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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Só ler não basta: (Re)ler o The Iron Duke - Parte 2 de 2

Cartões com uma biografia  das personagens do "The Iron Duke" que ganhei num passatempo.
Nota: Pode ler a Parte 1 aqui.
 

Tchetcha: Já mencionamos várias vezes o "steampunk" aqui na nossa conversa e este foi o livro que me introduziu e me fez apaixonar pelo género (que afinal não é bem um género mas mais uma estética). O que eu mais gostei, neste caso concreto, é que o mundo "The Iron Seas" é muito credível, cheio de detalhes e com uma incrível história alternativa. Ali os objectos "steampunk" não surgem no dia-a-dia por acaso. Até a nanotecnologia, que parece um pouco "demais" para o Séc. XVIII, faz sentido. Que acharam deste universo alternativo e da ligação que tem com o nosso, ou seja, a Invasão Mongol na Europa?

White_Lady: Eu adorei a História Alternativa! Como disse no início, não sabia muito sobre as hordas mongóis, tirando o facto de que, por algum motivo tinham tentado conquistar o Ocidente mas não o conseguiram. Também não tinha bem a noção de como Marco Polo se ligava com tudo isto e de como o próprio Khan havia pedido ao Papa evangelizadores, engenheiros e escolásticos (descobri tudo isto no site da autora :D ). No nosso mundo as coisas desenrolaram-se de forma diferente, mas em "The Iron Seas" os desejos do Khan foram acedidos, mas o que se poderia pensar uma hipótese de Ocidentalização do Extremo Oriente, vem a revelar-se fatal! Os enviados europeus são forçados a desenvolver armas de guerra (já agora, quase toda a inovação, mesmo no nosso mundo, se deve a guerras, o que faz pensar um pouco :/ ) que são usadas alguns séculos depois para conquistar a Europa. E mesmo com diferenças a história é algo paralela.
As inovações demoram cerca de dois séculos a desenvolver-se, o que faz com que a conquista mongol de faça no "nosso" período dos Descobrimentos. Em "The Iron Seas" muitos povos, entre os quais os portugueses (aqui Lusitanos), perante a ameaça viram-se para os oceanos e procuram refúgio nas Américas. O açúcar, que antes era produzido no Oriente (só com os portugueses e espanhóis é que passa a ser cultivado nas Américas), passa a ser visto como algo a evitar já que é ele que infecta com os nanoagentes, transformando homens em zombies e subjugando a sua vontade para terem acesso às riquezas europeias. Mas nem tudo é mau, os nanoagentes fazem um corpo ficar mais resistente e imune a doenças, permitem a reconstituição de membros mesmo que alguns sejam substituídos para potencializar os trabalhadores... Mas o que ainda achei mais interessante, foi a possibilidade de uma nova evolução, humanos e animais que nascem já com esses agentes e que são imunes aos sinais de rádio da Horda e que leva à destruição desta.
Também achei significativo a história passar-se no séc. XIX. Uma vez destruída a torre, os que não tiveram outra escolha senão ficarem infectados e sob o domínio da Horda, passam a ter medo de sentimentos, já que antes eram controlados. Não havia emoções e mesmo contactos físicos, para efeitos de reprodução, eram muitas vezes causados pela Horde. No "nosso" séc. XIX há uma enorme repressão no que a sentimentos diz também respeito, há todo um manual de como se comportar em público e um código moral, mas é também o período em que se começa a debater muitas das questões sexuais e o papel da mulher na sociedade...
Apesar de diferente, é um mundo ainda assim bastante semelhante ao nosso. Adorei-o!

Janita: O "The Iron Duke" não foi o meu primeiro contacto com o "steampunk", mas foi dos poucos livros que conseguem utilizar esta estética de forma convincente. Esta estação temática "steampunk" foi um empurrãozinho para explorar melhor o género, depois de ler algumas obras que se intitulam steampunk ou exageram na tecnologia, aparecendo dirigíveis aqui e ali só porque sim ou então romances vitorianos serem confundidos e anunciados como sendo steampunk. Raras são as obras que conseguem um equilíbrio interessante entre inovação, vapor e história...e dentro do romance ainda mais complicado é encontrar algo minimamente interessante.
O "The Iron Duke" é um bom exemplo da estética "steampunk", e para ser sincera, fiquei bastante surpreendida quando mergulhei no mundo de Rhys e Mina. A ideia dos nanoagentes foi de génio, adorei a forma como a Meljean Brook explorou a história deles, a evolução, o controlo que exerciam sobre os infectados e posteriormente, após a explosão da torre que os controlava, o debate público sobre se deixar infectar ou não (apresentando os prós e os contras da decisão).
Ao contrário da White_lady eu sou mais uma mulher de ciência, por isso os meus olhinhos brilhavam e os meus *squees* eram mais fortes quando via a história da evolução dos nanoagentes, e a infecção que se espalhou pela Europa continental, mas realmente muitos paralelismos podem ser feitos entre o mundo de "The Iron Duke" e o nosso. A fuga por mar pelos Lusitanos, o empreendedorismo deles, no auge da exploração marítima dos nossos Descobrimentos (aquando da suposta invasão mongol do continente europeu), encaixa perfeitamente no contexto histórico do nosso mundo. Apesar dos dirigíveis, dos nanoagentes, dos implantes, do trabalho arrepiante do "Blacksmith", um sentimento ficou comigo da primeira à última página: um sentimento de proximidade aos personagens e ao mundo da Meljean, e sobretudo sentir que tudo aquilo se encaixava tão bem que podia ser realidade (um pouco como quando vi filmes como o Matrix, apesar da surrealidade do mundo por detrás do que considerávamos realidade, facilmente nos ajustámos ao mundo novo por detrás do véu).

