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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Temporada Ficção Pós-apocalíptica 2014

 

Há dois anos fizemos uma temporada pós-apocalíptica que correu mais ou menos bem. Estas leituras temáticas são sempre boas para ler algo fora da nossa zona de conforto e tirar o pó de alguns livros que estão há demasiado tempo na estante.

Desta vez foi a Slayra que nos desafiou a fazer novamente uma leitura dentro deste tema. Assim sendo, já comecei a ler o A Canticle for Leibowitz (inglês). Não sei se vou conseguir ler mais algum além deste.

 

Temporada Ficção Pós-apocalíptica 2014

 

Início: 6 Fevereiro

Fim: 6 Abril

Regras

 

 

Participem! 

Gone Girl, de Gillian Flynn


Quando saltei para a leitura deste livro (foi lido para uma leitura conjunta) estava tudo menos entusiasmada. Algures na minha mente tinha-me convencido que tanto burburinho em torno de uma autora americana pouco conhecida só poderia ser mais um daqueles casos de sucesso de "muita parra e pouca uva" e não estava com vontade de ler algo que toda a gente andava a ler. O livro "da moda", por assim dizer.
Agora, olhando em perspectiva, enquanto escrevo esta opinião vários meses depois de o ter lido, chego à conclusão que foi uma das leituras mais marcantes do ano e ainda bem que a fiz. Não é um livro confortável, pelo contrário: houve momentos em que tive de intercalar com outras leituras porque não aguentava tanto "pensamento mau", apetecia-me tomar duches depois de ler certas passagens de tão suja que me fazia sentir. No entanto impressionou-me e dou os meus parabéns à Gillian Flynn por ter tido a audácia de verbalizar tantos pensamentos feios que nós mulheres por vezes temos mas somos incapazes de os admitir.
A estrutura da história é deliberadamente repartida entre Nick e o diário da Amy dando-nos duas perspectivas aparentemente opostas sobre o mesmo problema: um casal em crise, numa sociedade com a sua economia e valores em profunda decadência. Em quem acreditar? Amy ou Nick? Enquanto lemos e ponderamos a nossa decisão, Gillian Flynn apresenta um dos melhores livros sobre a nossa realidade contemporânea: fala sobre a crise económica, as consequências reais que esta teve sobre as famílias, as cidades, o país. Faz-nos pensar na nossa geração, na geração dos nossos pais e na geração dos nossos filhos.
Também gostei do seu estilo de escrita: é rico e visual mas, acima de tudo, destemido. É apresentado um buffet de personagens que são complexas, repulsivas e ao mesmo tempo cativantes apesar de assustadoras, todas elas dentro de uma situação que se vai revelando ao leitor por partes como matrioskas. Os segredos e a manipulação, a violência psicológica (e também alguma física) incomodam mas é a natureza intima de toda a situação que mais perturba ao ler este "Gone Girl".


Nomes dos personagens: Nick Dunne, Amy Dunne

Nomes dos lugares: North Carthage, Missouri, Mississipi, Nova Iorque.

Pontos positivos: Escrita, o crescendo dos eventos, o quanto a Amy é retorcida.

Pontos negativos: O quanto me incomodou a leitura: tive que fazer várias paragens.

Fez-me reflectir sobre: Que uma mulher também é capaz de ser tão psicopata como um homem.

 

Autor: Gillian Flynn

Editora: Crown / Bertrand

Estante: Thriller

Leitura temática: L. Conjunta SLNB Abril

Período de leitura: 27 de Março a 22 de Abril 2013

Formato: ebook

Língua: Inglês

Classificação: 3 estrelas - Gostei

Leitura temática: "Leituras Confortáveis"

O tema de Fevereiro para o Só Ler Não Basta foi "Leituras Confortáveis" e, para me preparar para o episódio, acabei por dedicar a semana anterior a ler apenas livros que eu considero como as minhas leituras confortáveis: romances românticos. Normalmente são os livros que têm sempre uma fórmula que eu já conheço bem e que leio mais rapidamente. Constantemente os autores que se auto-publicam na Amazon colocam alguns dos seus trabalhos disponíveis de forma gratuita como forma de promoção do seu trabalho e assim eu acumulei algumas "borlas" que aproveitei para despachar nessa semana. Este é o resultado dessa leitura temática:

Secrets Exposed (Tall, Dark & Deadly #1), de Lisa Renee Jones

Deste eu desisti aos 18% na leitura.
Achei-o demasiado amador na escrita, a personagem feminina principal muito zangada e irritante e a leitura estava a ser, no geral, mais penosa que confortável.
Talvez um dia mais tarde eu volte a tentar e aí sim escreverei uma opinião completa sobre uma leitura completa.

