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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

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Grandes autores: de Julian Barnes a Lecticia Wierzchowski

Grandes autores

 

O Sentido do Fim, de Julian Barnes // 3 estrelas

Tinha grandes expectativas para um livro que comprei apenas pela capa e pelo título.

Talvez, o ter sido vencedor do Man Booker Prize em 2011, fosse a razão pela qual eu me tinha convencido que este seria um livro pequeno mas deslumbrante. Pequeno sim mas longe de deslumbrante.

O fim dá sentido às reacções de outras personagens e aos acontecimentos mas, a revelação no final fica tão aquém do surpreendente que pergunto-me o porquê de ter sido o vencedor de um prémio tão prestigiado.

 

O Amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez // 3 estrelas

Talvez a minha grande desilusão do ano.

Sendo o Cem anos de solidão o meu livro favorito e, querendo marcar a morte deste grande autor com a leitura de um dos seus livros, este O Amor nos Tempos de Cólera revelou-se uma leitura sofrível, que se arrastou por vários meses, por vezes deixando-me a pensar porque é que continuava a lê-lo.

Não gostar do protagonista é, para mim, meio caminho andado para desistir do mesmo e, Florentino Ariza é, provavelmente, um dos mais errados e desinteressantes heróis românticos que já li. Talvez na cabeça de Márquez, a ideia de um indivíduo feio e mulherengo com alma de poeta e perfil de stalker fosse glamorosa o suficiente para daí escrever um livro em que o amor vence, mesmo quando a mulher passa mais de 50 anos a dizer que não. Na minha cabeça não é não, não é amor.

Além disso, a característica que mais gosto da sua escrita, o realismo mágico, pouco ou nada surgiu. Ficam como pontos positivos a sua escrita maravilhosa e um retrato interessante das caraíbas do virar do século XX.

 

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell // 4 estrelas

"Big Brother is watching you" é a expressão que me vem à cabeça sempre que vejo câmaras de vigilância ou sempre que surge um novo debate sobre a perda de privacidade nos dias que correm.

Publicado em 1949, Mil Novecentos e Noventa e Quatro é o livro que dá origem a esta expressão e já estava há muito na minha lista "para ler". É considerado como um dos grandes livros do Séc. XX e ainda hoje (talvez mais do que nunca) actual e é daqueles livros que, por isso mesmo, me intimidam como leitora.

Gostei muito do livro, do conjunto de ideias apresentado (políticas, sociais), gostei de todo o conceito distópico e foi sem dúvida um livro que me deu muito para pensar. No entanto todo o ambiente sufocante e soturno, a prosa monótona e o meu pouco interesse no destino final das personagens, fez com que este livro acabasse por não ser um favorito meu.

 

A casa das sete mulheres, de Lecticia Wierzchowski  // 4 estrelas

Uma das leituras preferidas dos últimos tempos.

Foi-me altamente recomendado por várias pessoas, entre elas a Cat_Sadiablo que foi uma querida por me ter emprestado a sua muito valiosa e muito rara cópia do livro.

Conhecia (e amava) a história e as personagens pela série de TV que afinal, foi criada a partir deste livro. No entanto, enquanto que na série de tv foquei mais a minha atenção nos amores e sofrimentos de cada uma das sete mulheres da casa, no livro também pude usufruir de um pouco de História, nomeadamente o que foi a Revolução Farropilha, que levou à desanexação do estado do Rio Grande do Sul do resto do império do Brasil. Afinal o romance entre Manuela (a minha personagem favorita da série e a narradora de partes desta história) e Garibaldi existiu mesmo e esta ainda é hoje conhecida na zona onde viveu como a "Noiva de Garibaldi".

Além do excelente desenvolvimento da parte histórica que o livro apresenta, outro facto que o torna extraordinário é a linguagem. A mistura de termos portugueses com castelhanos poderia ter dificultado a leitura do mesmo. No entanto, Lecticia Wierzchowski é exímia na forma como o faz, nunca sendo uma leitura de difícil compreensão e ajudando até a entrar no universo que este livro retrata.

Outro ponto a favor é o retrato e o foco nas personagens femininas durante uma época tão turbolenta como é a de um cenário de guerra.

É um livro que recomendo (apesar de ser impossível de encontrar em Portugal) principalmente para quem gosta de ficção histórica e pretende ler algo não anglo-saxónico.

Remodelações, de novo

Após uma pausa de vários meses, devido a mudanças de casa e alterações de rotina, sinto-me novamente com vontade de falar dos livros que ando a ler. 

No entanto, para não me sentir esmagada pela tarefa de escrever opiniões para cada um dos livros que li, decidi o seguinte:

- Escrever opiniões individuais e mais prolongadas dos livros a que atribuo 5 estrelas.

- Todos os outros irei agrupar por temas e escrever opiniões mais breves para cada um: Grandes autores, Fantasia, Distopia e FC, Livros de Romance, Livros de Não Ficção, Livros de Culinária.

 

Penso que assim será menos pesado para mim que tenho de escrever e mais imediato para quem estiver a ler.

