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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Grandes autores: de Julian Barnes a Lecticia Wierzchowski

Grandes autores

 

O Sentido do Fim, de Julian Barnes // 3 estrelas

Tinha grandes expectativas para um livro que comprei apenas pela capa e pelo título.

Talvez, o ter sido vencedor do Man Booker Prize em 2011, fosse a razão pela qual eu me tinha convencido que este seria um livro pequeno mas deslumbrante. Pequeno sim mas longe de deslumbrante.

O fim dá sentido às reacções de outras personagens e aos acontecimentos mas, a revelação no final fica tão aquém do surpreendente que pergunto-me o porquê de ter sido o vencedor de um prémio tão prestigiado.

 

O Amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez // 3 estrelas

Talvez a minha grande desilusão do ano.

Sendo o Cem anos de solidão o meu livro favorito e, querendo marcar a morte deste grande autor com a leitura de um dos seus livros, este O Amor nos Tempos de Cólera revelou-se uma leitura sofrível, que se arrastou por vários meses, por vezes deixando-me a pensar porque é que continuava a lê-lo.

Não gostar do protagonista é, para mim, meio caminho andado para desistir do mesmo e, Florentino Ariza é, provavelmente, um dos mais errados e desinteressantes heróis românticos que já li. Talvez na cabeça de Márquez, a ideia de um indivíduo feio e mulherengo com alma de poeta e perfil de stalker fosse glamorosa o suficiente para daí escrever um livro em que o amor vence, mesmo quando a mulher passa mais de 50 anos a dizer que não. Na minha cabeça não é não, não é amor.

Além disso, a característica que mais gosto da sua escrita, o realismo mágico, pouco ou nada surgiu. Ficam como pontos positivos a sua escrita maravilhosa e um retrato interessante das caraíbas do virar do século XX.

 

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell // 4 estrelas

"Big Brother is watching you" é a expressão que me vem à cabeça sempre que vejo câmaras de vigilância ou sempre que surge um novo debate sobre a perda de privacidade nos dias que correm.

Publicado em 1949, Mil Novecentos e Noventa e Quatro é o livro que dá origem a esta expressão e já estava há muito na minha lista "para ler". É considerado como um dos grandes livros do Séc. XX e ainda hoje (talvez mais do que nunca) actual e é daqueles livros que, por isso mesmo, me intimidam como leitora.

Gostei muito do livro, do conjunto de ideias apresentado (políticas, sociais), gostei de todo o conceito distópico e foi sem dúvida um livro que me deu muito para pensar. No entanto todo o ambiente sufocante e soturno, a prosa monótona e o meu pouco interesse no destino final das personagens, fez com que este livro acabasse por não ser um favorito meu.

 

A casa das sete mulheres, de Lecticia Wierzchowski  // 4 estrelas

Uma das leituras preferidas dos últimos tempos.

Foi-me altamente recomendado por várias pessoas, entre elas a Cat_Sadiablo que foi uma querida por me ter emprestado a sua muito valiosa e muito rara cópia do livro.

Conhecia (e amava) a história e as personagens pela série de TV que afinal, foi criada a partir deste livro. No entanto, enquanto que na série de tv foquei mais a minha atenção nos amores e sofrimentos de cada uma das sete mulheres da casa, no livro também pude usufruir de um pouco de História, nomeadamente o que foi a Revolução Farropilha, que levou à desanexação do estado do Rio Grande do Sul do resto do império do Brasil. Afinal o romance entre Manuela (a minha personagem favorita da série e a narradora de partes desta história) e Garibaldi existiu mesmo e esta ainda é hoje conhecida na zona onde viveu como a "Noiva de Garibaldi".

Além do excelente desenvolvimento da parte histórica que o livro apresenta, outro facto que o torna extraordinário é a linguagem. A mistura de termos portugueses com castelhanos poderia ter dificultado a leitura do mesmo. No entanto, Lecticia Wierzchowski é exímia na forma como o faz, nunca sendo uma leitura de difícil compreensão e ajudando até a entrar no universo que este livro retrata.

Outro ponto a favor é o retrato e o foco nas personagens femininas durante uma época tão turbolenta como é a de um cenário de guerra.

É um livro que recomendo (apesar de ser impossível de encontrar em Portugal) principalmente para quem gosta de ficção histórica e pretende ler algo não anglo-saxónico.

