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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Faefever, de Karen Marie Moning

Faefever
Eu sabia de antemão que ia sofrer no final deste livro, estava mais que avisada. Quando quase todas as opiniões que lemos começam por "O QUE É QUE ACONTECEU AQUI?!" ou "QUE FINAL FOI ESTE?" sabemos que devemos estar preparados para sofrer. Mesmo assim nada, durante dois terços do livro indicam o que vai acontecer. Ou melhor (e é nisto que eu vejo o brilhantismo de uma autora que planeou a história antes de a escrever) há indícios mas, quando a merda acontece, já é tarde demais. E como leitora fui surpreendida. Este é uma história que é uma autêntica montanha-russa de emoções negras e pesadas.
A Mackayla nunca esteve tão bem como agora. Acho que ela está mesmo no ponto: mais preparada, mais destemida, em que consegue negociar e manipular as várias partes que a tentam manipular e usar, sem ceder demasiado. A Mac está do lado da Mac e de mais ninguém. Adoro-a e detesto-a. Aliás, eu adoro-a. Há muitos momentos neste livro (nos anteriores também) em que percebemos o quanto ela está sozinha e se sente sozinha. Mais do que a dor da morte da irmã é ter de lidar com toda uma realidade e não ter mais ninguém em quem confiar. E nas suas horas mais solitárias somos nós que estamos ali com ela mas não podemos, infelizmente, conforta-la. 

O livro dá uma grande reviravolta no fim, passando de uma simples fantasia urbana a uma distopia, depois de um certo acontecimento de proporções apocalípticas. Mac, Dublin e o mundo: nada fica a salvo do que acontece.
Adoro a forma como Dublin é retratado nestes livros. Dublin não é apenas paisagem de fundo para enfeitar uma história. Dublin é ela própria um personagem que determina o tom, o ambiente, que se agita e sofre através dos seus habitantes. Há todo um parágrafo que resume perfeitamente tudo aquilo que esta história é, na sua essência:

And I had a startling realization: I loved this city.

Even swimming as she was with monsters, deluged by crime, tainted by the violence of the Sinsar Dubh, I loved Dublin. Had Alina felt this way? Terrified of what might come, but more alive that she'd ever been?
And more alone.


Tenho curiosidade e terror em saber o que vai acontecer a seguir a este livro. Será o próximo ainda mais dark? Conseguirei sobreviver como leitora a tanta dor e suspense? Uma coisa é certa: Faefever foi o melhor dos três que li da saga até agora. Se há alguém que quer saber o que é ler uma fantasia urbana, esta é uma boa série para perceber isso mesmo.

 

Nomes dos personagens: McKayla Lane, Jericho Barrons, V'Lane, Dany O’Malley
Nomes dos lugares: Dublin
Conteúdo sexual: Sensual, descritivo, erótico mas com uma cena de sexo apenas e não muito explícita.
Tipo de cenas: Beijos e nudez e uma cena de sexo.
Violência física: Sim
Violência psicológica: Sim
Pontos positivos: Erm.... tudo?
Pontos negativos: Erm.... nada?
Fez-me reflectir sobre: Apocalipse, Inferno, solidão.

 

Autor: Karen Marie Moning
Série: (#3 Fever)
Editora: Dell Publishing
Estante: Fantasia Urbana
Leitura temática: Não
Período de leitura: 31 Maio a 6 de Junho 2013
Formato: ebook
Língua: Inglês
Classificação: 5 estrelas: Adorei-o! É muito bom.

Sought, de Evangeline Anderson

 

Sought

 

Após as histórias de Olívia e Sophia Waterhouse, só faltava contar a história da amiga de ambas, Kat O'Connor. No livro anterior já tinha havido uma introdução ao (futuro) relacionamento de Kat com os gémeos Deep e Lock.
A história destes três é simples: os gémeos só são felizes quando ambos acasalam SIMULTANEAMENTE com a mesma mulher. Além disso têm uma preferência por gordinhas e um dos gémeos é bom enquanto o outro é mau. É no bom vs mau e no sexo a três em simultâneo que consiste grande parte do problema da história romântica.
Tal como nos livros anteriores, "Sought" é condimentado com muito humor e aventuras. Outros "heróis" e damas em apuro são introduzidos nesta história, nomeadamente o filho do vilão, Xairn e a Lauren, prima de Olívia e Sophia. Até agora Xairn tem me despertado muita curiosidade e vai ser interessante ver como será a história dele. Prevejo que este seja venha a ser o herói mais torturado deles todos.
A mitologia destes livros continua a expandir-se mas mantém-se interessante, apresentando as várias culturas planetárias Kindred (e respectivas anatomias) que, por sua vez, originam as cenas mais cómicas ou absurdas. Estou a adorar esta saga porque tem um pouco de tudo o que eu gosto em romances "hot" com o extra do humor e do cenário sci-fi.