Bride By Design, de Alicia Roberts

Quando adquiri o "Bride by Design" nem me apercebi que esta era apenas uma parte da história e que, para saber o resto, terei de comprar as outras duas partes: Manchala On The Mind e Manchala Nights.
O conceito é o do "contrato troca por troca": ele precisa de algo, ela também e, por isso, enfiam-se ambos num casamento de conveniência e numa intimidade forçada para conseguirem os seus objectivos.
A história é pobrezinha e nota-se bastante o amadorismo da autora: a personagem principal é blogger que quer ser decoradora e que poderá vir a sê-lo se casar com o milionário. (LOL, Patético, revela total desconhecimento de como funciona o mundo dos negócios e imobiliário!). A cena do avião é delirantemente má. De resto até foi suficientemente interessante, mas não o suficiente para desejar comprar os próximos dois.
Mesmo assim acho que a autora tem possibilidade para melhorar: revela que domina bem as fórmulas do romance romântico e erótico, só tem mesmo que ganhar um pouco mais de experiência de vida.

To Kiss You Again, de by Brandie Buckwine

Este conto ao início parecia um pouco estranho, nem percebia bem o que estava a ler mas depois percebi que o desvendar da identidade das personagens a pouco e pouco era propositada e até acabou por tornar o conto mais interessante.
A história acontece numa ilha grega onde alguns turistas têm residência há vários anos e por isso conhecem-se desde a adolescência. Jennifer e Matt conhecem-se no ferry e sentem-se atraídos um pelo outro mas depois desencontram-se ao chegar à ilha. Matt decide ficar e procura-a mas o reencontro vai lhe valer o choque da vida dele.
A história estava interessante, as reviravoltas que a história deu também foram interessantes mas acho que chegou a um ponto que foi angústia a mais para um conto só. Aquilo foi demasiada desgraça para justificar uma queca! E os diálogos foram todos muito mauzinhos. Boas ideias mas a escrita não é grande coisa.

Claimed, de Evangeline Anderson

Sobre este já escrevi uma opinião mais completa porque foi uma leitura que gostei bastante e talvez aquele que mais se encaixou no meu conceito de "leitura confortável". Posso dizer que fechei com "chave de ouro".

O fim da temporada ficção pós-apocalíptica

Hoje foi o último dia da temporada da ficção pós-apocalíptica mas infelizmente eu já tinha dado o desafio como terminado há algum tempo. Apesar de motivada e de ser um tema que me interessa bastante, a verdade é que não me encontrava com o estado de espírito certo para ler sobre mais sobre o sofrimento humano. Assim sendo, a minha temporada resumiu-se a apenas dois livros, que foram simultaneamente um dos piores e um dos melhores livros do ano:
Divergent, de Veronica Roth - Provavelmente a minha pior leitura do ano. Quanto mais penso nele, mais raiva sinto do tempo que li a ter tamanha porcaria. Que lixo.
Eu sou a lenda, de Richard Matheson - Considerado já por muitos um clássico e o primeiro livro de zombies de sempre, este pequeno livro é um excelente exercício sobre a resistência humana, o instinto de sobrevivência contra a loucura, a morte e brinca com conceitos interessantes como evolução e ataques biológicos.

Por ler ficam os restantes livros da lista, para leituras no futuro, não apocalíptico.

