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O Prestígio

por Telma Teixeira, em 15.12.12

Lamentavelmente este resumo contém spoilers

Resumo: "O Prestígio" é uma história contada a quatro vozes, em duas épocas diferentes. Andrew Westley, Kate Angier, Alfred Borden, e Rupert Angier são os quatro narradores de uma história sobre a rivalidade entre dois ilusionistas do século XIX. Esta rivalidade entre Alfred Borden e Rupert Angier nasce quase por acaso e rapidamente passa do desejo de um em desmascarar o outro para uma vingança e ambição desmedidas de parte a parte. A obsessão de Rupert Angier em descobrir o segredo de Alfred Borden era tão grande que este acabou por recorrer a Nicholas Tesla para lhe criar uma engenhoca que criasse o mesmo efeito de ilusão que  o truque a que Borden chamava de "O Novo Homem Transportado".
Levados aos limites, ambos destroem as suas vidas pessoais e profissionais e, anos mais tarde, a pequena Kate Angier assiste à morte de uma criança numa máquina estranha na cave de sua casa. Convencida que se trata do irmão gémeo de Andrew Westley, descendente de Alfred Borden, escreve-lhe e desvenda-lhe a história da família. Andrew não tem alternativa a não ser ficar naquele lugar sinistro durante a noite onde algo parece pedir-lhe para ficar desde o momento em que chegou e é então que se depara com uma revelação inesperada, resultado da rivalidade dos seus antepassados.

Expectativa:  Estava um pouco apreensiva. Conhecia e gostei imenso do filme que foi adaptado a partir deste livro e por isso receava não gostar.

Opinião: Tal como mencionei na expectativa, estava um pouco apreensiva relativamente a este livro, um receio que agora vejo ter sido infundado e tolo da minha parte e que me afastou durante muito tempo de uma boa história.
O melhor de "O Prestígio", na minha humilde opinião, é o seu formato epistolar. Por não ser contado de uma forma linear, mas sim através de relatos escritos em diário ou recordações, o que fica por dizer na perspectiva de um personagem só mais tarde é preenchido pelo relato de outro personagem. E, tal como num truque de magia, somos nós leitores que temos que preencher as lacunas sobre o que não nos é dito, sobre o que está por detrás da cortina.
Quando um mistério parece se desvendar, outro surge e todos eles estão relacionados com as vidas de Kate e Andrew, os descendentes dos ilusionistas rivais. O livro é por isso uma sucessão de acontecimentos e mistérios, quase como se o próprio livro fosse um espectáculo de ilusionismo. É engraçado, eu detesto ilusionismo, é uma arte que me aborrece de morte, no entanto no contexto histórico em que a história acontece compreende-se porque é que o ilusionismo era a arte admirável e surpreendente que era, assim como o circo, por exemplo. Este "O Prestígio" fez diminuir um pouco a minha aversão em pegar em livros sobre artes circenses.
E depois Christopher Priest faz algo que eu penso que é formidável: de certa forma, logo ao início, conseguiu implantar-me a ideia que algo de muito errado iria acontecer no fim do livro e senti que toda a história era um crescendo para uma revelação final, como num truque de magia. Não houve por isso um momento do livro que eu achasse particularmente chato porque estive sempre cativada em descobrir algum mistério em particular. E claro que no fim todo o ilusionista apresenta o seu melhor truque.
Quanto aos personagens, apesar de não ter tido favoritos, foram todos suficientemente interessantes, cada um à sua maneira. É um romance dominado pelos personagens masculinos, em que mulheres e amantes são apenas satélites nas vidas destes homens. Até Kate Angier é mais uma personagem secundária que serve apenas para ajudar a contar a história de Andrew, apesar de ela ter sido a faísca que dá início à acção.
"O Prestígio" é por isso excelente livro de crime, mistério, fantástico, histórico e algum (mas muito pouco) terror, bem contado e que, além de inteligente, entretém.
A adaptação foi feita ao cinema pela mão de Christopher Nolan, em 2006, tendo como protagonistas Hugh Jackman (Robert Angier) e Christian Bale (Alfred Borden). O filme é um pouco diferente do livro o que eu acho que é óptimo porque assim nenhum estraga a experiência do outro. Os finais de ambos (livro e filme) são arrepiantes e agrada-me que sejam diferentes.

Estado de espírito: Boa, com uma rotina estável mas sem desejo de ler coisas tristes.

Pontos Positivos: O formato diário, epistolar do livro, a narrativa na primeira pessoa acaba por aumentar o suspense, por dar um ponto de vista mais pessoal à história contada. A revelação final está à altura do suspense que criou ao longo do livro.

Pontos Negativos: Não lhe encontrei nenhuns pontos negativos.

Fez-me refletir sobre: Para se contar bem uma história tem que ser bem  preparada, assim como um truque de magia.

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publicado às 21:14


5 comentários

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De Elphaba J. a 15.12.2012 às 21:19

Excelente opinião. Queria/quero bastante ler este livro e foi bom encontrar o teu comentário para reavivar o meu desejo.

Boas leituras.
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De André Nóbrega a 15.12.2012 às 22:08

Pronto, quero mesmo ler o livro do Christopher Priest. Aquela tua comparação do desenvolvimento do enredo com a preparação e revelação do truque de magia deixou-me mesmo interessado. E claro, se os finais do livro e do filme diferem, tanto melhor!
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De Telma Teixeira a 16.12.2012 às 12:33

Obrigada Elphaba! :)
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De Telma Teixeira a 16.12.2012 às 12:41

Sim, acho que foi propositado e muito bem feito por parte do autor. Se vires os vídeos dos argumentistas do filme, eles falam um pouco sobre o livro e a sua estrutura e percebe-se o fascínio que esta exerce sobre que o lê e gosta deste tipo de narrativa.
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De Cláudia a 18.12.2012 às 21:25

Olá! Deixei-te um selo aqui http://umabibliotecaemconstrucao.blogspot.pt/2012/12/selo-campanha-de-incentivo-leitura.html

=)*

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