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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Começar com as mudanças... oh boy!

Desde Fevereiro que não faço um post decente sobre o que já acrescentei à casa. O sentido de "diário" parece desvirtuado quando não há uma actualização constante mas a verdade é que desde Janeiro que entrei em modo "comprar, comprar, comprar" e todo o tempo livre tem sido direccionado para cumprir o meu objectivo: mudar-me este ano. Então, resumidamente, o que já comprei desde Janeiro:

  • Cozinha, forno, placa de indução e exaustor
    • Trem de cozinha, loiça e outros utensílios
  • Estores cozinha
  • Electrodomésticos: Frigorífico e máquina de lavar roupa
  • Resguardo duche
  • Cama
    • Roupa de cama
  • Roupeiro

Falta-me neste momento:

  • Termoacumulador - Fui ver o preço este fim-de-semana e pedi orçamento de montagem.
  • Porta nova - Já tenho orçamento, só tenho de dar o ok.
  • Internet - fornecedores comparados mas sem uma decisão final tomada.

Tirei esta semana de férias para começar as arrumações e parte das mudanças. A ideia é levar tudo aquilo que não uso no momento (roupa e objectos) e levar já para a minha casa. Arrumar o que já tenho revelou-se um grande desafio. É incrível a capacidade que temos de acumular "porcaria" ou, dito de outra forma, objectos desnecessários. Dito isto, o artigo que li há tempos no "A Vida Organizada" vai ser uma grande ajuda. Por estar um pouco confuso para mim remodelei-o um pouco para ser mais fácil de compreender. Assim, o que fica e o que vai é triado desta maneira:

 

Não vai se:

  • … nunca foi usado.
  • … vou comprar o artigo semelhante para a casa nova.
  • … comprei para a casa nova mas, de alguma maneira, não gosto do que vejo.
  • … já nem lembrava que existia.
  • … acho que vale a pena vender.
  • … acho que outra pessoa poderia aproveitar melhor.
  • … já usei muito mas não pretendo utilizar novamente.
  • … não vale a caixa que o empacota.
  • … já não me serve ou já não é o meu estilo.
  • …foi um presente mas para o qual não tenho destino.
  • … está estragado e não merece ser remendado.

Vai se:

  • Amo o objecto e tem valor sentimental para mim.
  • Utilizo o objecto diariamente, semanalmente ou pelo menos me lembro da última vez em que o usei.
  • Sorrio quando o vejo.

A listagem do que é para ir parece muito pequena mas há muita coisa que cabe ali.

 

Fazer esta mudança, mesmo que de um modo suave como estou a fazer, é uma luta contra a procrastinação. Tem sido muito complicado para mim aceitar o facto de que vou viver sozinha. Sim, eu quero o meu canto, a minha paz e sossego. Decidir o que comer e como deixo as janelas abertas ou em que dias lavo a minha roupa. Só que a perspectiva de decidir tudo sozinha, não ter alguém com quem partilhar estas "dores" é simplesmente angustiante. Toda a gente me diz que não mas são os mesmos "toda a gente" que não teve que dar tal passo sozinhos. Comprar, remodelar e decorar uma casa sozinhos. É extenuante e por vezes simplesmente desanimador. No entanto, esta é a minha vida e tenho que vivê-la o melhor que sei.

Dia Mundial do Livro

Lembram-se daquele vídeo "Dear 16 year old me"? Lembrei-me, para festejar este dia mundial do livro, de escrever uma carta à minha "eu leitora" com 16 anos. Este foi o resultado:

 

"Querida Eu,

Tens 16 anos e por esta altura já deves ter lido os Maias. Sentes-te um bocadinho orgulhosa por teres sido uma das poucas pessoas da turma a ler o livro. E gostaste! Quanto ao "Eurico, o Presbítero" posso te garantir que vais lê-lo um dia, por mais que jures que não. E vais gostar! Vais ver.

