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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Recordar-te-ei com o coração.

Não é todos os dias que choro a morte de um estranho. Mas também não é todos os dias que perco alguém que me é tão importante como leitora, pois devolveu-me ao mundo da leitura.

Houve um momento da minha vida em que sentia-me um pouco alienada do mundo, dos amigos, da família. Então veio o Natal e uma pessoa que trabalhava ocasionalmente com a nossa Associação ofereceu-nos livros. A mim calhou-me o Cem Anos de Solidão. Como eu não tinha nada para ler, comecei-o imediatamente.

Se me perguntarem do que me recordo de Macondo ou dos Buendia a resposta é "pouco, quase nada" mas lembro-me de me sentir maravilhada. De levar o livro comigo para a mesa da cozinha e esquecer-me que estava a comer. De estar deitada na cama horas seguidas a ler e não querer terminar. Da tristeza de o ter terminado, do sentimento de bênção por o ter lido. De pensar: "Nunca mais vou ler nada assim". E, desde então, todas as lombadas que tenho dobrado têm sido para encontrar o substituto para esse livro, o meu número um. Este blog foi, em parte, consequência dessa leitura.

Devo a Gabriel Garcia Marquéz ter reaprendido a ler: passei de ler porcarias de auto-ajuda para me aventurar a ler mais ficção. Como dizia no Twitter: "Foi como reaprender a amar." Fez-me acreditar que ainda havia coisas boas a serem lidas, que poderia haver outro como o "Cem Anos de Solidão". Que podia ser o Gabo a escrevê-lo.

É por isso que eu agora choro: com a sua morte, morre essa hipótese. Morre a hipótese mas não o génio. Esse prosseguirá na sua obra, tocando tantos outros como eu. Enchendo corações com a melodia da sua prosa e o colorido dos seus personagens.

Gabriel Garcia Marquéz disse:

Recordar es fácil para el que tiene memoria. Olvidar es difícil para quien tiene corazón.

 

Não serás esquecido, Gabo. Não serás.

Carta aberta ao autor do blog "Página a Página"

Caro Nuno Chaves,

 

Quero começar por dizer que não tenho intenção nenhuma de antagoniza-lo com este texto. Já tive a minha quota-parte de aborrecimentos online, principalmente com situações de plágio, e não desejo mais um. Acredito que os leitores-bloguers portugueses deveriam ser um grupo coeso (afinal de contas somos tão poucos) onde houvesse um intercâmbio de ideias, impressões, testemunhos, experiências.

Desde 2010 que faço um registo criterioso do custo do meu vício (ver aqui) e ele está visível para qualquer um ver o que eu já gastei ali na coluna à direita. A ideia pegou e outros bloggers adoptaram-no (Como por exemplo a White_lady do blog Este Meu Cantinho) e eu não me importei minimamente, pelo contrário, adoro partilhar. Não há nada como ver uma boa ideia crescer e tornar-se viral.

Há, no entanto, um problema na viralidade e na internet em geral que é a amnésia. Quantas vezes eu não dou por mim a descobrir algo de fantástico, partilha-lo e passado dois minutos já nem me lembrar onde o descobri. Ui, mais que muitas! E acho que isso não acontece só comigo porque, quantas vezes eu vejo expressões como "foto tirada da internet" ou "texto encontrado online" e outras variantes.

Mas voltanto ao tópico deste texto, estava eu a ler o blog da Rita Ribeiro, o "A Magia dos Livros" quando vi o texto dela "Plano de Compras 2014" com uma estrutura muito semelhante ao meu Custo do Vício, creditando o Nuno pela fantástica ideia. Fiquei curiosa, claro e fui lá espreitar. Realmente, a estrutura do seu "Mealheiro das Leituras" é muito parecida ao meu Custo do Vício. No entanto, em parte nenhuma encontrei o "Ler e Reflectir" lá mencionado e devidamente creditado, exceptuando num comentário que uma amiga minha lá deixou. Quem lê o seu texto parte, naturalmente, do pressuposto que a ideia foi sua, estrutura e tudo. Mas eu sei que não, sei que foi apenas esquecimento. Se faz o seu mealheiro desde 2012 é obvio que já nem se lembrasse de onde é que tinha tirado esta ideia. Basta fechar uma página e passado dois minutos, amnésia.

