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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Os livros que li na minha gravidez (e depois)

A partir do momento em que o teste dá positivo que a mulher, agora grávida, passa a viver numa espiral de emoções, dúvidas e incertezas. Assim aconteceu comigo e, como típica bookwoorm que sou, uma das primeiras coisas que fiz foi ir comprar livros sobre o assunto.

Mais de um ano depois da compra do primeiro livro e quase 9 meses após o nascimento do bebé, aqui ficam as escolhas que fiz para me ajudar nesta aventura.

Note-se que hoje em dia, com a internet, é muito mais fácil pegar no telemóvel e pesquisar uma dúvida e foi isso que eu fiz, muitas e muitas vezes. O problema é que nem sempre encontramos a informação mais fidedigna ou devidamente organizada, como num bom livro.

Acrescento também para dizer que todos estes livros foram comprados com o meu dinheiro, que estas opiniões não são fruto de nenhuma colaboração com as respectivas editoras ou autores e que por isso toda a publicidade que receberem é inteiramente oferecida por mim.


O grande livro da grávida, de Marcela Forjaz

Porque o comprei: Foi o primeiro livro que comprei sobre o tema, após o meu teste positivo. Ao folheá-lo na livraria percebi que estava organizado por linha de tempo, ou seja, desde o momento em que se pensa em engravidar até ao pós-parto e percebi que assim seria muito mais fácil para mim ir lendo-o a pouco e pouco evitando assim um excesso de informação sobre todas as transformações que iria viver na gravidez.


O que encontrei: São 382 paginas de informação clara e concreta sobre toda a vertente física da gravidez: as transformações do corpo, os exames, o desenvolvimento do feto, os diferentes tipos de parto, etc. “Devo pintar as unhas e o cabelo estando grávida? Devo optar por um parto normal ou cesariana? O que devo esperar da ecografia morfológica?” são algumas das questões apresentadas na contra-capa e cujas respostas estão no seu interior. Também tem inúmeras imagens e ilustrações que ajudam a visualizar os temas abordados.


Recomendo-o? Sem dúvida. É escrito por uma ginecologista e obstetra e por isso a informação nele contida é principalmente informação científica que poderá responder a dúvidas que o médico não respondeu ou que parecem triviais.O que menos gostei: Apesar de ser um livro bastante claro e concreto a nível científico sobre o tema da maternidade senti que lhe faltava também a parte afectiva, a das emoções. Isso não torna o livro imperfeito ou incompleto mas foi a razão que me levou à compra do livro seguinte.


O livro de magia das mães, de Constança Cordeiro Ferreira

 

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Porque o comprei: Como disse no parágrafo anterior, a um determinado momento senti falta de ler algo mais além do que uma descrição das alterações a que o meu corpo estava a ser submetido todos os dias ou os exames que ia fazer. Precisava de algo que me dissesse: “Vais ser mãe e é isto que vais sentir!” Parece estranho mas, durante uma grande parte da gravidez senti que era algo que estava a acontecer apenas a MIM e não a mim e a um outro ser, aquele que crescia dentro de mim. Era como se ele fosse apenas um bebé imaginado e, como tal, não estava a conseguir sentir-me maternal e histericamente feliz por ir ter um filho. Quando o folheei na livraria percebi, pelo índice, que ia abordar muitas das dúvidas que eu tinha para o pós-parto: amamentação, dormir, mimo e gerir a família mas foi um dos pontos ““Quando nasce um bebé, também nasce uma mãe”, ou porque é que isto nem sempre é automático.” que me fez comprar o livro.


O que encontrei: Ela aborda esta questão da maternidade de uma forma muito autêntica mas reconfortante, passando a ideia que, seja quais forem as dificuldades que vamos encontrar, nós vamos conseguir. Ajudou-me imenso a largar o medo do que aí vinha e a viver a gravidez com mais felicidade. Em muitos aspectos senti-me mais pronta para ser mãe depois de ler este livro.


Recomendo-o? Eu chamo-lhe o livro que me deu a conhecer a Constança Cordeiro Ferreira. Nunca a conheci pessoalmente mas passou a ser uma das minhas escritoras favoritas, apesar de escrever apenas sobre bebés. E foi por isso que comprei o outro livro dela.

 

Os bebés também querem dormir , de Constança Cordeiro Ferreira

 

Porque o comprei: Porque tinha acabado o outro livro dela e queria mais. O que eu percebi quando já estava a ler “O livro de magia das mães” é que “Os bebés também querem dormir” tinha sido o primeiro livro e, de alguma forma achei que podia me estar a escapar alguma coisa e por isso precisava mesmo de o ler.