 

Nomes dos personagens: Kat, Deep e Lock, Xairn, Lauren, The Allfather.
Nomes dos lugares: Twin Moons, Earth.
Conteúdo sexual: Muito descritivo, com cenas potencialmente chocantes mas pouco frequentes.
Tipo de cenas: Ménage a trois
Pontos positivos: Divertido, criativo, viciante
Pontos negativos: Novamente, a heroína problemática.
Fez-me reflectir sobre: Nada, adoro o efeito anestesiante destes livros.


Autor: Evangeline Anderson
Série: Brides of the Kindred #3
Editora: Kindle Edition
Estante: Romance FC
Período de leitura: de 28 a 31 de Maio de 2013
Formato: ebook
Língua: Inglês
Classificação: 3 estrelas: É assim-assim, gostei.

Beyond Shame, de Kit Rocha

Beyond Shame

Pois é, se há livros que têm tudo para dar certo para se gostar deles e depois não gosto, há outros que parecem condenados ao insucesso e revelam-se uma boa surpresa. "Beyond Shame" foi o perfeito exemplo dessa segunda situação. Sabia que este era um livro auto-publicado e que a dupla de autoras utilizam o pseudónimo "Kit Rocha" para este tipo de livros eróticos. Logo aí elementos suficientes para me deixar de pé atrás. No entanto este não é apenas mais um livro "feito a metro" para publicação online como muitos que agora existem. Estou a falar de um livro erótico sim, mas com uma linguagem e ritmo eróticos como há muito tempo já não lia, talvez desde os tempos da leitura do "Delta de Venus" de Anaïs Nin. E tremo com a comparação, porque Nin está num pedestal a que é difícil ascender. Como me atrevo eu com uma distopia erótica a fazer tal coisa?
Talvez o melhor é esquecer mesmo que é uma "distopia" e que os personagens são, na sua maioria, "membros de um gang". Tudo isso são cenários, como sempre o são em literatura deste género. Apesar desses cenários, é conseguido um enredo relativamente complexo, que tem Noelle e a sua integração no gang como fio condutor da história, e todo um conjunto de personagens que fazem parte desse gang. Apesar dos clichés este é um livro que está acima da média de muita literatura erótica que está actualmente a ser publicada.

 

Nomes dos personagens: Noelle, Jasper, Lex, Dallas, Rachel e o tatuador Ace.

Nomes dos lugares: Eden, Section Four, City


Conteúdo sexual: Maioritariamente erótico

Tipo de cenas: Sexo oral em público, sexo em grupo, algum BDSM.

Violência física: Sim, pouca.

Violência psicológica: Não

Pontos positivos: A escrita, a estrutura, o universo.

Pontos negativos: A história pouco desenvolvida e alguns personagens.

Fez-me reflectir sobre: Regras de gangs.

 

Autor: Kit Rocha

Série: Beyond (#1)

Editora: Auto-publicado

Estante: Erótica

Período de leitura: 11 a 14 de Abril, 2013

Formato: Digital

Língua: Inglês

Classificação: 4 estrelas - Gostei muito

Tempted, de Megan Hart


Expectativa: Considerando que era um livro com opiniões tão positivas sobre um livro cuja temática é uma ménage à trois, eu esperava uma leitura leve, rápida e hot.

Estado de espírito: Precisava de ler algo para desanuviar da leitura de Gone Girl. 

Opinião: É difícil falar o quanto fiquei desiludida com o livro quando se trata de uma autora que não conhecia mas a premissa do livro (um bromance e um casal que aceita um melhor amigo na cama com eles) foi muito enganadora quanto ao conteúdo emocional do livro. 
Primeiro que tudo este é um livro "sério": não é erótica, não é romance, não é nada excepto chato e maçador e cheio de drama. Depois é contado da perspectiva da Anne. Pessoalmente preferia que fosse contado da perspectiva do James, o verdadeiro vértice do triângulo amoroso e alvo dos afectos de ambos. Teria sido mais interessante porque ele tinha muitos mais barreiras emocionais a ultrapassar.
Para mim o pior de todo o livro foi os dramas familiares: tudo aquilo foi uma completa perda de tempo, não acrescentou nada ao enredo, não tinha uma história propriamente dita e parecia apenas uma desculpa esfarrapada da autora para dizer "Vêem?! Isto não é apenas erótica, tem profundidade, tem drama". Haja paciência!

