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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

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A Ilha do final do Tempo

Resumo: Na pequena aldeia de Cobisa é descoberto um monge emparedado numa igreja. Com ele estão 3 objectos estranhos. Todos os objectos e monge inclusive têm algo em comum: parecem deslocados no tempo. Deveriam ser falsos ou imitações mas no entanto tudo aponta para que sejam verdadeiros. O historiador Sebastian Cameron vê-se arrastado para a investigação e o que descobre é algo maior do que imaginava. Tudo está ligado à ilha de San Borondón. A ilha das Canárias tantas vezes descoberta mas que na verdade não existe. A Ilha contém em si a resposta para uma das maiores dúvidas da ciência: é possível, na prática, poder viajar no tempo?

Crítica: Houve várias coisas que gostei neste livro, mas já lá chego. Acho que devo começar por aquilo que não gostei, que foi muito pouco. Uma das coisas que menos gostei foi da escrita. É tão clara, tão simples e directa que tive em muitos momentos a sensação que estava a ler um relatório. Foi por isso um pouco decepcionante e penso que até teria funcionado muito melhor como um romance epistolar, já que todo o livro se baseia em relatos e contar uns aos outros os acontecimentos. Falando em relatos, outro ponto que não gostei, é que alguns deles foram muito secantes e chatos, nomeadamente dos marinheiros que foram dar à ilha e só um é que regressou para contar a história. Páginas e páginas de como eles jogaram às cartas e depois um deles tinha andado numa batalha com outro e por isso é que não morreu e tudo isto para quê?? Encher papel, na minha opinião, porque são elementos que não têm grande relevância para a história.
Fora isto, e depois da passagem agonizante dos marinheiros, o livro melhorou bastante. Gostei imenso na forma como o autor misturou a ciência e a mística católica, que tantos ocidentais evitam em falar ou escrever. Se tanto se escreve sobre elfos, fadas, anjos, vampiros e afins, porque não pegar em alguns dos mitos cristãos e brincar com isso? Este autor fê-lo e bem, no meu entender. A parte científica é realmente breve e serve apenas de suporte para explicar o que é as viagens no tempo e o que seria necessário fazer para estas acontecerem. A ilha é apresentada como “vítima” de um fenómeno cosmológico e que lhe atribui a sua característica bizarra. Mas tudo se conjuga de uma forma homogénea e com sentido. Há também acção, teorias de conspiração e tem um final em aberto, o que me leva a pensar que o autor tenha em mente lhe dar uma continuação.

Expectativa e estado de espírito: Quando se trata de romances sobre este tema, as expectativas são sempre altas. Este livro não desiludiu mas também não me fascinou, para grande pena minha. Não era o livro que procurava ler agora, neste momento.

Pontos positivos:  Original. A mistura do místico com o científico.

Pontos negativos: A escrita desinteressante. Relatos desnecessários. Porquê um protagonista americano num livro espanhol e que se passa em Espanha?

Fez-me reflectir sobre: Poder ter o privilégio de assistir a determinados acontecimentos históricos, se pudesse viajar no tempo.


Obrigada à Célia do blog Estante de Livros pelo empréstimo. Podem ler a crítica dela aqui.

Sally

Sinopse: Sally é uma história de amor...é uma história de amor que é tudo menos convencional, nascida sem a interferência de hormonas ou feromonas num lugar estranho e mutável. É uma história de amor que, pelo menos aparentemente, é unilateral, e o objecto desse amor dá título ao conto. Sally é a mulher perfeita. Pelo menos é essa a resposta que obteriam do Alberto Liemann se lhe perguntassem alguma coisa.
Aviso: além disto tudo, é também uma história de ficção científica.

Crítica: Sally foi uma agradável surpresa. Primeiro porque foi uma oferta personalizada e muito simpática de quem a escreveu, Jorge Candeias. Segundo, porque é um conto com um final inesperado, que nos faz questionar toda a leitura até esse momento final e desejar relê-lo. Sally foi um conto que li sem pressas e foi muito agradável acompanhar a viagem de Alberto desde o momento em que conhece a Sally até ao final.


Expectativa e estado de espírito: Estava sem expectativas e fiquei agradavelmente surpreendida com este conto.

Pontos positivos:  A forma como a história é contada, desvendada.

Pontos negativos: Nenhum.

