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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

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O Monte dos Vendavais

Resumo: A história de o Monte dos Vendavais afecta duas gerações. Na primeira, Catherine e Hindley são crianças quando o pai deles, Mr. Earnshaw regressa a casa após uma viagem de 3 dias com um rapazinho órfão, escuro como um cigano, que encontrou deambulando sozinho. O rapaz chama-se Heathcliff e fica no Monte dos Vendavais para ser educado de forma igual aos seus filhos. Mas após a morte deste, Hindley toma conta do monte e relega Heathcliff para criado da casa. Catherine percebe que não terá um futuro confortável se ficar com Heathcliff e decide aceitar o pedido de casamento de Edgar Linton, um dos herdeiros da Granja. Ao ouvir esta decisão confessada por Catherine a Nelly, a criada do Monte, Heathcliff decide partir e só regressa 3 anos depois, rico e sedento de vingança. Decide seduzir a irmã de Edgar, Elizabeth, que já se tinha enamorado por ele entretanto. Elizabeth, Catherine e Edgar têm então uma briga terrível, levando Catherine a cair numa depressão após de 3 dias trancada no quarto sem comer. Elizabeth foge com Heathcliff e casam e Edgar corta relações com a irmã. Catherine está grávida e recupera lentamente mas, quando Heathcliff sabe, meses depois que esta não está bem, pede a Nelly para se encontrar com ela. A intensidade do encontro entre ambos é devastador para ambos: Catherine dá à luz horas depois, uma menina, e morre. Algumas horas após o funeral Elizabeth foge do Monte dos Vendavais, levando no ventre o fruto da sua infeliz união a Heathcliff.
Treze anos passam. Cathy, a filha de Catherine e Edgar cresce feliz na Granja junto a seu pai e a Nelly. Elizabeth e Edgar reconciliam-se quando esta lhe escreve que está prestes a morrer e deixar o seu filho Linton órfão. Linton vai buscá-lo mas a lei não lhe permite a adopção dado que o pai Heathcliff ainda está vivo. O rapaz é levado para o monte dos vendavais para viver junto do pai, de Heraton Earnshaw, o filho de Hindley que morreu após uma vida de abuso de álcool, e do empregados. Heathcliff aproveita-se da inocência de Catherine, para levá-la a casar com Linton e assim ficar com toda a fortuna que pertenceu aos Earnshaw e aos Linton. Quando isso finalmente acontece e a sua vingança é terminada, Heathcliff morre.

Crítica: Há tanto para falar deste livro que é difícil escolher sobre o que não falar.
É sem dúvida um livro com uma prosa de elevada qualidade, já tão difícil de encontrar. Achei inacreditável a imaginação e criatividade demonstrada para elaborar algo tão denso de acções e sentimentos. Penso que na altura não deveria ser difícil considerando o número mínimo de distracções existentes. As discussões são páginas e páginas de gritaria, levando os personagens quase ao limite do razoável. São todos egoístas e manipuladores. Acho que de todos só gostei do Hareton, porque conseguiu sublimar-se. Este não é um livro de heróis mas sim um livro de vilões.
A forma como a história é contada levanta muitas questões: é nos contada por Lockwood, que sabe grande parte da história contada por Nelly (ou Ellen) que por sua vez conta os diálogos e os conteúdos dos bilhetes e conversas dos outros. Dei por mim a pensar inúmeras vezes que estupenda memória a Nelly tinha, especialmente ao relembrar as discussões de forma tão detalhada.
Um dos elementos que mais gostei foi do estilo Romântico ou Gótico da história. Toda a paisagem agreste, fria e constantemente fustigada de temporais, chuva vento. A descrição de Heathcliff por ter desenterrado a Cathy e que queria ser enterrado ao seu lado para sentir o rosto frio encostado ao seu, foi uma das descrições que me arrepiou até aos ossinhos. Recordou-me um daqueles poemas do Bocage sobre tormentos e noites escuras. Em muitos pontos os personagens referem a morte como libertação ou salvação.
Mas o que me fez mais gostar do livro foi a quantidade de perguntas que levanta: De que raça era o Heathcliff? Como é que ele enriqueceu? Será que ele era na verdade filho de Mr. Earnshaw e não apenas um órfão que encontrou?
Gostei também imenso do paralelismo entre Heathcliff e Heraton: a ambos foram retiradas a esperança de evoluirem socialmente mas Heraton opta por não se tornar mau embora tenha sido educado para o ser. A diferença de classes, principalmente através da educação, é um tema que surge constantemente. E é interessante como Heraton é descrito: apesar de brutamontes tem um “ar” superior, como se ser de uma classe superior fosse algo genético. Talvez por isso é que Heraton se salva e Heathcliff não.

Expectativa e estado de espírito: É sem dúvida um livro difícil de ler porque em momento nenhum transmite sentimentos de felicidade ou esperança. Comecei a lê-lo na Primavera e tive de parar porque parecia fora de contexto. Foi uma boa opção tê-lo lido agora. Já conhecia a história da sua adaptação de 1992 mas devo confessar que nada me tinha preparado para o que li. É uma leitura muito intensa emocionalmente, com discussões de páginas e páginas em que todos sentem tudo tão ardentemente que por vezes pura e simplesmente não tinha paciência. Sei que se tivesse lido este livro aos 16 ou 17 anos teria feito toda a diferença, para mim. Mas não li, apenas agora e talvez por isso não me tenha deixado impressionar tanto com os amores arrebatadores das personagens.

Pontos positivos: Nesta edição que comprei tenho que elogiar a tradução, estava excelente. A criatividade da autora. A complexidade emocional dos personagens.

Pontos negativos: Nenhum a apontar.
 

Fez-me reflectir sobre: O desejo de manipular os outros. A vingança. A sensação de não ser suficientemente amado.

Links interessantes: The reading guide to Emily Jane Brontë "Wuthering Heights"

Título Original: Wuthering Heights

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