Depois as cenas de sexo, que poderiam ter salvo um pouco a coisa, acabaram por ser indutoras de sono, de tão desinteressantes que foram de ler. As regras de quem pode fazer o quê a quem foram simplesmente idiotas. A cena final absolutamente ridícula. A sério, que dramazinho de telenovela.  Ou seja, não gostei de nada, começando pela Anne e o seu egoísmo, pelo argumento, dramas familiares, final deprimente, etc.

Resumo: Anne e James vêm a sua vida doméstica repentinamente alterada quando um amigo de infância de James decide visitá-los. Depressa Anne percebe que o relacionamento entre os Alex e James é algo de especial: quando eram rapazes pertenciam a extractos sociais diferentes mas mantiveram a sua amizade até à universidade, altura em que tiveram uma grande discussão e se separaram. Muitos anos depois a reaproximação acontece, agora também englobando a Anne, não só a nível de amizade, mas a nível físico. Conseguirá o casamento de Anne e James resistir a um verão escaldante a três?

Pontos positivos: Nenhum.

Pontos negativos: Tudo.

Fez-me reflectir sobre: Decidem escrever livros sobre menáges à trois e depois inundam aquilo de preconceitos tornando-os leituras intragáveis.

Hunted, de Evangeline Anderson

 

Série:Brides of the Kindred (#2 de 8)

Expectativa: O livro anterior foi uma verdadeira surpresa e deste só esperava mais do mesmo, um verdadeiro "guilty pleasure".
Estado de espírito: Bom, queria desanuviar um pouco da leitura do "Gone Girl" e acabei devorando o livro todo durante o fim-de-semana.
Opinião: Como eu adoro esta saga! Eu dou por mim agarrada ao Kindle, a virar páginas, completamente agarrada a uma história que eu sei de antemão que nem tem grande qualidade. Mas de certa forma preenche um conjunto estranho de requisitos que até agora não tinha encontrado num livro: é romance e sci-fi sem ser aquelas cenas estranhas japonesas com tentáculos e finais incompreensíveis. 
Em relação a este livro, posso dizer que, a história começa a partir do fim da história da Olívia e do Baird, mais propriamente, a partir do dia de casamento de ambos. Apesar do casal principal ser a Sophia e o Sylvan, eles não foram o único casal destacado nas cenas românticas da história. E ainda bem porque a Sophia é provavelmente uma das protagonistas mais intragáveis que já tive de ler até hoje. Ela tem medo de TUDO!! A mulher vive em terror absoluto de tudo e mais alguma coisa e é cheia de traumas e cenas e temos pena dela, mas bolas, é cansativo. A atracção entre os dois já tinha sido introduzida no livro anterior mas, nessa altura, a Sophia parecia muito mais forte e corajosa do que se revelou neste livro. Houve, sem dúvida, uma alteração de caracterização entre um livro e outro. 