Nada Tenho de Meu, vários autores

 

Todos sabemos que o ser humano é multifacetado e que não deve ser rotulado apenas por uma das suas características. Nunca tinha pensado nisso em relação à forma como uma história é contada até ter recebido em casa o livro e CD "Nada Tenho de Meu" de Miguel Gonçalves Mendes, Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca.
Primeiro peguei no livro e, apesar de ser uma novela gráfica, demorei 4 dias a lê-lo. Custei a compreender a mensagem, talvez pela sua narrativa fragmentada, talvez porque não me fosse claro quem era o narrador ou simplesmente pela sua natureza gráfica.
Foi então que, ao ver os episódios desta série e que tudo se encaixou. Sob a direcção Miguel Gonçalves Mendes, as palavras de João Paulo e Tatiana ganham forma, cores, sentimentos. O livro é uma imagem da mini-série. Não bem igual mas quase. Uma ficção sobre a ficção.
"Nada tenho de meu" parece ser um diário de viagem em que os personagens viajam, não só ao extremo oriente mas dentro de si mesmos e nós com eles. Fez-me, por exemplo, viajar dentro de mim mesma e deu-me vontade de rever "O Amante" de Jean-Jacques Annaud e a obra homónima e autobriográfica que lhe deu origem, de Marguerite Duras.
Estes personagens, que se reúnem para um evento específico em Macau, partem em viagem e é a partir daí que surge a desconstrução: a narrativa fragmentada faz o leitor/espectador sentir-se ao princípio um pouco perdido (tal como os personagens) para depois poder apreciar apenas os conceitos: medo, solidão, amor, vazio, desilusão, humanidade.
Apesar de não ter apreciado o livro isoladamente, este, em conjunto com a mini-série, acaba por se tornar muito mais interessante. Duas facetas que se complementam e que formam uma história só, um registo documental ficcionado a três mãos, que une duas culturas díspares, a Ocidental e Oriental, que se encontram para mostrar que humanos somos todos nós. Um só.
Fiquei muito impressionada com a direcção do Miguel Gonçalves Mendes. A fotografia, a edição, o som... tudo é apresentado de uma forma tão bela e sensível (e ao mesmo tempo esmagadora) que me provoca um amargo de boca de arrependimento por não ter visto o "José e Pilar" (até agora, vou tratar disso!). Deu-me também a conhecer dois escritores: a Tatiana Salem Levy, com cujas ideias me identifiquei bastante e João Paulo Cuenca, o mais niilista dos três e de quem quero ler mais coisas num futuro próximo.
Podem ver os episódios que já passaram na RTP2 (sextas-feiras à noite) publicados online no Sapo Vídeos. Cada um tem a duração de 10 minutos. Ou comprarem o livro com o DVD e assim obterem a experiência completa.

Sought, de Evangeline Anderson

 

Sought

 

Após as histórias de Olívia e Sophia Waterhouse, só faltava contar a história da amiga de ambas, Kat O'Connor. No livro anterior já tinha havido uma introdução ao (futuro) relacionamento de Kat com os gémeos Deep e Lock.
A história destes três é simples: os gémeos só são felizes quando ambos acasalam SIMULTANEAMENTE com a mesma mulher. Além disso têm uma preferência por gordinhas e um dos gémeos é bom enquanto o outro é mau. É no bom vs mau e no sexo a três em simultâneo que consiste grande parte do problema da história romântica.
Tal como nos livros anteriores, "Sought" é condimentado com muito humor e aventuras. Outros "heróis" e damas em apuro são introduzidos nesta história, nomeadamente o filho do vilão, Xairn e a Lauren, prima de Olívia e Sophia. Até agora Xairn tem me despertado muita curiosidade e vai ser interessante ver como será a história dele. Prevejo que este seja venha a ser o herói mais torturado deles todos.
A mitologia destes livros continua a expandir-se mas mantém-se interessante, apresentando as várias culturas planetárias Kindred (e respectivas anatomias) que, por sua vez, originam as cenas mais cómicas ou absurdas. Estou a adorar esta saga porque tem um pouco de tudo o que eu gosto em romances "hot" com o extra do humor e do cenário sci-fi.

 

Nomes dos personagens: Kat, Deep e Lock, Xairn, Lauren, The Allfather.
Nomes dos lugares: Twin Moons, Earth.
Conteúdo sexual: Muito descritivo, com cenas potencialmente chocantes mas pouco frequentes.
Tipo de cenas: Ménage a trois
Pontos positivos: Divertido, criativo, viciante
Pontos negativos: Novamente, a heroína problemática.
Fez-me reflectir sobre: Nada, adoro o efeito anestesiante destes livros.