Tchetcha:
Já que ambas falaram nos Lusitanos, detalhe que eu também adorei no livro e contos, aqui fica a resposta qua a autora me deu quando lhe perguntei onde estão os Lusitanos no mundo "The Iron Seas", durante o chat em que participámos no Goodreads:
"Well, Portugal itself is overrun with zombies. The Lusitanians, however, control a good portion of the (what we know as) the southeastern U.S., and are among the more prosperous countries in the New World -- and this absolutely had everything to do with Portugal's strong presence in trade and on the sea while the zombies were overrunning Europe. They decided to get the heck out of there, and got their people over to the Americas, and settled before anyone else really did.
Although they weren't as immediately successful as France (which settled in the Caribbean and the areas of Florida/Louisiana -- and their success was why French is the common trade language and their coins are the common currency), they developed a stronger society and economic base, so that when they began to fight with France over territory, they eventually kicked the French off the mainland and took over everything to the Gulf of Mexico.
Not that they are totally awesome. In the Appalachians, slaves (many of them kidnapped from England) are forced to work the coal mines. There were Native American massacres before the native trade confederacies formed.
But they are a strong presence in the Iron Seas, and it definitely won't be long before a Lusitanian character shows up. :-)"
[fonte]
O que eu acho mais extraordinário de tudo é ela ter dado uma resposta tão detalhada, dado que ela ainda só escreveu um livro mas, de certa forma, já tem tudo pensado. Também gostei da pequena "esperança" que nos deixou ao mencionar futuros personagens Lusitanos.

Como último tópico da nossa conversa (e sinto que mesmo assim tanto fica para dizer...) há que mencionar que o "The Iron Duke" é o primeiro livro desta saga mas há dois contos que o precedem no tempo: "Here there be monsters" e o "The Blushing Bounder". Na minha opinião ambos podem ser lidos antes ou depois do "The Iron Duke" porque não o afectam directamente. Dia 1 de Novembro sairá o segundo livro, intitulado "Heart of Steel" e que foca as aventuras do Archimedes Fox e da Lady Corsair. Quais as vossas expectativas / desejos / ansiedades para este próximo livro e para este próximo par, que será o choque de dois aventureiros que não se prendem a nada ou a ninguém?

White_Lady: Realmente é impressionante como a autora parece ter todo o seu mundo na cabeça, com tamanho detalhe. Vê-se que o seu esforço foi mais além do tentar perceber o que aconteceu na "nossa" história e criar uma alternativa. Ela tenta cruzar ambas as histórias tornando o seu mundo tão real quanto possível.
Ainda não li o "The Blushing Bounder" mas gostei muito do "Here There Be Monsters", onde pela primeira vez me cruzei com a Lady Corsair e pensei, "OMD quero um livro com ela!" Sobressaiu a sua independência, o preocupar-se apenas com ela e a sua tripulação, o facto de fazer um trabalho bem feito e ser bem paga por tal. Basicamente era uma mulher com tomates e diga-se não se vê muitas mulheres assim. E depois apareceu o Archimedes, que me distraiu então do Rhys. :D Imagino-o como um Indiana Jones, à procura de artefactos perdidos e a viver aventuras românticas, afinal de contas as suas histórias estão publicadas em livro, não é verdade? Assim que apareceu nas páginas saiu um "OMD eu quero um livro com ele!" :D Vai ser engraçado ver a relação entre os dois, sobretudo depois de ele a ter desafiado e tomado conta do dirigível, fazendo como que um mini-motim que acaba mal para ele. São ambos cabeças duras, com objectivos bem definidos e talvez algo contrários, pelo que a convivência entre ambos deve ser algo, bem, quente e capaz de queimar ambos. Percebe-se que há ali mais qualquer coisa, mesmo no passado de ambos, e mal posso esperar por descobrir porque raio é que não se entendem.