Já o Sylvan tem uma história muito interessante e é giro conhecer a cultura do planeta dele e o quanto ele é um guerreiro em sofrimento e penitência pelo o que lhe aconteceu no passado. Por incrível que pareça, a Sophia até é das melhores coisas que lhe aconteceu mas os dois têm que passar por uma série de peripécias para perderem medos e ganharem intimidade. Por falar em intimidade, a cena da cabana é toda um bocado estranha mas sexy. A sério! Esta escritora é louca e inventa cá cada cena mais mirabolante em que dou por mim a rir às gargalhadas do tipo: "Ó deuses, isto é tão mau, eles não vão mesmo fazer isto, pois não?". É esta estranha mistura de situações sexuais estranhas e incómodas condimentadas com muito sentido de humor que me mantém entretida durante horas seguidas. Mesmo nas situações mais humilhantes há sempre momentos de bom humor.
Quanto aos outros casais, é-nos dada a possibilidade de revisitar a Olívia e Baird na noite de núpcias e é introduzido o futuro romance do terceiro livro entre a Kat, a amiga de Sophia e Olívia, e os irmãos gémeos de Baird e Sylvan. As cenas entre Kat e os gémeos foram bem engraçadas e sim, o terceiro livro promete!
Os desenvolvimentos quanto aos vilões também foram muito interessantes: conhecemos Zairn, o filho do vilão, o AllFather. Ele também tem uma história e passado interessantes e parece que a autora está a preparar algo de interessante para ele.
No geral a saga parece estar a criar aos poucos uma mitologia minimamente interessante para que estes livros sejam algo mais que extra-terrestres e terráqueas a fazerem sexo entre si, por muito divertido que isso seja de ler.
"Hunted" foi um segundo volume da saga muito satisfatório, que ultrapassou "Claimed" em aspectos como a mitologia, e que manteve o mesmo nível de entretenimento, mesmo quando os personagens deixavam um pouco a desejar.
Resumo: Sophia e Sylvian sente-se atraídos um pelo outro, no entanto os obstáculos que cada um deles levanta parece demasiado intransponível de ultrapassar: Sophia tem fobia a agulhas e sangue e foi violada na adolescência, nunca tendo ultrapassado nenhum desses traumas. Como era muito tímida, refugiou-se na sua arte e a ensiná-la a crianças. Por outro lado Sylvian, que é um Kindred de Sangue, tinha sido rejeitado pela sua noiva e fez por isso um voto de celibato em que prometeu nunca tomar uma noiva. Quando ambos se despenham na Terra depois de serem atacados pelos Scorge, Sylvian faz tudo para proteger Sophia dos seus perseguidores, os Scorge, que acreditam que ela pode ser a rapariga que pode concretizar a profecia. A intimidade forçada entre ambos vai levá-los quase à loucura, dividindo-os entre o desejo e os seus medos e promessas. Sobreviver aos Scorge e ultrapassar os medos do passado vai ser a longa odisseia que ambos terão de percorrer para ficarem juntos.
Pontos positivos: O sentido de humor da autora, a forma viciante como a história se desenrola, simplesmente não conseguia pousar o livro. As cenas picantes que não acontecem propriamente apenas entre o casal principal.
Pontos negativos: A Sophia e os seus mil e um terrores. Meu Deus, ela tinha medo de TUDO!! Só mesmo um alienígena alterado pelas hormonas é que conseguia aturar aquilo tudo.
Fez-me reflectir sobre: Sobre a falta de diálogo e a incapacidade de enfrentar os medos do passado.

