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Telma_txr

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telma_txr

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

29.03.11

Sempre quis ser secretária. Acho que nunca ponderei outra profissão sequer. É algo que gosto de fazer, sinto-me confortável, divirto-me, encontro desafios todos os dias. Outros não aturariam o que eu aturo, mas quem corre por gosto não cansa, não é assim?

Quando terminei o 12º ano achei que tinha tudo o que precisava para ser uma boa secretária. No entanto, os meus pais insistiram que fosse tirar uma licenciatura, que era melhor, etc, etc... Depois de analisar o assunto, concorri para Assistente Administrativa em Portalegre e acabei por terminar o bacharelato e tirar a licenciatura em Assessoria.

Arranjei logo emprego. Nunca estive um dia desempregada. A grande maioria dos meus colegas também ficaram a trabalhar imediatamente. É aquilo que eu chamo de uma licenciatura adequada ao mercado de trabalho existente. Quantas licenciaturas se podem gabar do mesmo?

No entanto nunca fui doutora na boca de ninguém. Não me importo (até prefiro) mas irrita-me completamente esta ideia de haver profissões mais nobres que outras. Se é advogado, economista ou até professor, é doutor. Eu sou sempre a Telma. Porque a secretária serve os outros, não se vai chamar de doutora a quem serve, não é?

O problema (e é aqui que eu quero chegar) é quando se mistura estes tratamentos sociais com a com a ideia de que uma determinada profissão precisa ou não de ter ou não uma formação superior.

Em resposta a este texto, deixei o meu comentário esclarecendo a minha posição sobre o assunto. A uma resposta educada ao meu comentário segue-se outra, claramente preconceituosa, onde é colocada em causa a necessidade de haver ou não administrativos com licenciatura.

 

Ora eu nunca coloquei em causa a qualidade do trabalho dos meus colegas com 12º ano. A desenvoltura vem da personalidade de cada um, o know-how com a experiência. Agora achar que esses argumentos são o suficiente para justificar a existência de um curso superior é ridículo e preconceituoso, principalmente quando o mercado de trabalho já provou que tem necessidade de pessoas formadas na área.

Na entrevista para o meu emprego actual concorri directamente com professores e uma série de licenciados de outras áreas assim como pessoas apenas com o 12º ano. Eu sei porque perguntei isso à psicóloga que me fez a entrevista. Fui sincera: tirei o curso porque gosto da profissão e acredito na formação académica que tive. E aqui estou eu. Onde trabalho tenho colegas licenciadas (que trabalham com os directores de topo) e outras com apenas o 12º ano. Não me sinto superior a ninguém quando tiro fotocópias ou faço arquivo, mas sou eu que desenrasco as chamadas telefónicas em inglês ou que tenho o know-how para preparar um evento em maior escala que uma reunião.

Se o mercado ja demonstrou o que quer, para quê continuar a pôr os preconceitos pessoais à frente, como argumentos? Na minha opinião, um dos problemas do nosso país é haver tantos "doutores" desempregados, em áreas sobrelotadas, quando poderiam tirar formação noutras áreas, como a minha, e terem empregos reais.

Para rematar, há pouco tempo num jantar elogiaram-me a minha escola ainda antes de saberem que eu lá tinha estudado. Pela qualidade de formação que oferecia. Para quem estiver interessado, aqui fica a página da ESTG de Portalegre.

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