Fez-me reflectir sobre: A perspectiva masculina sobre a beleza feminina.

Onde encontrar? Pode contactar o autor no seu blog.

Carbono Alterado

Resumo: Takeshi Kovacs acorda imangado no planeta Terra. A sua função aí é simples: descobrir o assassino de Laurens Bancroft, um milionário matusa que se recusa a aceitar que se suicidou. Com poucas pistas Takeshi parte à descoberta e encontra um submundo de prostituição, violência e abuso de poder, em que a carne é mais barata que o virtual. Com a ajuda de Kristin Ortega, Kovacs descobre o que é que a morte de Bancroft tenta encobrir e vinga as vítimas do esquema, matanto o seu líder, uma matusa poderosa.

Crítica: Não leio, há uns anos valentes, um livro de ficção científica. Não porque não goste mas apenas porque não procurei e não se proporcionou. Por isso, a minha crítica será apresentada da minha perspectiva, de leiga de FC. Muitos elementos me terão escapado, analogias ou comparações mas espero poder passar a minha perspectiva do que foi a leitura deste livro.
A primeira impressão que tive, e que me agarrou à leitura, foi que o mundo de "Carbono Alterado" era em muitos pontos semelhante ao Blade Runner. Takeshi Kovacs não é polícia mas é contratado para investigar a morte de um "matusa" milionário. Não há ciborgs mas há um hotel com inteligência artificial e mangas sintéticas, substitutos baratos de mangas, onde qualquer um poderá ser imangado. Mas, acima de tudo, tem todo aquele ambiente e envolvência de um filme noir dos anos 40. Por várias vezes, quando Kovacs puxava do cigarro, ou na luta de boxe, que me lembrei do livro "A Dália Negra" que li há uns anos atrás.
Takeshi Kovacs é um personagem muito interessante e bem desenvolvido. Em muitas passagens é feita a referência ao seu passado, às memórias do seu mundo de origem ou das batalhas onde esteve. É um personagem de acção e nas 427 páginas que constituem esta narrativa, apesar de ter alguns momentos de reflexão, são recheados de pancadaria, tiroteios, intrigas e sexo. Por vezes chegava a ser cansativo e confuso. Dei por mim em vários momentos a perder o fio-à-meada: "mas como é que ele chegou a esta conclusão? porque é que decidiu ir para ali?". Penso sempre que, se a história é contada da perspectiva de um dos personagens, devemos conhecer-lhe todo o seu raciocínio, certo?
A parte da ficção científica é bestial neste livro. Não sendo nem utopia nem distopia, o futuro é apresentado como um "hoje", com outro tipo de entretenimento, outro tipo de publicidade, meios de transporte, outras guerras, mas de alguma forma muito próximo daquilo que hoje conhecemos.
Carbono Alterado é um grande puzzle, por vezes caótico, mas que deixa o leitor satisfeito no final. 


Expectativa e estado de espírito: Não tinha nenhuma ideia pré-formada sobre o livro e como tal não tinha grandes expectativas. A leitura correu bem, em tempo de férias foi mais demorado (eu leio mais quando ando a trabalhar) e houve uma altura em que custou-me um pouco pegar no livro, quando a acção estava muito densa e confusa.

Pontos positivos: A criatividade na criação deste mundo, levada ao mais ínfimo pormenor. A escrita acessível.
 
Pontos negativos: Demasiada acção. As cenas de sexo (começo a pensar que não gosto mesmo nada de ler cenas de sexo escritas por homens).

Fez-me reflectir sobre: A "vida eterna", os podres que esta pode produzir, ao facto de a religião católica ser vista apenas como uma seita, a dúvida se os quimicos do cérebro ainda nos influenciam assim tanto.

Título Original: Altered Carbon (Gollancz S.F.)