Rebecca, de Daphne du Maurier

 

Expectativa: Pouca ou nenhuma. Tinha lido muitos elogios à autora e escolhi o "Rebecca" por entre as várias obras delas para ler, ao calhas.
Estado de espírito: Um pouco incerta e a sentir-me muito reservada em relação às minhas leituras e sem vontade de partilhar com o mundo o que estava a ler. Introspectiva.
Opinião: Uma simples frase abre o romance, como se fosse o próprio portão de Manderley que se abrisse para o leitor:
"Last night I dreamt I went to Manderley again".
Foi difícil para mim compreender aquele primeiro capítulo inicial: todo ele a descrição de um sonho, a revisitação de um lugar, o porquê da impossibilidade dos personagens em lá voltarem, as saudades que dele tinham. É preciso ler todo o "Rebecca", até mesmo à última folha, para perceber o porquê. Uma coisa eu já tinha certeza antes ainda de o ter acabado: estava a ler um dos melhores livros que tinha lido até ao momento. A escrita de Daphne du Maurier é muito boa, envolvente, rica e facilita a visualização dos lugares e situações.
O livro é narrado por uma jovem que depressa se percebe que é insegura, jovem e algo inexperiente. É, no geral, uma pessoa inteligente mas introvertida que consegue cativar Max de Winter, que a pede em casamento. Todos os capítulos até à chegada a mansão após o casamento e lua-de-mel parecem como um enorme prelúdio: fala-se em Manderley, fala-se em Rebecca, na sua vida e morte, mas tudo parece ser algo distante e despreocupado.
O momento chave de entrada em Manderley acontece quando a jovem conhece Mrs Danvers:
"Someone advanced from the sea of faces, someone tall and gaunt, dressed in deep black, whose prominent cheek-bones and great, hollow eyes gave her a skull's face, parchment-white, set on a skeleton's frame. She came towards me, and I held out my hand, envying her for her dignity and her composure; but when she took my hand hers was limp and heavy, deathly cold, and it lay in mine like a lifeless thing. 'This is Mrs Danvers,' said Maxim, and she began to speak, still leaving that dead hand in mine, her hollow eyes never leaving my eyes, so that my own wavered and would not meet hers, and as they did so her hand moved in mine, the life returned to it, and I was aware of a sensation of discomfort and of shame."
O mais interessante é as reviravoltas inesperadas: a narrativa desenrola-se de uma forma algo devagar, serena, contemplativa e, subitamente, o inesperado acontece. Uma revelação, um evento e a história mudava subitamente de rumo, aquilo que parecia acontecer não acontecia, o improvável revelava-se. Até ao fim, até à última página.
Pessoalmente gostei muito mais dos personagens secundários do que dos principais: a jovem narradora com as suas inseguranças consegue ser extenuante (apesar de ser eficaz para a criação de suspense) e o Max de Winter consegue ser detestável durante 99,9% da história. Até da própria Rebecca gostei, personagem que apenas conhecemos através da memória dos outros. É no entanto a Mrs Danvers a figura mais enigmática e interessante de todo o livro, uma das vilãs que mais arrepios me provocou até hoje.
Quando terminei a leitura deste livro procurei saber um pouco mais sobre a escritora e foi interessante descobrir os eventos da vida real da escritora que a levaram a escrever "Rebecca". Toda a história ganhou uma nova dimensão perante os meus olhos: o porquê da narradora ser uma jovem ingénua e mais jovem que o marido, o fantasma da mulher anterior, as comparações na boca das pessoas. Quanto mais semanas passam depois de terminada a leitura de "Rebecca" mais percebo a sua complexidade e a quantidade de temas e sentimentos complexos abordados na obra. Este livro não é apenas um thriller ou um mistério para resolver: é um caminho para a maturidade, para a confiança e amor no casamento e para a descoberta de uma identidade própria e confiança em si mesmo.
Resumo: Uma jovem ingénua conhece um homem mais velho em Monte Carlo e após um breve período de namoro, casam e vai viver com ele para Manderley, a sua mansão. Lá é confrontada com o passado ainda muito recente da morte a primeira mulher de Max de Winter, Rebecca, que a governanta Mrs Danvers se esforça para manter a memória viva. Uma tragédia vai trazer de forma brusca e inesperada os segredos do passado à superfície, obrigando a revelações inesperadas e a um futuro incerto.
Pontos positivos: A construção detalhada da história e a forma inteligente como os dá reviravoltas e surpreende o leitor.
Pontos negativos: O Max de Winter está muito longe do meu conceito de homem romântico, ou minimamente interessante. Também a narradora não achei interessante.
Fez-me reflectir sobre: Amores impetuosos, primeiros amores, diferenças de idades, segundas oportunidades, obsessões.
Excerto / Citação:

Pág. 5 - Happiness is not a possession to be prized, it is quality of thought, a state of mind.
Pág. 35 - They are not brave, the days when we are twenty-one.
Pág. 201 - I thought how little we know about the feelings of old people.
Pág. 221 - Men are simpler than you imagine, my sweet child. But what goes on in the twisted tortuous minds of women would baffle anyone.
Pág. 302 - It doesn't make for sanity, does it, living with the devil.
Pág. 354 - It's funny, I thought, how the routine of life goes on, whatever happens, we do the same things, go through the little performance of eating, sleeping, washing. No crisis can break through the crust of habit.


Adaptação cinematográfica: "Rebecca", realizado por Alfred Hitchcock, acabou por ser o vencedor do Oscar de melhor filme em 1941. Para mim, o Lawrence Olivier conseguiu transformar o Max de Winter numa personagem interessante e charmosa e faz o filme todo.
Links interessantes: A Tale of Three Houses: Menabilly, Milton Hall and Manderley

Claimed, de Evangeline Anderson

 