Por isso queria que soubesse, que não estou chateada pela falta de crédito. Apenas triste e, mesmo assim, pouco. Pois se uma boa ideia pode ajudar, seja que leitor for, não interessa realmente de onde ela vem, apenas que persiste.

 

Obrigada por partilhar.

Telma

Livros vs páginas lidas: como o desafio do Goodreads pode ser frustrante

Esta altura de fim-de-ano costuma estar povoada por balanços de toda a espécie e, no que toca às leituras, é uma excelente forma de olhar para o que foi lido. Isto não é um balanço ainda mas queria falar um pouco sobre o quanto o desafio anual do Goodreads pode ser frustrante.

Tenho aumentado a minha meta conforme a minha confiança na velocidade de leitura: de 24 livros em 2011 passei para 29 em 2012 e reduzi para 26 em 2013. Entretanto, decidi retirar os contos isolados que leio, da contagem. Apesar de o número de páginas lidas ser relevante, contos não são propriamente livros. Assim sendo, o resultado final é o seguinte:

Como dá para perceber eu li, nos últimos 3 anos, exactamente o mesmo número de livros, sem tirar nem pôr. Ora, pode ser frustrante quando se faz um esforço tão grande para ler mais e ultrapassar os próprios limites. Contudo o caso muda de figura quando se olha para o número de páginas lidas:
Percebe-se claramente que li muito mais este ano.  Apesar de ainda não me ter debruçado muito sobre as razões, há uma hipótese que me salta imediatamente à vista: li mais livros grandes este ano. Ao ler um livro de 704 páginas como o "O Padrinho" só me fazia pensar que tinha que manter o ritmo para poder alcançar o objectivo de 26 livros lidos.  Por outro lado, livros mais pequenos dão uma sensação falsa de velocidade, de estar a manter o ritmo ("Great, you are 2 books ahead") tornando-me mais "preguiçosa".
Num ano em que procurei ler mais qualidade que quantidade, fico contente em perceber que atingi ambos os objectivos.

Ler, reflectir e escrever. De novo.

Estive alguns meses em silêncio sem nada escrever neste blog, por uma simples razão: Cansei-me de mantê-lo. É isto o que acontece quando a obrigatoriedade substitui o prazer. Manter um blog não deve ser uma "tarefa", ou um "trabalho" se este não é uma tarefa ou trabalho. E não é. Para mim, é um complemento da minha leitura. Por isso decidi parar de tentar fazê-lo. 

Nestes meses li, fui apenas leitora. E foi muito bom. Não foi desprovido de culpa, claro. Por vezes pensava: "Devia estar a tomar notas disto, para depois escrever o texto sobre o que achei do livro." Depois continuava a ler e passava-me.
Ironicamente a forma como leio os blogs dos outros também mudou, ou já tinha mudado mas eu nem me tinha apercebido disso. Quando me apercebi fiz uma limpeza ao meu feedreader: remover todos os blogs cujos posts simplesmente não lia, manter os que ainda me cativavam. Acho que a maior chamada de atenção foi perceber que eu removeria o meu próprio blog. Se eu não o gostar de ler, para quê escrever?
Aproveitei para repensar a forma como escrevo no blog. Parecia que estava constantemente a repetir sempre as mesmas expressões, opiniões que pareciam ecos das anteriores ou de outras que tinha gostado de ler. A pouco e pouco a minha voz, a minha expressão pessoal sobre aquilo que leio, foi-se diluindo na tentativa de passar a informação mais clara e sóbria do livro, quase como se fosse em formato académico.

Agora, de regresso, trago algumas decisões que tomei durante o meu tempo de silêncio.

 

Opiniões resumidas vs opiniões mais elaboradas

 

Uma das razões pelas quais eu andava a sentir-me massacrada, era a minha dificuldade em escrever de forma interessante sobre todos os livros que leio. É que nem todos são merecedores de uma manhã ou tarde da minha vida em frente a um computador a tentar opinar sobre eles. Além disso, e talvez sintoma mais grave da minha incapacidade, era sentir que, por muito elaborada fosse a minha opinião, nunca iria fazer jus ao livro. Há livros tão bons que só me apetece escrever: "leiam-no, do que é que estão à espera?" A verdade é que muitas vezes é isso apenas que é necessário escrever.