Dreamfever, de Karen Marie Moning

Dreamfever

Autor // Karen Marie Moning

Série // Fever (#4 de 5)

Editora // Dell Publishing

Estante // Fantasia Urbana

Período de leitura // de 25 de Novembro a 3 de Dezembro de 2013

Formato // Ebook

Língua // Inglês

Classificação // 5 estrelas

 

Opinião // Gosto muito de livros narrados na primeira pessoa e, talvez por isso, tenha ficado fã desta série desde o primeiro livro. A narrativa contada por Mac, vai a cada livro, assumindo contornos mais dark, a voz dela vai mudando, amadurece e nós com ela.

Apesar do que outros fãs me diziam, Dreamfever conseguiu manter e elevar o meu gosto por esta saga. A cena final do livro anterior foi um ponto de viragem, sem dúvida, o qual não me desmotivou de todo em continuar. Dreamfever é o mais rebuscado dos 4 livros que li até ao momento mas não me demoveu de continuar (e terminar) a sua leitura. No último terço do livro dei por mim o tempo todo a pensar: "Mas que raio estou eu a ler?" E depois termina noutro cliffhanger. Yupii, not!

Porque gosto tanto destes livros? É difícil explicar. Um misto de heroísmo com o desejo terrível em descobrir o que vai acontecer a seguir. É ver alguém cair vezes sem conta e voltar a erguer-se cada vez mais fortes. É serem tão básicos na escrita e, simultaneamente, tão envolventes. É o serem tão criativos e surpreendentes. É conseguirem apagar o mundo que me rodeia. Dreamfever conseguiu isso e por isso encheu as minhas medidas de leitora.

  

Nomes dos personagens // McKayla Lane, Jericho Barrons, V'Lane, Dany O’Malley

Nomes dos lugares // Dublin

Conteúdo sexual // É descrita uma cena de violação mas de forma pouco explícita. As cenas de sexo são igualmente intensas mas pouco explícitas.

Violência física // Sim

Violência psicológica // Sim

Pontos positivos // Gosto de tudo nesta série, tudo.

Pontos negativos // Talvez a parte final do livro que ficou um pouco confusa.

Fez-me reflectir sobre // Labirintos e más decisões.

Ler para outrém

Normalmente leio para mim. De boca fechada a sós com a voz na minha cabeça. A compreensão da história passa pela empatia que estabeleço com o autor que a conta, pelo meu estado de espírito, maturidade e outros factores afins.

Mas estou neste momento a viver uma experiência um pouco diferente: estou a ler e a recontar o que estou a ler a outra pessoa, que por sua vez não gosta de ler. Apesar de ainda ter feito algumas tentativas para que lesse este livro também, a resposta foi absoluta: "Não não. Tu lês e contas-me mais rapidamente a história do que eu alguma vez a tentar lê-lo sozinho." Ele não gosta de ler e isso não me choca. Mãe, pai, irmão e metade dos meus amigos simplesmente não lêem.

No entanto ele gosta de histórias e, quando me perguntou: "O que estás a ler?", ao que respondi "Um livro sobre duas irmãs cuja única alternativa após o suicídio da mãe é integrarem um grupo de colonialistas de um novo planeta, cuja nave acaba por ser atingida por asteróides enquanto hibernavam e acabam por ir parar a um planeta desconhecido." ele disse: "Isso parece muito interessante. Não queres ler e ir-me contanto um pouco todos os dias?"

E assim tem sido. Cada pedacinho que leio das 1277 páginas que constituem o "The Last Hour of Gann" são por mim reinterpretadas e recontadas em voz alta, tal como antigamente as pessoas contavam as histórias aos filhos e amigos, porque não havia livros ou televisão.

Não foi tarefa que tomei de ânimo leve pois a ideia parecia-me quase blasfema. Um livro é para ser lido! Recontá-lo é estar a privar a pessoa de viver a experiência, de entrar naquele mundo, ouvir aquelas palavras. Uma coisa é resumir um livro e escrever uma opinião mas recontá-lo?! Blasfémia.

Mas, o que fazer quando a pessoa não quer ler mas quer saber a história? Quer ver o filme mas não ler o livro? É justo forçar alguém a ler? É justo privar alguém de uma história só porque não gosta de ler?

A experiência tem sido enriquecedora e positiva. Não só passamos algum tempo a falar de algo que não é propriamente sobre nós e a vida real, como me obriga a ter cuidado com a forma com o que conto. Também ao ler, além do meu entusiasmo natural com a leitura, sinto-me responsável e obrigo-me a manter focada nas partes que mais tarde irei recontar.

A história que ele ouve tem a minha voz, é o "The Last Hour of Gann" recontada por mim. É a minha visão sobre o que li. Não é igual ao livro, mas entretém.

Então: Porque somos tão duros quando os filmes e séries não são iguais ao livro? Se puderem oferecer algum entretenimento a alguém, que de outra forma não teria acesso à história, porque não? E, o acto de recontar, como era nos tempos dos nossos avós, não deveria voltar a ser visto com algum respeito?