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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

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Aviso sobre os próximos artigos deste blog

Ando um bocado obcecada com a cozinha.

Quero falar sobre isso mas não quero tornar este em mais um blogue de culinária. Este é um espaço onde falo sobre a aventura de comprar casa e morar sozinha. E cozinhar sozinha. E para mim. E para o namorado de vez em quando.

Eu cozinhei diariamente quando era estudante, com as minhas colegas de casa. Era diferente. Sinto que estou a reaprender a cozinhar.

Eu estou em dieta, logo, a reaprender a comer. E tenho um orçamento apertado. Estou por isso um bocado no limbo sobre o que posso ou não comer, do que posso comprar e, acima de tudo, do que consigo ou não cozinhar. E pronto, quero falar sobre isso. Não quero que, os poucos que frequentam este espaço se sintam enfadados com os posts de comida mas neste momento preciso mesmo de falar sobre isso.

E de receber dicas. :)

O que é que os últimos 30 livros dizem de mim?

Vai um desafio?

Estava a olhar para estante de livros lidos, no Goodreads, e a pensar: "Hum, o que será que pensariam de mim se vissem os últimos 30 livros que li?" e então, boa ideia ou não, decidi fazer um screenshot e partilhar convosco. O objectivo é saber a vossa opinião sobre mim como leitora, baseada apenas nestas últimas leituras. Um pouco semelhante como julgar um desconhecido pela roupa, percebem? Claro que, para quem assiste ao "Só Ler Não Basta" sabe o que me motivou a ler alguns destes livros.

Comentem e se quiserem também fazer este desafio no vosso blog, fiquem à vontade. Só vos peço que deixem na caixa dos comentários o link para o vosso desafio, para que eu possa espreitar e comentar também.

 

Que tipo de leitora sou eu?

Primeiros meses

Vinte e nove de Maio de 2014. Duzentas semanas (46 meses) depois da escritura da casa dormi a primeira noite na minha casa. Sozinha.

Sentimento dominante? Medo e dor.

 

Acho que, de tudo o que li e falei com outras pessoas, ninguém me disse que aqueles primeiros dias podiam (também ser) de medo e arrependimento. Eu nunca tinha adormecido sozinha numa casa antes. Como lidar com todos os pequenos ruídos desconhecidos? Como pode o corpo realmente repousar quando oiço os meus vizinhos a conversar até à 1h da manhã, alguém que chama nomes à namorada na rua às 4.30h ou a caixa multibanco que de vez em quando diz alto e bom som: "Retire o seu dinheiro!"?

E o colchão? OMD, porque não dei eu ouvidos a quem me disse com todas as letras "Não compres um colchão IKEA, é arrependimento na certa!"? Porque não o comprei eu pouco antes de me mudar para a casa, em vez de 5 meses antes, quando já não o podia trocar?

Porque é que o frigorífico faz aquele barulho, será que está a trabalhar bem? Não posso fazer máquinas de roupa à noite, o ruído é ensurdecedor. Porque é que os meus vizinhos não se deitam mais cedo? Porque é que as pessoas deixam os cães na varanda? É suposto o termoacumulador fazer barulho quando aquece a água? A cama range. O melhor seria trocar a fechadura da porta, outra vez. Deveria comprar um extintor?

 

Duas semanas.

 

Depois morri de exaustão. O cérebro limitou-se a desligar porque o corpo não aguentava mais. Voltei ao meu sonífero de eleição: os livros. Página e meia e apagava. Deixei de me preocupar com coisas que não adiantava nada em me preocupar com elas. Que tivesse uma divisão cheia de coisas não arrumadas. Se não tenho estantes, como posso arrumar os meus livros? Que se lixe que não tenho cortinados, só tenho que me relembrar de não voltar a ir apanhar roupa em trajes menores. Não tenho quadros pendurados ou paredes de outra cor que não o branco. Mas tenho dinheiro na conta e como chegar até ao fim do mês. O colchão e a cama ficaram. O primeiro porque o corpo cedeu, o segundo porque montei-a de novo. Sozinha.

 

Tenho o mínimo. O mínimo para viver sem me sentir miserável. O mínimo para viver os meus dias satisfeita. Sim, arrependo-me de algumas compras mas agora tenho de viver com elas.

 

E não é mau de todo. A casa que eu imaginei remodelar é diferente da casa que tenho hoje. Sei que está incompleta mas, mesmo assim, não é a casa que eu queria. Se o lamento? Não. Acho que as casas de quase todos nós são assim: pedaços aleatórios que podem ou não encaixar harmoniosamente num espaço. Sinto-me bem, principalmente quando me estico no sofá e não tenciono em me mexer mais até ir para a cama.


Há coisas que ainda não estão no sítio e isso também altera a minha dinâmica. Por exemplo, ter o computador na outra ponta da casa leva a que eu não passe tantas horas nele, ao serão.

 

Agora a cabeça ocupa-se com o jantar, a roupa, o chão limpo. Em fazer (ou não) todas essas coisas. E isso é bom. Gosto.

Já tenho menos medo. Só ainda não tenho é coragem de publicar fotos.

 

Nota: Uma das coisas que me lembrei enquanto falava com a AnaD foi que, apesar das coisas novas (cama, roupeiro, sofá e outros móveis) que tanto me custaram a adquirir, foi só quando meti as minhas coisas na casa, os meus objectos pessoais, os meus chinelos de sempre, que me senti realmente em casa.