O que encontrei: Bem... mais do mesmo. Na verdade ambos os livros não são muito diferentes. Apesar deste abordar mais a questão do sono a verdade é que ambos focam muito a amamentação e as dificuldades que encontramos para amamentar.


Recomendo-o? Sim mas como o acho muito parecido com o outro livro e ambos focam bastante a questão da amamentação, penso que este não é o livro ideal para quem anda a desesperar com as noites difíceis que o bebé dá.

 

O grande livro do bebé, de Mário Cordeiro

o grande livro do bebé de mário cordeiro

 Porque o comprei: Por recomendação de alguém num grupo no Facebook como um bom apoio além do pediatra para tirar dúvidas. O Dr. Mário Cordeiro é um pediatra muito conhecido e é o pai da Constança Cordeiro Ferreira!


O que encontrei: Provavelmente o livro que li e consultei mais vezes nestes 8 meses e meio de vida. Tem imensa informação sobre o desenvolvimento do bébé, sobre as doenças de que pode padecer, sobre o peso e a amamentação, assim como a alimentação com leite artificial. Dúvidas como por exemplo: “Devo levá-lo à praia?”, introdução da alimentação complementar, o que é a crosta láctea, a partir de que temperatura é febre, etc... É mesmo um livro completo de que apenas lamento não estar todo ele organizado por etapas (semanas e meses de vida) tal como “O grande livro da grávida”. Teria sido mais fácil de consultar se assim estivesse.


Recomendo-o? Sim, sem dúvida. Creio que não deve haver no mercado outro tão bom como este. Foi um pouco caro mas merece o preço que custou.

Como deixar de ser um não leitor

A internet parece estar cheia de dicas para tudo e mais alguma coisa: como passar do sofá a correr a maratona, como se tornar um chef lá em casa, como deixar os maus vícios e ter uma vida melhor , etc. Ironicamente nunca encontrei um artigo que incentive alguém que não lê a começar a fazê-lo. Talvez porque a comunidade de leitores é tão vasta e está constantemente a estimular-se mutuamente para ler mais e mais que nos esquecemos daqueles nossos amigos que confessam: "Ah, como eu gostava de ler mais mas..." ou "Eu já li um livro, uma vez, há muitos anos atrás." Talvez porque se olha para o acto de leitura como um passatempo, um desejo ou opção, e não como se olha o exercício físico. E é como o exercício físico, na verdade. Exige esforço, tempo e dedicação com inúmeras e maravilhosas recompensas: mais cultura geral, mais empatia com o próximo, redução de stress, aumento de vocabulário, etc, etc, etc... Mais do que isso: qualquer um pode fazê-lo. A seu tempo e a seu ritmo. A alternativa é ser como o Kanye West.

Sou um orgulhoso não leitor de livros - Kanye West

Portanto este texto vai para todos aqueles que querem começar a ler pelo menos um livro por ano e para todos os leitores que queiram ajudar o vosso amigo a começar a fazê-lo.

 

Não te deixes intimar

 Tal como já disse, a internet está inundada de nerds de livros: se sai um filme, eles já leram o livro, se alguém diz uma frase genial eles dizem logo de que livro isso foi tirado. Tu revelas que leste um livro o ano passado e eles respondem que leram 52 livros, pelo menos um por semana. E Deus nos livre quando começam a dissecar o simbolismo daquele momento do filme que tão bem estava ilustrado no livro e que o realizador captou tão mal! A verdade é que lá no fundo também queres partilhar um pouco desse mundo mas não sabes bem por onde começar pois são tantas opções (de livros, grupos de leitura, géneros) que o melhor é ficar quieto. Não, quieto nunca. O melhor é começar devagar.

Não te compares com quem lê 52 livros (ou mais) por ano. Não te envergonhes se alguém desdenhar da tua leitura e até estás a gostar (todos os amantes da leitura passam por isso). Há livros para todos os gostos, da ficção à não-ficção e tu vais encontrar o teu. Se achas que é aborrecido estar parado a ler, compra um audiobook e ouve-o enquanto passeias os cães ou vais dar uma volta ou corrida. Ignora os book snobs que tentam mostrar o quanto são bons cuspindo uma data de informação que a ti (e a 99% da população) nada diz ou interessa. O que interessa é a relação que estabeleces com o livro e isso apenas.

