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Resumo: Lloyd Simcoe e Theo Procopides estão prestes a dar início a uma das experiências mais importantes das suas vidas: descobrir o Bosão de Higgs. No entanto, algo de completamente diferente acontece. Eles e toda a humanidade têm um vislumbre do seu próprio futuro, dali a 20 anos. Quando acordam o mundo encontra-se no caos: acidentes aéreos e viários aconteceram, muitos morreram e todos estão confusos com a visão que tiveram. Acima de tudo, Theo está confuso com a visão que não teve. É então criado um sistema de partilha de visões, para confirmar a veracidade das mesmas e Theo depressa descobre que será assassinado dali a 20 anos no futuro. Conseguirá ele alterar o seu futuro ou este é imutável e impossível de alterar?
Expectativa: Alta, sabia que o enredo se passava no CERN e que tinha uma abordagem mais científica que a série de TV. Estava preparada para um livro pouco interessante a nível de escrita mas acabou por me surpreender pela positiva.
Opinião: Se pudesses ter um vislumbre do teu futuro, estarias pronto para essa experiência? Quais seriam as repercussões que esse vislumbre teria no teu presente? É o futuro tão imutável como o passado? Estas são algumas das questões com que os personagens deste livro se debatem após o Flashforward. Com o doseamento certo de acção, introspeção, explicações científicas e algum romance, Flashforward foi um livro que me manteve constantemente interessada. O enredo começa com o acidente no CERN e todas as suas consequências imediatas e vai desenvolvendo, de uma forma clara e sem atropelos para os dramas pessoais de cada um dos personagens. Como estes são quase todos cientistas do CERN, permite a introdução natural das atuais teorias da física quântica que se debruçam sobre o funcionamento do universo e das viagens no tempo. Assim, qualquer leitor leigo sobre o tema pode aprender o que é o “Gato de Schrödinger”, o “Cubo de Minkowski”, o “Bosão de Higgs” entre outras teorias. Interessante foi encontrar que o próprio CERN tem uma
página dedicada ao livro onde indica a ciência por detrás do livro e alguma informação sobre o trabalho que está a ser desenvolvido no complexo. Aconselho o vídeo que está nessa página.
Confesso que, dos diversos dramas pessoais apresentados, aquele com que mais me identifiquei foi o do Dimitri, irmão do Theo. A perspectiva de um futuro imutável e da não realização dos sonhos pessoais é algo que se apresenta como devastador e de uma vida não vivida.
Também achei interessante o paralelismo entre o capítulo final do Flashforward e do capítulo final da
Máquina do Tempo. Em ambos há um “salto” para um futuro longínquo em que se questiona a sobrevivência ou evolução da raça humana. Achei genial (embora não concorde) a conclusão do Robert J. Sawyer que a existência do universo se deve à existência de um Observador, como no caso do “gato de Schrödinger”, e que esse Observador somos nós, humanidade.
Por fim, um dos factos mais interessantes do livro: foi escrito em 1999 mas a trama decorre em 2009. O autor acertou no nome do Papa Bento XVI, ainda antes deste ter sido nomeado em 2005 (é o bispo nomeado que escolhe o seu próprio nome de Papa).
Este é um livro dirigido a todos aqueles leitores que gostam de ficção-científica, da especulação e do debate mas satisfaz igualmente um leitor que gosta de ação.
Pontos positivos: A forma doseada como a ciência, a acção, o drama e a reflexão existem no livro. A forma original como o tema foi tratado (um avanço apenas da consciência e não do corpo).
Pontos negativos: Os personagens principais são pouco interessantes nos seus dramas pessoais.
Estado de espírito: Muito bom, motivada com a leitura. Gostei muito e satisfez-me em pleno, pois gosto muito do tema (viagens no tempo) e toda a ciência da física quântica.
Fez-me refletir sobre: Se estaria preparada a ver o meu futuro, se conseguiria viver se este me desiludisse.