Temporada ficção pós-apocalíptica

Supostamente, segundo o calendário Maia, o mundo acaba a 21 de Dezembro deste ano e como gracinha lembrei-me que era giro assinalar o "fim do mundo" lendo livros sobre o tema. Ou melhor, sobre o que acontece após o fim do mundo.
Das opções que tinha disponíveis tive primeiro que distinguir o que é era "pós-apocalíptico" e apenas "distópico". Feitas as distinções, e sem ordem de leitura, as minhas escolhas são as seguintes:


Kindle
  • Divergent, Veronica Roth (em inglês)
  • The last man, Mary Shelley (em inglês)
  • Boneshaker, Cherie Priest (em inglês)
  • Oryx and Crake, Margaret Atwood (em inglês)
Papel
  • A Canticle for Leibowitz, Walter M. Miller Jr. (em inglês)
  • Eu sou a lenda, Richard Matheson

Desde já agradeço à Slayra (Livros, livros e mais livros) por ter dado o "arranque" e ter feito o magnífico botão ali em cima. Também à White_lady (Este meu cantinho...) e à Diana Marques (Papéis e letras) pelo entusiasmo que também demonstraram quando lancei a ideia. A todos aqueles que se queiram juntar a esta leitura temática estão à vontade e podem saber mais neste texto.

Blade Runner – Perigo Iminente

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Leitura temática “Os melhores livros geek de sempre

Resumo: Num planeta Terra moribundo, onde apenas habitam aqueles que não podem emigrar para outros planetas ou aqueles que não o querem deixar, acompanhamos um dia na vida de Rick Deckard, caçador de androides. A sua missão é retirar seis androides Nexus-6 mas esta tarefa vai ser mais complicada do que previa porque este modelo de androide é, até ao momento, o que melhor imita o ser humano.

Expectativa: Hiper-mega-alta, o livro que deu origem a um dos meus filmes favoritos de sempre. Em conversas recentes com dois amigos meus e após ver o seu grande entusiasmo sobre o livro, decidi sacudir-lhe o pó e descobrir porque é que este é considerado um dos melhores livros geek de sempre.

Opinião: Aqui está uma opinião tirada a ferros. A razão? O medo de tropeçar e de dizer asneira ou de dizer pouco, considerando que este é um dos livros clássicos de FC.
Esperava um livro mais semelhante ao filme e o primeiro embate foi reajustar-me a este mundo criado por Philip K. Dick e tentar dissocia-lo daquele criado por Ridley Scott. Depois foi tentar compreender um mundo distópico muito mais avançado ao que temos atualmente e que existe em 1993. Feitos os devidos ajustes mergulhei totalmente neste universo em que o planeta Terra está moribundo, cheio de lixo e de cinza e escasso em humanos, onde os animais estão quase todos extintos e são bens preciosos. As imagens e ideias que ele contém são fantásticas: ciborgues em tudo quase humanos, humanos que vivem isolados em prédios abandonados porque não conseguiram emigrar para Marte e que só têm a companhia da TV, que apenas transmite um canal o dia todo. Caixas de empatia que criaram uma nova religião. Aparelhos que modificam o nosso estado de espírito.
Há dois tipos de humanos neste livro, representados por Rick Deckard e J.R.Isidore, assim como dois tipos de ciborgues: os Nexus 6 e os animais artificiais. Com o auxilio destes elementos o autor permite-se fazer uma reflexão sobre a consciência humana, no seu plano filosófico assim como no religioso. O que é ser “humano” quando um organismo artificial é em tudo semelhante ao seu criador? Se consegue criar e apreciar arte, ter consciência da sua própria existência e mortalidade, o que sobra? Então toda a narrativa gira em torno da empatia, do sentir algo pelo nosso semelhante, de olhar além de si mesmo, da sua solidão e de sentir que se faz parte dessa entidade colectiva a que chamamos humanidade. Até os animais passaram a ser tesouros venerados por serem as outras únicas formas de vida. A religião que seguem, o Mercenarismo é a certo ponto desmascarada pelos ciborgues como nada mais que uma criação cinematográfica mas rapidamente a reação dos humanos é negar totalmente esse facto.
Toda esta reflexão e ideias são muito boas mas foi a sua execução que mais me custou. A escrita de Philip K. Dick é fria, pouco emocionante. Em momento algum senti empatia por nenhum dos personagens. Por vezes sentia a leitura arrastar-se e não tinha o menor interesse em virar a página. Como é que alguém que tem tão boas ideias consegue escrever de uma forma tão insípida? De uma forma talvez inocente achei que iria reencontrar no papel alguns dos diálogos vistos em filme mas esses não estavam lá. É esta a minha grande desilusão com esta obra de FC, o não ter sentido nada por ela.