Autor: Evangeline Anderson
Série: Brides of the Kindred #3
Editora: Kindle Edition
Estante: Romance FC
Período de leitura: de 28 a 31 de Maio de 2013
Formato: ebook
Língua: Inglês
Classificação: 3 estrelas: É assim-assim, gostei.

Demon Moon, de Meljean Brook

Comecei a ler este livro, sem grandes expectativas e com o desejo de querer "despachá-lo". Tinha tido grandes dificuldades na compreensão do Damon Angel e sabia que, quanto mais depressa ultrapassasse este livro (considerado por alguns fãs da saga e mesmo por indicação da autora, difícil), mais depressa poderia apreciar o resto da saga. Isto pode parecer um pouco cruel mas, quando temos uma estante que parece crescer de dia-para-dia, em vez de diminuir, há alturas do ano em que não o interessa o que lemos, desde que ajude a passar o tempo. Era romance e era de um autor que eu conhecia e gostava: para mim era o suficiente.
Damon Angel tinha sido uma leitura difícil e longa e esperava deste livro algo semelhante mas, estranhamente, não foi isso que aconteceu. Sim, ainda é um universo complexo e difícil. Sim, ainda tive problemas para compreender tudo o que se estava a passar. Neste universo há mesmo muito para absorver mas mesmo assim adorei a aventura e o romance de ambos. Acho que teve momentos muito bons!
Não é segredo que Meljean Brook é uma das minhas escritoras favoritas e esta é uma das razões: ela é excelente quando escreve sobre casais interraciais. É muito fácil cair no erro de mencionar a diferença entre os elementos do casal, como admiração ou temor, nos romances românticos. Muitas escritoras até usam isso como tema do romance, o que é perfeitamente plausível. No caso de Savitri e Colin foi apenas um detalhe.
Colin é simplesmente delicioso. Sim, ele é bonito, vaidoso e orgulha-se disso. Savitri tem muitas restrições: a sua etnia e cultura, a sua mortalidade, a sua independência. Colin é quase como um oposto demasiado oposto para que um relacionamento entre ambos seja credível: ele parece acabado de sair de um livro de Oscar Wilde, ela do filme Blade Runner.

 

Nomes dos personagens: Colin Ames-Beaumont, Savitri Murray, Lilith, Hugh Castleford, Michael, Selah.

Nomes dos lugares: Chaos, Caelum, Auntie's Restaurant, Special Investigations Headquarters, a casa do Colin.

Conteúdo sexual: Muito descritivo, linguagem forte.

Tipo de cenas: Românticas.

Violência física: Cenas de luta

Violência psicológica: Não

Pontos positivos: Romance, cenas de luta, criatividade no universo

Pontos negativos: Demasiados personagens

Fez-me reflectir sobre: O desejo de ser imortal

 

Autor: Meljean Brook

Série: The Guardians (#2)

Editora: Berkley Sensation

Estante: Romance Paranormal

Período de leitura: De 29 de Abril a 16 de Maio de 2013

Formato: Ebook

Língua: Inglês

Classificação: 3 estrelas - É assim-assim, gostei.

Gone Girl, de Gillian Flynn


Quando saltei para a leitura deste livro (foi lido para uma leitura conjunta) estava tudo menos entusiasmada. Algures na minha mente tinha-me convencido que tanto burburinho em torno de uma autora americana pouco conhecida só poderia ser mais um daqueles casos de sucesso de "muita parra e pouca uva" e não estava com vontade de ler algo que toda a gente andava a ler. O livro "da moda", por assim dizer.
Agora, olhando em perspectiva, enquanto escrevo esta opinião vários meses depois de o ter lido, chego à conclusão que foi uma das leituras mais marcantes do ano e ainda bem que a fiz. Não é um livro confortável, pelo contrário: houve momentos em que tive de intercalar com outras leituras porque não aguentava tanto "pensamento mau", apetecia-me tomar duches depois de ler certas passagens de tão suja que me fazia sentir. No entanto impressionou-me e dou os meus parabéns à Gillian Flynn por ter tido a audácia de verbalizar tantos pensamentos feios que nós mulheres por vezes temos mas somos incapazes de os admitir.
A estrutura da história é deliberadamente repartida entre Nick e o diário da Amy dando-nos duas perspectivas aparentemente opostas sobre o mesmo problema: um casal em crise, numa sociedade com a sua economia e valores em profunda decadência. Em quem acreditar? Amy ou Nick? Enquanto lemos e ponderamos a nossa decisão, Gillian Flynn apresenta um dos melhores livros sobre a nossa realidade contemporânea: fala sobre a crise económica, as consequências reais que esta teve sobre as famílias, as cidades, o país. Faz-nos pensar na nossa geração, na geração dos nossos pais e na geração dos nossos filhos.
Também gostei do seu estilo de escrita: é rico e visual mas, acima de tudo, destemido. É apresentado um buffet de personagens que são complexas, repulsivas e ao mesmo tempo cativantes apesar de assustadoras, todas elas dentro de uma situação que se vai revelando ao leitor por partes como matrioskas. Os segredos e a manipulação, a violência psicológica (e também alguma física) incomodam mas é a natureza intima de toda a situação que mais perturba ao ler este "Gone Girl".