 

Ler não é um teste

Há quem associe os livros aos tempos de escola e daquela fase horrível de TER DE LER UM LIVRO para os exames. Assim nunca se conseguiu dissassociar o acto de ler ao acto de ser avaliado. Ler por prazer não é uma avaliação. Na verdade, mesmo quando perguntam o que achaste, a resposta esperada é normalmente: "Gostei, foi fixe!". Ninguém quer ouvir uma dissertação sobre o mesmo. A escola acabou e o importante é descobrir outros mundos e viver outras vidas através da leitura. Sem análises ou julgamentos.

 

Há leituras grátis

O primeiro passo é adquirir um livro. É possível que o teu amigo leitor te diga: "Não, o primeiro passo é escolher o que queres ler." mas isso é um erro, na minha opinião. Uma pessoa pode perder o desejo nas opções infinitas da leitura. Ninguém começa a fazer exercício físico sem aquecimento e é assim que vamos olhar para este primeiro passo: como um aquecimento.

Para não haver receio de desperdício de dinheiro o primeiro passo é adquirir esse primeiro livro de forma gratuita. Como? Fácil: pede ao teu amigo se te empresta um livro ou vai à biblioteca da tua localidade. Assim, se desistires ao fim de 10 páginas podes sempre trocar por outro sem culpa de teres gasto dinheiro. Com sorte algum familiar te ofereceu um livro pelo Natal e tu simplesmente nunca lhe pegaste. Aqui tens a tua oportunidade e a custo zero! E com sorte podes fazer um resumo do que gostaste ao familiar que to ofereceu.

 

Uma viagem de mil léguas começou com o primeiro passo. - Lao Tsé

Ok, livro adquirido e agora? Assim que puderes lê o primeiro parágrafo ou página. Talvez ainda estejas na biblioteca, na casa do teu amigo ou na ceia de Natal e poderá parecer impróprio. Que se lixe! Basta olhar em volta e ver a quantidade de pessoas que lê em transportes públicos, filas de finanças e salas de espera do hospital. O importante é estabelecer a ligação imediata com o livro, começar a caminhada. O resto acontece depois. Quando é que vais ler? Bem, mais importante do quando é decidir o quanto é que vais ler sempre que pegares no livro. Esta é daquelas regras que funciona muito bem comigo principalmente quando não estou a gostar do livro. Imponho-me um mínimo de 20 páginas por sessão de leitura. Nem sempre os cumpro mas tenho sempre esse número presente quando recomeço a ler. Por isso começa devagar: uma página por sessão, uma sessão por dia. Consegues mais? Boa! Mas mantém os mínimos. Uma página por dia são 365 páginas por ano e há muitos livros com esse número de páginas, ou menos!

 

Arranja um amigo de leitura

Apesar de ler ser um acto solitário a verdade é que muitos leitores procuram estar juntos (fisica ou virtualmente) para se encorajarem a ler mais ou apenas manter o ritmo de leitura. Esse parceiro pode ser real ou virtual. Pessoalmente acho que o real faz mais sentido porque promove o teu desejo com o seu bom exemplo. Se ele está sempre a ler, também queres lhe fazer companhia, se ele te pergunta como está a correr, tu queres ter uma resposta para dar. Até quando não estão a ler só o facto de mencionar o livro x quando vêm um trailer de um filme ou te contar como é o enredo do que está a ler te vai dar vontade de fazeres parte desse mundo. A verdade é que por vezes adoptamos os hábitos dos outros (os bons e maus) quase de uma forma inconsciente. Se tens alguém na tua vida que te mostra como se faz, faz com ele!

Outras actividades que podem ajudar a motivar caso não tenhas esse amigo: participar em tertúlias promovidas em livrarias, em encontros de leitores na tua cidade ou mesmo assistir a um lançamento de um livro! Ver tantos leitores reunidos num só lugar pode ser intimidante, como entrar num ginásio pela primeira vez, mas nada como ser sincero e dizer que se está apenas a começar. Logo surgirão pessoas dispostas a ajudar a manteres-te activo!

 

Quando ler?

Não tenho tempo é a desculpa mais comum para não começar um hábito novo. Normal. Por isso o ideal é combinar com outras actividades: Vais correr? Leva um audiobook. Vais esperar numa fila? Leva um livro e lê enquanto esperas. A natureza chama? Deixa o livro por lá e pega nele enquanto estás sentado no trono. Ler antes de dormir? Bem… eu não sou grande fã mas parece que muita gente gosta, por isso, porque não? Eu leio no comboio, por exemplo. Mas também durmo e converso com amigos. Ler não me rouba tempo doutras coisas, apenas transforma aquele tempo inútil em algo mais útil. Troca meia hora a scrollar no facebook, por uma hora de leitura. Se não dá para ler em casa, vai para o café, jardim ou mesmo a biblioteca. Lavaste o chão e agora não o podes pisar até secar? Leva um livro contigo e enquanto o chão seca e as costas descansam, lê.