 

Formato das opiniões


Uma coisa que percebi foi que quase todos os blogs portugueses de livros são semelhantes no seu formato de opinião. Extensos, descritivos, de análise quase académica. E eu tentava fazer o mesmo. Há dias li alguns posts do "Livros ::: Böcker ::: Books ::: Livres", o primeiro blog do género que comecei a seguir no longínquo ano de 2005, e percebi que ela mantinha o mesmo formato desde o início. Não houve sofisticação nem refinamento do formato. Porque tinha mudado eu? Porque me neguei a mim mesma o formato inicial, que era simples mas honesto e transparente? Após encontrar as respostas a estas perguntas, tudo ficou mais claro e simples, assim como as minhas opiniões passarão a ser.

 

Além das opiniões

 

Há muita coisa relacionada com livros que me apetece falar e por isso vão surgir de vez em quando alguns textos "extra" que poderão ir desde reflexões até o meu entusiasmo por algo relacionado com algum livro que já tivesse lido.

 

Um desafio para a todos governar


Nos últimos anos tenho me dividido entre vários tipos de desafio para ler mais e ler coisas diferentes. Apesar divertidos e exigentes, não me estavam a ajudar no meu problema principal: "O que ler a seguir?"
Foi preciso fazer uma grande despesa na Feira do Livro deste ano para perceber que estava com um grande problema o qual me recusava a reconhecer. Nos últimos 3 anos tenho controlado a valor de todos os livros que comprei, me foram emprestados, oferecidos ou vendidos. No início do ano passado comprei um kindle e desde então a minha leitura em ebook aumentou exponencialmente. Pelo conforto, peso, facilidade de transporte, rapidez de leitura, o Kindle em tudo superou o livro em formato de papel no momento da escolha da próxima leitura. E não havia desafio nenhum que me impedisse de continuar a comprar livros em papel apesar de já não os querer ler.
Decidi por isso afastar-me de todos os desafios e focar-me num só: ler todos os livros que eu tenho na estante ainda por ler. O problema era como fazê-lo sem deixar o Kindle a ganhar pó nos próximos dois anos. Ou três. Então optei por ler um ebook, como recompensa, apenas depois de ler quatro livros em papel. Além disso, isso iria tirar-me qualquer vontade de continuar a comprar em papel. E até ao momento, tem funcionado.

Além de todas estas decisões, aproveitei também para mudar o blog de casa: transferi o "Ler e Reflectir..." do Blogger para os Blogs do Sapo. Por isso, sejam bem-vindos à casa nova.

 

Terminado o meu silêncio e de volta ao blog, aqui fica a lista das próximas opiniões a serem publicadas:
- Beyond Shame, de Kit Rocha
- Gone Girl / Em parte incerta, de Gillian Flynn
- Demon Moon, de Meljean Brook
- Sought, de Evangeline Anderson
- Faefever, de Karen Marie Moning
- O Filho de Thor, de Julliet Marillier
- A casa dos espíritos, de Isabel Allende
- O Padrinho, de Mario Puzo
- Sangue Final, de Charlaine Harris
- The Handmaid's Tale / A história de uma serva, de Margaret Atwood
- TimeRiders: O dia do Predador, de Alex Scarrow
- A casa das sete mulheres, de Leticia Wierzchowski
- Cosmos, de Carl Sagan
- Jogos na Noite, de Sherrilyn Kenyon
- O Inferno de Gabriel, de Sylvain Reynard
- Dreamfever, de Karen Marie Moning

A intimidade da leitura num mundo de partilha de informação

Há uns anos atrás, estava a ver o telejornal quando, uma professora primária ao ser entrevistada, se sai com esta afirmação: "Ler é um dos actos mais íntimos que podemos fazer." E eu pensei (com a minha mente perversa e impura) que aquela senhora era professora primária e que tinha acabado de dizer aquilo para a televisão!
Mas, passados estes anos, compreendo bem aquela afirmação: significa que eu aceito que a voz de outra pessoa me inunde, que encha a minha mente de imagens e de mundos. É preciso haver uma rendição da minha parte, abdicar um pouco da minha realidade, para aceitar deixar entrar essa outra realidade de alguém.  E é por isso tão interessante que o mesmo livro, que foi escrito apenas com aquelas palavras e que tem apenas aquele formato, ter tantas reacções diferentes e tantas interpretações distintas, porque cada pessoa que o lê é única e cada pessoa tem a sua forma de interpretar e interagir com o mundo.
Por isso é que é tão interessante falar e discutir sobre livros e hoje, com blogues e redes sociais, essa discussão acontece a todo o momento, todos os dias, a qualquer hora, com qualquer livro que lemos. 
Todos têm algo a dizer sobre o livro que estamos a ler, porque sabem quando o começámos ou em que página em que vamos. Perguntam-nos o que estamos a achar, se estamos a gostar, dizem-nos que gostaram muito do livro e porquê, aproveitam para explicar que aquele livro foi adaptado para filme e que é muito bom, indignam-se quando não pontuamos merecidamente o livro mesmo quando justificamos porquê... Eu, culpada de todos estes comportamentos, sinto por vezes que deixei de ler livros sozinha. Não é que seja mau (isto não é uma queixa, é mais um lamento) mas por vezes sinto saudades de pertencer a um mundo de abençoada ignorância em que ninguém tem de provar constantemente a ninguém o seu conhecimento sobre tudo um pouco.