Eu lembro-me que os livros que mais gostaste de ler até ao momento foi a "Saga dos Filhos da Terra". Tu ainda não sabes mas esses livros vão moldar as tuas leituras nos próximos anos. Vais de certa forma procurar uma Ayla em cada livro que lês, que é uma mulher inteligente e corajosa e, ao mesmo tempo, frágil e apaixonada. Vais desejar ter um Jondalar na tua vida, mesmo que percebas daqui a uns anos o quanto ele é péssimo como herói romântico.

Peço-te, não cedas ao impulso de comprar um livro só porque uma pessoa te diz que é muito bom. Espera que dez pessoas digam que é bom e, mesmo assim, interroga-as sobre o que é que gostaram no livro. O que elas gostam pode não ser necessariamente o que tu gostas.

Não tenhas vergonha de dizer que gostas de ler romances da Harlequin, mesmo que gozem contigo. Snobes literários vais sempre encontrar em todo o lado e os romances românticos, sejam da Harlequin ou outros, preenchem-te como leitora, fazem-te feliz. E ler deve te fazer feliz, acima de todas as outras razões. Esses mesmos snobes vão ser as pessoas que te vão recomendar ler Paulo Coelho e se fosse a ti evitava lê-lo. Eu sei que o vais ler mas acredita: não vais aprender nada com ele.

Vai haver momentos em que não vais ler nada. Não lamentes esses momentos, são fases e passam.

Vai haver alturas em que não vais saber o que comprar e comprar qualquer coisa. Outras em que vais ter demasiado para ler e sentires isso como um desafio.

Comprar um livro e só lê-lo 2 anos depois pode significar que já nem te lembres porque é que o compraste, ou por outro lado, que estás a arranjar coragem para o ler.

Evita gastar demasiado dinheiro em livros. Ainda hoje estou a tentar seguir esse conselho.

Livros grandes não são necessariamente bons livros.

Mia Couto é um homem. E é branco. E não tem sotaque africano. 

Nem sempre vais entender o que lês. Não significa que não sejas suficientemente inteligente para o perceber mas apenas que esse não era o livro para ti.

Não fiques frustrada com o Saramago. Aceita o facto dele ganhar o Nobel e lê o que te apetecer.

Não te sintas esquisita por seres a única pessoa da família e amigos que gosta de ler. Vais conhecer pessoas maravilhosas que gostam tanto de ler como tu e vais passar imenso tempo ao computador a falar com elas sobre livros. Sim, ao computador. Eu sei que é estranho porque só agora é que aprendeste a mexer num mas acredita, vais ficar melhor a mexer neles.

Até posso te dizer que vais ler livros numa espécie de computador portátil, mas pequeno e fininho, que imita o papel.

Não vais trabalhar com livros mas, de certa forma, vais perceber que isso é uma bênção, porque terás toda a liberdade para leres o que quiseres, quando quiseres.

Ainda não leste o "Entrevista com o Vampiro" porque tens medo que o livro não esteja à altura do filme. Não te preocupes, livros com vampiros é algo que vai haver em abundância.

O teu livro favorito vai te ser oferecido e nem te vais aperceber o quanto ele vai ser especial para ti até ao momento em que não o queres terminar. Não, não te vou dizer qual é. Ainda não tive coragem para o reler. Gosto de me lembrar dele como uma boa memória.

Aliás, os melhores livros vão te chegar a ti das formas mais estranhas: compra impulsiva, prenda, troca de livros. Por mais que tentes perceber o livro que vais ler antes de o começar, este irá sempre te surpreender.

Não faz mal desistires de um livro. A vida é demasiado curta e há muito por onde escolher.

Acima de tudo, não deixes de viver a tua vida para ler. O mundo está cheio de coisas maravilhosas e a vida é para ser vivida, os livros são apenas para os tempos livres.

 

Beijinhos,

T."

Recordar-te-ei com o coração.

Não é todos os dias que choro a morte de um estranho. Mas também não é todos os dias que perco alguém que me é tão importante como leitora, pois devolveu-me ao mundo da leitura.

Houve um momento da minha vida em que sentia-me um pouco alienada do mundo, dos amigos, da família. Então veio o Natal e uma pessoa que trabalhava ocasionalmente com a nossa Associação ofereceu-nos livros. A mim calhou-me o Cem Anos de Solidão. Como eu não tinha nada para ler, comecei-o imediatamente.