Pontos positivos: As ideias, o mundo criado.

Pontos negativos: A escrita.

Estado de espírito: Boa mas tive de intercalar a leitura deste livro com outros para compensar a falta de excitação.

Fez-me refletir sobre: A consciência humana.

Balanço do Outono Steampunk

Ao contrário do que aconteceu com o Verão Temático, a leitura temática para este Outono não correu muito bem. Dos 12 livros que tinha à minha disposição apenas os da Meljean Brook foram satisfatórios em termos de steampunk.
Here There Be Monsters, The Blushing Bounder, The Iron Duke e o Heart of Steel são os dois contos e dois romances da Meljean Brook que realmente me deram imenso gozo em ler, pois o seu universo complexo, com máquinas voadoras, carros a vapor, próteses mecanizadas, alterações genéticas e outros forneceram-me tudo aquilo que eu procuro no género.
Já no caso do Soulless, apesar de ter alguns elementos steampunk (dirigíveis e pequenos objectos mecanizados) considerei-o mais um romance paranormal, pois toda a acção é sobre o que acontece a lobisomens e vampiros.
Por fim o The Anubis Gates, que me surpreendeu da forma mais negativa possível: sendo constantemente referido como uma obra steampunk, não lhe encontrei nenhum elemento que indicasse o género.
Comecei recentemente o The Native Star. Até ao ponto onde estou na leitura ainda só falou de magia, por isso aguardo com expectativa porque é que este também é um livro mencionado como steampunk.
De fora ficaram outros livros que poderiam ter sido melhores opções, como por exemplo o Leviatã.
Todos aqueles que não foram lidos, tentarei lê-los num futuro próximo, sem o compromisso de pertencerem a esta leitura temática.
De positivo ficou o texto da WhiteLady3 sobre o steampunk e a sua companhia, assim como o da Joana Lima, em algumas destas leituras.

Os livros que Stanley Kubric adaptou para cinema

Sou uma grande fã de Stanley Kubrick desde que vi, de uma só vez por inteiro sem interrupções, o 2001 - Odisseia no Espaço a 01-01-2001 (Obrigada RTP2!). Apesar de ainda não ter visto todos os seus filmes, sabia que aqueles que já tinha visto eram baseados em livros (no caso do "2001" o livro foi escrito em simultâneo com o livro). O que não sabia é que quase todos eles foram baseados em livros. Não foi por isso difícil tomar a decisão de criar mais uma lista de leitura temática, neste caso, ler os livros que Stanley Kubrick adaptou para cinema. Esta lista é para ser lida ao longo da vida e consoante eu conseguir adquirir os livros.
Os dois primeiros livros eu já li e por isso não vou reler ou escrever nova opinião. São eles os seguintes:

  • Lolita - foi lido antes de eu ter este blog mas escrevi recentemente sobre este livro, assim como as duas adaptações ao cinema, uma delas por Stanley Kubrick. 
  • A Luz  - foi lido muito recentemente e foi um livro que não gostei nada. É muito conhecida a polémica da adaptação do livro, pois Kubrick e King desentenderam-se e King saiu do projecto. Adoro o filme, detestei o livro. 
  • The Killing - Deu origem ao filme com o mesmo nome e um dos primeiros do realizador. 
  • A História de um Sonho - Deu origem ao filme "Eyes Wide Shut", com Tom Cruise e Nicole Kidman. Foi o último filme do realizador e cuja montagem não ficou terminada antes de morrer. 
  • A Laranja Mecânica - Deu origem ao filme com o mesmo nome. O livro desta lista que mais me assusta porque segundo ouvi dizer é complicado de se ler. Adorei o filme e toda aquela e loucura assim como tudo se desenrola e termina.
  • 2001 - Odisseia no Espaço - Escrito por Arthur C. Clarke ao mesmo tempo que trabalhava no guião do filme homónimo com Kubrick.
  • Nascido para matar - Deu origem ao filme com o mesmo nome. Ando a ganhar coragem para ver o filme porque é de guerra e eu ODEIO filmes de guerra (apesar do meu irmão me chamar de idiota porque o filme não é de guerra).
  • Paths of Glory - Deu origem ao filme com o mesmo nome. É considerado um dos maiores livros anti-guerra. Ainda não vi o filme.
  • Spartacus - Deu origem ao filme com o mesmo nome. É sobre o escravo que fez tremer o Império Romano quando liderou uma revolução de escravos. Existe neste momento uma série de TV que está a contar a mesma história. Ainda não vi o filme.
  • Dr. Strangelove - Deu origem ao filme com o mesmo nome. Não faço a mais pequena ideia sobre o que trata este livro e ainda não vi o filme.
  • Barry Lyndon - Deu origem ao filme com o mesmo nome. Não sei nada da história, só sei que o filme está lá em casa para ler.
 Provavelmente irei ver os filmes que ainda não vi quando chegar a altura de ler os respectivos livros.