Janita: Eu quando li a resposta de Meljean à pergunta que lhe colocaste fiquei abismada, com o nível de detalhe que ela colocou na história do mundo de "Iron Seas", e com a paixão que ela transmite pelo trabalho dela! Fiz mesmo um *squee* quando ela referiu a forte possibilidade de existir um personagem Lusitano num livro futuro :D De notar também o cuidado da Meljean e da editora em fazer este chat na plataforma Goodreads, dando uma oportunidade aos fãs de falar com ela, de ter algum feedback e de receber alguns "goodies" como esta resposta sobre o Povo Lusitano e do Êxodo que se deu da Europa após a disseminação dos zombies da Horde.
Eu ainda não tive a oportunidade de ler os contos da autora (apesar de os ter em formato ebook, encomendei a antologia "Hot & Steamy: Tales of Steampunk Romance" que tem o conto da Meljean "The Blushing Boulder" e a "Burning Up" que tem o "Here There Be Monsters"), aqui faço um "mea culpa", mas é uma questão de tempo e da velocidade da entrega dos livros! ;)
Bingo, white_lady afinal a minha distracção foi a mesma que a tua! HEHE
OMD só de pensar num livro com esses dois, quase me dá uma coisinha ruim... pelo que vi dos dois no "The Iron Duke" são claramente duas pessoas com um passado muito conturbado a uni-los! O Archimedes é um aventureiro, que viaja para os destinos mais perigosos procurando artefactos, tudo isso por dinheiro e pela fama ( através de livros escritos pela irmã! LOL), sendo esses os únicos princípios dele. Enquanto a Yasmeen, aka Lady Corsair é uma mulher independente, muito à frente no seu tempo e que apesar de toda a pirataria e abordagens, é mulher e protectora tanto do seu dirigível como da sua tripulação, indo aos arames quando alguém ameaça um dos dois...
A aparição do Archimedes e a reacção da Lady Corsair à presença dele no dirigível, a interacção dos dois durante esse curto período de tempo em "The Iron Duke" promete grandes aventuras e emoções neste "Heart of Steel"...se com o Rhys e a Mina já foi uma aventura e pêras, com estes dois quem sabe o que mais veremos do mundo de "Iron Seas"... (*.*)

Tchetcha:
Bem meninas, adorei esta nossa conversa, foi muito bom partilhar com alguém aquilo que eu gostei tanto no livro e ter as vossas perspectivas sobre ele.

White_Lady: Eu adorei a experiência! Temos de fazer coisas como esta mais vezes! *Janita estou a a olhar para ti e para a série da Gail!*

Janita:
Eu amei a ideia, e a experiência de a pôr em prática foi ainda mais awesome! Assim conseguimos apreciar verdadeiramente a vivência que é ler um livro. Toca a fazer isto mais vezes... e sim :D a Gail merece *wink wink*
Notas:
  • Para saber mais sobre Steampunk basta ler o artigo que a White_lady escreveu aqui no blogue.
  • "The Iron Seas" é o nome da saga steampunk de Meljean Brooks.
  • No site da autora podem encontrar um guia do "The Iron Seas".
  • Contos publicados: "Here There Be Monsters" na antologia "Burning Up" e "The Blushing Bounder" na antologia "Wild & Steamy".
  • Esta saga terá 5 livros. O primeiro volume é o "The Iron Duke" e o segundo sairá já dia 1 de Novembro de 2011 com o título "Heart of Steel". Para Janeiro de 2012 está previsto uma reedição do "The Iron Duke" com um conto adicional chamado "Mina Wentworth and the Invisible City". O terceiro livro sairá nos finais de 2012 e já tem o título de "Molten". [fonte]
  • Todos os livros e contos podem ser lidos em separado, apesar de terem personagens que figuram noutros livros e contos da saga.
  • Não há nenhuma informação se estes livros vão ser ou não publicados em português.

Só ler não basta: (Re)ler o The Iron Duke - Parte 1 de 2

Está quase a fazer um ano que li o "The Iron Duke", um livro que me surpreendeu pela sua originalidade e qualidade. Andei tão entusiasmada durante e pós a sua leitura que o sugeri a todos os booklovers que conheço mas, apesar dos meus esforços, só consegui fazer duas vítimas.
Decidi reler o livro agora, antes do lançamento do segundo livro da saga "Heart of Steel" e pensei que seria bem mais interessante se, em vez de reescrever a minha opinião, pedir às minhas duas vítimas, White_Lady e Janita Lima, para conversarem comigo sobre o que acharam deste livro. 
Nota: É provável que surjam spoilers aqui nesta nossa conversa.

(Re)ler o The Iron Duke - Parte 1 de 2
Tchetcha: Eu sei que fui muito entusiasta a falar do “The Iron Duke” desde que o li, e usei todo o tipo de argumentos para que vocês o lessem. O que foi que te convenceu e que expectativas tinhas antes de o ler?

