Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Nem o termoacumulador

 


Termoacumulador

 


 


 


Eu lembro-me bem deste dia: no Leroy Merlin, com as obras na minha casa prestes a começar e parecia que ia ter dinheiro para tudo. Até para o termoacumulador.


É 2013 e ainda não o comprei. Tudo o que tenho é isto: a referência do que quero.


Já faltou mais (mas parece que ainda falta tanto).

Só Ler Não Basta - Ep. #4.1 - "Leituras Abril 2013"


Artigos Interessantes:
▪ Diana - Fantasy, Reading, and Escapism
▪ Carla - Amazon and Goodreads: One User's response e Goodreads and Amazon, or where do I keep my book info without having it stolen by market monopolisers?
▪ Telma - The Great Stephen King Reread: Carrie

Livros
Carla:
▪ O Jardim dos Segredos, da Kate Morton
▪ A Rainha Suprema, da Marion Zimmer Bradley
Telma:
▪ Gone Girl, da Gillian Flynn
▪ Beyond Shame, de Kit Rocha
▪ Sangue Impetuoso, de Charlaine Harris
Diana:
▪ An Offer From a Gentleman, da Julia Quinn

Para quem quiser juntar-se à discussão do Gone Girl (em português Em Parte Incerta, publicado pela Bertrand), ainda vai a tempo de começar a leitura e de se juntar à nossa discussão no nosso Grupo no Goodreads.

Sinopse portuguesa

Uma manhã de verão no Missouri. Nick e Amy celebram o 5º aniversário de casamento. Enquanto se fazem reservas e embrulham presentes, a bela Amy desaparece. E quando Nick começa a ler o diário da mulher, descobre coisas verdadeiramente inesperadas…

Com a pressão da polícia e dos media, Nick começa a desenrolar um rol de mentiras, falsidades e comportamentos pouco adequados. Ele está evasivo, é verdade, e amargo - mas será mesmo um assassino?
Entretanto, todos os casais da cidade já se perguntam, se conhecem de facto a pessoa que amam. Nick, apoiado pela gémea Margo, assegura que é inocente. A questão é que, se não foi ele, onde está a sua mulher? E o que estaria dentro daquela caixa de prata escondida atrás do armário de Amy?
Com uma escrita incisiva e a sua habitual perspicácia psicológica, Gillian Flynn dá vida a um thriller rápido e muito negro que confirma o seu estatuto de uma das melhores escritoras do género.

Rebecca, de Daphne du Maurier

 