Nomes dos personagens: Nick Dunne, Amy Dunne

Nomes dos lugares: North Carthage, Missouri, Mississipi, Nova Iorque.

Pontos positivos: Escrita, o crescendo dos eventos, o quanto a Amy é retorcida.

Pontos negativos: O quanto me incomodou a leitura: tive que fazer várias paragens.

Fez-me reflectir sobre: Que uma mulher também é capaz de ser tão psicopata como um homem.

 

Autor: Gillian Flynn

Editora: Crown / Bertrand

Estante: Thriller

Leitura temática: L. Conjunta SLNB Abril

Período de leitura: 27 de Março a 22 de Abril 2013

Formato: ebook

Língua: Inglês

Classificação: 3 estrelas - Gostei

Aries Revealed, de Mina Carter

 

Expectativa: Na verdade, nenhuma. Encontrei este livro como leitura recomendada num grupo do Goodreads intitulado "The Erotic SciFi Club" e pareceu-me interessante.
Estado de espírito: Estava ainda a precisar de desanuviar da leitura de Gone Girl... sim... estava a ser uma leitura pesada e longa.
Opinião: Então... se um ciborg tem consciência que é um, porque é que se comporta como um humano? Acho que foi a resposta a esta minha dúvida que nunca foi realmente respondida. Não podia estar à espera de muito, afinaç isto é um romance erótico e isso não interessa nada. É como ele ser vampiro e brilhar à luz do dia. Ok. Confesso que a pergunta foi suficientemente irritante para me meter comichão até ao fim da história. Não me meteu confusão que ela o visse como homem-objecto ou brinquedo para o prazer e o conto (ou noveleta?) aquece bastante nesse departamento, mas confundiu-me imenso que ele tivesse sentimentos e preferências, sendo ele uma máquina. É que estragou um bocado a piada toda de estar a ler uma história com um ciborg, porque ele parecia humano. Enfim... O conto até dá umas reviravoltas interessantes na história, dá para o Johnny ter um momento à herói e a Milly o seu momento de vingança.
Resumo: Johnny é um ciborg que se disfarça de stripper e no seu espectáculo finge que é um ciborg. Milly, é capitã de uma nave espacial de carga e vai todas as semanas ver Johnny actuar. Os dois sentem-se atraídos um pelo outro. Quando Johnny vê que Milly vai à loja da sua "irmã" buscar um boneco de prazer para passar o fim-de-semana, ele decide agarrar a oportunidade para passar o fim-de-semana com ela. Só que Milly é alvo de um ataque ordenado pelo ex-marido e está nas mãos de ambos regressar à Terra sãos e salvos. Só que isso poderá implicar desmascarar a verdadeira identidade de Johnny.
Pontos positivos: As cenas de sexo: muito quentes, sim senhor!
Pontos negativos: Ciborgs com sentimentos, só modernices estranhas...
Fez-me reflectir sobre: Blade Runner.

A Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin

Expectativa: Foi um livro que eu demorei muito tempo para começar a ler por várias razões. A primeira é que a época medieval não me seduz nada, com ou sem fantasia. Foi só apenas ao grande sucesso do autor por cá e à minha leitura dos capítulos sobre a Daenerys, que gostei bastante, que fiquei convencida a investir na leitura deste livro. Depois veio a série e com ela a euforia dos fãs. Tendo passado por uma situação semelhante mas invertida, com a série Sangue Fresco, decidi primeiro ver a série de tv e depois ler os livros. De certa forma quis afastar-me de todas as formas de pressão e euforia que livros com grandes hordas de fãs normalmente trazem consigo e apreciar o livro por si só, ao meu ritmo e ao meu gosto.