Sangue Furtivo

Resumo: Na pacata localidade de Bon Temps um caçador furtivo anda a disparar contra os metamorfos e a comunidade de metamorfos de Hotshot desconfia que poderá ser Jason, já que ele foi mordido contra a sua vontade e por isso se metamorfoseia em noites de lua cheia. Por outro lado, o líder dos lobisomens morre e outro terá de ser eleito. Um dos candidatos é o pai de Alcide Hervaux e este pede ajuda a Sookie para descobrir se há tentativa de batota por parte do outro candidato. Sookie não gosta de ser usada por Alcide e a relação de ambos amarga. Depois alguém pega fogo à casa de Sookie mas esta é salva por Claudine. No dia seguinte leva um tiro e passa a noite no hospital, tendo Bill como companhia, apesar deste ter agora nova namorada. Sem casa e ferida, Sookie aceita ir viver para uma das casas alugadas de Sam onde é atacada pelo namorado vampiro de Tara. Depois disto tudo, Sookie vai assistindo à eleição do novo líder da alcateia e conhece Quinn, um tigre metamorfo. No fim descobre que quem lhe queimou a casa tinha sido um vampiro, que prometera matar Sookie, pois seria uma forma de tirar algo de importante a Eric.
Crítica: Em poucas palavras, este livro é uma confusão pegada. Passei metade do tempo a pensar que a escritora, Charlaine Harris, não tinha, de todo, definido um tema ou ideia principal e passamos o livro todo em ping-pong entre situações dramáticas. Nenhuma das situações é realmente desenvolvida como a principal e até mesmo o incêndio da casa da Sookie passa a ser pouco importante alguns capítulos mais adiante. O "Sangue Furtivo" foca mais as comunidades de metamorfos, lobisomens e panteras, empurrando os vampiros para um 2º plano.   
Expectativa e estado de espírito: Se este livro fosse lido sozinho, sem ter a noção que faz parte de uma saga, eu teria-o detestado. Eu li-o com noção que faz parte de uma saga e mesmo tendo lido os anteriores, não gostei dele. Os lobisomens e metamorfos são, na área da fantasia, o tipo da criatura que menos me interessa. E todo o livro foca estas criaturas e suas comunidades. Eric e Bill fazem a sua aparição somente como figuras secundárias. A Sookie está mais irritante que nunca e neste livro parece estar com uma espécie de disturbio hormonal que a faz flirtar com todos os pretendentes do livro. Beija o Sam, é atacada por Bill por ciúmes, é pedida em casamento por Alcide, Quinn lambe-lhe a perna, é beijada por Calvin Norris... A escritora disse, quando esteve em Portugal, que a divertia colocar a Sookie com vários pretendentes e neste livro o que não faltou foi diversão. Mas uma vez mais, só revela a inconsistência e falta de orientação que houve na preparação desta história.  
Pontos Positivos: O fim "chave de ouro".   
Pontos Negativos: Demasiados acontecimentos catastróficos, demasiados pretendentes, situações mal respondidas e fundamentadas.
Fez-me reflectir sobre: Nada.

O Abraço da noite

Resumo: Talon é um Predador da Noite de origem Celta que está satisfeito por ser quem é. Mas, uma noite, ele cruza-se com Sunshine e tudo muda. Ela surpreende-o quando, após uma tarde apaixonada, ela não lhe pede para ficar com ela, como todas as mulheres faziam. E ele percebe que não a consegue esquecer. Mais tarde eles percebem porquê: ela é a reencarnação do seu amor há muito desaparecido e eles são almas gémeas. há no entanto uma maldição que os impede de ficar juntos, que acaba por ser quebrada. Sunshine descobre, para felicidade de ambos, que ela também é imortal e como tal, não precisam de se separar nunca mais. Outras histórias entre-cruzam-se, que são bem resumidas por Acheron (pág. 215):  
"Tinha uma deusa assanhada e irritada com quem lidar. Um celta desaparecido em combate. Um general romano numa cidade onde 3 homens desejavam esventrá-lo. Um Predador da Noite impossível de controlar, que a Polícia queria prender por homicídio. E, agora, uma matilha Katagari que estava a deitar cá para fora 3 ninhadas de cachorrinhos mesmo no meio dos seus inimigos."  
A revelação sobre o que Acheron é, e o quanto é poderoso, é muito interessante e um dos pontos altos do livro.   