Este sentimento começou a formar-se no início do ano, na mesma altura em que comecei a ler a "A Guerra dos Tronos". Acho que foi provavelmente o meu receio de ser confrontada com alguma reacção negativa de algum fã, além dos inúmeros "likes" no Goodreads aos meus "status updates" de leitura, ao ponto de ter de desligar as actualizações para não ser mais incomodada.
Na mesma altura, também no Goodreads, encontrei por acaso um tópico de pessoas que perguntavam se podiam ter estantes secretas. (Já agora, a resposta é não, mas podem criar um grupo secreto cujo único membro são vocês mesmos e usar essas estantes para lá meterem livros). Essas pessoas queriam usar o Goodreads para catalogar a biblioteca delas mas não queriam expor publicamente todos os livros que tinham. Não queriam que amigos e familiares soubessem que tinham certos e determinados livros.
Ora eu, que sempre fui grande fã da partilha, de repente percebi o que sempre deveria ter sido óbvio: que também tenho direito à privacidade da minha opinião sobre aquilo que leio, se assim o decidir. Que os livros que possuo, o que penso sobre o que li, aquilo que gosto ou não é algo que só a mim me diz respeito.
Eu sei que isto parece contraditório vindo de alguém que tem um blogue e que iniciou há tão pouco tempo um videocast sobre livros. A verdade é que chegar a esta conclusão também me surpreendeu!

O objectivo principal do meu blogue sempre foi o de registar a minha opinião de cada livro que leio para mais tarde recordar mas não vou mentir que já dei por mim a matar-me a escrever uma opinião porque pensei em quem iria ler aquilo e sinceramente é também isso que me está a provocar esta ansiedade. Mesmo que eu tente evita-lo, até ao momento de escrever a opinião, irei sempre estar constantemente a falar do livro, mesmo que seja pouco, ao ponto de não desejar escrever nada, quando chegar a altura de o fazer.
E, pior do que isso, devido a esta interação social online constante, pergunto-me até que ponto não fica deturpada a minha opinião sobre um determinado livro. Tal como diz a Susan Cain, na sua apresentação "The Power of Introverts": "quando estamos num grupo de pessoas, instintivamente imitamos as outras pessoas sem nos apercebermos e seguimos as opiniões da pessoa mais dominante ou carismática no grupo, mesmo que essa pessoa não seja propriamente o melhor conversador ou o detentor das melhores ideias." Eu quero seguir as minhas próprias ideias e tirar as minhas próprias conclusões quando termino um livro e depois procurar falar sobre ele. Mas também não quero passar a vida a sentir que estou a justificar-me porque é que não gostei tanto daquele livro tão famoso que toda a gente gosta. Quero opinar sobre o assunto e deixar o assunto morrer.

Se cinquenta por cento das leituras que faço são para fins recreativos apenas, os outros cinquenta têm como  objectivo compreender o mundo através de outros olhos que não os meus, experienciar algo que a minha própria vida não me proporciona e por isso poder crescer e tornar-me (espero!) uma pessoa melhor. Como posso fazer realmente essa reflexão e chegar sozinha a certas conclusões, no meu íntimo, no meu silêncio, rodeada de um mundo de pessoas que não se calam?
Talvez tenha sido o meu excesso de oversharing nos últimos anos que me esteja a levar a sentir-me assim e até mesmo neste momento em que termino este texto pergunto-me se não estou a partilhar demasiado. "Vão pensar que os estou a mandar calar quando podia simplesmente fechar o computador" é o que penso que vão pensar. Mas esta reflexão serve para tentar compreender a dinâmica da leitura como acto e a dinâmica de falar sobre livros como distintas e como eu hoje me sinto que um poderá estar a estragar o prazer do outro.