 

Momentos em que vais desistir

 Há alturas em que o nosso cérebro arranja todo o tipo de desculpas para não ler ou desistir da leitura. Isso é normal. Podes ler 20 livros por ano e isso continuar a acontecer. Se é isso que queres então desiste do livro mas continua a ler. O importante é não associar o livro ao acto. Por exemplo, podes gostar de praticar zumba e detestas correr. Continuas a fazer desporto na modalidade que gostas, certo? Com os livros é igual.

Outro momento em que pode ser normal desistir é quando se acaba o primeiro livro e não se consegue começar outro. Ou porque voltamos a sentir-nos perdidos nas inúmeras opções ou porque não se instaurou o hábito de ler. Nada suscita interesse, talvez ler não seja para ti. Treta! Isso acontece a toda a gente. A diferença entre um leitor e um não leitor é que esta fase da escolha do livro seguinte é vista como um desafio, não como um receio, ou como uma desculpa para desistir. Um leitor não concebe a ideia de parar. Se queres ser um leitor parar não é opção. Olha para o próximo livro como um desafio, não como uma tarefa ou obrigação. Tal como no cinema, por vezes as expectativas saem furadas, por vezes somos surpreendidos. É normal escolher um livro mau e é tão bom quando se encontra um livro bom.

Se nada disto resultar, há ainda outra opção: ler para outros. Podes sempre te juntar a um grupo de voluntários da leitura e ajudar crianças com problemas de literacia ou adultos com problemas de visão a usufruir de uma boa história. Não só estarás a contribuir para outros como para ti próprio, porque te forças a ler com a desculpa que o fazes como boa acção. Parece perverso mas é eficaz.

 

Seja qual for o ponto em que te encontras o importante é não desistir: uma palavra, uma frase, um parágrafo, uma página, um livro de cada vez. Um livro e depois muitos livros e a pouco e pouco perceberás a diferença de como eras antes e agora que lês. Ler não é uma actividade essencial à vida mas torna a vida muito melhor. Desejo-te uma boa caminhada.

 

The Doomsday Code - Timeriders #3

 

É complicado manter a boa disposição quando se está a entrar no Outono, não só porque os dias têm menos horas de luz e o livro anterior (Shadowfever), começado debaixo do sol da Jamaica, foi uma montanha russa de emoções, em que poucas foram de felicidade. Queria pois um livro que me arrebitasse o espírito, um livro de aventuras e de leitura fácil e divertida. A escolha recaiu sobre o terceiro volume da série Timeriders, intitulado "The Doomsday Code".
Primeiro que tudo, eu preciso de dizer que adiei a leitura deste livro durante dois anos. Não por culpa da série, que é excelente, mas porque estive à espera que a Civilização Editora o publicasse em Portugal. Até que percebi que não valia mais a pena esperar mais, porque tal não iria acontecer. Hesitei em comprar em inglês mas, por sorte, o massmarket paperback inglês tem exactamente o mesmo tamanho que os exemplares em português e assim poderei continuar a coleccionar volumes desta saga sem provocar o caos na minha estante.
Neste "The Doomsday Code" os nossos Timeriders viajam para o tempo do Robin dos Bosques, após decifrarem uma frase do Manuscrito Voynich, um manuscrito que ainda hoje não foi descodificado. Descobrem que o Robin dos Bosques no Séc. XII é algo bem diferente da versão conhecida de todos nós: o herói que roubava aos ricos e dava aos pobres. Descobrem uma Inglaterra massacrada pelos impostos com o fim de alimentar mais uma cruzada liderada por Ricardo Coração de Leão, levando a sua população à fome e à revolta. Mas descobrem também que o Futuro pode ser pior do que suspeitam.
Neste 3º volume nota-se que o autor Alex Scarrow começou a desenvolver um tema para toda a série, a ideia de que a contínua destruição dos recursos do nosso planeta acabará por levar à destruição da humanidade. Para um adulto como eu esta ideia pode já estar mais do que batida (embora seja importante pensar nisto!) mas para um público mais jovem, a geração seguinte, este tipo de tema é adequado e faz todo o sentido.
A leitura é fácil e rápida, se bem que os capítulos serem tão curtos, assim como a constante troca de perspectivas não me deixavam interessada o suficiente. Por vezes a acção parecia inexistente e logo a seguir tudo acontecia. O meu maior receio foi que, tal como acontece em outras séries Young Adult, surgisse um romance entre personagens mas tal não aconteceu. Acabei por aprender coisas interessantes, ter uma nova perspectiva sobre o Ricardo Coração de Leão e o Robin dos bosques e poder reencontrar um grupo de miúdos que tanto têm de corajosos como de frágeis, tornando-os por isso muito especiais para mim, como leitora.
Sim, este livro cumpriu a função para o qual eu o escolhi e provou que Timeriders é uma saga para continuar a ler.