 
White_Lady: Comecei a lê-lo porque não tinha mais nada! Estou no gozo. :D Comecei a lê-lo em férias, quando andava por outros locais e tinha levado o Kindle. Depois de ler um romance fofo apetecia-me algo mais quente e lembrando-me de como tinhas adorado o livro e tinha steampunk (algo que andava a pensar ler pois o último tinha sido "A Corte do Ar" do Stephen Hunt) pensei dar-lhe uma hipótese.
Esperava unicamente um tempo bem passado, mas surpreendeu-me logo! O que eu julgava um romance histórico, como os da Julia Quinn ou Laura Lee Guhrke, a retratar uma sociedade vitoriana ainda que com elementos steampunk, começava com um corpo congelado a cair do céu! A partir daí fiquei rendida.
Na verdade, e olhando para trás, já devia estar preparada para isto, afinal de contas tinha lido o conto "Here There Be Monsters", não era como se estivesse a ler algo da autora pela primeira vez. Mas não deixou de surpreender e a partir daí devorei o livro. O mundo onde se passa a história, e que me tinha deixado curiosa depois de ler o conto, agarrou-me e durante a leitura nada mais existia para mim. A história alternativa que a Meljean apresenta deixou-me fascinada e sedenta por mais, fui mesmo pesquisar ao seu blog que alterações tinha feito à História Mundial e até me levou a tentar descobrir mais sobre hordes mongóis.
Além disso, a tecnologia também me deixou surpreendida. Já havia gostado do conceito no conto e poder entender mais sobre o que estava e que efeito tinham os agentes nano foi muito curioso.
Por fim as personagens. Aqui também fui surpreendida. É verdade que temos o alpha male, como em outros romances, mas a heroína é completamente atípica, tendo um emprego e sendo parte de uma minoria.
Quaisquer expectativas que tinha, a autora conseguiu ultrapassá-las todas e construir uma boa história, com tudo o que gosto: aventura, mistério, romance... Esperava uma coisa e deu tanto mais. Foi uma belíssima surpresa.
Janita: Ora bem, eu acho que fui mesmo a última vítima, cedi quando vi a reacção da White_Lady e enquanto via a troca de ideias/experiências entre as duas... Como há uns tempos que andava a explorar o steampunk, lá arranjei o ebook do "The Iron Duke". Da primeira página à última levei menos de uma semana, numa montanha russa de aventuras e emoções.
Este foi o primeiro trabalho que li desta autora, só tive acesso aos contos e antologias em que participou depois da leitura do "The Iron Duke", por isso parti para esta leitura sem qualquer tipo de expectativas, para além do entusiasmo que via nas conversas entre vós. Sabia que de certeza que ia ser uma viagem interessante, não sabia era quão interessante! ;)
O que me fez mesmo pegar no livro foi quando em amena cavaqueira, referiram que além do romance, além do steampunk, existia também uma boa trama por trás, uma boa história de mistério e investigação... já todos sabem como sou com estas coisas de romances fantásticos, mas sentia que todos eles falhavam num bom plot fora da relação sobre a qual assentavam... e voilá encontrei o "The Iron Duke".
Tchetcha: Lá está: eu também peguei nele porque procurava um romance "steamy" mas hoje tenho alguma dificuldade em colocá-lo nessa categoria apenas, pelas aventuras e pelo mistério que contém. O romance ocupa talvez um terço de toda a história mas por vezes isso é o suficiente para dissuadir certos leitores de o lerem. Acham que, neste caso, o romance enfraqueceu ou melhorou a história?
White_Lady: A meu ver não é uma questão de melhorar ou enfraquecer, acho que completa a história. Como a Janita disse, há muitos romances fantásticos que falham no plot. Este acertou no plot mas sem o romance não seria uma história tão completa. Seria um mistério como outros, provavelmente sem espaço para crescimento de personagens. O romance possibilita isso. Ambos os protagonistas sentem que para merecer o outro tem de ser melhores do que são, têm de ultrapassar problemas para se relacionarem. Acho que qualquer leitor se identifica com isso, mais do que com o viver aventuras.
Janita: Eu acho que o romance é uma parte muito importante em "The Iron Duke", guiando e motivando muitas das acções dos personagens. Incentivando-os a mudar, melhorar e evoluir... por isso na minha opinião o elemento romance sem dúvida melhorou a história (só de imaginar o livro sem essa parte, até me arrepio! ;)) Em livros do género (fantástico, ficção-científica, steampunk, etc), bons personagens complexos e tridimensionais, são essenciais para agarrar o leitor, isto porque no meio de um ambiente diferente do mundo real, eles são um dos poucos pontos de identificação do público.
Apesar de ser um romance "steamypunk", o romance dá espaço ao desenrolar de toda uma história que agrada aos leitores que não apreciam tanto os romances "habituais" (que se desenrolam em torno de um casal e dos seus problemas, e o resto sub-plots e world building ficam para terceiro plano)... acredito que "the Iron Duke" até consiga algumas "conversões"... ;)