É demasiado errado querer ler e, sobre o que leio querer reflectir, sozinha? Mesmo que o faça usando meios tão públicos como blogs e redes sociais como o Goodreads?

Quanto à forma como vou resolver esta minha insatisfação ainda não sei, não decidi. Não tenciono fechar o blog ou parar de escrever opiniões. Também não tenciono deixar de ler outras opiniões, aliás é uma das actividades que ainda me dá algum prazer fazer quando olho para um blogue de livros. Porque como são os "likes" e as pequenas perguntas durante a leitura que me aborrecem talvez eu elimine as actualizações por algum tempo ou até escreva as opiniões do que leio mas não as publique por enquanto. Por enquanto fica o desabafo, logo verei como poderei solucionar.

Já agora, serão bem-vindas sugestões!

Balanço de leitura de 2012

Ao contrário do ano passado, em que dividi o balanço em várias partes, o deste ano será apenas um texto mais curto, em grande parte devido à surpresa preparada para ser revelada amanhã.

Vou começar o meu balanço olhando para as decisões que tinha tomado no final do ano passado e perceber quais foram os que falhei ou acertei.
  • Reduzir números
  • Adquirir menos. 
  • Não olhar a recordes.
  • Apostar na qualidade. 
  • Ler o que compro. 
  • Fazer mais leituras temáticas. 
Reduzir números / Adquirir menos - Consegui gastar menos 51,79€ em livros (para mim) mas também recebi menos prendas em livros e menos livros emprestados. Por outro lado gastei 130€ num Kindle, que eu considero um investimento e não propriamente uma despesa.
No entanto queria acrescentar uma conclusão a que cheguei no outro dia, enquanto esperava pelo comboio: Gastei menos em livros num ano do que em dois meses de passe. E eu não tiro prazer nenhum em comprar o passe. Porque me hei-de sentir culpada por gastar o meu dinheiro em algo que me dá prazer? O meu ordenado não deveria servir apenas para as “despesas” e só eu sei o quanto eu já levo uma vida espartana. O meu auto-controlo é apenas para evitar a compra por impulso, para continuar a comprar livros de forma ponderada e inteligente e não apenas porque é novidade ou porque toda a gente fala “daquele” livro.

Não olhar a recordes / Apostar na qualidade - É mais fácil dizer do que fazer. Sim eu tentei ler mais devagar, até meti o desafio do Goodreads para 18 livros, muito abaixo dos 29 livros do ano anterior. Depois cheguei a Abril (ou Maio) e reparei que já estava quase a atingir os 18 livros. Percebi que a minha velocidade da leitura não é algo que ligo e desligo conforme me apetece mas sim conforme a opção de livros que faço. Infelizmente a escolha de leituras deste ano não foram as melhores e aqui sinto que falhei no objectivo que queria realmente atingir: qualidade. Se há uma justificação então eu tenho duas. A primeira é que eu tentei ler muitos dos livros que eu já tinha comprado em anos anteriores e muitos deles não se encaixavam na no tipo de leitura que eu procurava fazer agora. Por outro lado, este foi um ano complicado a nível pessoal e simplesmente fugi de ler livros que à partida seriam melhores mas que me iriam consumir mais a nível emocional. 
Uma terceira razão, talvez a mais estranha de todas, foi que dei por mim um pouco obcecada com as sagas que já tinha começado e, ou que pelo menos já tinha comprado um livro. Quando finalmente as listei todas fiquei assustada: neste momento tenho dezasseis sagas iniciadas, tenho dezasseis por iniciar (em que tenho um ou mais livro comprados), duas terminadas e quatro abandonadas. E, por norma, a qualidade de uma saga nem sempre está condensada num só livro. 
Assim, encontro-me nesta estranha fase de transição em que me apetece apagar muito do que li nos últimos anos e recomeçar de novo mas olho para as minhas estantes e não posso negar o que já comprei.

