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Telmixa

Mix de leituras, organização, tv, filmes, tecnologia e de mim, claro!

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Filha do Sangue

 Resumo: O mundo dos Sangue é dominado pelas mulheres, as Feiticeiras. Esta sociedade matriacal e de longa longevidade é hierarquizada pela cor das jóias e está duramente corrompida pelo abuso poder. Os Sangue perderam noção da sua missão: proteger e cuidar do seu mundo, Terreille. Existem mais dois mundos: O mundo das Sombras, Kaeleer e o Inferno. Há por isso quem anseie pela chegada da Rainha, aquela que acabará com a corrupção, que irá dominar os Sangue e reinar com justiça.
Em Terreille há uma criança muito especial e misteriosa, que consegue viajar sem dificuldades entre mundos e lugares. Uma criança tão poderosa que Saetan, o Senhor Supremo do Inferno, decide ser o seu mentor. Mas não é apenas Saetan que acredita que Jaenelle é especial. Deamon sabe que a Rainha iria chegar um dia e fará tudo para estar com ela e protegê-la. No entanto Jaenelle está em perigo, pois há forças sedentas de poder que não desejam ser substituídas. O maior desafio de Saetan, Lucivar e Daemon será proteger Jaenelle.
Crítica: Eu tenho uma grande dificuldade em memorizar nomes. Talvez por isso tenha uma especial alergia a livros com nomes difíceis de memorizar (e pronunciar). A Filha do Sangue é um desses livros. Começar a ler este livro foi como um salto no abismo: de repente estamos imersos neste mundo de fantasia tão diferente e estranho e ao mesmo tempo tão rico, intenso e inebriante. É tão difícil pousá-lo assim que compreendemos as jóias, os locais e os personagens. Adorei a escrita de Anne Bishop, tão emotiva, por vezes quase visceral. Aqui deixo o meu elogio à Cristina, que conseguiu manter intacta a voz de Anne Bishop na tradução que fez. Compreendo agora o amor que tem em relação a estes livros.
Mais interessante ainda foi as vezes que fui surpreendida. Imprevisível no desenrolar de acontecimentos, misteriosa e empolgante, senti-me cada vez mais agarrada a cada página que lia, temendo os acontecimentos finais, desejando ardentemente um final feliz. Oh, como o fim é chocante!!! Raramente leio dois livros do mesmo escritor ou da mesma saga seguidos mas dei por mim a agonizar até me emprestarem os dois seguintes (Obrigada, Célia).
Jaenelle é, neste livro, uma criança e apesar de ser um dos personagens principais, nunca nos é dado a sua perspectiva. Assim, tudo o que sabemos dela é o que nos é contado da perspectiva dos outros personagens, mantendo-a sob o véu de mistério e aumentando assim o fascínio que sentimos por ela, em tudo semelhante ao que os outros personagens sentem.
Daemon é o herói romântico mas, como nada nesta história é convencional, assim Daemon também não o é. Foi as suas características que me fizeram pensar e reflectir sobre a inversão de papéis nesta história (as mulheres são o sexo dominante). Muitas vezes pensei em Daemon como o personagem com mais características femininas, com toda a sua predisposição para ser submisso perante a Jaenelle.
Lucivar foi talvez aquele que mais curiosidade me despertou, principalmente por causa das asas.
Os vilões desta história são na sua maioria mulheres mas há também vilões do sexo fraco que, por o serem, encontram uma forma de contornarem o sistema e darem forma e vida às suas perversidades.
É um livro que dá início a uma trilogia rica e fantástica, que vale a pena ler.

Pontos positivos:
A escrita, a riqueza e detalhe no mundo criado, a forma cativante como a acção se desenrola.
Pontos negativos: Inicialmente há muitas mudanças de perspectiva entre mundos e personagens e depois há uma parte muito longa que é centrada practicamente em dois personagens e onde todos os outros quase que se desvanecem.
Fez-me reflectir sobre: Submissão.
Título Original: Daughter of the Blood