Estado de espírito: Primeiro livro do ano, comecei a lê-lo porque queria "finalmente começar a ler A Guerra dos Tronos" e porque andávamos a preparar o tema de Janeiro para o Só Ler Não Basta e queria estar bem preparada.

Opinião: A família ou a honra? Este é o dilema com que se depara Eddard Stark perante o convite que o rei lhe faz para ser a sua Mão. A sua decisão acaba por ser forçada, na sequência de um grande infortúnio, no entanto esta terá consequências graves para a sua família e reino.
George R. R. Martin oferece-nos com a "A Guerra dos Tronos" a introdução ao seu enorme jogo de xadrez em que Westeros (um reino de Fantasia onde as estações do ano duram anos e a magia quase que desapareceu) é o seu tabuleiro e as várias famílias e personagens os seus peões. É na complexidade do seu mundo e na forma como tudo se move e se interliga que torna esta saga tão interessante. Há um enredo maior do que este livro só, há um destino (que neste livro ainda não se sabe, tudo é introdutório) para esta história, tudo isto apresentado de uma forma bem escrita.
É por isso agridoce o que sinto relativamente a este livro e saga. Sinto que há uma grande festa a acontecer e da qual não consigo fazer parte. Arrastei a leitura durante quase um mês e muitos foram os momentos que não me apetecia lhe voltar a pegar. E o que mais me surpreende é a diferença entre o quanto adorei ler  apenas os capítulos da Dany para ler agora o universo ou a história completa.
Fantasia épica não é mesmo "my cup of tea", por muito boa que seja. Houve passagens que gostei muito: Os capítulos da Dany, os sonhos de Bran, as ansiedades da Sansa, a sagacidade de Tyrion. Fora isso tudo aborreceu-me e aborreci-me porque queria MESMO gostar. Ainda bem que, além deste tenho apenas tenho "A Muralha de Gelo" para ler e poderei desistir de uma saga que faz tanta gente feliz (mas não a mim).

 

Resumo: Robert Baratheon é rei de Westeros e convida Eddard Stark para ser a sua Mão, após a morte do seu antecessor. Este convite e sua aceitação leva à separação da família Stark assim como ao desmascarar dos planos da família Lannister para tomar o poder. Simultaneamente Robert descobre que os sobreviventes Targaryen ainda estão vivos e que Daenerys está grávida e decide ordenar a sua morte, com a qual Eddard não concorda. Os filhos Starks rapidamente levam rumos diferentes a partir do momento em que se separam e os seus destinos parecem que irão estar intimamente interligados com os do reino.


Pontos positivos: A complexidade da trama, a beleza da escrita, a criatividade.

Pontos negativos: O meu desinteresse pelo tipo de história levou que arrastasse a leitura por mais tempo do que o esperado.

Fez-me reflectir sobre: A importância dos bastardos no futuro dos Reinos quando os legítimos deixam de existir.

Excerto / Citação: Pág. 153

"E olhou para lá da Muralha, para lá de florestas sem fim sob um manto de neve, para lá da costa gelada e de grandes rios azuis esbranquiçados de gelo e das planícies mortas onde nada crescia nem vivia.
Olhou para norte, e para norte, e para norte, para a cortina de luz no fim do mundo, e então para lá dessa cortina. Olhou para as profundezas do coração do Inverno, e então gritou, com medo, e o calor das suas lágrimas queimou-lhe o rosto.
Agora sabes, sussurrou o corvo ao pousar no seu ombro. Agora sabes porque deves viver.
- Porquê? - disse Bran, sem compreender, a cair, a cair.
Porque o Inverno está a chegar."