Ler o que compro / Fazer mais leituras temáticas  - Este foi o objectivo que eu acho que fui mais bem sucedida este ano. Aderi ao desafio Mount TBR Challenge do blog My Reader’s Block e desafiei-me a ler o “monte” mais pequeno do desafio: 12 livros comprados antes de 2012. Consegui ler 15 livros. 
As leituras temáticas já não correram assim tão bem mas mais por culpa da minha falta de desejo em ser fiel a um tema, por mais interessante que que este parecesse.

As Estantes
As estantes lidas em 2012 (incluindo contos) foram:

Romance Paranormal - 13
Saga Sangue Fresco: (c) Small Town Wedding / Deadlocked / Sangue Ardente / (c) Um toque de Sangue
Saga Lords of the Underworld: The Darkest Night
Saga O Predador da Noite: O Beijo da Noite / (c) Teme a escuridão
Saga Lords of Deliverance: Immortal Rider / Eternal Rider
Saga Succubus Diaries: (c) Zane’s Tale / (c) Succubus Interrupted / My Fair Succubi
Saga Meredith Gentry: O Beijo das Sombras

Fantasia Urbana - 2
Série Fever: Bloodfever / Darkfever

Steampunk - 3
Saga The Iron Seas: (c) Tethered / (c) Mina Wentworth and the Invisible City
Trilogia Leviatã: Leviatã

Fantástico - 3
Série Veneficas Americana: The Native Star
O Prestígio
Os leões de Al-Rassan

Literatura Romântica - 2
The Prince of Pleasure
The Savage

Grandes Autores - 2
Revolutionary Road
O Grande Gatsby

Terror - 1
Eu sou a lenda

Distopia - 1
Trilogia Divergent: Divergent

Auto-ajuda - 1
The Happiness Project

Ficção Científica - 1
Blade Runner – Perigo Iminente

Policial e Espionagem - 1
L.A. Confidential

Os Números
Lidos - 24 livros e 12 contos
Livros comprados - 14 
Livros recebidos - 13

Os melhores três (e meio)
Revolutionary Road
O Grande Gatsby
The Happiness Project
E Tudo o Vento Levou - Vol. 1

Para 2013 não me vou auto-impor muitas regras:
  • Decidi começar um livro de cada saga que ainda tenho por começar e assim excluir e/ou desistir daquelas que não achar interessantes.
  • Decidi participar novamente no Mount TBR Challenge e assim reduzir a pilha de livros comprados.
  • Quero ler menos fantasia e mais livros contemporâneos.
Desejo que 2013 seja um ano generoso e  feliz a todos aqueles que lêem este blogue. Espero que gostem da surpresa que preparámos para ser revelada amanhã. Feliz Ano Novo e um 2013 cheio de boas leituras!

Novembro agitado, Dezembro surpreendente!

Eu não costumo fazer textos de balanço mensais mas num ano de tantas desventuras a nível pessoal é bom ter tido (finalmente) um mês, o de Novembro, tão positivo. Estranhamente positivo.
Quanto a leituras foi bastante desequilibrado: Primeiro o  "The Darkest Night" foi fraquito seguido do muito bom "O Prestígio" de Christopher Priest e agora, mesmo no fim, comecei o "Leviatã" do Scott Westerfeld.
Mas nada disso interessa quando eu quero falar de duas coisas!

A primeira, é sobre a minha primeira visita ao Fórum Fantástico. Estava um sábado frio e chuvoso mas a boa companhia superou o mau tempo e após uma bela almoçarada rumamos a caminho do Fórum. Foi muito interessante, com dois pontos altos para mim: descobrir quem é Dan Wells e ver a apresentação da equipa da ClockWork Portugal.
Estou muito contente por eles, por terem conseguido fazer com tão pouco e em pouco tempo algo que outros só dizem que irão fazer e nunca fazem. Acho que foi um bocadinho a prova que há coisas que se podem fazer havendo apenas desejo, força de vontade e tempo de livre (e boa cabeça para organização).

O que me leva à segunda coisa sobre a qual quero falar mas AINDA não vou falar porque é surpresa. É uma ideia muito boa, que nasceu no meio de muitas conversas, nasceu da vontade de algumas pessoas que gostam de falar de livros de estarem mais vezes juntas, porque têm tão poucas oportunidades para o fazerem sem ser online, da vontade de partilhar um pouco mais (ainda mais!) as novidades, o que andamos a  ler, o que nos interessa ou irrita, etc.
É garantido que antes do ano terminar iremos (sim somos mais do que uma pessoa) revelar o que é esta ideia. Até lá, boas leituras!

