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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

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Historial da compra da casa - O início da aventura.

Desde o momento em que confidenciei em voz alta a duas amigas minhas que ia comprar casa este ano até ao ponto que me encontro agora, passaram 7 meses. Tenho que confessar que até foi mais simples do que pensava, mas a nível emocional é uma autêntica montanha-russa.  Agora, olhando o trajecto até ao momento acho que, o mais difícil, é dar o primeiro passo: ir ver casas.

Fim do ano de 2009: Confidenciei a duas amigas minhas que ia começar a ver casas. Como mulher solteira sinto-me (mesmo com o apoio da minha família) numa situação fragilizada. Vivemos ainda numa sociedade em que só se sai de casa para se casar. Contornar essa "esquina" e aceitar-se que esta é a vida que tenho foi um grande passo para mim.

4 de Maio de 2010: Fui ver a primeira casa. O mediador imobiliário já tinha bebido uns copitos e levava uma colega com ela. Era um T1 com muito bom aspecto e uma boa área. A cozinha não parecia tão má como nas fotos e era um apartamento pronto a habitar. O preço era muito acessível. Havia um senão... era um último piso e os tectos estavam pintados de fresco. Sob o meu olhar e o da minha mãe, aquilo cheirava a esturro. Revimos o apartamento com mais calma, espreitámos o telhado e mantendo-se a incerteza, decidi não avançar com a compra. Quanto aos vendedores, pareciam pessoas acessíveis (ele conhecia um dos meus chefes, com ela já tinha falado ao telefone por questões profissionais). Vi, com essa agência, mais duas casas: um T2 na minha rua e um T1 "no prédio mais nobre da cidade" (citando o vendedor).

O T2 foi talvez uma das experiências mais estranhas de toda esta viagem. O vendedor era filho dos proprietários e tinha a casa toda a ser remodelada. O vendedor: "Vou terminar as obras apenas quando tiver a garantia que há comprador para a casa. Já fui enganado: comecei a remodelação a pedido de um comprador mas depois o negócio não se concretizou. Decidi parar com a obra até haver comprador. A casa de banho será assim e a cozinha será assim com os armários que já existiam." O preço era exorbitante para o imóvel que era, restando pouco dinheiro para que EU fizesse as obras a meu gosto. Achei aquilo tudo de uma arrogância e ambição vergonhosas. Há idiotas que pensam que ainda podem por e dispor do dinheiro dos outros. Enfim...

O T1 "no prédio mais nobre da cidade" era um buraco. Um buraco com marquise e vista sobre a cidade mas, mesmo assim, um buraco. Eu, o meu irmão, a minha mãe e o vendedor dávamos voltas dentro do apartamento qual ratos de gaiola. Sentiamo-nos sufocados ali dentro e só queríamos sair dali. Acho que foi aí que tive o primeiro ponto baixo desta jornada: É apenas buracos como este que eu consigo pagar? É para isto que estou destinada? Eu não estou desesperada para sair de casa mas, e se for apenas isto que eu consigo pagar? Fiquei desconsolada.

Disse ao vendedor que queria parar de ver casas e pensar um bocado e continuei as minhas pesquisas na internet. A verdade é que o portofolio deles tinha pouco a oferecer e depois de ter visto o T1 senti-me um pouco desanimada em continuar a procurar casas apenas com eles. Afinal, não tinha assinado nenhum contrato de exclusividade que me impedisse de ver outras casas de outras mediadoras. E assim fiz.

15 de Maio de 2010: Descobri, também aqui no meu bairro um T2 com um ar simpático. Marquei a visita, com outra agência imobiliária, e adorei a casa. Tinha uma série de características impressionáveis e uns quantos senãos (obras) que achei que seriam possíveis de resolver com o tempo. Mas o preço era, sem dúvida, acima do que eu poderia pagar. Para ter a casa tinha de vender o carro.  Para manter o carro teria que ter um fiador para a casa, coisa que eu não quero. Uma vez mais, senti-me terrivelmente sozinha para tomar esta decisão. Era tão injusto mas aceitei que, aquele era o meu limite e que não podia me enganar a mim própria e fingir que posso viver acima das minhas possibilidades. A minha primeira reacção foi decidir não comprar aquela casa. Disse-o à vendedora mas ela deu-me a volta e fez-me ver que um carro é um carro, desvaloriza e dá despesa, mas uma casa é uma casa. E achei que ela até tinha razão.