Crítica: É notória a evolução de escrita de Sherrilyn Kenyon neste "Abraço da Noite". A trama passa de se focar apenas no par romântico principal para alternar entre outros Predadores da Noite, deuses e lobisomens. E todos se entre-cruzam de uma forma louca, levando a um crescendo de emoções e confrontos, impossíveis de controlar. Este volume também apresenta mais informação sobre Acheron e o seu relacionamento com a Deusa Artémis. Se bem que a quantidade de novos personagens e novos conflitos parece exagerada para introduzir num só livro, a forma como a escritora os utiliza é bem ponderada, deixando-nos com a pulga atrás da orelha se veremos aquele personagem num volume futuro da saga. Com uma intrincada e original mitologia, cenas íntimas bem audazes, heróis "bad boy" lindos de morrer, e cenas de luta q.b., Sherrilyn Kenyon oferece-nos mais um livro divertido e emocionante, sem preconceitos, ideal para um público feminino que deseja algo mais que o típico romance light.

Expectativa e estado de espírito: Como já sei o que esperar desta saga da Sherrilyn Kenyon, abrir um dos seus livros é sempre um prazer. O facto de não desenvolver grandes questões filosóficas e morais permite uma leitura sem preocupações, ideal para o escape.  

Pontos positivos: Menos foco no casal principal, mais sobre Acheron e outros Predadores da Noite. Sentido de humor.  

Pontos Negativos: Cenas de luta pouco ou nada desenvolvidas, com fraca descrição. Algumas "soluções" são um pouco à pressa.
Fez-me reflectir sobre: Imortalidade, reencarnação, o poder de controlar outros.

A Festa de Mrs Dalloway

Resumo: Um conjunto de 7 contos que Virgínia Woolf escreveu para ilustrar e compreender e servir de apoio ao universo que constitui a festa da Mrs. Dalloway.
 
Crítica: Este foi o meu primeiro contacto com a escrita de Virginia Woolf e adorei. Tinha receio que ela tivesse uma escrita muito rebuscada ou difícil mas a poesia da sua escrita é maravilhosa. Senti que o seu raciocínio vinha por ondas, começava numa ideia, que puxava para outra e que nos levava a outra ideia, nunca se repetindo e dando continuidade à narrativa. E a quantidade de sentimentos que ela despeja em cada frase, cada paragrafo é delicioso. Sei agora que não vou recear ler um dos romances desta autora.

Pontos positivos: A escrita.
 
Pontos negativos: Nenhum.

Fez-me reflectir sobre: Os medos em confiar no outro, a dificuldade dos relacionamentos, a barreira que existe entre a realidade e o sentimento.

Rapariga com Brinco de Pérola

 Resumo: Griet, para ajudar a sua família necessitada, vai trabalhar para a casa do pintor holandês Jan Veermer. Ao início Griet sente-se estranha e deslocada, imersa no que parece ser um ambiente hostil. As tarefas como criada são pesadas e rotineiras com a excepção de uma delas: limpar o estúdio onde Veerner pinta. Ao perceber a sensibilidade da criada, Veermer começa a confiar nela mais tarefas como misturar tintas para os quadros. Griet olha para Veermer com a adoração de uma adolescente para um idolo, que lhe está tão perto mas que não pode na realidade alcançar. Apesar de ser muito recatada, a beleza de Griet não passa despercebida: Pieter, o rapaz de talho enamora-se por ela, Van Ruijven, o patrono de Veermer quer um quadro dela, e até o próprio Veermer parece afectado pela sua beleza. Mas se esta atrai os homens, afasta as mulheres, especialmente Catharina, a mulher de Veermer, que está constantemente grávida.  Após a "encomenda” de Van Ruijven de um quadro de Griet, Veermer entende que este só ficará completo se ela usar os brincos de pérola da mulher Catharina. E no dia em que Veermer termina o quadro Catharina, enraivecida de ciúmes, expulsa Griet de casa e tenta, sem sucesso, destruir o quadro.
A história termina anos mais tarde, após a morte de Veermer, em que Catharina chama Griet para lhe dar os brincos de pérola que não usara mais vez nenhuma desde esse dia. 
Critica: Houve vários aspectos deste livro que gostei imenso. Primeiro que tudo, a sua reduzida dimensão. Em 199 páginas temos uma história bem contada, que não deambula em descrições supérfluas como é normal em tantos romances dos dias de hoje. Outro aspecto que gostei foi que a história é contada da perspectiva de Griet. E Griet é, sem sombra de dúvida, um dos personagens que mais gostei de ler. É uma adolescente muito recatada e introvertida, que reprime as suas emoções de uma forma quase dolorosa. As situações são muito bem descritas, quase conseguimos ver as cores dos quadros de Veermer. Acho que não houve uma única parte do livro que fosse lamechas e é no entanto emocionante. Acho que é um livro que pode ser lido em qualquer idade, desde a jovem rapariga como Griet até à mulher mais velha como Maria Thins. Muito bom! 
Expectativa e estado de espírito: Tomei conhecimento deste livro após ter visto o filme e quando surgiu a oportunidade de o comprar por um euro na Colecção Biblioteca Sábado, não hesitei. Veermer é um dos pintores mais interessantes e ler este livro é um vislumbre para a vida daquela época, daquela sociedade em que ele viveu, tal como são os seus quadros. Após a leitura de um livro “pesado”, este “Rapariga do Brinco de Pérola” foi exactamente o tipo de livro que eu precisava e gosto de ler: uma perspectiva feminina sobre a sociedade em que vive, o íntimo doméstico, o dia-a-dia de uma família. 
Pontos positivos: A excelente caracterização e construção dos personagens, o enquadramento histórico, o tema. 
Pontos negativos: Nenhum, excepto que soube a pouco e fiquei com vontade de ler mais. 
Fez-me reflectir sobre: Idolatria, criatividade, o quanto são raros os momentos de felicidade plena na nossa vida.