Leviatã

 

Lamentavelmente este resumo contém spoilers

Série: Leviatã (#1 de 3)

Resumo: Após o assassinato dos pais, Alek é levado durante a noite por um pequeno grupo fiel à sua família para parte incerta porque ele é uma peça fulcral da guerra europeia que está agora a começar. Dentro do "Trovão", Alek é agora o herdeiro sobrevivente de um império que poderá ou não herdar quando a guerra terminar.
Deryn é uma rapariga do povo que recusa que o sexo com que nasceu e a idade que tem sejam impedimentos para ser aquilo que mais deseja: um aviador da Força Aérea. Disfarçada como rapaz como Dylan Sharp, inicia a sua aventura logo no dia da sua recruta quando se perde e vai parar ao poderoso Leviatã. Deryn acaba por fazer o seu treino a bordo do Leviatã nas semanas seguintes e percebe que o poderoso navio voador tem a seu cargo uma missão secreta muito importante na guerra europeia que começa agora a desenrolar-se.
É assim que, algures no centro da europa, os destinos de Alek e Deryn se cruzam da forma mais peculiar, em que um príncipe herdeiro fugitivo une forças a um grupo que são potencialmente seus inimigos.
Expectativa: Elevada. A trilogia tinha sido comercializada declaradamente como steampunk, a edição portuguesa estava muito bonita e de boa qualidade, a ideia parecia muito boa e tudo indicava que eu tinha a oportunidade de ler uma boa aventura infanto-juvenil de steampunk.

Opinião: Quando comprei o Leviatã em 2011 nunca pensei que o iria deixar na estante tanto tempo à espera de ser lido. Depois em Abril deste ano comprei o "Besta" e o "Golias" e a espera continuou. Finalmente, quando o grupo "Diários Steampunk" decidiram fazer um episódio sobre o livro decidi que estava na altura de acabar com a preguiça e saltar finalmente para a leitura do mesmo.
Leviatã acabou por não se revelar tão bom como esperava. Não sei se as minhas expectativas eram demasiado altas, se o meu problema é com a primeira metade da história que é bastante chata. 
Para adolescentes de 15 e 16 anos, parecem ter maturidade de 12 anos e mesmo a escrita do autor poderia ser mais elaborada. Se a nível criativo exige que imaginemos uma baleia que voe no ar e morcegos que cospem flechas, penso que a nível de escrita também poderia ser menos "guião de filme" e mais denso. Leviatã é um livro cheio de boas ideias, muito cinematográfico mas com muito poucas ou nenhumas cenas de introspecção. 
Quando Alek finalmente chora a morte dos pais eu achei que foi um pouco tarde demais. Afinal, o que move aquele miúdo? Ele não tem nada a perder, porque raio quer ele perder tempo em fazer alianças com o inimigo ou viver a bordo de um navio?
Além disso, mas isto é implicância minha, achei que perdia sempre algo quando olhava para uma das imagens do livro. Perdia o ritmo, perdia a cor, perdia o momento que tinha tão perfeitamente imaginado na minha mente.
Continuo a ter muitos sentimentos contraditórios sobre Leviatã, mesmo agora depois de o ter terminado. Gostei mais do livro do meio para o fim, acho que é uma forma genial de explicar história da Primeira Grande Guerra a um miúdo, mas acho-o muito distante do livro que prometia ser.
Estado de espírito: Boa, motivada com a leitura conjunta promovida pelo grupo "Diários Steampunk".
Pontos Positivos: O conjunto de ideias originais que o autor pensou muito bem, a tecnologia avançada, a genética animal, etc...
Pontos Negativos: O saltar de perspectiva entre Alek e Deryn a cada 2 capítulos. A distracção dos desenhos. A falta de introspecção dos personagens.
Fez-me reflectir sobre: Que mundo diferente seria o nosso se a tecnologia tivesse evoluído de forma diferente.

The Darkest Night

Lido em Inglês. Lido no Kindle.

 