Shadowfever, de Karen Marie Moning

Autor // Karen Marie Moning
Série // Fever (#5 de 5)
Editora // Dell Publishing
Estante // Fantasia Urbana
Período de leitura // de 10 de Setembro a 8 de Outubro de 2015
Formato // Ebook
Língua // Inglês
Classificação // 4 estrelas

 

Opinião // Estou um pouco surpreendida com a minha falta de entusiasmo relativamente a 75% deste livro. Tirando a parte final da história (talvez cerca de 120 páginas) e um twist revelado um pouco antes, este Shadowfever foi um livro demasiado longo com demasiados pensamentos da Mac. Demasiados!

Talvez devesse começar por esclarecer que o meu interesse pelo romance Jericho / Mac era inexistente e por isso todo o enredo em torno de Jericho passou de "ah, ele é tão misterioso!" no primeiro livro para "ah não quero saber" no quinto livro. Foram demasiadas páginas à espera que aqueles dois se orientassem um com o outro e sinceramente, desde a cena da violação e fim do mundo que me tornei completamente indiferente com quem a Mac ficava. Isso não é algo mau, pelo contrário. Finalmente a Mac torna-se o centro de tudo, sem necessitar de uma muleta masculina para vencer o Sinsar Duhb. Ela faz as pazes com o seu lado negro e côr-de-rosa, teme e volta a duvidar de tudo e de todos mas segue sempre em frente até ao momento final. Adorei ver todas as pontas soltas serem fechadas, todos os mistérios resolvidos. Tudo fez sentido no final, teve lógica e eu gostei disso. O problema são as 400 páginas a serem lidas até chegar ali. É que é tanta a palha de pensamentos da Mac que eu já nem me queria ouvir a mim mesma a pensar! 

A saga continua (estão neste momento publicados sete livros com o oitavo previsto para 2016) mas este Shadowfever é o último da saga original. O sexto e o sétimo têm a Dany O'Malley como personagem principal e sinceramente não me parece que aguente 600 páginas de Dany como narradora (já bastou os excertos dela nos livros três, quatro e cinco).

  

Nomes dos personagens // McKayla Lane, Jericho Barrons, V'Lane, Dany O’Malley

Nomes dos lugares // Dublin

Conteúdo sexual // As cenas de sexo são intensas mas pouco explícitas.

Violência física // Sim

Violência psicológica // Sim

Pontos positivos // Gosto de tudo nesta série, tudo.

Pontos negativos // Talvez a parte final do livro que ficou um pouco confusa.

Fez-me reflectir sobre // Nem tudo o que parece é. Nem sempre é mau ser mau.

Andam a dizer mal dos romances românticos. Outra vez.

Estava na universidade e tinha ido de fim-de-semana a casa. Quando regressei a minha colega disse-me muito divertida: "Opá estavamos com os copos e começamos a ler os teus livros da Harlequin. Aquilo é tão ridículo, a sério! Como é que gostas de ler aquilo?" Escusado será dizer que senti-me mal e fiquei sem resposta para lhe dar. Mais, ela até me repetiu, fazendo vozinhas e tudo, o excerto que tanto lhe gozo lhe tinha dado ler.

Há coisas que simplesmente não têm lógica e por isso impossíveis de explicar. Porque é que há tanta gente a gostar de Tony Carreira? Porque é que filmes como o Fast and the Furious têm tanto sucesso? Porque é que as calças de licra estampadas continuam no guarda-roupa das pessoas? Porque é que eu não consigo gostar de chocolate?

Por isso, não tento explicar. Gosto e pronto e que se lixe o resto. Já passei a idade de ter vergonha e de me sentir afectada. Só que artigos como o da "The Mary Sue" afectam sempre, não só leitores de romance como também os seus autores. E foi através de uma autora que sigo no Twitter que dei conta da polémica.

