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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

Leitura temática: "Leituras Confortáveis"

O tema de Fevereiro para o Só Ler Não Basta foi "Leituras Confortáveis" e, para me preparar para o episódio, acabei por dedicar a semana anterior a ler apenas livros que eu considero como as minhas leituras confortáveis: romances românticos. Normalmente são os livros que têm sempre uma fórmula que eu já conheço bem e que leio mais rapidamente. Constantemente os autores que se auto-publicam na Amazon colocam alguns dos seus trabalhos disponíveis de forma gratuita como forma de promoção do seu trabalho e assim eu acumulei algumas "borlas" que aproveitei para despachar nessa semana. Este é o resultado dessa leitura temática:

Secrets Exposed (Tall, Dark & Deadly #1), de Lisa Renee Jones

Deste eu desisti aos 18% na leitura.
Achei-o demasiado amador na escrita, a personagem feminina principal muito zangada e irritante e a leitura estava a ser, no geral, mais penosa que confortável.
Talvez um dia mais tarde eu volte a tentar e aí sim escreverei uma opinião completa sobre uma leitura completa.

Bride By Design, de Alicia Roberts

Quando adquiri o "Bride by Design" nem me apercebi que esta era apenas uma parte da história e que, para saber o resto, terei de comprar as outras duas partes: Manchala On The Mind e Manchala Nights.
O conceito é o do "contrato troca por troca": ele precisa de algo, ela também e, por isso, enfiam-se ambos num casamento de conveniência e numa intimidade forçada para conseguirem os seus objectivos.
A história é pobrezinha e nota-se bastante o amadorismo da autora: a personagem principal é blogger que quer ser decoradora e que poderá vir a sê-lo se casar com o milionário. (LOL, Patético, revela total desconhecimento de como funciona o mundo dos negócios e imobiliário!). A cena do avião é delirantemente má. De resto até foi suficientemente interessante, mas não o suficiente para desejar comprar os próximos dois.
Mesmo assim acho que a autora tem possibilidade para melhorar: revela que domina bem as fórmulas do romance romântico e erótico, só tem mesmo que ganhar um pouco mais de experiência de vida.

To Kiss You Again, de by Brandie Buckwine

Este conto ao início parecia um pouco estranho, nem percebia bem o que estava a ler mas depois percebi que o desvendar da identidade das personagens a pouco e pouco era propositada e até acabou por tornar o conto mais interessante.
A história acontece numa ilha grega onde alguns turistas têm residência há vários anos e por isso conhecem-se desde a adolescência. Jennifer e Matt conhecem-se no ferry e sentem-se atraídos um pelo outro mas depois desencontram-se ao chegar à ilha. Matt decide ficar e procura-a mas o reencontro vai lhe valer o choque da vida dele.
A história estava interessante, as reviravoltas que a história deu também foram interessantes mas acho que chegou a um ponto que foi angústia a mais para um conto só. Aquilo foi demasiada desgraça para justificar uma queca! E os diálogos foram todos muito mauzinhos. Boas ideias mas a escrita não é grande coisa.

Claimed, de Evangeline Anderson

Sobre este já escrevi uma opinião mais completa porque foi uma leitura que gostei bastante e talvez aquele que mais se encaixou no meu conceito de "leitura confortável". Posso dizer que fechei com "chave de ouro".

Claimed, de Evangeline Anderson

 