Os melhores livros geek de sempre

A Wired.com publicou duas listas o mês passado sobre livros para geeks, uma proposta por eles e outra pelos leitores. Aproveitei para adicionar alguns dos respectivos livros ao Goodreads para não me esquecer de os ler um dia.

Os títulos que adicionei foram os seguintes:

  1. The Hitchhiker's Guide to the Galaxy
  2. Snow Crash
  3. Neuromancer
  4. Stranger in a Strange Land
  5. Brave New World
  6. Nineteen Eighty-Four
  7. Surely You're Joking, Mr. Feynman!
  8. I, Robot
  9. Do Androids Dream of Electric Sheep?
  10. Cosmos
  11. Dune
  12. A Brief History of Time


Para ler ao longo da vida!

Steampunk

Apesar de andar por aí há muito tempo, só tropecei neste género com o primeiro livro da trilogia Mundos Paralelos de Phillip Pullman. Com “tropecei” quero dizer que fiquei a conhecer o termo, porque já antes de ler o livro tinha visto filmes como Liga de Cavalheiros Extraordinários e Wild Wild West mas não fazia ideia de que se inseriam em tal género, nem sabia o que estava por trás de tudo aquilo. Como disse, só com o livro de Pullman me apercebi que havia toda uma subcultura, que foi mesmo ilustrada num episódio de Castle. Há quem ande por aí vestido com fatos vitorianos e elementos, por vezes assemelhando-se a próteses, que lembram os mecanismos de relógios ou que parecem mover-se a vapor. Há também quem transforme computadores e leitores de mp3 em objectos que poderiam ter sido usados no séc. XIX, tivessem tais coisas existido na época, e quem faça jóias e sei lá que mais. Confesso que o que mais me atraiu foi mesmo a estética da coisa (séc. XIX com tecnologia do séc. XX e XXI mas movido a vapor? YAY!) e acho que é por aí que anda a ganhar agora adeptos.
 

