídas. O maior desafio de Saetan, Lucivar e Daemon será proteger Jaenelle.
Crítica: Eu tenho uma grande dificuldade em memorizar nomes. Talvez por isso tenha uma especial alergia a livros com nomes difíceis de memorizar (e pronunciar). A Filha do Sangue é um desses livros. Começar a ler este livro foi como um salto no abismo: de repente estamos imersos neste mundo de fantasia tão diferente e estranho e ao mesmo tempo tão rico, intenso e inebriante. É tão difícil pousá-lo assim que compreendemos as jóias, os locais e os personagens. Adorei a escrita de Anne Bishop, tão emotiva, por vezes quase visceral. Aqui deixo o meu elogio à Cristina, que conseguiu manter intacta a voz de Anne Bishop na tradução que fez. Compreendo agora o amor que tem em relação a estes livros.
Mais interessante ainda foi as vezes que fui surpreendida. Imprevisível no desenrolar de acontecimentos, misteriosa e empolgante, senti-me cada vez mais agarrada a cada página que lia, temendo os acontecimentos finais, desejando ardentemente um final feliz. Oh, como o fim é chocante!!! Raramente leio dois livros do mesmo escritor ou da mesma saga seguidos mas dei por mim a agonizar até me emprestarem os dois seguintes (Obrigada, Célia).
Jaenelle é, neste livro, uma criança e apesar de ser um dos personagens principais, nunca nos é dado a sua perspectiva. Assim, tudo o que sabemos dela é o que nos é contado da perspectiva dos outros personagens, mantendo-a sob o véu de mistério e aumentando assim o fascínio que sentimos por ela, em tudo semelhante ao que os outros personagens sentem.
Daemon é o herói romântico mas, como nada nesta história é convencional, assim Daemon também não o é. Foi as suas características que me fizeram pensar e reflectir sobre a inversão de papéis nesta história (as mulheres são o sexo dominante). Muitas vezes pensei em Daemon como o personagem com mais características femininas, com toda a sua predisposição para ser submisso perante a Jaenelle.
Lucivar foi talvez aquele que mais curiosidade me despertou, principalmente por causa das asas.
Os vilões desta história são na sua maioria mulheres mas há também vilões do sexo fraco que, por o serem, encontram uma forma de contornarem o sistema e darem forma e vida às suas perversidades.
É um livro que dá início a uma trilogia rica e fantástica, que vale a pena ler.

Pontos positivos:
A escrita, a riqueza e detalhe no mundo criado, a forma cativante como a acção se desenrola.
Pontos negativos: Inicialmente há muitas mudanças de perspectiva entre mundos e personagens e depois há uma parte muito longa que é centrada practicamente em dois personagens e onde todos os outros quase que se desvanecem.
Fez-me reflectir sobre: Submissão.
Título Original: Daughter of the Blood

Daenerys - A mãe dos dragões

Se quiser ler este livro a Saída de Emergência disponibilizou o e-book grátis do mesmo. Pode fazer download aqui. Para ler apenas um excerto, download aqui. 

Resumo: A história começa na noite em que Daenerys (Dani) vai ser apresentada ao seu futuro marido, Drogo. O seu irmão ofereceu-a em casamento em troca de um exército de homens. Dany e o seu irmão são os últimos descendentes de uma longa linhagem de reis, que são sangue do Dragão e herdeiros de um trono que perderam ainda antes de Dany nascer. O maior desejo do irmão é reconquistar o "seu" trono e torna-se impaciente, pois o pagamento do seu acordo, demora em ser cumprido. No limite da paciência, e vendo que a irmã já não o teme ou lhe obedece, por se sentir protegida por um marido carinhoso, decide infringir a lei da cidade Vaes Dothrak, desembainhando uma espada e como consequência morrendo. Mais tarde, após uma batalha, Drogo é ferido e a ferida infecta derrubando Drogo para a morte. Numa tentativa desesperada de salvar o marido, Dani pede a uma curandeira que o salve através da magia. Mas, apesar de ele sobreviver fica num estado catatónico. Dani perde o filho que trazia no ventre e o povo de Drogo abandona-a com a excepção de alguns. Sem esperança no futuro, Dani avança para o fogo da pilha funerária do seu marido com os seus 3 ovos de dragão Em vez de morrer queimada sobrevive e dos ovos nascem 3 dragões. 

Crítica: Uau!! Este livro, editado para a colecção teen da Saída de Emergência, é a compilação dos capítulos respeitantes a esta personagem, integrados na saga "Canção do Gelo e do Fogo" do George R. R. Martin. E são fabulosos!! Abre definitivamente o apetite para ler o resto da Saga. É bem escrito, emocionante, com personagens ricas e uma história densa sem ser maçuda. É um outro mundo, maravilhoso. Recomendo vivamente a qualquer adolescente e adulto. 

Pontos positivos: Excelente construção de personagens e de enredo. Narrativa densa mas excitante, com um excelente ritmo e transmitindo uma boa visualização das cenas. Muito bem escrito. 

Pontos negativos: Se bem que é "outro mundo" não gosto de ler actos sexuais entre um homem adulto e uma adolescente muito jovem. No entanto, os actos não estão descritos ao pormenor (nem de perto), são apenas sugeridos. E, se eu tivesse 13 anos sei que adoraria lê-los. Portanto, sendo este o meu único ponto negativo a apontar, reconheço que estou a impor os meus valores e ponto de vista à obra do autor. 

Expectativa e estado de espírito: Eu queria ler algo bem levezinho, depois do livro anterior. Pensei que, como era da colecção teen e considerando o seu tamanho modesto, que iria cumprir este meu desejo. Fui absolutamente surpreendida com a qualidade da obra e fiquei com uma vontade enorme de ler toda a saga. 

Fez-me reflectir sobre: Que a capacidade de liderança é algo com que se nasce, não que se adquira. Sobre a força do espírito ao ter de enfrentar condições adversas.

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