Série: Brides of the Kindred (#1 de 8)
Expectativa: Confesso que esta foi uma leitura de último recurso: tinha decidido fazer uma semana de "leituras confortáveis" e no meu caso isso significa romances românticos. Como tinha adquirido alguns ebooks grátis na Amazon decidi que era uma boa altura para despachar sem ressentimentos essas leituras.  O que aconteceu foi que dois ebooks revelaram-se muito curtos e o terceiro muito chato (acabei por desistir dele). Eu já tinha adquirido gratuitamente na Amazon o Claimed há algum tempo e pensei "Porque não?" mas a verdade é que a expectativa que eu tinha dele era mesmo muito baixa porque estava a ser promovido como livro erótico de sci-fi (??) de uma autora auto-publicada.
Estado de espírito: Bom, andava um pouco cansada com o trabalho e a precisar desanuviar um pouco. Comecei o "Claimed" no final da semana e não pensei que o fosse ler tão depressa mas acabou por se revelar uma excelente surpresa.
Opinião: Apesar do cenário sci-fi desta história, "Claimed" é o típico romance romântico da "noiva à força". Lembro-me de pensar, durante os primeiros capítulos, que era desnecessário todo aquele cenário sci-fi que a autora estava usar apenas para colorir a história. No entanto, a certa altura, "o cenário" passou a universo relativamente interessante e percebeu-se que a autora tinha organizado bem as suas ideias criando regras, mitologias, vilões e situações de perigo que vão além da esfera do relacionamento e confrontos do casal, e tornou "Claimed" um pouco mais do que apenas o relacionamento do casal protagonista.
O livro é muito bem-humorado: As várias situações caricatas desde a situação ridícula de ser forçada a casar com um alienígena, ao confronto com o estranho animal doméstico que Baird tem na suite na nave espacial, à descoberta dos vários tipos de "homens" Kindred e suas diferenças anatómicas, além dos confrontos de Olívia com aparelhos domésticos desconhecidos, evitaram que o livro se tornasse monótono, aborrecido ou desinteressante. A escritora domina bem a fórmula deste tipo de romance, mantendo o interesse do leitor e oferecendo-lhe pequenos "docinhos" ao longo da narrativa mas deixando-o sempre pendurado a pedir por algo mais. 
Baird é o típico macho-alfa com uma faceta de ursinho carinhoso, protector, em tamanho XXL e em formato alienígena e Olivia a típica "eu-sou-uma-mulher-moderna-e-sei-o-que-quero-por-isso-não-percebo-porque-estou-tão-confusa" que se vê a braços com uma atracção física inexplicável por Baird que a deixa perto da loucura. É por isso fácil gostar e odiar ambos pelas razões do costume: entrega total, teimosia, burrice, ternura, falta de diálogo...
Os personagens secundários são mais do que meros figurantes (Sylvian, Sophia, Kat, além da sacerdotisa e dos vilões) e percebe-se que alguns deles irão merecer destaque em histórias seguintes.
É engraçado que o livro a que eu mais tinha resistido ler acabou por ser o que mais se adequou às minhas leituras confortáveis que eu procurei nessa semana. Simples de ler, divertido, romântico e claro, excitante.
Resumo: Durante seis meses Olívia teve sonhos recorrentes com o mesmo homem, um homem que ela nunca conheceu. Apenas quando foi selecionada para ser noiva de um guerreiro Kindred é que ela percebeu que o "homem" dos seus sonhos é o alienígena que agora a reclama. Os Kindred são uma raça alienígena de guerreiros que protege a Terra e outros planetas, da força maléfica dos Scourge. Em troca dessa proteção, e por sofrerem de um mal genético que resulta em que 95% da sua descendência seja do sexo masculino, eles exigiram em retorno poderem acasalar com as fêmeas humanas. 
Quando Baird estava a ser torturado e mantido em cativeiro pelos Scourge, a sua mente entrou em sintonia com a de Olivia e foi assim que ele soube que ela era a única fêmea do Universo para ele. No entanto, os rituais de acasalamento entre humanos e Kindred não são semelhantes e Olivia tem de passar por um periodo de reivindicação, em que o guerreiro Kindred tem de conquistar a fêmea que escolheu e o qual dura 4 semanas humanas, com as seguintes regras:
A semana do Toque - o guerreiro Kindred pode tocar e agarrar a sua noiva.

A semana do Banho - o guerreiro e a noiva banham-se juntos e ele pode massajá-la com óleos perfumados e dar-lhe prazer.
A semana do Provar - o guerreiro está autorizado a dar prazer oral à sua noiva.
A semana da União - o sexo é permitido mas depende da noiva se deseja ou não ter "sexo vinculativo" que é um processo especial e específico.
Além disso, Olivia é uma humana que se sente raptada da sua vida na Terra e muito contrariada com toda a situação. A promessa de amor eterno e sexo ardente poderá não ser o suficiente para a convencer a ficar com Baird. Ou será?
Pontos positivos: A mitologia em redor à reverência pelo sexo feminino pelos Kindred e o quanto eles estão dispostos a dar a vida para proteger a sua fêmea.
Pontos negativos: O episódio na casa da Jillian foi um pouco desnecessário. Não haver menção quanto à idade dos Kindred e expectativa de vida.
Fez-me reflectir sobre: Esta insistência ridícula de humanizarmos qualquer conceito de biologia extraterreste.