A Conspiração dos Antepassados

Resumo: A história começa com Fernando Pessoa, que atravessa um momento mais fragilizante da sua vida. Incapaz de lidar / aceitar a morte da sua mãe, procura uma forma de comunicar com esta. Após uma sessão espírita aparentemente sem resultados reais, Fernando Pessoa emerge no mundo da magia e oculto, levando-o a entrar em contacto com a obra de Alestey Crowley, o mago britânico. Sem segundas intenções, Pessoa envia a Crowley uma carta a corrigir-lhe o horóscopo e é este primeiro contacto que catalisa o encontro entre ambos em Lisboa. Alestey Crowley é um mago britânico que, no momento em que entra na narrativa, também está a atravessar um momento menos bom. Através de um conhecido, chega-lhes às mãos um livro em que descreve como se cria um homúnculo e o seu fascínio pelo culto Sebastianista desperta. Quando recebe a carta de Pessoa percebe-a como um sinal e dirige-se a Lisboa para descobrir mais. Ambos seguem as pistas mas rapidamente descobrem que estão a ser vigiados por um determinado grupo de indivíduos que os querem afastar da sua investigação. Crowley percebe onde está D. Sebastião e através de um ritual de Magia feita na Boca do Inferno, teletransporta-se para Daath, onde lhe é dito que D. Sebastião está perdido para sempre. Quando regressa à Terra, percebe que apenas passara meia-hora e resgata Fernando Pessoa que entretanto tinha sido raptado por um dos membros da organização dos Trezentos. Apesar de salvar Pessoa e regressarem sãos e salvos às suas vidas, não conseguem derrubar os Trezentos, que são uma organização poderosa que deseja controlar o mundo. 

Crítica: Foram várias as razões pelas as quais não gostei deste livro. Vou começar pela mais óbvia e, para mim, a mais dolorosa: o vocabulário. Tratando-se de um livro que aborda uma imensidão de termos esotéricos e do oculto, dei por mim a ler três e quatro vezes o mesmo parágrafo e a pensar: “Mas o que é isto?” E isto aconteceu em quase todas as partes em que a história foca o mago inglês. Fez-me sentir tão perdida e tão ignorante que desisti de tentar entender, limitei-me a tentar terminar o livro. Se eu hoje relesse a Conspiração, saltaria toda a parte que foca o Alestey Crowley, directamente para a parte em que este recebe o Livro de Ollanda das mãos do amigo. Alestey Crowley é, sem dúvida, um dos personagens mais nojentos que já tive o “desprazer” de ler. Isso remete-me a outro ponto: Que eu não sou o público-alvo deste livro. De modo algum. Apesar de gostar de ver terror, começo a perceber que ler terror é para mim um fastio, difícil de ultrapassar. Acho que vou demorar anos a apagar da minha mente o Alestey Crowley a provar as próprias fezes. Gostei da interpretação que David Soares fez de Fernando Pessoa, com toda a sua fragilidade e solidão auto-impostas, mas é lamentável que se perca tantas páginas em diálogos do oculto e esotérico (ou seja, todos aqueles parágrafos que não percebi do que falavam) quando depois, todos os momentos em que Fernando Pessoa e Crowley estão juntos, são realmente interessantes e empolgantes. A dinâmica do duo foi sem dúvida o ponto alto do livro, em que foi fácil acompanhar-lhes o raciocínio e foi aí que senti que a trama avançava com ritmo. Por fim, gostei imenso da organização dos Trezentos, encabeçados pelas experiências falhadas de Ollanda. O facto de serem híbridos entre humanos e insectos, e a forma como surgem na história, é surpreendente, empolgante e muito original. Fiquei a salivar por mais, assim como pelo mundo de Daath.  