Tchetcha: Continuando a falar do romance, mais especificamente dos seus protagonistas: O Rhys Trahaearn, ou seja, o "Iron Duke", é um verdadeiro troglodita durante dois terços do livro. Todas as abordagens que faz à Mina são muito ousadas, directas e até rasam o inapropriado, dizendo constantemente que está habituado a tomar o que quer, o que torna muito difícil de compreender como é que aqueles dois vão acabar juntos. Qual foi a vossa perspectiva em relação ao Rhys e houve alguma cena em particular que vos fez mudar o vosso afecto a ele?
White_Lady: Já estou habituada a heróis românticos como o Rhys, daí que quanto muito a sua interacção com a Mina tenha suscitado, nalguns casos, alguns revirar de olhos. Ele é o típico alpha male, que ao entrar numa sala transpira masculinidade por todos os poros e há duas ou três damas mais sensíveis que desmaiam fulminadas por tanto sex appeal. Para dizer a verdade, costumo ser algo indiferente ao herói no início do livro, mesmo quando suspiram imenso quando ele aparece e descrevam os músculos ao pormenor. Ele tem de me conquistar conforme conquista a heroína e muitas vezes o afecto muda quando a heroína também o faz.
Neste caso em concreto não consigo identificar o momento em que a alteração se dá, em que passei da indiferença ao "OMD ele tem mesmo que ficar com ela!", porque a coisa deu-se de forma tão gradual que parece que sempre lá esteve (não sei se me faço entender :/ ). Talvez se tenha dado depois de um certo acontecimento que o faz perceber que as suas abordagens afinal magoam a Mina, mas confesso que não tenho a certeza. Além disso, a meio do livro distraí-me com outra personagem, mas isso fica para o livro que se segue... :D
Janita: Posso fazer minhas as palavras da White_lady?! :) Realmente o Rhys é o típico alpha, super convencido dos seus atributos e capacidades de sedução. Tal como a Mina, durante um terço do livro andei um tanto ao quanto desorientada quanto às verdadeiras intenções dos avanços dele. O outro, tal como a protagonista, o Rhys mexia com os meus nervos...aparecia sempre nos sítios mais inconvenientes, fazia a Mina perder a compostura nos sítios mais inapropriados e perigosos, e depois de nariz empinado e com o sorriso do gato que acabou de comer o canário ia embora. Juro que durante uns tempos o homem irritou-me a valer, o convencido!
A cena que me fez acreditar nas verdadeiras e "honoráveis" intenções dele, foi quando a Mina e o Rhys se encontravam no dirigível da Yasmeen (desculpem mas neste momento não me recordo do nome). A Mina sobe à proa e o Rhys aconchega-a no casaco dele (desculpem mas aqui tem mesmo que ser um *squeee*). Aí fiquei com a pulga atrás da orelha e comecei a ver que a fachada que ambos exibiam ao mundo e um ao outro, tinha fissuras enormes e que a qualquer momento ia desabar.
White_lady será que a tua distracção é a minha também?! *wink wink*
Tchetcha: Talvez por estar a relê-lo agora estou com a memória mais fresca mas para mim foi aquela cena de ela escrever a nota a dizer que aceitava e ele dizer que nunca a leu porque queria que ela estivesse com ele de livre vontade e não como um pagamento. Aí eu pensei: afinal até não és assim tão pirata! :D
Quanto à Mina ela é uma heroína fantástica, não é? Para mim o livro devia se chamar "The Detective Inspector Wilhelmina Wentworth" porque ela é que enfrenta os maiores desafios e fá-lo de uma forma tão corajosa. Adorei tudo nela, até ao facto de ter de ser tratada por "Sir". Quero mais personagens femininas assim!
White_Lady: Sem dúvida! Se há coisa que me aborrece em romances, e não só, é escreverem protagonistas femininas que desmaiam por um qualquer motivo estúpido, que são constantemente "damsels in distress" à espera que um qualquer herói as venha salvar, e cuja ambição é casar e ter filhos. Como se uma mulher só fosse feliz assim! A Mina é uma personagem forte, que enfrenta o mundo todos os dias (já que é vítima de racismo devido às suas feições), não se deixa esmorecer perante as dificuldades e tem uma carreira, um emprego no qual excede qualquer um e que deve tal às suas verdadeiras capacidades, sem qualquer uso de artifícios. É um verdadeiro exemplo de uma mulher forte e independente.
Janita: Oh essa cena foi tão fófi! O Rhys apesar de se esforçar muito, não consegue manter a fachada de pirata muito tempo, quando enfrenta a Mina (no fundo é um poço de integridade e cavalheirismo), adoro-o por isso e por muito mais, mas agora é tempo de falar da Mina.
Contem comigo também, tenho alguns problemas em "engolir" as típicas protagonistas de romances, sejam eles paranormais ou não! Nos dias de hoje, poucas são as mulheres que são assim. Realmente deveriam haver mais heroínas como a Mina, mulheres tão fortes, tão determinadas, tão independentes, que por vezes estão tão concentradas em salvar o mundo, os amigos, e resolver mistérios que se esquecem delas, da sua felicidade. Adorei a força da Mina, da sensação de fatalismo que a relação entre ela e o Rhys teve durante a viagem de dirigível e depois no Marco's Terror. Amei o sentido de sacrifício dos dois e a forma como os dois aproveitam os poucos momentos que têm de paz...
Tchetcha: E como eles aproveitam... *suspiro*
Amanhã: (Re)ler o The Iron Duke - Parte 2 de 2