Série: Brides of the Kindred (#1 de 8)
Expectativa: Confesso que esta foi uma leitura de último recurso: tinha decidido fazer uma semana de "leituras confortáveis" e no meu caso isso significa romances românticos. Como tinha adquirido alguns ebooks grátis na Amazon decidi que era uma boa altura para despachar sem ressentimentos essas leituras.  O que aconteceu foi que dois ebooks revelaram-se muito curtos e o terceiro muito chato (acabei por desistir dele). Eu já tinha adquirido gratuitamente na Amazon o Claimed há algum tempo e pensei "Porque não?" mas a verdade é que a expectativa que eu tinha dele era mesmo muito baixa porque estava a ser promovido como livro erótico de sci-fi (??) de uma autora auto-publicada.
Estado de espírito: Bom, andava um pouco cansada com o trabalho e a precisar desanuviar um pouco. Comecei o "Claimed" no final da semana e não pensei que o fosse ler tão depressa mas acabou por se revelar uma excelente surpresa.
Opinião: Apesar do cenário sci-fi desta história, "Claimed" é o típico romance romântico da "noiva à força". Lembro-me de pensar, durante os primeiros capítulos, que era desnecessário todo aquele cenário sci-fi que a autora estava usar apenas para colorir a história. No entanto, a certa altura, "o cenário" passou a universo relativamente interessante e percebeu-se que a autora tinha organizado bem as suas ideias criando regras, mitologias, vilões e situações de perigo que vão além da esfera do relacionamento e confrontos do casal, e tornou "Claimed" um pouco mais do que apenas o relacionamento do casal protagonista.
O livro é muito bem-humorado: As várias situações caricatas desde a situação ridícula de ser forçada a casar com um alienígena, ao confronto com o estranho animal doméstico que Baird tem na suite na nave espacial, à descoberta dos vários tipos de "homens" Kindred e suas diferenças anatómicas, além dos confrontos de Olívia com aparelhos domésticos desconhecidos, evitaram que o livro se tornasse monótono, aborrecido ou desinteressante. A escritora domina bem a fórmula deste tipo de romance, mantendo o interesse do leitor e oferecendo-lhe pequenos "docinhos" ao longo da narrativa mas deixando-o sempre pendurado a pedir por algo mais. 
Baird é o típico macho-alfa com uma faceta de ursinho carinhoso, protector, em tamanho XXL e em formato alienígena e Olivia a típica "eu-sou-uma-mulher-moderna-e-sei-o-que-quero-por-isso-não-percebo-porque-estou-tão-confusa" que se vê a braços com uma atracção física inexplicável por Baird que a deixa perto da loucura. É por isso fácil gostar e odiar ambos pelas razões do costume: entrega total, teimosia, burrice, ternura, falta de diálogo...
Os personagens secundários são mais do que meros figurantes (Sylvian, Sophia, Kat, além da sacerdotisa e dos vilões) e percebe-se que alguns deles irão merecer destaque em histórias seguintes.
É engraçado que o livro a que eu mais tinha resistido ler acabou por ser o que mais se adequou às minhas leituras confortáveis que eu procurei nessa semana. Simples de ler, divertido, romântico e claro, excitante.
Resumo: Durante seis meses Olívia teve sonhos recorrentes com o mesmo homem, um homem que ela nunca conheceu. Apenas quando foi selecionada para ser noiva de um guerreiro Kindred é que ela percebeu que o "homem" dos seus sonhos é o alienígena que agora a reclama. Os Kindred são uma raça alienígena de guerreiros que protege a Terra e outros planetas, da força maléfica dos Scourge. Em troca dessa proteção, e por sofrerem de um mal genético que resulta em que 95% da sua descendência seja do sexo masculino, eles exigiram em retorno poderem acasalar com as fêmeas humanas. 
Quando Baird estava a ser torturado e mantido em cativeiro pelos Scourge, a sua mente entrou em sintonia com a de Olivia e foi assim que ele soube que ela era a única fêmea do Universo para ele. No entanto, os rituais de acasalamento entre humanos e Kindred não são semelhantes e Olivia tem de passar por um periodo de reivindicação, em que o guerreiro Kindred tem de conquistar a fêmea que escolheu e o qual dura 4 semanas humanas, com as seguintes regras:
A semana do Toque - o guerreiro Kindred pode tocar e agarrar a sua noiva.

A semana do Banho - o guerreiro e a noiva banham-se juntos e ele pode massajá-la com óleos perfumados e dar-lhe prazer.
A semana do Provar - o guerreiro está autorizado a dar prazer oral à sua noiva.
A semana da União - o sexo é permitido mas depende da noiva se deseja ou não ter "sexo vinculativo" que é um processo especial e específico.
Além disso, Olivia é uma humana que se sente raptada da sua vida na Terra e muito contrariada com toda a situação. A promessa de amor eterno e sexo ardente poderá não ser o suficiente para a convencer a ficar com Baird. Ou será?
Pontos positivos: A mitologia em redor à reverência pelo sexo feminino pelos Kindred e o quanto eles estão dispostos a dar a vida para proteger a sua fêmea.
Pontos negativos: O episódio na casa da Jillian foi um pouco desnecessário. Não haver menção quanto à idade dos Kindred e expectativa de vida.
Fez-me reflectir sobre: Esta insistência ridícula de humanizarmos qualquer conceito de biologia extraterreste.

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