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Telma_txr

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telma_txr

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

12.06.15

Estava na universidade e tinha ido de fim-de-semana a casa. Quando regressei a minha colega disse-me muito divertida: "Opá estavamos com os copos e começamos a ler os teus livros da Harlequin. Aquilo é tão ridículo, a sério! Como é que gostas de ler aquilo?" Escusado será dizer que senti-me mal e fiquei sem resposta para lhe dar. Mais, ela até me repetiu, fazendo vozinhas e tudo, o excerto que tanto lhe gozo lhe tinha dado ler.

Há coisas que simplesmente não têm lógica e por isso impossíveis de explicar. Porque é que há tanta gente a gostar de Tony Carreira? Porque é que filmes como o Fast and the Furious têm tanto sucesso? Porque é que as calças de licra estampadas continuam no guarda-roupa das pessoas? Porque é que eu não consigo gostar de chocolate?

Por isso, não tento explicar. Gosto e pronto e que se lixe o resto. Já passei a idade de ter vergonha e de me sentir afectada. Só que artigos como o da "The Mary Sue" afectam sempre, não só leitores de romance como também os seus autores. E foi através de uma autora que sigo no Twitter que dei conta da polémica.

Vou ser sincera: nem li bem o texto e nem percebi bem o que se passava. Acho que tudo se resume a um ramalhete de clichés escrito por alguém que não gosta do género e que, tal como a minha colega, tentou perceber "o porquê" da popularidade do mesmo. Falhou redondamente, pois claro. E isso percebe-se no artigo de resposta no "Book Riot": "Artigos de opinião sobre Romances Românticos para Tótós". O pior de tudo é que o "The Mary Sue" demarca-se por ser um guia para miúdas geek. Geek é fixe, romances não. Opá, és geek mas não podes gostar de romance românticos, topas?! Só faltou dizer: tens que ser mais como os rapazes e gostar de cenas de rapazes porque isso é mau porque é romântico. E só mulheres burras é que gostam de romance, topas?

Bolas, até eu gozo com os clichés dos Romances Românticos. Sim, há capas ridículas e cenas disparatadas, diálogos idiotas e tuditudituditudo. Mas se formos por aí, toda a literatura é, dependendo de quem lê, ridícula. Leiam Fernando Pessoa com voz de Pato Donald, ou uma cena de sexo do Memorial do Convento com a vossa melhor voz porno e vejam se não choram a rir.

Só não reduzam todo um género multifacetado que abrange da fantasia, FC, romance histórico, LGBT, desafiador de regras sociais, que aborda temas polémicos que afecta a vida de muitos casais, hetero ou homosexuais, colocando os leitores (que não são apenas mulheres) a reflectir sobre as suas próprias vidas, traumas, desejos e ansiedades.

Já tive livros de auto-ajuda (que, já agora, era o que essa minha amiga adorava ler e recomendava porque era "inteligente" na altura ler-se auto-ajuda) que doei mas nenhum romance romântico de que me queira livrar, porque deles tirei mais ensinamentos sobre compreensão do outro, de mim mesma, das minhas ansiedades e medos que qualquer outro livro. E mesmo que não os releia, ou recomende, ou sequer me lembre dos seus títulos, são mais satisfatórios e servem melhor o seu propósito do que muitos livros "inteligentes" que andam por aí: confortam-me.

Por último, parem de desdenhar do romance romântico apenas porque é preferido pelo sexo feminino. Principalmente as mulheres que querem ser algo mais para pertencer ao clube dos rapazes. É ridículo usarem esse argumento, desdenharem do género a que pertencem e fica-vos mal. Há formas mais inteligentes de te mostrares inteligentes, topas?

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