Para escrever este texto pus-me a pesquisar o tema por essa internet fora e pelas minhas deambulações percebi então que nada sabia sobre steampunk. Comecei por pensar que era um subgénero da ficção científica, mas tendo lugar num passado não tão distante como isso, numa espécie de história alternativa. No entanto, não há elementos recorrentes nas várias obras que têm vindo a ser publicadas, existem livros onde a fantasia está bastante presente (A Corte do Ar de Stephen Hunt é um exemplo) e maior parte dos livros steampunk que tenho cá em casa são romances, ou steamypunk como gosto de lhes chamar (casos como The Iron Duke de Meljean Brook e Steamed de Katie MacAlister). Dei então de caras com esta citação e penso que não poderia estar mais de acordo:
Steampunk is an aesthetic that mixes elements of technofantasy, and neo-Victorian retrofuturism. [fonte]
E como disse parece ser pela estética que está a ganhar adeptos. Depois do livro do Pullman foi a série Parasol Protectorate de Gail Carriger que me chamou a atenção, com as suas capas todas bonitas e com o facto de a autora se vestir à época e ter uma pancada por chá, e só agora me apercebo de que há muito mais que se lhe diga, nomeadamente no que ao “punk” da palavra diz respeito.
Apesar de só nos últimos anos ter travado conhecimento com o steampunk, há muito que anda por aí. Há quem considere Júlio Verne e H.G. Wells como percursores, por exemplo, ainda que me pareça (e tendo em conta que sou leiga neste tipo de coisas e ainda não tive oportunidade de ler os autores mencionados, shame on me eu sei) que eles escreveram ficção científica, imaginando um futuro onde submarinos e máquinas do tempo eram coisas reais, sendo que o steampunk se reporta a um passado, ainda que fortemente industrializado. Aqueles autores presenciavam a Revolução Industrial e tentavam perceber e ilustrar, com as suas histórias, o perigo e os efeitos que tal coisa teria na sociedade. Dickens é por vezes também mencionado, já que faz um retrato social das camadas mais pobres, expulsas dos campos pela mecanização da agricultura e explorados nas fábricas que se expandiam pela Inglaterra. Sendo que o termo apareceu, nos anos 80, como uma espécie de piada tendo em conta o cyberpunk, que se difundia na época, esperava-se que este tipo de literatura focasse não só as inovações tecnológicas retro-futuristas, mas também as questões que a própria época vitoriana levanta, como os problemas sociais e políticos (como o imperialismo e colonialismo).
The one thing that held most if not all of the early Scientific-Romance novels together was a heavy amount of not-so-thinly veiled social and political commentary. Both Verne and Wells constantly called out the corrupt nature of imperialism, and the negative effects of colonial expansion in their works. Not to mention being some of the first authors to address environmentalism, and the dangers of science run amuck. These were prophetic men with something to say and causes to fight for. Even the early works of authors like Jeter, Sterling/Gibson, Blaylock, etc. in the 70s, 80s, and 90s kept true to these ideals. Steampunk was after all, an offshoot of the sociopolitically motivated “Cyberpunk” genre. [fonte]
Não conhecia este lado do género no qual pretendo agora mergulhar, fazendo companhia à Tchetcha e à Janita, apesar de, pensando agora na leitura do livro de Meljean Brook e do Pullman, já ter enveredado um pouco por esses lados. Sendo entusiasta quanto à História, sobretudo no que ao séc. XIX e inícios do séc. XX diz respeito, é com redobrado interesse que me atiro a este outono que se quer steampunk, atenta não só à estética mas às questões que se levantam num mundo movido a vapor.
To conclude, steampunk provides the ultimate freedom of imagination and historical exploration, and in this spirit it allows for the darker side of the 19th century to be examined, interacted with and potentially countered and improved. The progress made during the 19th century made the social advances of the 20th century possible, and the steampunk genre allows for fans and authors alike to either wrestle with this history and ultimately accept it, or to rewrite it as it could have (and probably should have) been. [fonte]
Para mais informação:
  1. http://www.steampunk.com/what-is-steampunk/ 
  2. http://steampunkscholar.blogspot.com/2010/08/history-of-steampunk-by-cory-gross.html 
  3. http://steampunkscholar.blogspot.com/2010/05/defining-steampunk-as-aesthetic.html 
  4. http://steampunkscholar.blogspot.com/2009/02/towards-definition-of-steampunk.html 
  5. http://www.tor.com/blogs/2011/10/steampunk-will-never-be-afraid-of-politics 
  6. http://www.tor.com/blogs/2011/10/steampunk-week-2011-on-tordotcom 
  7. http://www.tor.com/features/series/steampunk-month 
  8. http://www.tor.com/blogs/2009/10/steampunk-101 
  9. http://www.tor.com/blogs/2009/10/the-revolution-will-not-be-telegraphed-the-sociopolitical-side-of-steampunk 
  10. http://www.tor.com/features/series/steampunk-fortnight 
  11. http://www.tor.com/blogs/2010/10/steampunk-and-history 
  12. http://theclockworkcentury.com/?p=302 
  13. http://theclockworkcentury.com/?p=165 
  14. http://en.wikipedia.org/wiki/Steampunk 
  15. Revista “Os Meus Livros”, Setembro 2011, pág. 30 e 31
____________________________________________________________________
Texto da autoria da White Lady que se junta a mim e à Janita Lima na leitura temática "Outono Steampunk".

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