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Organizar não tem a receita perfeita

por Telma Teixeira, em 14.05.15

Passei parte da minha semana de férias, agora no início de maio, em arrumações. As chamadas "limpezas de primavera". Como em tudo o que faço, passei algum tempo a divagar sobre como as limpezas seriam feitas, sobre a metodologia, sobre o quanto a casa ficaria perfeita e maravilhosa após limpezas e, de repente, já era quarta-feira. E fomos passear. Claro que me sobrou apenas 5ª e 6ª feira para arrumar realmente a casa.

No meio do caos em que a minha cabeça estava, a curiosidade pelo livro "Arrume a sua casa, arrume a sua vida", da japonesa Marie Kondo aumentava. Comprei o livro e devorei os capítulos que mais me interessava num só dia.

 A autora cunhou o seu método de organizar de Método Konmari que nada mais é do que destralhar ao máximo e viver com o mínimo essencial. Nada de extraordinário ou diferente do que eu já conhecia em blogs e livros sobre vida minimalista. As pessoas vêem-se rodeadas de objectos com pouca e nenhuma utilidade e sentem-se presas pela decisão de terem gasto dinheiro nelas, de valerem algum dinheiro, de terem sido prendas ou herdadas. Estão fartas, abrem as revistas e pensam: porque é que a minha casa não é assim? Olham em redor e a casa que têm não corresponde à casa que idealizaram.

O que é diferente no método proposto pela Marie Kondo é ela defender que nunca mais será necessário arrumar mais nada de novo. Yep, nunca mais! E é neste ponto que fico um pouco céptica. Mas já lá chego.

O livro tem de facto ideias muito boas e, tal como o método GTD, oferece uma forma de reestruturar ideias e pensamentos sobre o que é arrumação e organização. Sim porque eu acredito que a forma como arrumamos as nossas coisas é algo que vem de dentro, não de fora.

Aborda por exemplo o facto de ninguém aprender a arrumar. Apenas se assume que se sabe arrumar (ou que se é arrumado), nunca considerando que pode ser algo que se tem que aprender. Isto fez todo o sentido para mim. Eu considero-me uma pessoa arrumada que detesta fazer a cama (algo que tira a minha mãe do sério). Mas, desde a mudança, que me sentia um pouco à deriva com os meus objectos pessoais. Como é que, passando do espaço de um quarto para 4 assoalhadas, as coisas estavam menos arrumadas que antes? Culpei a falta de estantes mas, como explicar que um roupeiro de dois metros e uma cómoda SÓ PARA MIM não me estavam a satisfazer? Como explicar que os papéis, para os quais tinha inúmeros dossiês, micas, separadores e cadernos, continuavam sem uma ordem lógica, funcional e simples? O livro respondeu e ajudou bastante pois ensina como destralhar os nossos objectos e guardá-los. A cómoda ficou arrumadinha, o roupeiro com espaço suficiente para mais roupa e os papéis arrumados de uma forma simples e fácil de consultar. Mais do que isso: aprendi a arrumar considerando o espaço que agora tenho e os deveres e obrigações que agora vivo. É preciso aprender arrumar consoante o espaço mas também conforme a nossa vida!

Outra ideia que me parecia óbvia na minha cabeça mas que a Marie Kondo explica muito bem no seu livro é a arrumação por categorias. Arrumar itens conforme o trabalho, viagem, festas. Por exemplo: praia. Arrumar o biquini, a toalha, as túnicas ou outra roupa que leva para a praia tudo no mesmo lugar. Excelente ideia.

Mas o melhor é mesmo ler o livro e descobrir estas e outras ideias que não menciono aqui.

Há também algumas ideias menos boas, ou mesmo loucas, como por exemplo, acariciar e agradecer às meias, enquanto as dobramos, por terem andado nos nossos pés um dia e inteiro. Ou dizer olá à casa quando se entra. Ou esvaziar a mala todos os dias. (Por acaso, sempre que esvazio a mala e a fotografo, é como se fizesse um reset, pois sou obrigada a confrontar os objectos inúteis que ainda transporto comigo). Para mim é simplesmente impensável reduzir a minha estante a 30 livros ou pouco mais que isso.

Mas, regressando ao tópico que me deixa céptica. A autora defende que este acto de arrumação deve ser grande e feito de uma só vez. Que a ideia de que se deve arrumar um pouco todos os dias não é válida pois passaremos a vida a arrumar. Deve ser feito de uma vez para despoletar o tal reset nas nossas mentes e começar a sentir a diferença imediatamente. Parece-me muito válido e as minhas limpezas de primavera foram, em grande parte isso mesmo: o reset anual de expurgar o velho e arrumar o útil e necessário. O que eu não acredito é que seja algo com efeitos permanentes ou que não necessite de voltar a ser feito novamente. Um bom exemplo disso são os chamados "hoarders" ou "acumuladores": Pessoas que têm tanta coisa em casa ao ponto de não se conseguirem movimentar lá dentro ou mesmo dormir nas próprias camas. Para quem acompanhava o "Hoarders - Buried Alive" do TLC percebia-se que, ao limparem a casa do excesso de coisas inúteis não estavam a ajudar a pessoa e o problema que originava a acumulação excessiva. De certa forma acho até que a Marie Kondo sofre do mesmo problema obsessivo-compulsivo que os acumuladores, mas na sua vertente oposta: a de deitar fora, em vez de acumular.

Seja como for, arrumar e desarrumar são dois opostos que se complementam. Ambos são processos dinâmicos da nossa vida. Compramos, sujamos, desarrumamos, desmanchamos, guardamos coisas que depois terão de ser doadas, vendidas, limpas, arrumadas e agrupadas novamente. Esperar que uma mega limpeza/arrumação sirva PARA SEMPRE é utópico, na minha opinião. O melhor de tudo é aprender a arrumar, seja com a ajuda das nossas mães e pais, ou de livros, ou até mesmo vídeos no youtube.

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publicado às 15:48


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