Como escolhem o livro seguinte?

Estava aqui a pensar o quanto é interessante e por vezes stressante escolher o livro a ler a seguir. Há várias formas do fazer e vários factores que podem influenciar essa escolha. No meu caso costuma funcionar assim:

Um-dó-li-tá

Aconteceu com o livro que li antes, Eternal Rider. Queria escolher um livro do Kindle para ler mas não sabia qual escolher. Como tenho os livros organizados por colecções (sagas), atribuí um número a cada saga, fui ao http://www.random.org/ e escolhi o número que me saiu. Acabou por ser uma boa escolha!

O livro que li antes

O livro que estou a ler agora pertence à mesma saga que o livro que li antes e por ter gostado, decidi ler imediatamente o seguinte. Por vezes também o livro terminado foi tão intenso que sinto necessidade de fazer um período de "luto", ou não lendo nada ou lendo algo completamente diferente.

A época do ano / da vida

Claro que nunca sei ao certo o que vou encontrar quando começo um livro mas, porque tenho ritmos de leitura diferentes ao longo do ano, prefiro deixar os livros mais volumosos e reflectivos para o Natal e Ano Novo, os românticos para o verão e por aí fora. Por vezes pauso um livro e recomeço-o noutra altura do ano: aconteceu-me com O Monte dos Vendavais e estou a fazer o mesmo agora com o E Tudo o Vento Levou, que apesar de estar a adorar a leitura, vou recomeçar no Outono. O mesmo acontece com o meu estado de espírito no momento e o que está a acontecer na minha vida. Por vezes compro livros que acho interessantes mas parece que nunca surge o momento certo para os ler, porque a ideia pré-feita que tenho deles me diz que ainda não é o momento apropriado.

Emprestado

Normalmente é um factor que apressa a escolha de um livro. Detesto emprestar os meus livros e esperar eternidades até me os devolverem e por isso evito fazer isso a outras pessoas. Claro que acaba por ser um livro que por vezes nem se adequa à "época do ano / vida" ou que não respeita o sentimento deixado pelo "o livro que li antes". No entanto a maioria dos livros emprestados foram sempre livros que eu já tinha admitido que queria ler e, ao aceitar o empréstimo sinto que é um pronúncio de boa escolha.

Lista pré-definida

Desde o ano passado que, no início do ano, faço uma lista de livros que quero ler durante o ano: ou porque estão na estante à tempo demais, ou... pois, basicamente a razão é essa. Acontece que durante o ano vou-me desviando cada vez mais da dita lista mas esta ajuda a ter em mente que terei de escolher um daqueles livros a dada altura e a arranjar vontade para os ler.

Desafios

À semelhança do tópico anterior, tenho aderido a alguns desafios de leitura, sejam leituras temáticas ou outros, para poder ler vários livros diferentes do que normalmente leria ou para reduzir a minha pilha de livros por ler. Isso facilita a escolha porque obriga-me a seguir o caminho menos confortável e a fazer uma opção. Nesta decisão também incluo a pressão de grupo que, ou por participar numa leitura conjunta ou me render ao entusiasmo de outros, acabo por escolher ler um livro que de outra forma não iria ler tão depressa.

Novidade/ Livro aguardado

Deixei este tópico para o fim porque é o que menos pesa nas minhas decisões. Normalmente até compro logo o livro para o ler quando me apetece e é muito raro saltar logo para a leitura dele. Este ano só aconteceu ainda uma vez e duvido que venha a acontecer novamente.

E vocês, como escolhem o livro que vão ler a seguir?

Uma reflexão sobre a presença online de leitores e escritores

Há quem diga que O que acontece online, fica online. Para sempre. Por outro lado eu acho que a internet é efémera: o que é interessante hoje já está esquecido amanhã. É preciso ser-se muito obstinado ou rancoroso para reavivar constantemente um tema ou perseguir alguém que se detesta online. Normalmente designa-se essas pessoas por “trolls”. 
Por vezes os trolls somos nós. 
Eu admito que já dei por mim a apontar o quanto outras pessoas são ridículas online, e o quanto os seus blogues são ridículos assim como alguns livros “sucesso de vendas” são ridículos. E que bem que soube encontrar pessoas que concordavam comigo e que achavam o mesmo que eu. É tão fácil formar grupinhos de chacota online e entrar (e manter) num padrão de comportamento que nós próprios censuramos e recriminamos.
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 Do que é que estás para aí a falar, rapariga?!