Conto: The Blushing Bounder

wildEste conto pertence à colectânea “Wild & Steamy”

Resumo: Edward Newberry foi viver para Inglaterra com a sua mulher Temperance depois de ambos terem sido renegados de Manhattan City por comportamento impróprio. Temperance sofre de tuberculose e enquanto apanhava ar durante uma noite aflita com falta deste, ela assiste ao assassinato de uma mulher. A Inspectora Mina começa a investigar o caso e é durante esta investigação que Newberry e Temperance se aproximam como marido e mulher, assim como salvam a vida um do outro.

Expectativa: Boa, estava tão entusiasmada porque ganhei este e-book num passatempo em que participei no blog da escritora.

Opinião: No livro The Iron Duke a Inspectora Mina é constantemente acompanhada por um guarda-costas: Newberry. Tudo o que sabemos dele é que é grande, ruivo, um retornado do Novo Mundo e que cora com facilidade. Mina confia a ele a sua vida e é neste conto que descobrimos um pouco mais sobre Newberry e o seu passado. Adorei o conto: continha um mistério, um pouco de romance e muito sentido de humor. Foi tão bom rever a Mina na sua versão de Inspectora confiante e audaz. Também gostei muito do Easter Egg de um dos personagens do Heart of Steel neste conto.

Pontos positivos: O sentido de humor.

Pontos negativos: A rapidez da resolução do romance.

Estado de espírito: Boa.

Fez-me refletir sobre: O quanto a falta de comunicação pode levar a mal entendidos.

Damon Angel


Formato: e-book 
Lido em Inglês

 

Resumo: Esta história divide-se em 3 partes. A primeira conta quando Hugh conhece a Lilith ele é apenas um cavaleiro medieval com 17 anos e ela é um demónio que se disfarçou de donzela para espalhar a tentação. Ambos se sentem atraídos um pelo outro: ele, muito seguro do que é certo ou errado, cheio de regras de cavalheirismo e ela que é tão divertida e enganadora. No entanto, os planos dela acabam por prejudicar Hugh levando-o à morte. Michael salva-o e transforma-o num Guardião. A 2ª parte conta os séculos em que ambos se encontraram: ele como guardião e ela ainda como demónio. Conta também como ele decidiu deixar de ser guardião e matar a Lilith. Na 3ª parte encontramos Hugh como humano, com 30 e poucos anos e o seu reencontro com Lilith, em São Francisco. Ele é agora professor e é o principal suspeito da morte dos seus alunos. Mas Lilith e Hugh sabem que aquelas mortes fazem parte de um estranho ritual dos Nosferatu para conseguirem caminhar durante o dia.

Crítica: Se, quando comecei o livro estava entusiasmada (este é um livro sobre anjos e é o primeiro livro publicado pela autora do The Iron Duke), esse entusiasmo foi se desvanecendo ao longo da leitura. É extremamente longo! Tem cenas desnecessárias de diálogos infinitos entre Hugh e Lilith em que nada acontece. É um livro que poderia ter sido dividido em duas partes: a parte medieval e os séculos de Hugh como guardião e a outra metade, em que se investiga os crimes. É que nem Hugh e Lilith parecem os mesmos personagens, é desconcertante. A estrutura dos capítulos também poderia ter sido repensada para não ser tão maçudo.
Sendo este o primeiro livro publicado da autora e tendo adorado o último que ela publicou, acredito que, nos outros livros da saga, só pode melhorar. Mas houve muita coisa que me escapou, não sei se por estar a lê-lo em inglês, se por causa da estrutura ou mesmo pelo meu desinteresse em geral. Por exemplo: não compreendi a aposta feita entre Michael e Lúcifer e como é que Lilith a conseguiu resolver. Aqui culpo a minha interpretação do texto. No entanto, gostei muito de todo o mundo sobrenatural aqui criado: roça o terror, falando em vísceras, escamas e tendo partes mesmo nojentas de se ler. Toda a estrutura de criaturas e seres é muito boa e é um romance muito invulgar e distante do que é convencional.

Expectativa e estado de espírito: A expectativa era alta mas o livro acabou por desiludir. Quanto ao estado de espírito é bom, ler tem me ajudado imenso em escapar à realidade.

Pontos positivos: O Universo criado, baseado no Paradise Lost de Milton, e a originalidade no romance.

Pontos negativos: Cenas longas, aborrecidas e desnecessárias. Um enredo complicado com um desenlace que me pareceu demasiado fácil. Pouco emocionante.

Fez-me reflectir sobre: Sexo pouco convencional...

Conto: Falling for Anthony

Formato: e-book
Lido em Inglês
Resumo: 1811, Inglaterra. Anthony é um médico e amigo de infância de Emily e Colin. Apesar da atracção que sente por Emily, por serem de classes sociais diferentes, nunca se atreveu a declarar-lhe o que sente. É por isso um dia surpreendido por Emily e este promete-lhe que regressará um dia. Anthony parte como médico de campanha para a guerra a decorrer em Espanha e aí tem um encontro fatal com uma criatura sobrenatural. Mas, por ter salvo no último minuto o seu colega, Michael decide transformar Anthony num guardião. Contra as regras, Michael decide enviar Anthony de regresso à Terra apenas 10 meses a sua transformação, para proteger Emily e Colin de um Nosferatu. E é durante esse período que Emily e Anthony assumem a atracção que sentem um pelo outro, mesmo sem a esperança de ficarem juntos. Mas talvez as regras tenham cláusulas que permitam excepções.

Crítica: Depois de ter lido o fantástico The Iron Duke da mesma escritora, procurei que mais tinha escrito. Este conto, Falling for Anthony, é a sua primeira publicação e introduz a saga dos The Guardians. Muito diferente, e muito distante da qualidade do The Iron Duke. Não achei que fosse mau, porque a criação do universo assim como todo o contexto onde se desenrola a acção, é muito bom. No entanto, a acção e o romance foram em muitos aspectos fracos. Fiquei um pouco com a impressão que a escritora se sentiu pressionada quanto ao tamanho do conto e então tentou condensar o máximo de acção, sexo e romance possíveis, fora introduzir uma mitologia. Por isso os personagens resultam um bocadinho como folha de papel, sem uma verdadeira profundidade. Acredito que estes aspectos irão melhorar ao longo da saga.