Só Ler Não Basta - Ep. #3.2 - "Steampunk 101"

O tema deste mês foi o Steampunk e decidimos juntar o nosso hangout ao o do Clockwork Portugal e falar com eles em directo sobre este tema ainda pouco conhecido mas do qual somos fãs.

Saga The Iron Seas da Meljean Brook
Série Leviathan de Scott Westerfeld
The Golden Compass de Philip Pullman
Série Parasol Protectorate Gail Carriger
Steampunk Bible
The Anubis Gate de Tim Powers
Lista "Best Steampunk Books"
A Corte do Ar de Stephen Hunt
O Reino Mais Além das Ondas de Stephen Hunt
Boneshaker de Cherie Priest 
Almanaque Steampunk
Blog do Clockwork Portugal

Só Ler Não Basta - Ep. #3.1 - "Leituras Março 2013"


O anúncio do dia da mãe da Amazon (feito pelo SNL)

Artigos Interessantes:

Livros:
Carla - Possessão, por A.S. Byatt
Telma - Rebecca, de Daphne du Maurier
Diana: - A Senhora da Magia, de Marion Zimmer Bradley -
- The Iron Duke, de Meljean Brook

Bom filho à casa torna

Eu sempre soube que um dia voltaria a abrir um blogue pessoal nos blogues do SAPO. Só não sabia bem o quando e como.


Agora regresso com o meu "Diário da Casa", que mantinha desde 2010 no Posterous. Com o encerramento do Posterous a 30 de Abril, os actuais inquilinos da plataforma vêem-se obrigados a procurar novos lares para os seus blogues e aqui estou com o meu.


Não deixa de ser irónico que a mudança de plataforma acabe por acontecer antes da mudança real. Quem diria?


A mudança correu bem, graças à ferramenta de exportação que o Posterous disponibiliza. Depois foi só importar como se um blogue wordpress se tratasse.


O mais chato vem agora, os detalhes, os pormenorzinhos. A template encaixa bem mas sinto que está tudo desarrumado. Ter de arrumar 3 anos de blogue é simplesmente aborrecido mas terá de ser feito.


Por isso espero que, de hoje em diante, este blogue, que cheira a novo, neste "bairro" que bem conheço, possa continuar a ser o registo da minha história, desde comprar a minha casa, até habitá-la.



 


Até lá, fica aqui a foto do meu azevinho, o único habitante actual da casa real.

A intimidade da leitura num mundo de partilha de informação

Há uns anos atrás, estava a ver o telejornal quando, uma professora primária ao ser entrevistada, se sai com esta afirmação: "Ler é um dos actos mais íntimos que podemos fazer." E eu pensei (com a minha mente perversa e impura) que aquela senhora era professora primária e que tinha acabado de dizer aquilo para a televisão!
Mas, passados estes anos, compreendo bem aquela afirmação: significa que eu aceito que a voz de outra pessoa me inunde, que encha a minha mente de imagens e de mundos. É preciso haver uma rendição da minha parte, abdicar um pouco da minha realidade, para aceitar deixar entrar essa outra realidade de alguém.  E é por isso tão interessante que o mesmo livro, que foi escrito apenas com aquelas palavras e que tem apenas aquele formato, ter tantas reacções diferentes e tantas interpretações distintas, porque cada pessoa que o lê é única e cada pessoa tem a sua forma de interpretar e interagir com o mundo.
Por isso é que é tão interessante falar e discutir sobre livros e hoje, com blogues e redes sociais, essa discussão acontece a todo o momento, todos os dias, a qualquer hora, com qualquer livro que lemos. 
Todos têm algo a dizer sobre o livro que estamos a ler, porque sabem quando o começámos ou em que página em que vamos. Perguntam-nos o que estamos a achar, se estamos a gostar, dizem-nos que gostaram muito do livro e porquê, aproveitam para explicar que aquele livro foi adaptado para filme e que é muito bom, indignam-se quando não pontuamos merecidamente o livro mesmo quando justificamos porquê... Eu, culpada de todos estes comportamentos, sinto por vezes que deixei de ler livros sozinha. Não é que seja mau (isto não é uma queixa, é mais um lamento) mas por vezes sinto saudades de pertencer a um mundo de abençoada ignorância em que ninguém tem de provar constantemente a ninguém o seu conhecimento sobre tudo um pouco.