26 de Maio de 2010: E pronto, pensei e remoei e decidi avançar com o pedido de empréstimo ao banco para comprar a casa. O "não" estava garantido. Ia tentar o talvez. E esse talvez passou por um novo stress: tinha um contra-relógio para vender o meu carro. Comprei o carro novo e ele vale o que vale mas também tenho uma dívida para liquidar. Por outro lado os vendedores automóveis têm que zelar pelo seu negócio e claro que me ofereciam valores abaixo do valor do carro. Dias e dias a visitar os stands da zona e nenhuma oferta satisfatória e o espectro de perder a casa pendia sobre mim. Porque é que tem de ser assim tão penoso?!

31 de Maio de 2010: Da mil e uma papelada que tive de entregar à mediadora da agência, para ser entregues no banco, tive também que apresentar prova de como estava efectiva na empresa onde trabalho. Enquanto uns chefes me parabenizaram pelo passo que estava a dar, a chefe deu mais um golpe no meu já danificado orgulho. Tenho sorte de a minha mãe me ter ensinado a ser bem educada e a morder a língua.

16 de Junho de 2010: A minha conta foi aberta quando fui para a universidade, na cidade onde estudei, e nunca tinha sido desde então alterada para a minha zona de residência. Afinal, o banco é todo o mesmo, que diferença faz? Aparentemente toda. E para o processo entrar e ser aprovado no balcão onde resido tive de proceder à transferência das contas. Resultado: Uma hora no banco a assinar papéis, credo...

18 de Junho de 2010: As más notícias vieram e não foram do lado do banco. A casa tinha sido penhorada e já não a podia comprar mesmo que vendesse o carro e o banco aprovasse o crédito. Por incrível que pareça, senti-me aliviada. A pressão vender-carro-obras-na-casa estava a dar cabo dos meus nervos e ainda não tinha assinado um único papel. Não me estava mesmo destinada!

26 de Junho de 2010: De regresso à caça, woohoo!! Programa de caça: um T1 e um T2 ambos aqui no bairro. Sim, eu só andava a procurar aqui no bairro e pouco mais, não só por conhecer a zona mas também pelos bons acessos. E bons acessos é essencial para mim. Se vou ser uma mulher sem carro tenho que ter boas alternativas.

O T1 era um rés-do-chão minúsculo, todo renovado, num prédio antigo. Defeitos: rés-do-chão! Grandes probabilidades de me roubarem a roupa ou de me entrarem em casa por uma janela. O prédio cheirava mal e a casa era mesmo minúscula para o preço que pediam.

O T2 era mau... mesmo mau e caro. Sabem, estilo "não vê obras há vinte anos", mal localizado, cheio de humidades, num prédio que cheira mal e com lambrim?! Lambrim é a morte para mim.

... Mas foi a 3ª casa, aquela que eu não estava minimamente interessada em ver que me conquistou o coração. A vendedora disse-me o bairro e eu "não estou interessada", disse-me que era um 3º andar sem elevador e eu "ui, mesmo nada interessada", disse-me que não perdia nada em vê-la e nisso eu concordei. E descobri que, apesar de ser um prédio antigo, cheirava bem, era um 3º andar sem elevador mas com arrecadações por cima, e que não tinha nenhum alerta de infiltrações mesmo não sendo pintada há anos. Sim precisa de uma cozinha nova mas de resto está habitável e o preço, foi ouro sobre azul! É um T3 ao mesmo preço que o T1 que vi nessa manhã e não é um bairro que tenha que me desviar de balas quando estou a chegar a casa à noite.

7 de Julho de 2010: Notícias do banco: a avaliação foi pouco acima do valor a que vou compra-la. Stressei! Os bancos estão a avaliar horrivelmente abaixo do que era normal e eu preciso de mais dinheiro do que apenas para fazer a escritura. Preciso de fazer as obras na cozinha.

16 de Julho de 2010: Chamaram-me para ir assinar os papéis de seguro da casa. No balcão o empréstimo estava aprovado na totalidade (yay!) mas faltam as cartas do banco a confirmar isso mesmo. Se assim for, sou uma verdadeira sortuda pois banco nenhum está a emprestar 100%. Mais capítulos virão, stresses e afins, mas estou feliz por ter chegado até aqui. A vontade de vender o carro mantém-se, mesmo já não sendo necessário.

Até aqui já aprendi algumas boas lições: Vivemos acima das nossas possibilidades e podemos sempre procurar melhor para encontrar algo à nossa medida.