Vou ser sincera: nem li bem o texto e nem percebi bem o que se passava. Acho que tudo se resume a um ramalhete de clichés escrito por alguém que não gosta do género e que, tal como a minha colega, tentou perceber "o porquê" da popularidade do mesmo. Falhou redondamente, pois claro. E isso percebe-se no artigo de resposta no "Book Riot": "Artigos de opinião sobre Romances Românticos para Tótós". O pior de tudo é que o "The Mary Sue" demarca-se por ser um guia para miúdas geek. Geek é fixe, romances não. Opá, és geek mas não podes gostar de romance românticos, topas?! Só faltou dizer: tens que ser mais como os rapazes e gostar de cenas de rapazes porque isso é mau porque é romântico. E só mulheres burras é que gostam de romance, topas?

Bolas, até eu gozo com os clichés dos Romances Românticos. Sim, há capas ridículas e cenas disparatadas, diálogos idiotas e tuditudituditudo. Mas se formos por aí, toda a literatura é, dependendo de quem lê, ridícula. Leiam Fernando Pessoa com voz de Pato Donald, ou uma cena de sexo do Memorial do Convento com a vossa melhor voz porno e vejam se não choram a rir.

Só não reduzam todo um género multifacetado que abrange da fantasia, FC, romance histórico, LGBT, desafiador de regras sociais, que aborda temas polémicos que afecta a vida de muitos casais, hetero ou homosexuais, colocando os leitores (que não são apenas mulheres) a reflectir sobre as suas próprias vidas, traumas, desejos e ansiedades.

Já tive livros de auto-ajuda (que, já agora, era o que essa minha amiga adorava ler e recomendava porque era "inteligente" na altura ler-se auto-ajuda) que doei mas nenhum romance romântico de que me queira livrar, porque deles tirei mais ensinamentos sobre compreensão do outro, de mim mesma, das minhas ansiedades e medos que qualquer outro livro. E mesmo que não os releia, ou recomende, ou sequer me lembre dos seus títulos, são mais satisfatórios e servem melhor o seu propósito do que muitos livros "inteligentes" que andam por aí: confortam-me.

Por último, parem de desdenhar do romance romântico apenas porque é preferido pelo sexo feminino. Principalmente as mulheres que querem ser algo mais para pertencer ao clube dos rapazes. É ridículo usarem esse argumento, desdenharem do género a que pertencem e fica-vos mal. Há formas mais inteligentes de te mostrares inteligentes, topas?

Organizar não tem a receita perfeita

Passei parte da minha semana de férias, agora no início de maio, em arrumações. As chamadas "limpezas de primavera". Como em tudo o que faço, passei algum tempo a divagar sobre como as limpezas seriam feitas, sobre a metodologia, sobre o quanto a casa ficaria perfeita e maravilhosa após limpezas e, de repente, já era quarta-feira. E fomos passear. Claro que me sobrou apenas 5ª e 6ª feira para arrumar realmente a casa.

No meio do caos em que a minha cabeça estava, a curiosidade pelo livro "Arrume a sua casa, arrume a sua vida", da japonesa Marie Kondo aumentava. Comprei o livro e devorei os capítulos que mais me interessava num só dia.

 A autora cunhou o seu método de organizar de Método Konmari que nada mais é do que destralhar ao máximo e viver com o mínimo essencial. Nada de extraordinário ou diferente do que eu já conhecia em blogs e livros sobre vida minimalista. As pessoas vêem-se rodeadas de objectos com pouca e nenhuma utilidade e sentem-se presas pela decisão de terem gasto dinheiro nelas, de valerem algum dinheiro, de terem sido prendas ou herdadas. Estão fartas, abrem as revistas e pensam: porque é que a minha casa não é assim? Olham em redor e a casa que têm não corresponde à casa que idealizaram.

O que é diferente no método proposto pela Marie Kondo é ela defender que nunca mais será necessário arrumar mais nada de novo. Yep, nunca mais! E é neste ponto que fico um pouco céptica. Mas já lá chego.

O livro tem de facto ideias muito boas e, tal como o método GTD, oferece uma forma de reestruturar ideias e pensamentos sobre o que é arrumação e organização. Sim porque eu acredito que a forma como arrumamos as nossas coisas é algo que vem de dentro, não de fora.