Esta minha reflexão começou quando estava a ler este texto da escritora Stacia Kane: “I don’t need you to avenge me, thanks!” partilhado no blogue da escritora Meljean Brook (link). Foi uma questão de segundos até googlar o que era o tal blog “Stop the GR Bullies” e descobrir quem era essa tal de Kat Kennedy, “reviewer” no Goodreads e blogger, acusada de ter um comportamento abusador no Goodreads e Twitter perante certos escritores. Primeiro fiquei chocada com a dita Kat Kennedy, depois chocada com um website que expõe este tipo de leitores, por fim chocada por ver uma autora a defender a dita leitora acusada de mau comportamento. Foi muito choque junto! 
Já no início do ano tinha acontecido um episódio semelhante de mau comportamento de uma escritora que não tinha gostado de uma critica, tendo gerado uma onda de opiniões em defesa dos leitores que criticam o que leem, atacando a dita escritora e vice-versa. (Inclusive a escritora Meljean Brook escreveu no seu blog uma série de textos intitulada: “Diário de um autor” onde basicamente revela, de uma forma bem cómica, o quanto um jovem escritor pode entrar numa espiral de comportamento paranoico com o que lê online sobre si mesmo). 
Agora surge este episódio em que são os leitores que não só escrevem as suas opiniões mas que mostram o seu mau comportamento mas, parece que há quem os defenda também.
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 Liberdades e exageros 

Talvez o que eu vou dizer a seguir vá ferir algumas susceptibilidades e desde já lamento! De coração. Eu valorizo a opinião escrita de um blogger literário da mesma forma que valorizo a opinião da senhora que está no café e que é entrevistada sobre a a crise: É interessante, provavelmente até partilho dessa opinião, ajuda a ter a devida perspectiva do estado do livro/país mas não é, na realidade, uma opinião especializada. 
Por isso acho condenável bloggers que se levam demasiado a sério ao ponto de trollarem escritores e tentarem denegrir o trabalho destes de forma a prejudica-los. 
Por outro lado vejo os escritores cada vez mais na posição ingrata de manterem uma presença online, com um site ou blog pessoal, de forma a ajudarem a promover os seus trabalhos. A constante sede dos leitores-fãs por mais informação “obriga-os” a actualizarem sobre o que estão a fazer, onde vão estar, porque é que tomaram determinadas decisões ao mudarem o rumo de uma história, entre outros tópicos. Isto dá uma percepção de proximidade entre leitor e escritor, proximidade essa que era inexistente antes do advento da internet. E esta falsa intimidade leva a que os leitores-fãs tenham, mesmo inconscientemente, comportamentos algo abusadores. 
Não são apenas os leitores que opinam que têm comportamentos condenáveis: como demonstrou recentemente o Pedro Rebelo no seu blogue Browserd.com, no texto “Saber estar no Facebook é importante”, também os escritores arriscam-se a denegrir a sua própria imagem ao cederem ao impulso da rápida e fácil publicação que as redes sociais permitem.
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 O meu cadastro não está limpo 

Como eu disse no início do texto, também eu já dei por mim a ter comportamentos menos louváveis online e provavelmente irei repeti-los. 
A questão aqui é: até que ponto estamos dispostos a admitir que nos portamos mal quando somos confrontados com o nosso mau comportamento? Até que ponto estamos dispostos a enfrentar as consequências de ver a nossa imagem denegrida (no caso dos escritores) ou sermos expostos como pseudo-trolls (como no caso da tal Kat Kennedy) porque publicamos algo que pensámos mas sobre o qual não refletimos seriamente sobre isso? Em que, por causa de umas piadas fáceis, podemos ter de enfrentar umas horas valentes a “esclarecer” a nossa posição e apagar um fogo do qual já nenhum de nós se lembrará daqui a uns meses? Ou, pelo contrário, será constantemente relembrado a cada passo em falso? 
Eu acho que a internet é efémera, este texto poderá não ter relevância nenhuma amanhã. No entanto a memória das pessoas por detrás da Web 2.0 é um pouco mais longa e, de vez em quando, situações como estas são novamente repescadas e relembradas, como as famosas fotos da polícia o são para uma celebridade que já foi presa.Quão pesado querem que seja o vosso cadastro online? E quanto estão preparados para se defenderem das “acusações”?

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