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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

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Livros e o Ano Europeu do Voluntariado

Este é o Ano Europeu do Voluntariado e confesso que sou a pior das pessoas porque não me lembro de ter feito algum, activamente e por iniciativa própria. Gostava de fazer algum que estivesse relacionado com livros ou leitura ou algo do género mas como ainda não me surgiu nada, vou deixando andar.

 

No entanto, há uns 5 anos atrás, quando ainda trabalhava na APP, ajudei a promover e a realizar uma acção de voluntariado a nível nacional. Chamava-se "Um livro para Maputo" e foi uma acção conjunta entre APP, a SPA e as Misericórdias. A ideia tinha partido do José Fanha e do Malangatana (ambos nomes desconhecidos para mim até àquele momento) de encherem a Biblioteca Nacional de Maputo com livros, porque estava pobre e por isso não era visitada.

 

O papel da APP foi simples: divulgámos através dos nossos sócios e contactos o projecto: cada aluno escolhia 1 livro para enviar para Maputo. Houve escolas que responderam à letra: fizeram actividades de turma, os meninos escolheram uma história que gostavam e redigiram cartas que acompanhavam os livros. Outras escolas recolheram livros usados, muitos deles em muito mau estado, e "livraram-se" deles.

Eu, que estava do lado "logístico" por assim dizer, recebi caixotes e caixotes intermináveis de livros, que fomos empilhando na associação, até chegar o momento de voarem para Moçambique. Veio uma carrinha da Misericórdia, recolheu os caixotes e lá foram eles.

 

Passado algum tempo vieram as primeiras notícias: aparentemente os livros dormiram uns tempos no aeroporto à espera de serem levantados. Esperámos talvez meses até termos notícias que os mesmos tinham chegado à Biblioteca. Foram recebidos com pompa e circunstância: o poeta e pintor Malangatana tinha ficado de fazer a divulgação e reuniram os alunos das escolas para receberem os donativos, naquele dia. Abriram os caixotes e leram as cartas dos meninos de Portugal.

 

Ficámos felizes. Mesmo depois de ter reclamado tanto com os malditos caixotes fiquei satisfeita por ter sido um elo naquela corrente de ajuda.

 

Como agradecimento, o pintor moçambicano, falecido este ano, escreveu uma carta, à mão, dirigida à APP e à SPA. Tenho pena de não encontrar a mesma digitalizada em lado nenhum mas sei que está emoldurada na sede da APP. Não me lembro de tudo o que ela dizia mas lembro-me do arrepio que senti enquanto a lia e de compreender porque é que ele era considerado um artista tão especial.

Dizia algo do género que "ler um livro era como encontrar uma luz", depois remetia para pirilampos e algures na carta dizia que aqueles livros eram pirilampos que tinham ido iluminar a Biblioteca de Maputo. Uma imagem bem bonita que ficou para sempre marcada na minha memória.

 

Tristemente descobri que a biblioteca fechou no ano seguinte por falta de condições mas que já reabriu entretanto. Espero que muitos dos livros enviados há 5 anos ainda estejam em boas condições e que venham a iluminar muitas mentes em Moçambique.

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