Expectativa e estado de espírito: Esperava uma história bem escrita e boa para adormecer. Li em pouco tempo porque estou de férias.

Pontos positivos: O universo criado, muito interessante. A escritora explica neste vídeo um pouco o universo dos The Guardians:

Pontos negativos: A pressa com que as coisas acontecem com os personagens.

Fez-me reflectir sobre: Nada.

Nota adicional: Um texto muito interessante da autora sobre como foi escrever este conto e porque é que falhou em muitos aspectos.


Book Chat com a escritora Meljean Brook


Li recentemente o livro The Iron Duke e foi o meu livro favorito do ano. Por isso, quando soube que o blog Dear Author ia promover um chat com a escritora só tive que ponderar se ia ficar acordada até às 3 da manhã de sábado para falar com ela ou não. Por acaso as circunstâncias (uma enxaqueca que me fez dormir a tarde toda e uma caneca de café) acabaram por afugentar o sono e permitir que estivesse fresquinha quando o chat decorreu.


A primeira hora foi apenas a conversa entre os leitores do livro sobre os vários temas que este aborda: steampunk, o racismo, violação, alterações genéticas, etc... Tenho que confessar que foi muito bom poder falar com pessoas que também leram o livro. É muito diferente quando se lê um livro que muitos outros leram e podem compartilhar o nosso entusiasmo, mas quando são tão poucos (ainda...) qualquer conversa é preciosa. Uma hora depois a escritora juntou-se à conversa, e apesar de estar apenas programada 1 hora de conversa, esta prolongou-se para quase 2 horas. Sim, esteve interessante ao ponto de a escritora ter deixado queimar o frango do jantar!!


 


Aqui ficam os temas debatidos (cuidado, muitos muitos spoilers!!):


 





The Iron Duke

Formato: e-book
Lido em Inglês

Resumo: Mina é uma inspectora da era vitoriana da Scotland Yard em Londres. A história começa quando esta está num baile de celebração dos 9 anos do do fim do domínio da Horde sobre Londres, para investigar um corpo que foi encontrado na casa do Iron Duke. Este é considerado um herói nacional porque foi ele que, 9 anos antes, derrubou a torre que emitia o sinal de rádio que controlava os sentimentos dos londrinos, libertando-os dessa escravatura e dando origem à revolta contra a Horde.
Mina dirige-se à casa do Duque acompanhada de do seu guarda-costas e rapidamente se apercebe que algo de estranho se passa com aquele corpo, devido ao estado em que este se encontra. Conhece o Duque, ex-pirata de poucas falas, e interroga-o sobre o corpo em questão, do qual o Duque nada sabe. Ao examinar o corpo, Mina descobre que algo não bate certo com os nanoagentes do cadáver e decide consultar o Blacksmith (figura misteriosa altamente respeitada) para obter a sua opinião. O duque atravessa-se no seu caminho: por um lado, também ele parte interessada na investigação em curso, por outro, interessado por Mina, que de certa forma o impressionara na noite anterior. Após a revelação feita pelo Blacksmith sobre o cadáver, ambos se apercebem que aquele corpo não caiu do céu para a propriedade do Duque por acaso e ambos juntam forças e meios para desvendarem o mistério, lançando-os numa incrível aventura por terra, ar e mar.