Expectativa e estado de espírito: Não vou mentir que tinha expectativas muito altas para este livro. Primeiro porque há poucos ou nenhuns escritores a fazer o que David Soares faz: a pegar na mitologia e história portuguesa e a escrever sobre ela, de uma forma ficcional. Segundo, porque Fernando Pessoa é um dos meus escritores favoritos de sempre, e a oportunidade de lê-lo como personagem de uma história, era única. Mas ao longo da leitura, toda a boa vontade que existia no início foi desaparecendo aos poucos e foram muitas, muitas vezes que quase abandonei o livro. No final do livro o autor disponibiliza notas explicativas que ajudam bastante à compreensão do que se leu e o porquê de ter optado por tocar determinados momentos da vida dos personagens. No entanto, não deixo de sentir isso como insuficiente, porque acho que a narrativa deveria explicar-se por si só, o que não aconteceu. 

Pontos Positivos: Os líderes dos Trezentos, as descrições de Lisboa, Pessoa e Crowley como dupla de investigação. 

Pontos Negativos: O vocabulário demasiado rebuscado, cenas muito longas que não contribuem para a narrativa. 

Fez-me reflectir sobre: Conspirações, luto, sonhos.

O Prazer da Noite

Resumo: Amanda Deveraux acredita seriamente que foi adoptada. É contabilista e a única da sua família que não está ligada ao esóterico ou paranormal. Até a sua irmã gémea tem como hobby caçar vampiros. Numa noite em que decide fazer um favor à irmã, cai numa emboscada e acaba por acordar algemada a Kyrian que é, nada mais nada menos, que um vampiro. Mas o desejo de o abandonar vai diminuindo a cada hora que passa com ele e apesar do perigo que é apaixonar-se por um Predador da Noite, resistir-lhe é ainda mais doloroso. Após muitas peripécias e perigo de morte, Kyrian recupera a sua alma com a ajuda da Amanda e esta descobre que, afina, ela própria não é assim tão normal.

Crítica: Sherrilyn Kenyon segue neste livro a mesma fórmula que utilizou no "Amante de Sonho". Um herói trágico, com milhares de anos, preso a uma "maldição", que encontra a sua salvação através de o amor de uma mulher. Mas esta autora vai um pouco mais além do que um simples romance com componentes paranormais. Este "Prazer da Noite" dá início a uma saga, dos "Predadores da Noite", que assenta numa mitologia própria, elaborada e bastante incomum. Sim, Kyrian é um vampiro, mas porque os Predadores da Noite ao tornarem-se num entregam a sua alma a Artémis, a deusa da lua. Logo, apanhar Sol está fora de questão. Outras características também são explicadas tendo como base a mitologia grega. Foi também bom ver que ela interligou a história com os anteriores protagonistas, Julian e Grace, do "Amante de Sonho"; assim como introduz um conjunto de novos personagens que serão protagonistas nos livros seguintes da saga.

Expectativa e estado de espírito: Eu esperava o que encontrei: uma história leve e divertida, mas com momentos de grande tensão que nos impede de pousar o livro, mesmo quando o sono o exige. Este, tal como o anterior, é um livro com momentos cheios de passagens sensuais bastante explícitas, o que o torna uma excelente escolha para livro de cabeceira.

Pontos positivos: Divertido, com imensas referências à cultura pop actual. Uma excelente e elaborada mitologia. Personagens muito atraentes.

Pontos negativos: Algumas cenas descritas "à pressa" em que, quando me apercebia, já a cena tinha terminado, principalmente as de luta. Fraca explicação sobre as características dos vilões ou das suas intenções. Pobre na criação de momentos de tensão.

Fez-me reflectir sobre: Nada! Um dos melhores livros para "escapar" possíveis.