Se me perguntarem do que me recordo de Macondo ou dos Buendia a resposta é "pouco, quase nada" mas lembro-me de me sentir maravilhada. De levar o livro comigo para a mesa da cozinha e esquecer-me que estava a comer. De estar deitada na cama horas seguidas a ler e não querer terminar. Da tristeza de o ter terminado, do sentimento de bênção por o ter lido. De pensar: "Nunca mais vou ler nada assim". E, desde então, todas as lombadas que tenho dobrado têm sido para encontrar o substituto para esse livro, o meu número um. Este blog foi, em parte, consequência dessa leitura.

Devo a Gabriel Garcia Marquéz ter reaprendido a ler: passei de ler porcarias de auto-ajuda para me aventurar a ler mais ficção. Como dizia no Twitter: "Foi como reaprender a amar." Fez-me acreditar que ainda havia coisas boas a serem lidas, que poderia haver outro como o "Cem Anos de Solidão". Que podia ser o Gabo a escrevê-lo.

É por isso que eu agora choro: com a sua morte, morre essa hipótese. Morre a hipótese mas não o génio. Esse prosseguirá na sua obra, tocando tantos outros como eu. Enchendo corações com a melodia da sua prosa e o colorido dos seus personagens.

Gabriel Garcia Marquéz disse:

Recordar es fácil para el que tiene memoria. Olvidar es difícil para quien tiene corazón.

 

Não serás esquecido, Gabo. Não serás.

TimeRiders: O dia do Predador, de Alex Scarrow

Autor // Alex Scarrow
Série // TimeRiders (#2 de 9)
Editora // Civilização Editora
Estante // Viagem no Tempo
Período de leitura // de 2 a 11 de Outubro de 2013
Formato // Papel
Língua // Portuguesa
Classificação // 4 estrelas: Gostei muito.

 

Opinião // Após ter ficado maravilhada com o primeiro livro desta série, comecei o segundo com algumas reticências, nomeadamente quanto ao "tempo" que iria ser visitado. É que eu detesto dinossauros. Detesto. E a sinopse dizia-me que que era para lá que Liam ia viajar desta vez. Mesmo assim o primeiro livro tinha sido cativante o suficiente para desejar continuar a ler as aventuras de Liam, Maddy, Sal e a sua Unidade de Apoio.

Alex Scarrow estratificou o enredo de forma a ser algo mais do que "miúdos a fugir de dinossauros", alternando o sofrimento de Liam e Becks (a Unidade de Apoio é menina desta vez), com o de Maddy e Sal. Mas, melhor que tudo, foi termos um ponto de vista do vilão, o dinossauro-chefe.
Acabou por ser uma aventura bestial, com muitos momentos de acção mas também um livro mais maduro, tanto em termos de escrita como de desenvolvimento de personagens. Liam começa a sentir as primeiras pontadas da adolescência mas, simultaneamente os efeitos que as viagens no tempo têm nele. Maddy sente-se culpada pelo que aconteceu a Liam e sente o peso da responsabilidade.
O livro tem um cliffhanger magnífico mas do qual eu já desconfiava. No entanto vai ser interessante perceber como é que vai ser explicado.
Acho que Alex Scarrow consegue a mistura perfeita entre história e aventura e só lamento que a Civilização Editora tenha parado com a publicação desta série. Continuarei a ler as aventuras destes miúdos, a partir de agora, em inglês.

 

Obrigada Slayra por esta prenda de aniversário, gostei muito.

 

Nomes dos personagens // Liam, Maddy, Sal, Foster, Becks, Edward Chan
Nomes dos lugares // Nova Iorque 2001, Texas (futuro), Texas (Cretáceo).
Violência física // Sim, alguma mas pouca.
Violência psicológica // Não.
Mensagem // Amizade, união, confiança.
Pontos positivos //  A aventura, a explicação história, os personagens.
Pontos negativos //  Nenhum, foi uma excelente leitura.
Fez-me reflectir sobre // Que por vezes, tudo o que temos é a nossa inteligência e a confiança noutrém.