Crítica: Este foi o melhor livro que li este ano. Considerando que li 18 livros antes deste diz bastante sobre ele. Mantive o resumo ao mínimo porque não quero desvendar muito da aventura mas tenho que falar sobre os vários elementos que me fizeram adorar este livro.
Em primeiro lugar, o género: steampunk . Foi o primeiro livro que li do género e fiquei rendida. Imaginar uma tecnologia mecânica de certa forma demasiado avançada numa época vitoriana é absolutamente fantástico. Adorei as naves voadoras, os barcos, os carros a vapor e tanto mais que me poderá ter escapado devido ao meu fraco vocabulário inglês.
Depois o universo criado pela escritora que é tão grande, meticuloso, pormenorizado, cheio de detalhes e explicações, que de tão inacreditáveis parecem impossíveis mas que fazem sentido neste mundo alternativo. Porque o universo do The Iron Seas é um mundo com uma história alternativa, de uma Europa infestada de zombies e uma Inglaterra a recuperar de 200 anos de invasão da Horde. É como olhar para um mundo pós-apocaliptico, onde certos humanos tinham de viver com martelos ou picaretas como braços ou pernas e que agora os recuperam em forma de próteses mecânicas. Em que para conseguir viver na infestada Londres tem que se estar infectado pelos nanoagentes, agora inertes mas que antes os subjugavam às vontades do Khan. E foram estes mil e um detalhes (inclusive menções constantes ao império Lusitânico) que me mantiveram agarrada, de uma forma quase viciante, ao livro.
A sua heroína, Mina. Adorei-a do início ao fim, maravilhosa. A sua inteligência acutilante fez-me pensar vezes nela como uma “Dana Scully” vitoriana. Mina é o resultado de uma violação da sua mãe por um membro da Horde e devido aos seus traços asiáticos é alvo-constante de ataques físicos. Daí ela ter um guarda-costas. No entanto é, apesar da sua aparência, uma filha amada pelos seus pais e irmãos, com amigos próximos que a adoram e é também uma respeitada inspectora da Scotland Yard. Não é, ao contrário da maioria dos romances, uma heroína desamparada. O Iron Duke, Rhys, tem que fazer um jogo menos limpo para conseguir que Mina partilhe a sua cama.
Quanto ao duque, já não o adorei tanto assim. É, durante a primeira metade do livro, um bronco, que parece que o seu único objectivo é levar Mina para a cama. No entanto, com o desenrolar da aventura descobrimos o seu lado pirata e aventureiro, alguém cujo seu estado normal é estar ao comando de um navio e revela-se, pouco a pouco, o que o levou a cometer o tal acto heróico assim como o seu passado difícil. Sendo este um romance steampunk é o romance a base da história, o fio condutor que empurra a acção, mas não é a totalidade do livro.
As cenas intimas entre Mina e Rhys são descritas ao pormenor e muito muito quentes. Houve até algumas críticas que se interrogavam se duas das cenas eram ou não cenas de violação. Eu achei que não mas a dúvida criada e a a mestria como a escritora montou as cenas eleva-a a um patamar acima das restantes escritoras românticas.
Os personagens secundários também são eles fascinantes: a família de Mina, Newberry, Scarsdale, Lady Corsair, o Blacksmith e outros são personagens secundárias activas, divertidas, surpreendentes. Dei por a gostar tanto deles como de Mina e Rhys.
Por fim, as criaturas. Há zombies, krakens, gatos gigantes e até humanos alterados geneticamente devido à presença dos nanoagentes.
E há mais, muito mais, como questões de xenofobia ou homossexualidade que são abordados no livro e que não cabem nesta crítica. Cenas de batalha em alto mar, vilões que não ficarão limitados a este livro, um final aflitivo que me levou às lágrimas. 
Foi tudo isto que me levou a considerar este livro como o meu favorito do ano.

Expectativa e estado de espírito: Não tinha grande expectativa, o livro foi-me recomendado por uma amiga minha que lê imensos romances românticos e não esperava mais do que isso. Fui por isso surpreendida com este livro fantástico que me deixou várias noites acordada até mais tarde. 

Pontos positivos: Todos os mencionados antes: a aventura, o universo complexo, o romance sem ser piegas, uma heroína fabulosa. 

Pontos negativos: Por incrível que pareça, a capa. Acho que diminui ou desvaloriza o mesmo. Compreendo a opção porque o livro e autora são promovidos como romance e sendo o público alvo maioritariamente feminino, tem a sua lógica. Mas acho que merecia uma capa melhor, talvez uma imagem do Marco’s Terror em Londres, ou assim. 

Fez-me reflectir sobre: História alternativa.

Notas extra: 
  • O The Iron Duke é o primeiro volume da série The Iron Seas.
  • A escritora só tem, actualmente, contrato para escrever mais dois livros e um conto. Será, até decisão em contrário, uma triologia. Nota: A escritora acabou de anunciar que terá contrato para mais 3 livros, perfazendo assim uma saga de 6 volumes e 2 contos no total.
  • Cada volume poderá ser lido individualmente sem necessitar de ler o anterior.
  • Existe um conto que o antecede que se chama "Here there be monsters" e que pode ser lido na colectânea Burning Up.
  • O próximo volume será lançado em Novembro de 2011 e chamar-se-á "Heart of Steel". Irá focar a história de Lady Corsair.
  • No website da escritora encontra-se uma breve descrição dos acontecimentos históricos que antecedem e dão origem a este mundo alternativo do The Iron Seas.
  • Participei num Book Chat com a autora onde muitos detalhes da saga foram explicados e spoilers contados.

Here There Be Monsters

Burning Up (Includes: The Iron Seas, Prequel; Children of the Sea, #3.5; Psy/Changeling #8.5) Compilação Burning Up by Angela Knight
My rating: 4 of 5 stars

Adorei! Li esta história por ser uma prequela do THE IRON DUKE, mas que pode ser lida isoladamente. Nunca tinha lido steampunk e achava que não ia gostar mas a autora faz um trabalho fenomenal em tornar este mundo credível.
Passa-se na época vitoriana, 200 anos após a invasão das "Hordes" mongóis, tecnologicamente mais avançados e que dominaram o povo inglês através da nanotecnologia. Nesta história temos a Ivy, que trabalha em todo o tipo de metal e mecânica, desesperada por escapar de Londres e de Ebel, mais conhecido por Mad Machen, cirurgião transformado em pirata. Ela consegue escapar-lhe, ele consegue recaptura-la. A razão pela qual ele a recaptura não é apenas romântica, pois a capacidade e engenho de Ivy é uma mais valia para os planos do capitão do Vesuvius.
Tenho que confessar que há muito tempo que não lia algo com tanta excitação. Dei por mim a dar gritos de frustração em certas partes e fui realmente surpreendida pelo desenrolar dos eventos. Há muito mais para dizer mas isso seria spoilar demasiado.
É mesmo muito bom, tanto a nível da criação de mundo, de acção, de romance e de sexo.

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