Expectativa: Pouca ou nenhuma. Tinha lido muitos elogios à autora e escolhi o "Rebecca" por entre as várias obras delas para ler, ao calhas.
Estado de espírito: Um pouco incerta e a sentir-me muito reservada em relação às minhas leituras e sem vontade de partilhar com o mundo o que estava a ler. Introspectiva.
Opinião: Uma simples frase abre o romance, como se fosse o próprio portão de Manderley que se abrisse para o leitor:
"Last night I dreamt I went to Manderley again".
Foi difícil para mim compreender aquele primeiro capítulo inicial: todo ele a descrição de um sonho, a revisitação de um lugar, o porquê da impossibilidade dos personagens em lá voltarem, as saudades que dele tinham. É preciso ler todo o "Rebecca", até mesmo à última folha, para perceber o porquê. Uma coisa eu já tinha certeza antes ainda de o ter acabado: estava a ler um dos melhores livros que tinha lido até ao momento. A escrita de Daphne du Maurier é muito boa, envolvente, rica e facilita a visualização dos lugares e situações.
O livro é narrado por uma jovem que depressa se percebe que é insegura, jovem e algo inexperiente. É, no geral, uma pessoa inteligente mas introvertida que consegue cativar Max de Winter, que a pede em casamento. Todos os capítulos até à chegada a mansão após o casamento e lua-de-mel parecem como um enorme prelúdio: fala-se em Manderley, fala-se em Rebecca, na sua vida e morte, mas tudo parece ser algo distante e despreocupado.
O momento chave de entrada em Manderley acontece quando a jovem conhece Mrs Danvers:
"Someone advanced from the sea of faces, someone tall and gaunt, dressed in deep black, whose prominent cheek-bones and great, hollow eyes gave her a skull's face, parchment-white, set on a skeleton's frame. She came towards me, and I held out my hand, envying her for her dignity and her composure; but when she took my hand hers was limp and heavy, deathly cold, and it lay in mine like a lifeless thing. 'This is Mrs Danvers,' said Maxim, and she began to speak, still leaving that dead hand in mine, her hollow eyes never leaving my eyes, so that my own wavered and would not meet hers, and as they did so her hand moved in mine, the life returned to it, and I was aware of a sensation of discomfort and of shame."
O mais interessante é as reviravoltas inesperadas: a narrativa desenrola-se de uma forma algo devagar, serena, contemplativa e, subitamente, o inesperado acontece. Uma revelação, um evento e a história mudava subitamente de rumo, aquilo que parecia acontecer não acontecia, o improvável revelava-se. Até ao fim, até à última página.
Pessoalmente gostei muito mais dos personagens secundários do que dos principais: a jovem narradora com as suas inseguranças consegue ser extenuante (apesar de ser eficaz para a criação de suspense) e o Max de Winter consegue ser detestável durante 99,9% da história. Até da própria Rebecca gostei, personagem que apenas conhecemos através da memória dos outros. É no entanto a Mrs Danvers a figura mais enigmática e interessante de todo o livro, uma das vilãs que mais arrepios me provocou até hoje.
Quando terminei a leitura deste livro procurei saber um pouco mais sobre a escritora e foi interessante descobrir os eventos da vida real da escritora que a levaram a escrever "Rebecca". Toda a história ganhou uma nova dimensão perante os meus olhos: o porquê da narradora ser uma jovem ingénua e mais jovem que o marido, o fantasma da mulher anterior, as comparações na boca das pessoas. Quanto mais semanas passam depois de terminada a leitura de "Rebecca" mais percebo a sua complexidade e a quantidade de temas e sentimentos complexos abordados na obra. Este livro não é apenas um thriller ou um mistério para resolver: é um caminho para a maturidade, para a confiança e amor no casamento e para a descoberta de uma identidade própria e confiança em si mesmo.
Resumo: Uma jovem ingénua conhece um homem mais velho em Monte Carlo e após um breve período de namoro, casam e vai viver com ele para Manderley, a sua mansão. Lá é confrontada com o passado ainda muito recente da morte a primeira mulher de Max de Winter, Rebecca, que a governanta Mrs Danvers se esforça para manter a memória viva. Uma tragédia vai trazer de forma brusca e inesperada os segredos do passado à superfície, obrigando a revelações inesperadas e a um futuro incerto.
Pontos positivos: A construção detalhada da história e a forma inteligente como os dá reviravoltas e surpreende o leitor.
Pontos negativos: O Max de Winter está muito longe do meu conceito de homem romântico, ou minimamente interessante. Também a narradora não achei interessante.
Fez-me reflectir sobre: Amores impetuosos, primeiros amores, diferenças de idades, segundas oportunidades, obsessões.
Excerto / Citação:

Pág. 5 - Happiness is not a possession to be prized, it is quality of thought, a state of mind.
Pág. 35 - They are not brave, the days when we are twenty-one.
Pág. 201 - I thought how little we know about the feelings of old people.
Pág. 221 - Men are simpler than you imagine, my sweet child. But what goes on in the twisted tortuous minds of women would baffle anyone.
Pág. 302 - It doesn't make for sanity, does it, living with the devil.
Pág. 354 - It's funny, I thought, how the routine of life goes on, whatever happens, we do the same things, go through the little performance of eating, sleeping, washing. No crisis can break through the crust of habit.


Adaptação cinematográfica: "Rebecca", realizado por Alfred Hitchcock, acabou por ser o vencedor do Oscar de melhor filme em 1941. Para mim, o Lawrence Olivier conseguiu transformar o Max de Winter numa personagem interessante e charmosa e faz o filme todo.
Links interessantes: A Tale of Three Houses: Menabilly, Milton Hall and Manderley