Este sentimento começou a formar-se no início do ano, na mesma altura em que comecei a ler a "A Guerra dos Tronos". Acho que foi provavelmente o meu receio de ser confrontada com alguma reacção negativa de algum fã, além dos inúmeros "likes" no Goodreads aos meus "status updates" de leitura, ao ponto de ter de desligar as actualizações para não ser mais incomodada.
Na mesma altura, também no Goodreads, encontrei por acaso um tópico de pessoas que perguntavam se podiam ter estantes secretas. (Já agora, a resposta é não, mas podem criar um grupo secreto cujo único membro são vocês mesmos e usar essas estantes para lá meterem livros). Essas pessoas queriam usar o Goodreads para catalogar a biblioteca delas mas não queriam expor publicamente todos os livros que tinham. Não queriam que amigos e familiares soubessem que tinham certos e determinados livros.
Ora eu, que sempre fui grande fã da partilha, de repente percebi o que sempre deveria ter sido óbvio: que também tenho direito à privacidade da minha opinião sobre aquilo que leio, se assim o decidir. Que os livros que possuo, o que penso sobre o que li, aquilo que gosto ou não é algo que só a mim me diz respeito.
Eu sei que isto parece contraditório vindo de alguém que tem um blogue e que iniciou há tão pouco tempo um videocast sobre livros. A verdade é que chegar a esta conclusão também me surpreendeu!

O objectivo principal do meu blogue sempre foi o de registar a minha opinião de cada livro que leio para mais tarde recordar mas não vou mentir que já dei por mim a matar-me a escrever uma opinião porque pensei em quem iria ler aquilo e sinceramente é também isso que me está a provocar esta ansiedade. Mesmo que eu tente evita-lo, até ao momento de escrever a opinião, irei sempre estar constantemente a falar do livro, mesmo que seja pouco, ao ponto de não desejar escrever nada, quando chegar a altura de o fazer.
E, pior do que isso, devido a esta interação social online constante, pergunto-me até que ponto não fica deturpada a minha opinião sobre um determinado livro. Tal como diz a Susan Cain, na sua apresentação "The Power of Introverts": "quando estamos num grupo de pessoas, instintivamente imitamos as outras pessoas sem nos apercebermos e seguimos as opiniões da pessoa mais dominante ou carismática no grupo, mesmo que essa pessoa não seja propriamente o melhor conversador ou o detentor das melhores ideias." Eu quero seguir as minhas próprias ideias e tirar as minhas próprias conclusões quando termino um livro e depois procurar falar sobre ele. Mas também não quero passar a vida a sentir que estou a justificar-me porque é que não gostei tanto daquele livro tão famoso que toda a gente gosta. Quero opinar sobre o assunto e deixar o assunto morrer.

Se cinquenta por cento das leituras que faço são para fins recreativos apenas, os outros cinquenta têm como  objectivo compreender o mundo através de outros olhos que não os meus, experienciar algo que a minha própria vida não me proporciona e por isso poder crescer e tornar-me (espero!) uma pessoa melhor. Como posso fazer realmente essa reflexão e chegar sozinha a certas conclusões, no meu íntimo, no meu silêncio, rodeada de um mundo de pessoas que não se calam?
Talvez tenha sido o meu excesso de oversharing nos últimos anos que me esteja a levar a sentir-me assim e até mesmo neste momento em que termino este texto pergunto-me se não estou a partilhar demasiado. "Vão pensar que os estou a mandar calar quando podia simplesmente fechar o computador" é o que penso que vão pensar. Mas esta reflexão serve para tentar compreender a dinâmica da leitura como acto e a dinâmica de falar sobre livros como distintas e como eu hoje me sinto que um poderá estar a estragar o prazer do outro.

É demasiado errado querer ler e, sobre o que leio querer reflectir, sozinha? Mesmo que o faça usando meios tão públicos como blogs e redes sociais como o Goodreads?

Quanto à forma como vou resolver esta minha insatisfação ainda não sei, não decidi. Não tenciono fechar o blog ou parar de escrever opiniões. Também não tenciono deixar de ler outras opiniões, aliás é uma das actividades que ainda me dá algum prazer fazer quando olho para um blogue de livros. Porque como são os "likes" e as pequenas perguntas durante a leitura que me aborrecem talvez eu elimine as actualizações por algum tempo ou até escreva as opiniões do que leio mas não as publique por enquanto. Por enquanto fica o desabafo, logo verei como poderei solucionar.

Já agora, serão bem-vindas sugestões!