Aborda por exemplo o facto de ninguém aprender a arrumar. Apenas se assume que se sabe arrumar (ou que se é arrumado), nunca considerando que pode ser algo que se tem que aprender. Isto fez todo o sentido para mim. Eu considero-me uma pessoa arrumada que detesta fazer a cama (algo que tira a minha mãe do sério). Mas, desde a mudança, que me sentia um pouco à deriva com os meus objectos pessoais. Como é que, passando do espaço de um quarto para 4 assoalhadas, as coisas estavam menos arrumadas que antes? Culpei a falta de estantes mas, como explicar que um roupeiro de dois metros e uma cómoda SÓ PARA MIM não me estavam a satisfazer? Como explicar que os papéis, para os quais tinha inúmeros dossiês, micas, separadores e cadernos, continuavam sem uma ordem lógica, funcional e simples? O livro respondeu e ajudou bastante pois ensina como destralhar os nossos objectos e guardá-los. A cómoda ficou arrumadinha, o roupeiro com espaço suficiente para mais roupa e os papéis arrumados de uma forma simples e fácil de consultar. Mais do que isso: aprendi a arrumar considerando o espaço que agora tenho e os deveres e obrigações que agora vivo. É preciso aprender arrumar consoante o espaço mas também conforme a nossa vida!

Outra ideia que me parecia óbvia na minha cabeça mas que a Marie Kondo explica muito bem no seu livro é a arrumação por categorias. Arrumar itens conforme o trabalho, viagem, festas. Por exemplo: praia. Arrumar o biquini, a toalha, as túnicas ou outra roupa que leva para a praia tudo no mesmo lugar. Excelente ideia.

Mas o melhor é mesmo ler o livro e descobrir estas e outras ideias que não menciono aqui.

Há também algumas ideias menos boas, ou mesmo loucas, como por exemplo, acariciar e agradecer às meias, enquanto as dobramos, por terem andado nos nossos pés um dia e inteiro. Ou dizer olá à casa quando se entra. Ou esvaziar a mala todos os dias. (Por acaso, sempre que esvazio a mala e a fotografo, é como se fizesse um reset, pois sou obrigada a confrontar os objectos inúteis que ainda transporto comigo). Para mim é simplesmente impensável reduzir a minha estante a 30 livros ou pouco mais que isso.

Mas, regressando ao tópico que me deixa céptica. A autora defende que este acto de arrumação deve ser grande e feito de uma só vez. Que a ideia de que se deve arrumar um pouco todos os dias não é válida pois passaremos a vida a arrumar. Deve ser feito de uma vez para despoletar o tal reset nas nossas mentes e começar a sentir a diferença imediatamente. Parece-me muito válido e as minhas limpezas de primavera foram, em grande parte isso mesmo: o reset anual de expurgar o velho e arrumar o útil e necessário. O que eu não acredito é que seja algo com efeitos permanentes ou que não necessite de voltar a ser feito novamente. Um bom exemplo disso são os chamados "hoarders" ou "acumuladores": Pessoas que têm tanta coisa em casa ao ponto de não se conseguirem movimentar lá dentro ou mesmo dormir nas próprias camas. Para quem acompanhava o "Hoarders - Buried Alive" do TLC percebia-se que, ao limparem a casa do excesso de coisas inúteis não estavam a ajudar a pessoa e o problema que originava a acumulação excessiva. De certa forma acho até que a Marie Kondo sofre do mesmo problema obsessivo-compulsivo que os acumuladores, mas na sua vertente oposta: a de deitar fora, em vez de acumular.

Seja como for, arrumar e desarrumar são dois opostos que se complementam. Ambos são processos dinâmicos da nossa vida. Compramos, sujamos, desarrumamos, desmanchamos, guardamos coisas que depois terão de ser doadas, vendidas, limpas, arrumadas e agrupadas novamente. Esperar que uma mega limpeza/arrumação sirva PARA SEMPRE é utópico, na minha opinião. O melhor de tudo é aprender a arrumar, seja com a ajuda das nossas mães e pais, ou de livros, ou até mesmo vídeos no youtube.

Sangue Final, de Charlaine Harris

Sangue Final

Nas mil e uma vezes em que planeei mentalmente como é que iria escrever esta opinião pensava sempre: "Vou tentar falar do livro de forma individual e não apenas como a parte final de uma série." E tantas vezes pensei isso que concluí que seria um erro: afinal de contas este é o livro final de uma série, esta é a última história de um capítulo da vida da história da Sookie Stackhouse. 