Duas irmãs, Um rei

Resumo: A história começa com a chegada de Ana Bolena à corte de Henrique VIII depois de ter vivido na corte francesa. Maria, a sua irmã mais nova, com apenas 14 anos, aguarda a chegada da sua irmã e rival, com um misto de saudade e de ansiedade. Apesar de já estar casada, Maria é alvo da atenção do rei e rapidamente a família faz o que é necessário para que essa atenção se mantenha e tenha proveitos. Ela passa a ser amante do rei mas Maria está encantada: o rei é um ídolo e ela, a sua fã apaixonada. Ela engravida dele 2 vezes. Primeiro uma menina, a quem dá o nome de Catarina, em homenagem à rainha, e depois um rapaz, Henrique, como o seu pai. Mas, após o nascimento do Henrique, rapidamente percebe que Ana já tinha capturado a atenção do rei durante o período que tinha estado em repouso. Para a sua família é indiferente que seja Ana ou Maria, desde que continuem a ter uma posição forte na hierarquia, mas Ana é ambiciosa e sabe que pode ir mais além do que apenas amante do Rei. Aproveitando-se da sua fraqueza em não conseguir ter um filho varão legítimo, Ana continua a seduzir o rei incitando-o a divorciar-se da rainha Catarina. O divórcio arrasta-se durante anos mas finalmente concretiza-se e Henrique VIII casa com Ana Bolena e esta é coroada rainha. Após Ana ter uma filha, Isabel, Henrique começa a perder o interesse e a paciência com Ana. Rapidamente outra rapariga da corte, em tudo o oposto de Ana, captura o olho do rei. Ana sofre abortos atrás de abortos e começam a surgir suspeitas de bruxaria assim como incesto entre ela e o seu irmão Jorge. E é por estes crimes que ambos acabam por perder a cabeça. Maria, que no início tinha sido o centro de toda a história e atenção, passa para mera espectadora destes eventos e acaba por encontrar o amor e a felicidade onde menos espera.

Crítica: Foi a primeira ficção histórica que li desde há muito tempo e adorei-o. Primeiro porque me deu a conhecer uma personagem que desconhecia: Maria Bolena. Depois, como o relacionamento entre estas e Jorge (o terceiro Bolena) estão intimamente interligados entre si e à história que se desenvolve. Ana e Maria Bolena são o Ying e Yang desta história. 

Maria, a mais nova, é doce, meiga, maternal e encarna todos os elementos ternurentos e delicados de ser mulher. Já Ana é cheia de vivacidade, destemida, ambiciosa, inteligente e divertida. Juntas seriam a mulher perfeita mas os atributos de ambas chocam entre si em vez de se compensarem. E, é nesta simbiose, sempre com a presença e apoio de Jorge, que a história dos 3 Bolena se desenvolve. Desengane-se quem pensa que 640 páginas é muito. A história está muito bem contada e desenvolvida e permite-nos a nós, leitor, crescer e amadurecer com a Maria, a nossa narradora.  Henrique VIII é a razão da ascensão e queda das irmãs Bolena. Não houve um único momento em que conseguisse gostar dele. É o exemplo de puro egoísmo, ele vive e alimenta-se dos impulsos e dos elogios. Não entendo porque é que ele é tão fascinante, já que não o consigo ver sequer como uma figura romântica. Mas todas as figuras secundárias, todos os elementos da corte, os pais e o tio, todos eles compõem a imagem do que foi a corte de Henrique VIII e a sua época. Vale a pena ser lido, sem dúvida. 

Expectativa e estado de espírito: Estava muito curiosa com este livro, pois quem me emprestou leu já quase todos os livros da autora, de quem é fã. O tema e o ter sido adaptado para filme eram indicadores suficientes que estava perante um bom livro e foi isso mesmo o que encontrei. Foi uma boa altura para o ler, considerando que é uma altura “morna” do ano, ajudando a escapar à rotina do dia-a-dia. 

Pontos Positivos: A escrita simples e fluida. A construção do livro e o excelente desenvolvimento das personagens e das cenas.
Pontos Negativos: Volume do livro, um sacrifício para transportar.

Fez-me reflectir sobre: A posição inferior das mulheres, mesmo nas classes mais elevadas, onde eram trocadas pela ambição. Ambição a que preço?! Filhos e filhas. Gravidezes e abortos.

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