Série: Lords of the Underworld (#1 de 9)
Resumo: Maddox faz parte de um grupo de guerreiros condenados a viverem com os demónios que libertaram da caixa de Pandora dentro dos próprios corpos. Além disso Maddox tem uma maldição adicional: por ter sido ele a matar Pandora, todas as noites tem de morrer e ser levado para o Inferno. Ashlyn Darrow nasceu com a sua própria maldição: o de ouvir vozes, todas as conversas que aconteceram num determinado local até a um passado distante. É assim que ela toma conhecimento do grupo de guerreiros que vive exilado em Budapeste, que alguns habitantes locais julgam ser demónios mas muitos outros acreditam ser anjos. E quando Ashlyn conhece Maddox ela deseja que ele seja realmente um anjo porque perto dele todas as vozes se silenciam.
Expectativa: Não muito elevada, tinha lido um conto que antecedia este livro que detestei, achei na altura a escrita da autora muito fraquinha.
Opinião: The Darkest Night é o primeiro volume da saga Lords of the Underworld que, é em tudo semelhante a outras sagas de romance paranormal que há actualmente no mercado (como por exemplo O Predador da Noite ou Lords of Deliverance). A história dá-nos a conhecer não apenas Maddox, o protagonista principal desta história, mas também suficientes protagonistas masculinos secundários para ter uma longa saga assegurada. Há que garantir o ganha-pão! A mitologia é interessante, pegando no mito de Pandora e dando-lhe um twist. As protagonistas femininas são todas americanas, o enredo acontece em Budapeste, os guerreiros têm mil anos mas todos se entendem em inglês. Devo dizer que o conceito de vários homens a viverem em conjunto durante milhares de anos debaixo do mesmo tecto e manterem-se razoavelmente sãos psicologicamente pareceu-me algo estranho, assim como o facto de serem guerreiros gerados pelos deuses mas serem em tudo igual aos humanos. Enfim, detalhezinhos menores. 
Ashlyn é uma heroína muito interessante e acaba por ser o elemento dominante do casal. É ela que "persegue" Maddox, tenta protegê-lo e salva-lo. Gosto muito do "dom" dela e do seu trabalho, no entanto tudo o resto é um pouco cliché de heroína romântica, infelizmente. O Maddox foi na sua maioria um personagem bidimensional (ai eu sofro tanto, ai eu sofro e resisto e sou violento e atormentado) com algumas passagens interessantes, como o seu passado como guerreiro. A autora preferiu substituir alguma história de fundo interessante e um romance mais prolongado por cenas de pancadaria que (supostamente) garantiam mais acção e um romance de dois dias que não convence mais que um engate de discoteca.
Quanto a tudo o resto, ou seja, os outros personagens, são muitos e diversificados, há um enredo secundário muito interessante e muitas perguntas que ficam no ar para responder em livros futuros.
Estado de espírito: Boa, acho queria desanuviar um bocadinho da temporada pós-apocalíptica que já me estava a deprimir um pouco e pensei que um romance fosse o remédio que precisava.
Pontos Positivos: A mitologia. O desenvolvimento interessante da história. Ashlyn.
Pontos Negativos: A falta de profundidade tanto dos personagens como na exploração de certos temas, privilegiando cenas de acção à filme.
Fez-me refletir sobre: O mito de Pandora em que todos os males que se espalharam no mundo excepto a esperança.

O beijo da noite

Série: O Predador da Noite ( #4 de #22)

Resumo: Wulf é um Predador da Noite um pouco diferente dos outros: Ele era um viking mas não fez um pacto com Artémis, foi enganado e a sua alma trocada para se tornar num. Além disso foi lhe rogada uma praga terrível: todos os humanos que não fossem da sua família se esqueceriam dele ao fim de cinco minutos de se afastarem dele. Os séculos passaram e a Wulf resta-lhe apenas Chris. Até que encontra Cassandra, a descendente real dos Apollite, a única que se recorda dele, que está marcada para morrer pelo seu povo e inimiga natural dos Predadores da Noite. Wulf vai então que ultrapassar as ideias pré-feitas que tem dos Apollite e dos Daemon e defender Cassandra e o seu próprio futuro da morte certa.

Expectativa: Eu tinha gostado bastante do Dança com o Diabo e por isso sabia que seria difícil que este livro o ultrapassasse. Como era Verão e já tinha passado bastante tempo desde a última vez que peguei nesta saga de que gosto muito porque é leve, sensual e divertida.

Opinião: Confesso que não tenho muito a dizer sobre este livro. Cassandra e os Apollite foram muito interessantes, assim como a maldição do esquecimento sobre Wulf. Wulf foi um bocadinho decepcionante como viking. Digamos que o cabelo preto matou o charme de homem nórdico para mim. No geral achei o livro um pouco feito em cima do joelho, com a nota positiva de nos apresentar um pouco mais sobre a mitologia dos Predadores da Noite. É um bom complemento à saga mas fraco como livro (e romance) individual.

Pontos Positivos: É bom, entretém. Foi bom saber um pouco mais sobre os Appolite e os Daemon.

Pontos Negativos: Os furos na mitologia desta saga são de arrancar cabelos. Além disso este livro sofre de estranhos erros de continuidade e de mudanças de opinião de personagens. Se eu não encarasse a saga de forma tão levezinha, já a teria abandonado.

Fez-me refletir sobre: Porque é que a escritora não tem um controlo maior sobre datas, lugares e mitologia.

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