Quando um escritor decide começar a contar uma história deveria pensar: "Porque vou eu contar esta história? Porque vale a pena contá-la?" Porque eu, sem dúvida alguma, sempre que pego num livro na livraria e pondero compra-lo ou, quando abro um livro para o começar a ler, penso "Porque é que eu devo ler este livro? O que vou ganhar em ler esta história?".
Há um contrato subentendido entre autor e leitor em cada livro comprado: ao primeiro de escrever uma boa história, ao segundo de apreciar a viagem do herói e de ver as suas expectativas, sejam elas quais forem, satisfeitas. Não é obrigação do autor de ir ao encontro de determinadas expectativas assim como não é dever de um leitor de ficar satisfeito com uma má história.
Neste livro, que é o final de uma série, havia a obrigação de responder a uma pergunta colocada no primeiro livro: Como é que a Sookie iria viver com a sua telepatia, capacidade que a inibia de se relacionar de forma normal com humanos e que, por isso mesmo, a levou a namorar com um vampiro? Eu li 12 livros à espera de encontrar a resposta a esta pergunta. A fórmula parece simples: A heroína sente-se deslocada da sociedade, descobre que a sua deficiência é um super-poder e torna-se super-heroína.
A heroína não se torna uma dona-de-casa mãe de quatro filhos e feliz por voltar a integrar, de forma aparentemente normal, a sociedade que antes a rejeitava. Ela não se contenta por ficar com o gajo normal e desinteressante. MEU DEUS, ninguém lê livros de Fantasia Urbana porque quer que a heroína, que lida com vampiros, metamorfos, lobisomens, demónios e fadas, se torne numa mulher normal, como nós. Que felicidade tiro eu como leitora de fechar o 13º livro de uma saga e a suposta heroína ainda achar que a sua telepatia é uma espécie de deficiência? Que é melhor afastar-se dos vampiros, que antes lhe deram conforto e protecção porque não podem procriar?! Que a mensagem transmitida é que a única fonte de felicidade possível é casar, ter filhos e contentar-se com um emprego medíocre?
Desde Abril que tento perceber porque é que a autora fez estas opções. Várias hipóteses se levantaram: falta de motivação em escrever mais um livro da saga, vontade de dar uma lição aos fãs e mostrar-lhes que era superior ao que estes exigiam como final da série, incapacidade de lidar com o enorme universo que criou, etc. Em Setembro, quando finalmente li o livro, pensei que já não estivesse chateada com o seu conteúdo e que iria ser capaz de o ler com o devido distanciamento e compreender as suas escolhas. Não fui. Hoje, quase cinco meses depois de o ter terminado, já não me interessa saber o porquê. Vou relegar esta autora para a minha lista de "não voltar a ler". Ao escrever algo tão mau, desleixado e insatisfatório só me fez temer pelas outras séries do mesmo género que estou a acompanhar. Temo que outras autoras lhe sigam o exemplo.
Devo muito à Charlaine Harris e aos livros da Sookie Stackhouse, eles ofereceram-me entretenimento e acesso a um mundo que desconhecia: fiz amigos além-fronteiras, ajudei a dinamizar uma comunidade de fãs em Portugal, criei um bom relacionamento com a editora Saída de Emergência (que os editou em Portugal), fizeram-me ler um género de livros que nunca leria se não fosse a série de tv. Até conheci a autora quando veio a Portugal: uma senhora muito amável e bem-humorada. Mesmo assim, apesar da euforia, não sou fã incondicional. Sou fã de boas histórias. Sinto-me incapaz de defender esta saga como antes o fazia perante as más criticas que recebia.
Por fim um breve resumo do livro: Aparentemente alguém tenta matar a Sookie e ela acaba presa já não me lembro bem porquê e ela chama os amigos não vampiros para ajudar e afinal já se pode regressar da terra das fadas quando se quer e fazer a vingança final e a Sookie é incapaz de perdoar a uma boa amiga apenas porque ela lhe tentou um arranjinho no passado. Ah e os vampiros são maus e afinal já não faz mal acasalar com pessoas de quem podemos ouvir os pensamentos.
A sério, a história é simplesmente isto. É apenas mais uma história de crime e mistério. Não ganhei nada em lê-la e quero esquecer que a li.

 

Nomes dos personagens: Sookie Stackhouse, Bill Compton, Sr. Cataliades, Sam Merlotte, Eric Northman, Pam.
Nomes dos lugares: Bon Temps.
Conteúdo sexual: Uma cena de sexo.
Tipo de cenas: A cena é, na sua maioria, incomoda de se ler, em vez de excitante que é o que a autora deveria estar a tentar fazer e falhou redondamente.

 

Pontos positivos: Acabou, finito.
Pontos negativos: Não deveria existir sequer, como um todo.
Fez-me reflectir sobre: Se vale a pena continuar a investir em séries de livros.

 

Autor: Charlaine Harris
Série: Sangue Fresco (#13)
Editora: Saída de Emergência
Estante: Fantasia Urbana
Período de leitura: de 3 a 16 de Setembro
Formato: Papel
Língua: Português
Classificação: 1*: Quero esquecer que o li de tão mau que é.

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